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Vacas secas precisam de resfriamento no verão também

POR ISRAEL FLAMENBAUM

COWCOOLING - FLAMENBAUM & SEDDON

EM 14/06/2019

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As perdas de verão na produção de leite são geralmente relacionadas ao impacto negativo do estresse térmico sobre as vacas em lactação. De fato, isso é verdade, devido ao grande efeito negativo do estresse térmico sobre o consumo de ração e a eficiência da utilização da ração por vacas em lactação, assim como sobre as características reprodutivas.

Recentemente, verificou-se que também vacas secas, embora não produzam leite, são afetadas negativamente quando submetidas a condições de estresse térmico, principalmente devido à menor produção de leite e sólidos no início da lactação subsequente, maior incidência de doenças (devido à queda da função imunológica), distúrbios metabólicos e piora nas características de fertilidade.

Todas essas mudanças ocorrem após o parto e nos estágios iniciais da lactação subsequente, embora ocorram no outono e no início do inverno, quando o estresse térmico já terminou.

As primeiras publicações descrevendo o efeito negativo do verão em vacas que emprenham depois apareceram nos anos setenta na Flórida. Naquela época, as vacas leiteiras eram mantidas em abrigos tipo “curral”, com acesso limitado à sombra, enquanto as vacas secas eram mantidas do lado de fora, sem sombra alguma.

Os dados do “Herd Book” da Flórida mostraram que as vacas que pariram no final do verão e no outono produziram cerca de 15% menos leite na lactação subsequente em comparação com as que pariram no inverno. Pesquisadores de Gainesville, Flórida, mostraram que vacas secas que tiveram oferta de sombra durante o período seco, deram à luz a bezerros mais pesados e produziram 5% mais leite nos estágios iniciais da lactação subsequente, em comparação com vacas secas sem qualquer sombra (1).

Com base na experiência adquirida nos anos setenta na Flórida, e devido ao fato de que as vacas secas em Israel geralmente recebem sombra suficiente, decidimos, em meados dos anos 80, investigar o efeito do resfriamento das vacas secas por uma combinação de umidade e força de ventilação (como fizemos com vacas em lactação), no peso da prole e na produção de leite na lactação subsequente. No grupo controle, vacas idênticas tiveram fornecimento apenas de sombra (2). O peso dos bezerros e a produção média diária de leite no primeiro trimestre de lactação estão descritos na Tabela 1.

Tabela 1 - Peso ao nascer dos bezerros (kg) e produção média diária de leite (kg), nos primeiros 150 dias de lactação em vacas secas e resfriadas, em relação às vacas providas apenas de sombra.

Vacas secas precisam de resfriamento no verão também

A partir dos resultados apresentados na tabela 1 podemos ver que as vacas resfriadas no período seco influenciaram positivamente as vacas adultas, mas não as novilhas, antes da primeira lactação.

O resfriamento das vacas secas pelo sistema de nebulização de baixa pressão (3) e pelo sistema de nebulização de alta pressão (4), fornecido em climas áridos do Noroeste do México e Arizona, aumentou a produção de leite no início da lactação subsequente em 7,5% e 4,0%, respectivamente. O resfriamento intensivo de vacas secas por uma combinação de umidade e ventilação forçada poucas vezes por dia no verão foi estudado em condições quentes e úmidas em Israel (5,6) e na Flórida (7).

Vacas secas, resfriadas durante todo o período seco, produziram cerca de 10% mais leite no início da lactação subsequente (estudos israelenses) e quase 20% em quase toda a lactação subsequente (estudo da Flórida), comparadas às vacas secas que tiveram fornecimento apenas de sombra. Há, no entanto, um efeito de duração, pois as vacas secas resfriadas apenas durante a porção final do período seco apresentaram menor resposta de produção de leite ao tratamento de resfriamento, em relação aos estudos que resfriaram as vacas durante todo o período seco (8).

Os resultados dos diferentes estudos descritos acima são apresentados na tabela 2.

Tabela 2 - Produção média de leite (kg/d) de vacas secas resfriadas por diferentes sistemas, em comparação às vacas que receberam apenas sombra:

Vacas secas precisam de resfriamento no verão também

Em conclusão:

O estresse térmico afeta negativamente as vacas secas também. Em comparação com as condições climáticas normais, as vacas secas em condições de estresse térmico tendem a produzir menos leite com menos gordura e proteína na lactação subsequente, são mais sensíveis às doenças precoces da lactação e têm maior risco de menor fertilidade.

O resfriamento das vacas secas melhora a produção de leite na lactação subsequente e, além disso, melhora o status imunológico em um momento de risco significativo de doença. O efeito positivo do resfriamento no período seco é muito maior nas vacas adultas do que nas jovens.

O resfriamento das vacas secas pode ser fornecido por diferentes sistemas de resfriamento, adaptando-os às condições climáticas e de instalação da fazenda. Espera-se que o resfriamento das vacas secas as impeça de ativar os mecanismos do corpo para dissipar a carga de calor (principalmente distribuindo mais sangue à superfície da vaca, devido aos hormônios e nutrientes sanguíneos que precisam atingir os órgãos internos, entre eles o útero).

Parece que a intensidade de resfriamento das vacas secas pode ser menor que a fornecida às vacas de alta produção (total de horas de resfriamento por dia). Isso se deve ao fato de que as vacas secas geram menos calor a ser dissipado. De qualquer forma, o resfriamento deve ser implementado o mais cedo possível no período seco para maximizar o benefício para a vaca quando ela transita para a lactação.

O resfriamento de vacas secas em rebanhos de alto rendimento pode aumentar a produção anual de vacas com partos no final de verão e no outono em mais de 1.000 kg por lactação (300 kg por ano para cada vaca no rebanho). A relação de custo-benefício de resfriamento de vacas secas é ainda maior do que o resfriamento de vacas em lactação (menores gastos de resfriamento em relação ao benefício obtido).

Referências bibliográficas:

1 - Collier et al – J. Anim. Sci. (1982),  54 :308
2 - Wolfenson et al – J. of Dairy Sci. (198), 71 :809
3 - Avenadano- Reyes et al – Livestock Sci. (2006), 105 :1988
4 - Armstrong, D.V – J. Dairy Sci. (1994), 77:2044
5 - Flamenbaum et al – Israel Dairy Conference (2006),  (in Hebrew)
6 - Adin et al – Livestock Sci. (2009), 124:189
7 - Tao et al -  J. Dairy Sci. (2011), 94 :5976 
8 - Urdaz et al – J. Dairy Sci. (2006), 89 :2000
9 - Karimi et. al. J.Dairy. Sci. (2015).   98:6865.

ISRAEL FLAMENBAUM

Especialista no estudo do estresse térmico em vacas leiteiras, professor na Hebrew University of Jerusalém, tem ministrado cursos e treinamentos sobre o assunto em diversos países.

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ROSANE

SEROPEDICA - RIO DE JANEIRO - PESQUISA/ENSINO

EM 14/06/2019

Muito bom o artigo. Informações muito interessantes.