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Apenas pouquíssimos produtores no mundo conseguem resfriar adequadamente suas vacas nos dias de hoje

POR ISRAEL FLAMENBAUM

COWCOOLING - FLAMENBAUM & SEDDON

EM 22/07/2019

5 MIN DE LEITURA

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Quais são as principais consequências do estresse calórico?

"Quanto à produção de leite, existem diferentes fatores, não apenas volume, mas também teor de gordura, proteína no leite e qualidade; isto é, a contagem de células somáticas aumenta quando a vaca está em uma condição de estresse. O estresse calórico também afeta a fertilidade e o efeito é um aumento dos dias abertos acima do recomendado ou planejado. Isso acontece por dois motivos principais. Primeiro, o estresse calórico reduz a manifestação de 'cio' nas vacas e algumas inseminações são perdidas em alguns animais devido ao estresse durante o processo. Em segundo lugar, o estresse calórico reduz a taxa de concepção e ambos os fatores, juntos, estendem o intervalo entre partos acima do nível ótimo".

Quais são os principais sinais de estresse calórico?

"Existem vários. A vaca come menos, bebe mais água, fica menos ativa e procura locais úmidos para tentar se refrescar. A luta com o estresse calórico pode ser notada em um aumento do ritmo respiratório e respiração ofegante como mecanismos para dissipar o calor. Normalmente, uma vaca de alta produção não consegue dissipar sozinha o calor que gera, portanto o calor corporal aumenta e esse é um dos parâmetros que usamos. Quando surge, sabemos que a vaca está sofrendo de estresse por calor e os danos começam: diminuição na produção de leite, que é causada principalmente pela menor ingestão de alimentos da vaca, depois também a redução no teor de gordura, proteínas etc. A vaca rumina menos, tende a ficar parada para perder calor, não descansa, e quando tem que ser inseminada, não emprenha".

Que conselho você pode dar para prevenção e tratamento?

"Primeiro de tudo, a maior parte do nosso trabalho é preventiva. Nós tentamos dar as melhores condições para a vaca. Bastante sombra, espaço suficiente por vaca, procuramos que as instalações sejam bem arejadas com ventilação natural. Damos a elas espaço suficiente nos bebedouros e alimentos frescos durante o dia.

Fazemos tudo isso para evitar o estresse calórico, mas tudo o que mencionei não impede o estresse calórico quando o tempo está muito quente. A razão é que a vaca gera grande quantidade de calor, 900 watts para mantença, mais 100 watts por cada 4,5 litros que produz. Uma vaca que produz 45 litros de leite gera 1.900 watts.

É por isso que a vaca não tem chance de dissipar esse calor, sendo uma grande produtora, porque não é algo que a natureza tenha projetado para isso.O animal não consegue dissipar todo o calor que gera em condições climáticas quentes. Se não fizermos nada, a vaca diminui o seu metabolismo, diminui a ingestão de alimentos e cairá para o nível de produção que permite dissipar o calor gerado, que é em torno de 10 litros de leite, mas que não é o que esperamos que a vaca produza.

Se queremos altos níveis de produção de leite que correspondam ao potencial genético de uma vaca holandesa, temos que resfriar a vaca, fornecer alimento, água e sombra, e fazemos isso através de sistemas de refrigeração que ajudam o animal a perder muito calor.

Em relação aos sistemas de refrigeração, existem dois básicos. O primeiro, que chamamos de resfriamento direto, usa ventiladores, tecidos e, mais do que tudo, a combinação de banhos com ventilação forçada. O outro, o resfriamento indireto, é mais usado em climas secos com gotas de água vaporizada dentro de instalações fechadas, e a evaporação da água reduz a temperatura dentro do local. Estes são sistemas para zonas desérticas mas não funcionam tão eficientemente em zonas úmidas. A maioria dos projetos em que estou trabalhando estão em zonas relativamente úmidas, então o sistema de resfriamento direto é o que uso mais no meu trabalho".

Quais são as condições para aplicar o resfriamento direto e quanto dele é automático?

"A vaca gera calor o dia todo, portanto o tratamento deve ser contínuo, todos os dias. Tem que ser frequente para que a temperatura do corpo da vaca diminua ao normal e permaneça fresca. A combinação de água e ventilação é automática, funciona com temporizadores, mas a parte humana é levar as vacas para o tratamento, várias vezes durante o dia, e para isso não há automatização, fazemos com pessoal contratado. Em diferentes galpões, e isso faz parte da profissão, você precisa decidir que tipo de locais de resfriamento usar e em que condições, mas, regularmente, temos três locais principais para resfriá-las.

Uma é o curral de retenção, onde as vacas são recolhidas para serem ordenhadas, e nós a usamos para resfriá-las. Às vezes não é suficiente o tempo que lhes damos neste local devido à rapidez do processo de ordenha, de forma que para estendermos o tempo de resfriamento, construímos túneis especiais na entrada e na saída.

Se ordenharmos a vaca três vezes ao dia, isso significa que a resfriamos a cada 8 horas, mas uma vaca de alta produção precisa ser resfriada a cada 4 horas. Para poder fazer isso, temos que lhes dar tratamento entre cada ordenha, o que pode ser feito em túneis entre baias para minimizar a distância que a vaca teria que se mover ou nos currais de alimentação, quando é possível resfriá-las enquanto estão comendo. A decisão de onde e como fazer é tomada em cada unidade de produção de acordo com as condições específicas da mesma".

Você pesquisou a relação verão:inverno. Qual seria uma boa relação?

"Aproveito os três meses mais quentes do ano e os três mais frios para fazer isso, levando em conta a produção média da vaca nesses períodos. Em fazendas bem sucedidas, essa proporção é de até 95, 96 até 98%. Nos galpões que estão falhando ou não resfriando o suficiente as vacas, a proporção pode cair para 80% no verão. Casos extremos têm mostrado 70%, então a perda sobe para 30 nesses casos. E também fui a lugares muito quentes do mundo, como o sudeste da Ásia, o Vietnã, a Tailândia, o sul da China e até a América Central, com vacas europeias, onde até já vi uma proporção de 50%".

Você acha que há uma melhora notável no resfriamento em todo o mundo?

"Eu acho que apenas em uma pequena parte dos países onde há uma atividade intensiva de gado leiteiro, com raças puras e especializadas, consegue fazê-lo. Então eu acredito que há muito a ser feito com essa questão, que é relativamente nova. Onde quer que eu vá, as pessoas tentam resfriar as vacas, mas muito poucas fazendas fazem isso, porque o esquema não é bem feito ou a propriedade não cumpre os requisitos.

Também precisamos lembrar que, embora o que fazemos seja tentar ajudar a vaca, seu bem-estar e saúde, isso é um negócio e as pessoas têm que ganhar a vida com isso, então o aspecto econômico é importante. Em cada projeto em que estou envolvido, temos que calcular custos e benefícios. Temos que considerar o potencial econômico de vacas resfriadas e considero o investimento mais lucrativo para um produtor em clima quente. Na maioria dos casos, o lucro líquido por vaca por ano é dobrado. Isso ajuda a aumentar os lucros. O retorno sobre o investimento pode ser total em dois anos e há casos de apenas um ano".

ISRAEL FLAMENBAUM

Especialista no estudo do estresse térmico em vacas leiteiras, professor na Hebrew University of Jerusalém, tem ministrado cursos e treinamentos sobre o assunto em diversos países.

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LUIZ FERNANDO DINIZ

GOIÂNIA - GOIÁS - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 23/07/2019

Muito bem explicado...mesmo que algumas situações para chegar no nível de conforto para os animais os custos de adaptação talvez não se paguem..mas nada mais justo oferecer as melhores condições aos animais ..
LUIS ANTONIO SCHNEIDER

MARINGÁ - PARANÁ - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 22/07/2019

Um tema que tem sido muito discutido, é consenso de grande parte dos produtores de que a necessidade de maior conforto dos animais é real e se paga. Mesmo assim temos nas andanças pelo Brasil encontrado diversos sistemas em que se esquece ou se relega a segundo plano o efetivo objetivo..."Conforto Animal", ou seja tornar o ambiente adequado as condições da vaca, deveria ser a meta... e diretamente relacionado a este efetivo conforto e temperatura, está o retorno do investimento. Buscar informações, com quem já implantou sistemas, exemplos de sucesso, é certamente um bom caminho. Trabalho com equipamentos e posso garantir, que não basta uma boa marca, um motor diferenciado, se não houver, orientação, planejamento, manejo adequado e posteriormente uma ordenha bem feita para garantir que todo este leite produzido pelas vacas realmente seja extraído da melhor forma possível. Parabéns pela matéria do Adriano Seddon e do mestre Israel Flamenbaum....profissionais que realmente são grandes conhecedores.