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Prorrogaram a IN-62. E agora?

POR CLÍNICA DO LEITE

CLÍNICA DO LEITE/AGRO+LEAN

EM 10/05/2016

6 MIN DE LEITURA

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 Laerte Dagher Cassoli
Gerente técnico
Clínica do Leite – ESALQ/USP

Nesta última semana, a Ministra da Agricultura, Katia Abreu, assinou a prorrogação da IN-62 por 2 anos. Os novos limites para CCS e CBT que entrariam em vigor no dia 01 de julho deste ano, serão válidos somente em 2018 nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Já para as regiões Norte e Nordeste, será somente em 2019.

Mas afinal, qual a razão para prorrogarmos os novos limites? Qual o impacto para a cadeia produtiva? O que precisamos fazer para definitivamente avançarmos na melhoria da qualidade do leite?

Um breve histórico

Tudo começou em 1998, com a criação do grupo de trabalho que recebeu a missão de elaborar uma proposta de um “Programa de melhoria da qualidade do leite” (Portaria 166 de 1998). Já no ano seguinte, como fruto do trabalho deste grupo, foi publicada a Portaria 56 que descrevia os pilares do PNMQL (Programa Nacional de Melhoria da Qualidade do Leite). Eram previstos neste programa, as normas técnicas de produção do leite, necessidades de investimentos e também treinamento dos atores da cadeia de produção. Destes três pilares, o que avançou de fato foram as normas técnicas. Os critérios de produção, qualidade e transporte do leite foram definidos, culminando na publicação da IN-51 em 2002. Na IN-51, foram estabelecidos os parâmetros de avaliação da qualidade do leite cru, como contagem de células somáticas, contagem bacteriana e composição do leite, bem como os limites para cada um deles. Esses limites seriam válidos somente em 2005, ou seja, somente 3 anos após a publicação da IN. Além dos teores mínimos de gordura, proteína e extrato seco desengordurado, também se estabeleceram os limites máximos para CCS e para CBT de 1.000.000 céls/mL e de 1.000.000 de UFC/mL respectivamente. As análises deveriam ser realizadas em laboratórios credenciados pela CGAL/MAPA e, para isso, foi criada também em 2002 a Rede Brasileira de Controle de Qualidade do Leite, a RBQL.

Os limites máximos de CCS e CBT válidos a partir de 01 de julho de 2005 sofreriam alterações ao longo de 6 anos, atingindo os limites de 400 mil céls/mL e 100 mil UFC/mL, respectivamente, a partir de 01 de julho de 2011, conforme figura abaixo:
 
Figura 1: Limites máximos para CCS e CBT nas regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste, previstos na IN-51 (média geométrica do período de 3 meses).
 
No ano de 2011, iniciaram-se árduos debates questionando se os novos limites deveriam ou não entrar em vigor. Vários artigos foram inclusive publicados aqui no MilkPoint.

Em junho de 2011, as vésperas da última etapa, o MAPA prorrogou os novos limites por 6 meses e estabeleceu a criação de um grupo de trabalho, que recebeu a incumbência de fazer uma nova proposta para a IN. Em 30 de dezembro de 2011, foi então publicada a IN-62 que trouxe uma nova proposta para os limites de CCS e CBT bem como um novo cronograma de mudança destes limites (Figura 2).
 

Figura 2: Limites máximos para CCS e CBT nas regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste, previstos na IN-62 (média geométrica do período de 3 meses).
 
Dentro de alguns meses, os limites passariam então de 300 para 100 mil UFC/mL para CBT e de 500 para 400 mil céls/mL para CCS, porém, mais uma vez esta alteração foi prorrogada, e agora por 2 anos.

Qual a situação atual considerando limites atuais e os novos?

Para CCS, publicamos recentemente um artigo em que apresentamos a situação atual de quase 45 mil produtores monitorados pela Clinica do Leite, localizados nos Estados de SP, MG, RJ, ES, GO, MS e PR. Se consideramos o limite atual de 500 mil, temos cerca de 35% dos produtores não conformes. Já considerando o limite de 400 mil, teríamos cerca de 50% dos produtores.

No caso da CBT, a situação é parecida. Se considerarmos os limites de 300 ou 100 mil UFC/mL, temos cerca de 30% e 45% de não conformes respectivamente. Essa “previsão” de produtores não conformes, publicamos há 2 anos atrás, mas se confirma em 2016 (clique aqui para reler o artigo).

Mas por que prorrogar os limites ?

Em um primeiro momento podemos pensar numa resposta óbvia, ou seja, “com os novos limites teríamos mais produtores não atendendo os novos limites legais e isso seria um problema! Passaríamos de 35% para 50% de não conformidade”.

Correto? Errado, pelo simples fato de que hoje não existe qualquer consequência para um leite que não atende os padrões. Do ponto de vista prático, tanto faz serem 35% ou 50% de não conformes.

Cabe perfeitamente a reprodução de um trecho de um artigo elaborado há dois anos em que discutíamos o que faltava para avançarmos de forma consistente na melhoria da qualidade do leite.

Confira o trecho:

O que falta?

Para responder a esta pergunta, vamos observar a figura abaixo:


Quando passamos por uma estrada com uma placa como esta e a 100 km/h, o que vai acontecer? Fácil responder, correto? Em um curto espaço de tempo, receberemos um comunicado da infração com período para indicar o condutor. Na sequência, será emitida uma multa a ser paga pelo infrator e o mesmo também terá uma pontuação na sua carteira de habilitação. Ainda caso ultrapasse a pontuação, poderá ter a sua licença suspensa.

Agora pergunto a vocês, o que acontece com um leite que ultrapassa o limite máximo de CBT, por exemplo? Infelizmente nada. A legislação brasileira não prevê o que deverá ser feito nestes casos.

Ou seja, temos os limites de qualidade (que seria a “velocidade máxima”), temos um sistema de monitoramento da qualidade pela Rede Brasileira de Qualidade do Leite (que seria o nosso “radar”), mas não temos nenhuma orientação clara de que ação deve ser tomada em caso de “infração”.

Dá para imaginar o que aconteceria se tivéssemos os limites de velocidades nas estradas, com monitoramento por radar, mas sem consequência alguma para os infratores? Certamente estaríamos ainda andando acima da velocidade máxima sem mudar o nosso comportamento. É isso o que acontece atualmente com a qualidade do leite”.

Qual o problema em se prorrogar os novos limites ?

Já que não existe consequência alguma para quem não atende os limites, por que mudar os limites?

O ponto principal é que não podemos nos esquecer que metade dos produtores brasileiros já produzem leite de acordo com os novos limites, graças ao trabalho árduo deles próprios, de técnicos e também do apoio de indústrias que realmente se preocupam em adquirir matéria-prima de alta qualidade.

Prorrogar os novos limites é um fator altamente desmotivador. Estamos mais uma vez incentivando o comportamento brasileiro de acreditar que o melhor é não fazer nada pois sabemos que na hora “H” vão dar um “jeitinho”. Temos de incentivar, reconhecer e celebrar aqueles que fizeram diferente, que mudaram sua atitude e seu comportamento e que hoje produzem leite de qualidade.

Luz no fim do túnel?

Ao mesmo tempo em que a entrada dos novos limites foi prorrogada, foi criada a CTC/Leite (Comissão Técnica Consultiva para o Monitoramento da Qualidade do Leite), através da portaria número 68 de 03 de maio de 2016.

Tal comissão, formada por representantes do governo, indústria, produtores e academia, terá como atribuição construir uma proposta para institucionalizar um “Plano Nacional de Melhoria da Qualidade do Leite (PNQL)”.

O trabalho de elaboração do plano seria pautado em alguns eixos principais relacionados a normatização, responsabilidades dos setores público e privado, assistência técnica, saúde animal, fiscalização, insumos pecuários, suporte laboratorial, infraestrutura e logística, política agrícola e financiamento, bem como estímulo ao mercado interno e ao comércio internacional.

Temos de reconhecer que a iniciativa parece promissora e, se bem executada, poderá solucionar problemas importantes que até o momento vinham impedindo o progresso da qualidade do leite no país. Que nos próximos 24 meses possamos criar uma agenda eficiente que traga condições para avançarmos de forma consistente sem a necessidade de prorrogações e frustrações.


Veja também:


5 razões da falta de sucesso na implantação da gestão em fazendas de leite

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Ser proativo ou reativo? Como enfrentar os problemas da pecuária de leite

CLÍNICA DO LEITE

Vinculada à ESALQ/USP, a Clínica do Leite é uma instituição sem fins lucrativos que atua em gestão da pecuária de leite, por meio da geração de conhecimento e da formação de pessoas.

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LAERTE DAGHER CASSOLI

PIRACICABA - SÃO PAULO - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 21/10/2016

Olá Alessandro, agradecemos pelo seu comentário. A alteração foi tanto para CCS quanto para CBT. A nova versão da Tabela 2, ficou "quebrada" no diário oficial da união, sendo parte dela na pagina 11, e a outra parte (que trata da CCS), na página 12. Caso não tenha tido acesso as 2 paginas, me informe seu email para que possa te encaminhar (laerte@clinicadoleite.com.br).
Abraço,
Laerte
ALESSANDRO CAMPOS PEREIRA

UNAÍ - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 21/10/2016

De acordo com a INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 7, DE 3 DE MAIO DE 2016, publicado no Diário Oficial da União, Nº 84, quarta-feira, 4 de maio de 2016, SOMENTE FOI PRORROGADO O LIMITE PARA CONTAGEM BACTERIANA. Portanto o texto publicado nesta matéria está incorreto, pois consta que a CCS também foi prorrogada.
TÁSSIUS LARA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 16/05/2016

A comparação com a velocidade serviu para entender sobre a falta de ações em casos de não conformidade, mas ao mesmo tempo, nos traz a preocupação de que, as ações nos casos de "infração" sobre a qualidade do leite devem ser muito bem formuladas. Pois, não basta simplesmente criar algo do tipo da multa de trânsito, na qual é emitido uma multa e perda de pontos, podendo levar a perda da CNH. Como sabemos a maior proporção de produtores de leite do nosso país ainda é composto por pequenos produtores, imagine essas pessoas perdendo sua fonte de renda. Portanto, acredito que a criação da CTC/Leite, foi um grande passo, desde que funcione de forma continuada, integral e imparcial. A questão agora é como será abordado essas questões, com esse novo governo no país.
ELISIO ANTONIO DE OLIVEIRA

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 16/05/2016

Penso que em primeiro lugar ao invés de criticar quem ainda não atingiu qualidade, seria motivar o produtor e criar mecanismos de ajuda. Fazer qualidade tem custos e os laticinios não pagam nem se quer partes destes custos aos produtores. Então qualidade se resolve através de bom senso, não por decreto.
ALEXANDRE BENVINDO FERNANDES

RIO BRANCO - ACRE - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 16/05/2016

Perfeito! Espetacular a análise feita Laerte Dagher Cassoli. Isso só mudará quando as industrias cobrarem dos seus fornecedores - Produtores. Só cobrando e punindo, que ocorrerá a transformação de "Tiradores de Leite" para "Profissionais da Atividade Leiteira".
Parabéns.
PAULO MAURICIO B BASTO DA SILVA

CASTRO - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 13/05/2016

Não é por decreto que se resolve a melhoria da qualidade do leite no Brasil. Eu tinha certeza que estes limites seriam prorrogados, pois também eram "apertados" dada as condições de nosso ambiente rural, capacitação (pequenos produtores, em especial), energia elétrica, estradas ruins, etc. Não vivemos na Nova Zelândia e nem na Europa. Evoluímos e temos que evoluir, porém com ações coordenadas de capacitação e fiscalização do produtor à indústria. A indústria deve capitanear esta evolução como já faz em alguns locais.
MAURO LUIZ GOMIDE

SACRAMENTO - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 13/05/2016

Toda e qualquer atividade, para se sustentar, precisa de resultados financeiros com uma certa regularidade. Infelizmente a atividade leite, para a grande maioria dos envolvidos, traz mais sobressaltos do que prazer ao longo dos anos. Desde que foi implantada a IN61, depois a 62, venho trabalhando no sentido de sensibilizar produtores de leite da necessidade de praticar ações que levem a melhoria dos seus padrões de qualidade; tentando mostrar a eles que com esta prática poderão aumentar seus ganhos e consequentemente os lucros. Mas percebo que na prática, não é bem isto que acontece, pois ao investir na qualidade o produtor geralmente não tem o retorno equivalente e acaba dando passos para traz. Hoje, também sou um pequeno produtor e, com toda experiência adquirida em 40 anos do lado de fora da porteira, ainda assim não consigo sobreviver da atividade.
Como outros comentários anteriores, concordo que CBT é lição de casa, tenho índices constantes inferiores a 100; porém CCS o "buraco é mais embaixo", requer conhecimento técnico, assistência profissional e GRANA.
Gilson.
LETICIA MENDONÇA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 13/05/2016

Laerte, parabéns pela análise clara e objetiva. Não há razão alguma para adiar a IN62, uma vez que ela somente estabelece os parâmetros de qualidade; e nos mostra a direção na qual precisamos caminhar (ou correr!). Mas a politicagem venceu mais uma vez. Triste.
WAGNER BESKOW

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - PESQUISA/ENSINO

EM 13/05/2016

Vivendo na Nova Zelândia é que percebi uma característica muito negativa que temos: PROCRASTINAÇÃO (nosso costume de adiar).

É uma característica latina, mais ainda latino-americana. Lá, no meio de anglo-saxões, onde horário é horário, dia tal é dia tal, vi muitos colegas altino-americanos (nossos amigos do México à Patagônia) se darem muito mal com professores por não entregarem trabalhos no dia e hora marcados.

O famoso Professor John Hodgson, meu orientador, chegou a querer entender o conceito nosso de "amanhã", pois aos alunos em débito quando ele perguntava "e o teu trabalho ("assignement"), quando vais entregar?" A resposta sempre era "tomorrow". Tomorrow em inglês é o dia seguinte ao de hoje = amanhã.

Ocorre que para nós, latino-americanos, amanhã nesse contexto, significa "eu não terminei ainda, estou trabalhando e não te preocupes que está tudo sob controle, mas na verdade não tenho data para concluir". É isso que significa "mañana"/amanhã no México, na Colômbia, Peru, Equador, Uruguay, Paraguay, Argentina, Brasil e Chile, países da América Latina com quem convivi lá.

O que acaba de ser feito, MAIS UMA VEZ, é empurrar com a barriga um problema de toda a cadeia e que ninguém tem a CORAGEM de agir como aquele pai que tem que dizer "BASTA, desliga essa TV e vai dormir que amanhã tens aula cedo".

Foi uma jogada oportunista de parte de alguns, populista de outros e frouxa dos demais. Isso não foi uma decisão séria, de país, de gente que compõe uma cadeia produtiva enorme e cheia de desafios. Foi ser latino-americano, puro.

Quando os limites da IN 51 estavam por subir degrau estive presente em uma reunião estratégica da APEX com as cooperativas brasileiras (OCB) que desejavam exportar. A pauta única era requisitos para exportação, mercados. A APEX tinha maravilhas para mostrar, mas a reunião se transformou em discussão de como resolver as exigências da IN 51 que se aproximavam em poucos meses e, naquela reunião, nasceu a alteração para IN 62.

Se no meio exportador não temos claro esses limites de qualidade, vamos esperar que o produtor faça o quê? Assuma ele a briga e saia se autoflagelando?

Tudo bem mais um "mañana", não se iria cumprir mesmo. É como a meta fiscal do governo Dilma que Temer tem que resolver agora. Será necessário aprovar meta negativa, não tem saída.

O problema é COMO é feito. Simplesmente se empurrou com a barriga o problema para daqui dois anos. Havia que ter sido aprovada uma META GRADUAL EM DEGRAUS. Empurrava-se o limite igual como se fez para dois anos, mas colocava-se aumentos em degraus no caminho que teriam que igualmente ser cumpridos. Isso obrigaria a continuada do esforço nacional em direção ao que se quer, ou não se quer mais?

Fizemos como alguém de dieta: acabamos de suspender o regime que vínhamos, afrouxamos dois buracos do cinto e sentamos à mesa de um espeto corrido, com buffet, sobremesa e bebida livre.

Agora é uma festa, mas em dois anos vamos ser chamados para a "balança", e a aí?
ESTÊVÃO DOMINGOS DE OLIVEIRA

QUIRINÓPOLIS - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 13/05/2016

Prezados

Outros países de tamanho similar ao Brasil (Austrália, Estados Unidos, Canadá) já enfrentaram esse problema e conseguiram resultados muito bons. Os seus indicadores de CCS, CBT, Proteína e Gordura médios excelentes..

Para termos condições de executar um trabalho semelhante, precisamos entender o que eles fizeram, copiar o que funcionou e adequar o que for necessário à nossa realidade...

O que eles fizeram?? Estudaram o problema à fundo, formaram escolas capazes de educar quantidade suficiente de técnicos competentes para atuar na área. Disseminaram mediante extensão rural o que é preciso em cada fazenda executar para se conseguir controlar os indicadores principais da qualidade do leite.

Isso envolveu muito tempo e muito trabalho. Os proprietários tiveram que se conscientizar que um indicador de CCS abaixo de 250.000 cél/ml representa normalmente um rebanho saudável. Um indicador de CBT abaixo de 10.000 UFc/ml representa que a fazenda está executando corretamente a higienização dos equipamentos e que o tanque de refrigeração de leite está funcionando corretamente.

Não há solução mágica. Somente muito estudo e muito trabalho. E o trabalho é de longo prazo.
ARGEMIRO MAGALHÃES

SÃO GONÇALO DO SAPUCAÍ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 12/05/2016

Não existe melhora de CCS sem Grandes Investimentos na propriedade, fica o desafio para os técnicos da area? Se algum conseguir esta façanha sem gastar muito dinheiro transfiro o prêmio de qualidade para ele. Alguém se habilita?
MATOZALÉM CAMILO

ITUIUTABA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 12/05/2016

A solução parece ser simples. Proibir a recepção de leite fora dos padrões por parte dos laticínios. Desde que estes padrões sejam realmente interessantes para todos os envolvidos. Mas o governo fica criando normas lá em Brasilia acreditando que um milagre vai surgir dos "ceus" e iluminar a todos os produtores de leite a se conscientizarem e produzirem com qualidade. Creio que os conscientes e comprometidos com causa são estes 40-50% de produtores que já se enquadram nos padrões. Os demais provavelmente irão se adequar, somente se houver bonificação/penalização mais severa. Caso contrario estaremos adiando estas INs, 51, 62, 73, 84, 95.......... sabe-se lá até quando.
att
Matozalém Camilo Neto
Veterinário Ituiutaba
GLAUCIA MEDEIROS DE FARIAS

SÃO MIGUEL - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 12/05/2016

Acredito que a solução seria desenvolver os outros dois pilares que o autor citou: necessidade de investimentos e treinamento. Investimentos em politicas de preço, fiscalização, educação sanitária entre tantos outros. Quanto a treinamento é muito fácil chegar e escrever num papel que a partir da data tal o produtor deverá entregar leite com tal CCS e tal CBT, difícil é, diante de tantas realidades diferentes em nosso país, ensinar os produtores a produzirem leite nas condições exigidas.
JOSÉ GERALDO CARDOSO GALVÃO

ITUIUTABA - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 12/05/2016

Fazer lei e não colocá~la em prática não resolve nada , até hoje nunca vi um produtor fora do padrão ser excluido do laticínio
AÉCIO LINCOLN DE SÁ RORIZ NEVES SILVA

RECIFE - PERNAMBUCO - PESQUISA/ENSINO

EM 12/05/2016

Semana passada escutei de um produtor (queijeiro): "Faz 10 anos que escuto dizer que as coisas vão mudar e nada mudou, agora, eu não acredito em mais nada..."
Lendo essa notícia eu me pergunto, se ele não tinha razão. Concluo portanto, Fazer Qualidade é algo inerente à pessoa, acredito que é necessária e importante e que não devemos apenas entende-la como uma forma de lucro, não se deve fazer qualidade apenas porque nos é imposto, mas a escolha de que caminho se deve seguir é de cada um.
Este é o meu pensamento, quanto a argumentos técnicos, nesse momento prefiro não argumentar tecnicamente, apenas repassar a minha filosofia enquanto profissional consciente, de que Qualidade faz-se com o envolvimento de pessoas e que por vezes utilizam-se de ferramentas.
Não digo que o produtor está errado e muito menos esse texto refere-se a ele, pois somente ele é que ao longo desses anos buscou dentro da sua realidade melhorias, e é quem mais sabe o que passa para tentar sobreviver nesse mercado complexo. Meu parecer é para aqueles que assim como eu, também ficaram, mais uma vez, decepcionados com a falta de compromisso do próprio Setor em entender e ver o crescimento que passa pelo caminho da mudança, de hábitos, costumes e mentalidade.
Além do que, desvaloriza todos o esforço investimento que foi feito por poucos na busca de melhoria e da distribuição de serviços e produtos de Qualidade.
THIAGO NARCISO

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 12/05/2016

Roney concordo com vc e mais, estamos no meio de uma crise muito seria no setor, onde as margens de lucro despencaram. Hoje, muitos produtores PROFISSIONAIS estão padecendo sobre seu rebanho. Como produzir leite em quantidade e qualidade com os valores aplicados ao produtor? Se algum produtor aqui estiver com sua atividade economicamente saudável, esta fazendo milagre, pois a cada dia que passa vejo colegas de profissão abandonando a atividade. Como crias bezerras? Como investir em infra estrutura? Digo a vocês: eu não quero empréstimo do governo eu quero uma margem de lucro na minha atividade em que eu possa programar meus investimentos. Falar em IN 62 e parâmetros do leite cru no momento em que passamos soa até como brincadeira ou até mesmo ofensa. Senhores varejistas e senhores beneficiadores de leite, dei-nos um pouquinho dessa grande fatia da lucratividade que o nosso mercado gera para vocês, que é muita, que vocês terão um produto de qualidade e em quantidade.
Outra coisa o nosso setor tem que ser profissional, produtor rural tem que deixar de ser portador de cartão de produtor rural e virar portador de um CNPJ, virar Micro empreendedor que negocio é esse de produzir matéria prima e não ser empresa? É incoerente. Que tem esse pensamento paga pela maioria que não tem. Hoje em dia qualquer um pode colocar meia dúzia de vaquinhas e tirar leite de qualquer jeito. Se querem qualidade vamos profissionalizar e dar meios para que o pequeno produtor evolua. Vamos ensinar e dar meios a ele para que o mesmo aprenda a adubar sua pastagem, a irrigar, a melhor seu manejo zootécnico entre outros. Então está tudo errado é o poste mijando no cachorro. Primeiro cobram qualidade e depois vamos ensinar a obte-la. Isso é Brasil......
H JUNIOR RANCHO JR.

CACHOEIRA ALTA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 12/05/2016

Seria ótimo mas acho que devem fiscalizar primeiro,e o preço do leite uma vez que pagam desigual,
RONEY JOSE DA VEIGA

HONÓRIO SERPA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 12/05/2016

Ë triste ver que o pensamento ainda se baseia em reforço negativo para atingir resultados, É por isso que não se consegue!
Fala-se em penalizar quem não atingir parâmetros de qualidade de país de primeiro mundo, e não o inverso, premiar quem atinge esse nível de qualidade!
Quando a Indústria começar a repassar os ganhos que tem com o produto de qualidade entregue a ela, acredito sinceramente que o produtor poderá investir, sim a palavra é investir, para melhorar seu produto.
Não esqueçamos que a questão de CCS e CBT, não é apenas esmero e higiene na ordenha, mas também questão de infra-estrutura, e esta é altamente deficitária nas propriedades . E somente quem já construiu algo sabe quanto realmente custa, e o tanto de lucro que deve ser reinvestido para conseguir.
Nós assistimos nos últimos 2 anos os produtores reduzirem rebanho, até saírem da atividade em função dos baixíssimos preços praticados, hj os Laticínios estão correndo atrás do prejuízo, e assim vai o ciclo do leite no Brasil, altos e baixos; e enquanto os laticínios não enxergarem o produtor como parceiro mesmo, e vice-versa, e os preços forem formados apenas na questão da oportunidade de negócio, não iremos muito a frente em programa de melhoria nenhum!
Por um Brasil mais Justo e Perfeito,:
MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 12/05/2016

MARCOS SÁ

SÃO PAULO - TOCANTINS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 12/05/2016

Seria legal essa nova faixa começar a funcionar, mas querendo ou não o próprio mercado acabará incentivando os produtores a entregar um leite com mais qualidade. Creio que o número de produtores já dentro da faixa ideal deve ser maior que os valores citados pelos estudos, já que, muitos como eu mesmo, entregamos ao laticínio um leite de ccs e cbt menor em relação ao leite levado para amostras em laboratório.
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