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Impacto da mastite. Você já fez a conta ?

Por Laerte Dagher Cassoli
 
Neste artigo gostaria de ressaltar a importância da mastite e o seu impacto financeiro. Pode parecer algo já muito discutido e bem conhecido, mas é comum notarmos produtores que não sabem o quanto estão perdendo em função desta doença em sua na fazenda. Isso porque, em grande parte, a perda é “invisível” e pouco percebida.

Somado a isso, estamos passando neste ano por um momento de alta de preços do leite, mercado aquecido e “falta de leite”. Num cenário como este, percebe-se também que a qualidade do leite fica em muitos casos em segundo plano.

Desejo e todos, uma excelente leitura, e espero que este artigo possa contribuir para uma reflexão sobre o tema.

Qual o impacto da mastite para o seu negócio ?

a) Impacto da mastite clínica

O impacto da mastite clínica é facilmente percebida pelo produtor. Não tem algo pior para ordenhador e proprietário, do que se deparar uma vaca com mastite clínica no momento da ordenha. As perdas relacionadas a um caso de mastite clínica, são relacionadas à:

1. Custo com medicamentos/tratamento
2. Redução na produção de leite, durante e após o caso clínico
3. Descarte do leite caso tenha sido utilizado antibiótico
4. Eventual custo com veterinário
5. Eventual morte do animal
6. Eventual impacto na reprodução, como por exemplo, aborto em caso de gestação recém confirmada.
7. Eventual contaminação do leite do tanque com resíduo de antibióticos e condenação do leite por parte da indústria.

Existem levantamentos que tentam estimar o custo de cada caso clínico associado a perda de leite, custo com tratamento e descarte de leite com resíduo. Cada fazenda poderia calcular sem grandes dificuldades o custo por caso. Em geral, temos observado algo entre R$ 100 e R$ 300 dependendo da produção da vaca e protocolo de tratamento utilizado.

b) Impacto da mastite subclínica (CCS)

Para mastite subclínica, vale aquela velha frase “o que os olhos não vem o coração não sente” e adaptada para a questão financeira, ficaria: “o que os olhos não vem o bolso não sente”.

Vaca com mastite subclínica não apresenta alteração visual do leite, apesar de se observar uma aumento na contagem de células somáticas.

Existe forte correlação entre presença de infecção na glândula mamária e a CCS do leite. Estudos mostram que uma vaca com CCS acima de 200 mil cels/mL tem mais de 85% de chance de estar infectada.

As células somáticas, são células de defesa do animal, que migram da corrente sanguínea para o interior na glândula mamária para combater, por exemplo, uma bactéria. Se existe alta CCS no leite, sinal que temos grande chance de ter bactérias se multiplicando no interior do úbere.

Para a mastite subclínica, temos os seguintes prejuízos:

1. Redução na produção de leite

Neste processo de migração da corrente sanguínea para o interior do úbere, as CCS acabam destruindo algumas células secretoras de leite. Observe na Figura 1, que para entrar no interior de um alvéolo, a CCS (1) teve de abrir “espaço”, e uma das células que sintetizam o leite (2), foi perdida.

Se neste processo, células secretoras morrem, já fica evidente que um dos impactos da mastite, é a redução da produção do leite. Isso, tanto no caso clínico como num caso subclínico.




Existem vários estudos correlacionando perda de produção em função da CCS. O Gráfico abaixo mostra a correlação entre CCS do tanque, prevalência de mastite subclínica e perda de produção do rebanho.



Por exemplo, uma fazenda com CCS no tanque de 600 mil cels/mL, possui cerca de 50% das vacas com mastite subclínica, e perde aproximadamente 7% da produção.
Vale ressaltar aqui que esta perda não é percebida facilmente pelo produtor.

c) Menor remuneração do leite

De acordo com um levantamento realizado com as 360 indústrias monitoradas pela Clínica do Leite, cerca de 40% dos produtores analisados já recebem em função da qualidade. Este número vem crescendo a cada ano, e o pagamento por qualidade vem sendo cada vez mais importante para os produtores, que passam eles próprios a definirem parte do valor final do litro de leite.

Geralmente os programas levam em consideração a CCS, e a diferença entre leite de baixa e alta qualidade, pode chegar em média a R$ 0,08/litro.

Desta forma, uma fazenda com CCS alta pode estar reduzindo a sua receita bruta em 5 a 10%, o que pode representar a diferença entre ficar ou sair da atividade. Esta é uma perda direta e facilmente percebida pelo produtor quando recebe o demonstrativo da indústria no final do mês.

d) Atendimento as exigências legais

Atualmente está em vigor o limite de 600 mil cels/mL das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Sabemos que ainda não existe uma regulamentação do que deverá ser feito com um leite não conforme, que não atenda a estes limites. O MAPA está com uma árdua tarefa pela frente, que será a de elaborar estas “normas de destinação do leite” que não atenda as exigências legais.

Sabemos que uma hora ou outra, isto será definido e caberá ao produtor buscar a adequação. Como a mastite é uma doença complexa cujo controle pode levar de 2 a 3 anos, devemos começar o quanto antes a desenvolver um programa de controle.

Num momento de falta de leite, certamente haverá uma maior seleção dos produtores e aqueles com leite de melhor qualidade, serão os preferidos pelas indústrias.

Voce já fez a conta ?


E você já fez a conta de quanto você está perdendo em função da mastite ? Para facilitar este diagnóstico, a Clinica do Leite – ESALQ/USP, desenvolveu um simulador em que você pode estimar a perda da mastite para a sua fazenda. Abaixo apresentamos um exemplo para uma fazenda:

Comentários:

- Fazenda está com uma CCS de 800 mil e tem como meta 150 mil.
- Fazenda está com incidência de mastite clínica de 3%, e gostaria de no máximo 1%
- Fazendas está com descarte de 6% devido a mastite, e gostaria de apenas 2%



No exemplo, a fazenda perde por ano, cerca de R$ 52 mil. Observe que a grande parte esta relacionada com a perda na produção (mastite subclínica), menor remuneração, descarte/morte, e finalmente mastite clínica.

Estamos disponibilizando gratuitamente este simulador para download. Basta digitar o link abaixo em seu navegador. Descompacte o arquivo MASTITE.ZIP para um local de sua preferencia. Em seguida abra o arquivo “simulaperdamastite.html” em seu navegador de internet e configure para a sua fazenda.

Link para download: https://db.tt/NBgrhAfm

Considerações finais

Num momento de mercado como este, de alta de preços e falta de leite, muitos produtores acreditam que a “qualidade do leite” pode esperar. Também por outro lado, algumas indústrias acabaram revendo os seus programas de pagamento com receio de perder fornecedores.

A mastite é sem dúvida alguma uma das doenças de mais difícil controle. Além disso, é uma das que mais causa prejuízos financeiros ao negócio, e grande parte deste prejuízo, não é facilmente perceptível.

CLÍNICA DO LEITE

Vinculada à ESALQ/USP, a Clínica do Leite é uma instituição sem fins lucrativos que atua em gestão da pecuária de leite, por meio da geração de conhecimento e da formação de pessoas.

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MURILO SHIBATA

MARECHAL CÂNDIDO RONDON - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 28/03/2018

Olá, este link não existe mais.

Haveria outra forma de conseguir esse simulador?

Abraço
Murilo
CLÍNICA DO LEITE

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 01/10/2015

Olá Eduardo, por favor envie seu email de contato.

Abc
Laerte
EDUARDO GOMES DE SIQUEIRA E SILVA

VALENÇA - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 01/10/2015

É realmente excelente o artigo e muitissimo importante a matéria. Gostaria muitissimo de poder calcular mas não consigo abrir o simulador mesmo seguindo as orientações. Uso Win 8.1. O Open Office abre uma página em código fonte e nada acontece. Podem me ajudar?
Obrigado
Eduardo
CLÍNICA DO LEITE

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 29/03/2014

Olá Duarte,
Sem duvida alguma o processo de amostragem é critico no processo de monitoramento da CCS. Por favor, envie suas duvidas para a nossa equipe de relacionamento em gr@clinicadoleite.com.br.
Saudações
DUARTE DE VARGAS FERREIRA

VITÓRIA - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 29/03/2014

Dr Laerte, parabéns pela matéria!
Temos o problema da mastite sub-clínica. Ficamos sabendo que podemos mandar amostras do leite para ser analisado aí. Como proceder?
Diante de todos os cuidados q temos, até pensamos que pode estar escapando algum cuidado na hora da coleta e envio para Embrapa.
Aguardamos
Duarte e Rosalina
CÁSSIO DE OLIVEIRA LEME

PARANAPANEMA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 25/03/2014

Caros amigos, temos que aceitar que a mastite é uma doença que sempre estará muito próxima das vacas, quase inevitável. A questão é quanto custa negligenciá-la. Este artigo deixa bem claro que esta doença exige muita atenção pelos prejuízos que causa, mas a decisão de controle cabe a cada um. Caso o produtor ache muito trabalhoso monitorá-la e corrigi-la, cabe a ele assumir os prejuízos de sua decisão e correr o risco de fechar seu negócio por ineficiência.
CLÍNICA DO LEITE

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 24/03/2014

Boa tarde a todos. Fica evidente que temos um grande desafio pela frente e a pergunta é sempre "mas é ai ? fazer o que ?". Nos últimos anos temos trabalhado exatamente no desenvolvimento de um método para o controle da mastite chamado MASP Mastite (Método e Analise de Solução de Problema de Mastite). Este método é apresentado aos interessados na forma de curso presencial de 16 horas. Os treinamentos são oferecidos periodicamente, quando atingimos um minimo de 15 participantes. Se houver interesse, basta enviar um email para gr@clinicadoleite.com.br.
Saudações a todos
Laerte
ANNA MARIA BORGES E CUNHA CAMPOS

TAPIRA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/03/2014

O artigo é impecavel, porem, qual a solução? A mastite clínica existe em minha propriedade em bem menor incidencia, porem a subclinica é o TERROR. Qual a solução para ela?
RICARDO MINORU UMEOKA

PARANAVAÍ - PARANÁ - ESTUDANTE

EM 23/03/2014

como evitar a mastite? nao tenho experiencia alguma com gado de leite. Estou querendo montar uma leitaria no sitio do meu pai.
MARCOS CASTRO

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL

EM 21/03/2014

Parabéns pelo trabalho!!!
É uma pena que a maioria dos produtores que trabalhamos não tem essa visão do impacto na perda da produção de leite com mastite, principalmente sub-clinica.
FERNANDO CERÊSA NETO

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/03/2014

Dr. Laerte,
parabéns pelo artigo. ´É louvável seu esforço em prol do esclarecimento e alerta para esse crucial problema enfrentado pelo produtor de leite.
Entretanto, gostaria de usar seus profundos conhecimentos para nos mostrar um caminho seguro a trilhar na erradicação da mastite subclínica.
Fico no aguardo.
Fernando Ceresa Neto
f.ceresa.neto@gmail.com
(61) 96485420
ANDRE ASSIS DA SILVA

CRICIÚMA - SANTA CATARINA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 20/03/2014

O aquivo já está disponível? Estou tentando acha-lo, mas não consigo.
MAURI GERSON BONISSONI

CATANDUVAS - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/03/2014

Parabéns pela matéria. Muito interessante e útil para a atividade leiteira.
FRANCISCO BRITO LIMA

UMIRIM - CEARÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 20/03/2014

Esta simulação foi feita em cima de qual produção?
ANDRE ASSIS DA SILVA

CRICIÚMA - SANTA CATARINA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 20/03/2014

Agora consegui. Obrigado!
DIEGO MONTEIRO

CAMPINA DA LAGOA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 20/03/2014

Parabéns pelo artigo!
Infelizmente algumas empresas precisam rever seus conceitos! Algumas dessas abandonaram o pagamento por qualidade por comodidade e no entanto na época de entre safra acabam pagando o que "não vale" determinado leite, com isso prejudica outras empresas e financia a produção de leite de baixa qualidade!
Porém cabe a nós técnicos incentivar e orientar o produtor rural, a seguir no caminho certo, ou seja em busca da qualidade, pois o maior prejudicado é próprio produtor.