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Alternativas para introdução do Selênio na nutrição animal

VÁRIOS AUTORES

CLAUCIA FERNANDA VOLKEN DE SOUZA

EM 22/07/2021

3 MIN DE LEITURA

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Selênio (Se) é um micronutriente importante para a nutrição animal, atuando no metabolismo principalmente como antioxidante, eliminando peróxidos por meio da enzima glutationa peroxidase, prevenindo danos oxidativos ao DNA e auxiliando em atividades anti-inflamatórias (BELA et al., 2015; KIM & KIL, 2020).

Esse nutriente é obtido a partir da dieta, e a deficiência de Se nos animais pode ocasionar problemas musculares, dificuldade de ganho de peso, menor produção de leite e redução de fertilidade (HEFNAWY & TÓRTORA-PÉREZ, 2010).

O Se está disponível na forma inorgânica, como selenito e selenato, e orgânica, como selenometionina e selenocisteína. Entretanto, sua forma inorgânica apresenta baixa biodisponibilidade e elevada toxicidade (POPHALY et al., 2014; SENTKOWSKA, 2020).

Em animais, os primeiros sintomas de intoxicação são percebidos por letargia e desinteresse alimentar, evoluindo para anorexia e ataxia, podendo apresentar episódios de vômitos e diarreia. Em casos de exposição prolongada, os animais apresentam fadiga muscular, progredindo para coma e, posteriormente, morte devido à falta de circulação e/ou falha respiratória (RAISBECK, 2020).

Portanto, compostos a base de Se na forma orgânica são os mais visados para suplementação animal.

Nesse contexto, a incorporação de microrganismos, tais como bactérias ácido-lácticas (BALs) e leveduras, enriquecidos de Se é uma opção segura para inclusão à dieta dos animais, principalmente devido a melhor absorção (SUCHÝ et al., 2014).

Algumas BALs quando cultivadas em meio de cultura contendo Se, fixam esse micronutriente na superfície da célula (biossorção) ou armazenam no interior da célula microbiana (bioacumulação). Com isso, ocorre a conversão de Se inorgânico, presente no meio de cultivo, em Se orgânico, depositado na biomassa formada (PIENIZ et al., 2017; MARTÍNEZ et al., 2020).

A tolerância das BALs às concentrações de exposição ao Se é uma característica cepa-específica. Assim, o desenvolvimento microbiano, os compostos formados derivados de Se e as concentrações bioacumuladas são características de cada microrganismo, e dependem da concentração de Se presente no meio de cultivo (POPHALY et al., 2014; KRAUSOVA et al., 2020; MARTÍNEZ et al., 2020).

Dessa forma, BALs com Se bioacumulado podem ser utilizadas na nutrição animal, a partir da suplementação da ração com esse microrganismo (LEE, 2019).

Sendo assim, ressalta-se a importância de estudos sobre as aplicações biotecnológicas de BALs com capacidade de biotransformação e bioacumulação de Se, visando o desenvolvimento de suplementos para nutrição animal, auxiliando na saúde e na produtividade.

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Referências

Bela, K., Horváth, E., Gallé, Á., Szabados, L., Tari, I., & Csiszár, J. (2015). Plant glutathione peroxidases: Emerging role of the antioxidant enzymes in plant development and stress responses. Journal of Plant Physiology, 176, 192–201.

Hefnawy, A. E. G., & Tórtora-Pérez, J. L. (2010). The importance of selenium and the effects of its deficiency in animal health. Small Ruminant Research, 89(2-3), 185–192.

Kim, J. H., & Kil, D. Y. (2020). Comparison of toxic effects of dietary organic or inorganic selenium and prediction of selenium intake and tissue selenium concentrations in broiler chickens using feather selenium concentrations. Poultry Science, 99, 6462-6473.

Krausova, G., Kana, A., Hyrslova, I., Mrvikova, I., & Kavkova, M. (2020). Development of Selenized Lactic Acid Bacteria and their Selenium Bioaccummulation Capacity. Fermentation, 6(3), 91.

Lee, M. R. F., Fleming, H. R., Cogan, T., Hodgson, C., a Davies, D. R. (2019). Assessing the ability of silage lactic acid bacteria to incorporate and transform inorganic selenium within laboratory scale. Animal Feed Science and Technology, 253, 125–134.

Martínez, F. G., Moreno-Martin, G., Pescuma, M., Madrid-Albarrán, Y., & Mozzi, F. (2020). Biotransformation of Selenium by Lactic Acid Bacteria: Formation of Seleno-Nanoparticles and Seleno-Amino Acids. Frontiers in Bioengineering and Biotechnology, 8.

Pieniz, S., Andreazza, R., Mann, M. B., Camargo, F., & Brandelli, A. (2017). Bioaccumulation and distribution of selenium in Enterococcus durans. Journal of Trace Elements in Medicine and Biology, 40, 37–45.

Pophaly, S. D., Poonam, Singh, P., Kumar, H., Tomar, S. K., & Singh, R. (2014). Selenium enrichment of lactic acid bacteria and bifidobacterial: A functional food perspective. Trends in Food Science & Technology, 39(2), 135–145.

Raisbeck, M. F. (2020). Selenosis in Ruminants. Veterinary Clinics of North America: Food Animal Practice. 36(3), 775-789.

Sentkowska, A. (2020). Chromatographic Analysis of Selenium Species. Importance of Selenium in the Environment and Human Health. Mohammed Muzibur Rahman, Abdullah Mohamed Asiri, Anish Khan and Inamuddin. IntechOpen.

Suchý, P., Straková, E., & Herzig, I. (2014). Selenium in poultry nutrition: a review. Czech Journal of Animal Science, 59(11), 495–503.

GUILHERME SCHWINGEL HENN

Mestrando do Programa de Pós-graduação em Biotecnologia, Universidade do Vale do Taquari - Univates.

LUCÉLIA HOEHNE

Docente do Programa de Pós-graduação em Biotecnologia, Universidade do Vale do Taquari - Univates.

CLAUCIA FERNANDA VOLKEN DE SOUZA

Professora Titular da Univates, atuando nos Programas de Pós-Graduação em Biotecnologia e Sistemas Ambientais Sustentáveis e nos cursos de Engenharia de Alimentos, Engenharia Química e Química Industrial. Doutora em Biologia Celular e Molecular.

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