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Como avaliar e corrigir problemas na qualidade do leite descarte para aleitamento de bezerras

POR CARLA MARIS MACHADO BITTAR

CARLA BITTAR

EM 18/11/2010

8 MIN DE LEITURA

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Embora o leite integral seja considerado a melhor opção para alimentação de bezerros, o custo de sua utilização é muitas vezes proibitivo. Assim, os substitutos do leite foram desenvolvidos como uma mistura de ingredientes resultando em dieta líquida de menor custo para fornecer nutrientes para bezerros. Entretanto, as experiências de insucesso com o uso de sucedâneos, principalmente devido a grande variação na digestibilidade dos ingredientes, têm levado produtores a manter o fornecimento de leite não-comercializável como uma alternativa de baixo custo. O leite não-comercializável, também chamado de leite descarte, pode conter colostro de baixa qualidade (não indicado para armazenamento no banco de colostro), leite de transição e ainda leite proveniente de vacas com mastite ou em tratamento com antibióticos.

A maior preocupação com o uso de leite descarte tem sido a contaminação bacteriana excessiva. Embora bactérias possam estar presentes no leite devido a ocorrência de mastite, a contaminação mais provável está normalmente relacionada ao inadequado manejo de ordenha principalmente com relação ao manuseio e armazenamento do leite até o fornecimento aos bezerros. Como resultado, é crescente o uso de pasteurizadores para redução de carga bacteriana e eliminação de patógenos como Salmonella e Mycoplasma. O benefício econômico da alimentação o leite descarte pasteurizado em comparação a substitutos do leite tem sido demonstrada. Bezerros alimentados com leite pasteurizado apresentam maior ganho de peso e menores taxas de morbidade e mortalidade.

Embora a redução da contaminação bacteriana do leite fornecido aos bezerros deva ser o principal foco de um programa de alimentação de bezerras leiteiras, medidas relacionadas a adequação da qualidade do leite do ponto de vista nutricional devem ser consideradas. Assim, Moore e colaboradores (2009) conduziram estudo para avaliar métodos rápidos e simples, comumente utilizados para avaliar a qualidade do leite, de forma a identificar possíveis problemas de qualidade no leite descarte e fornecer protocolos para melhorar os problemas de qualidade detectados.

Os autores utilizaram fazenda leiteira com 3500 bezerros (machos e fêmeas) em aleitamento até os 60 dias de idade alojados em abrigos individuais. Já na primeira semana de vida os animais tiveram acesso livre ao concentrado inicial (19,4% PB, 14,1% FDN e 8,9% de cinzas na MS). Bezerros com menos de 3 semanas de idade foram aleitados com sucedâneo com 22% de proteína bruta e 20% de gordura (com base na MS). A partir de 3 semanas de idade, os bezerros foram alimentados com pool de leite não-comercializável comprado de fazendas vizinhas. O leite foi coletado por condutores que faziam uma prévia avaliação da qualidade do leite descarte antes do processo de pasteurização (odor, cor, consistência), podendo aceitar ou não o produto. O leite descarte aceito foi então pasteurizado imediatamente utilizando-se pasteurizador de fluxo contínuo. No caso de não haver leite descarte suficiente para todos os bezerros, uma suplementação com sucedâneo era realizada.

Para avaliar a qualidade do leite descarte de forma objetiva, foram tomadas amostras de leite de 12 propriedades fornecedoras antes do carregando do leite nos tanques de transporte. Além disso, amostras compostas pré e pós-pasteurização foram coletadas na fazenda de criação de bezerros.

O teor de sólidos totais (ST) foi medido utilizando-se um refratômetro Brix. O método é temperatura-independente e capaz de medir ST em uma variedade de substratos líquidos e tem sido utilizado para medir ST no leite variando entre 5% e 15%. Uma curva padrão foi criada para converter os valores para o ST medidas no refratômetro para valores em percentagem. Resumidamente, 78 amostras de leite foram avaliadas quanto à porcentagem de ST e avaliadas em laboratório de análise de leite. As leituras do refratômetro (Brix) foram obtidas de cada amostra e depois regredidas contra os valores de análise para obtenção de curva padrão (Figura 1) utilizada para as estimativas de ST do leite descarte.

O leite descarte também foi avaliado quanto ao pH (normal quando entre 6,5-6,7); coagulação com etanol; contagem de células somáticas (células/ml) nas amostras pré e pós-pasteurização; presença de Salmonella entérica.


Figura 1. Regressão de leitura de Brix em refratômetro para estimativa de % de sólidos totais no leite descarte baseada em análise de laboratório de 78 amostras.

Resultados e discussão

A qualidade do leite não-comercializável foi bastante variável (Tabela 1). Com base nos resultados do refratômetro, os valores de sólidos totais foram inferiores ao esperado, variando 5,1 a 13,5% e com teor de 11,0% para o tanque com o pool a ser fornecido aos bezerros. A maioria das amostras de leite não-comercializável apresentou baixos valores de pH e teste de coagulação com etanol positiva, indicando deterioração do leite. Em todas as amostras, incluindo a amostra total, havia um grande número de cultivo misto e colônias de coliformes. A pasteurização do pool de leite resultou em uma menor contagem bacteriana. Não foram detectados Mycoplasma spp. ou Salmonella spp. nas amostras de leite não-comercializável.



A pasteurização de leite não-comercializável é recomendada para reduzir contagem bacteriana e melhorar a qualidade do leite fornecido aos bezerros recém-nascidos. No entanto, a identificação de outros problemas de qualidade associados com aleitamento de leite descarte, particularmente com relação ao valor nutricional e deterioração de leite antes da pasteurização, não tem sido avaliada. Este tipo de abordagem destaca o fato de que a contaminação bacteriana é não a única medida de qualidade importante quando se adota o leite descarte como dieta líquida para bezerras. O problema nutricional mais significativo detectado foi a baixa % ST nas amostras de leite. A provável causa do baixo TS resíduos no leite é a adição inadvertida de água ao produto como conseqüência dos procedimentos de limpeza da sala de ordenha. Para melhorar a densidade de nutrientes do leite descarte seria interessante a avaliação do teor de sólidos do pool a ser fornecido e a adição de sucedâneo não diluído de forma a corrigir o teor de sólidos para 12,5-13% antes do fornecimento aos bezerros. Assim, os autores elaboraram um guia para a adição de sucedâneo (não diluído) de acordo com o teor de sólidos do leite descarte, o qual foi adaptado para melhor compreensão (Tabela 2).

Tabela 2. Protocolo para correção de 200L leite descarte com variado teor de sólidos totais para dieta líquida com 13% de sólidos¹.



Assume-se que o principal benefício do fornecimento de leite descarte para bezerros é o maior consumo de energia em comparação com o aleitamento com substitutos do leite padrão. Se um bezerro consumir 3,78 L de leite por dia consumirá cerca de 2,97 Mcal se o leite descarte apresentar 12,5% ST (NRC, 2001). Um bezerro consumindo o mesmo volume de um sucedâneo de 20% proteína/20% de gordura só consome 2,47 Mcal (se forem aleitados a uma taxa de 2,2 kg / animal dia). Como demonstrado pelo trabalho dos autores, existe grande potencial de modulação no teor de sólidos de leite descarte e conseqüentemente na quantidade de nutrientes consumida pelos animais. Outra estratégia é aumentar o volume de leite descarte fornecido, o que seria de fácil aplicação apenas em sistemas que se utilizam de baldes e não de mamadeiras como utensílio para fornecimento da dieta líquida.

A maioria das amostras de leite foi positiva no teste de etanol e apresentou pH baixo. O teste de álcool tem sido mais utilizado para monitorar a deterioração do leite em países em desenvolvimento que tem como característica pequenas propriedades leiteiras e falta de refrigeração do leite. Os parâmetros de composição do leite avaliados no teste de álcool incluem a porcentagem de caseína (e extrato seco desengordurado), que é menor em amostras positivas ao teste; e Cl, Na e K, que são maiores em amostras de álcool-teste positivo.

Apenas uma amostra apresentou pH dentro da normalidade (6,5-6,7). A medida do pH é uma maneira simples de identificar deterioração, mas o pH do leite diminui inicialmente e em seguida aumenta dependendo do estágio de deterioração, do tempo, da temperatura e das bactérias presentes. A contaminação microbiológica
de alimentos pode afetar não só a cor e odor, que pode afetar o consumo, mas também o teor de nutrientes. Neste estudo, o pH foi significativamente correlacionado ao percentual de sólidos totais: quanto menor o pH, menor o teor de sólidos. Embora a medida da CCS não seja um teste que possa ser realizado na fazenda, os resultados indicam que vacas com mastite estavam contribuindo para a formação do pool de leite não-comercializável. Alta CCS estão associadas a baixo teor de sólidos totais e de proteína do leite.

O teste de excelência para medir a qualidade do leite é a contagem bacteriana. Todas as amostras, com exceção de duas, apresentaram contagem de bactérias classificadas como "muito numeroso para contagem". Embora a pasteurização tenha sido eficiente em reduzir a contagem bacteriana, existe uma grande preocupação com a possibilidade de toxinas pré-formadas ou subprodutos da morte bacteriana causarem danos a saúde de recém-nascidos. Em condições normais, a parede intestinal age como uma barreira à passagem de endotoxinas para a corrente sanguínea, mas alterações na saúde intestinal podem resultar em endotoxemia sistêmica.

Conclusões

A qualidade do leite não-comercializável pode apresentar grande variação, principalmente no que se refere ao teor de sólidos totais. Técnicos e produtores podem desenvolver formas de monitorar a qualidade, por exemplo, através do refratômetro de Brix, de forma a garantir dieta líquida com adequado teor de sólidos para bezerros em aleitamento. A correção do teor de sólidos de leite descarte pode ser realizada de maneira fácil com a adição de sucedâneo lácteo, garantindo bom desempenho animal.

Fonte:

Moore , D.A.; Taylor, J.; Hartman, M.L.; Sischo, W.M. Quality assessments of waste milk at a calf ranch. J. Dairy Sci. V. 92, p.3503-3509, 2009.

Comentários:

Tenho sido bastante crítica com relação ao uso de leite descarte para aleitamento de bezerras, principalmente nas primeiras semanas de vida. Além de apresentar grande carga bacteriana, que pode ser reduzida com a pasteurização, o leite descarte apresenta grande variação na sua composição, afetando o desempenho animal de forma marcante. Embora muitos produtores enxerguem este leite não-comercializável como de custo zero, ele apresenta o mesmo custo de produção que o leite entregue. Assim, aparentemente muitos produtores acabam não se esforçando muito na redução de índices de mastite no rebanho uma vez que todo leite descarte produzido acaba sendo direcionado para o aleitamento de bezerros. A grande variação no teor de sólidos, normalmente menor quer 12,5%, além da carga bacteriana, acabam reduzindo o desempenho animal. A correção do teor de sólidos do leite descarte pasteurizado, através da adição de sucedâneo lácteo, pode reduzir este problema. E o melhor, o investimento vale a pena financeiramente tendo em vista o aumento no ganho de peso diário e a conseqüente melhora na saúde geral dos animais.

CARLA MARIS MACHADO BITTAR

Prof. Do Depto. de Zootecnia, ESALQ/USP

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CARLA MARIS MACHADO BITTAR

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 16/09/2011

Fabiano,

Concordo plenamente e tenho batido duro neste ponto nas minhas apresentações.

Abs.,

Carla
FABIANO LOPES BUENO

CURITIBA - PARANÁ - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 15/09/2011

Considero que o grande problema do uso do leite descarte para a alimentação das bezerras, é que a fazenda deixa de ter a preocupação em reduzir a "produção" de leite não vendável, uma vez que todo o volume é destinado para as bezerras.


E estes animais são tranformados em verdadeiras usinas de reciclagem.


Como a Prof Carla citou, o custo de produção de leite não vendável é o mesmo do leite entregue ao laticínio.


Fazendas que buscam ter vacas de alta qualidade devem se preocupar em criar as bezerras com alimentos de alta qualidade nutricional e sanitária.
CARLA MARIS MACHADO BITTAR

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 30/05/2011

Caro José Luiz,

Não existem trabalhos confirmando, mas podemos considerar como uma possibilidade a inoculação de bactérias causadoras de mastite no úbere de bezerras que sofreram mamada cruzada. Em sistemas de aleitamento coletivo as mamadas cruzadas são comuns uma vez que os animais tem necessidade nata de mamar. Nestes sistemas, quando se faz o fornecimento de leite descarte, que pode conter grande carga bacteriana, podemos pensar que animais que sofrem a mamada feita por animal com a boca e focinho com resíduo de leite, poderiam ser inoculadas com estas bactérias. Mesmo sem comprovação científica, tem sido recomendado que quando o leite descarte for adotado como dieta líquida, os animais sejam individualizados.

Abs.,

carla.

JOSÉ LUIZ MELO JÚNIOR

ARACAJU - SERGIPE - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 26/05/2011

Dra. Carla, parabéns pelo belíssimo artigo.



Gostaria de saber se o aleitamento com leite de baixa qualidade, inclusive com alto teor de bactérias, tem alguma relação com outros problemas de saúde para as bezerras, inclusive a perda de tetas, que ao momento do primeiro parto caracterizam-se como não funcionais (apenas uma parte delas produz leite).

Não sei se a pergunta tem alguma correlação lógica, mas trata-se de uma dúvida que me foi lançada por  um outro produtor, face seu rebanho possuir alta incidência desses casos.



Att.  

CARLA MARIS MACHADO BITTAR

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 24/05/2011

Caro Milton,

O formol foi utilizado durante uma época como conservante em colostro fermentado e é as vezes também utilizado como conservante de leite. Particularmente não gosto muito desta estratégia uma vez que o bezerro deverá consumir este material. Temos outras estratégias para conservação mais fáceis e menos perigosas tanto para o animal quanto para o tratador, a exemplo da refrigeração ou congelamento. Alguns sucedâneos podem trazer outros agentes acidificantes, normalmente ácidos orgânicos, como conservante, mas daí a adicionar formol na própria fazenda, acho bastante arriscado.

Carla.
MILTON SHIGUEO SATO

REGENTE FEIJÓ - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/05/2011

qual a sua opinião sobre o uso de formol p/ conservação do leite descarte? alguma restrição??
CARLA MARIS MACHADO BITTAR

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 25/11/2010

Caro Murilo,
Até onde eu sei não existem estudos mostrando maior incidência de doenças em resposta exclusivamente ao fornecimento de leite de baixa qualidade, a não ser as diarréias. No entanto, a medida que ofertamos dieta líquida de baixa qualidade resultando em animais mal nutridos, temos maior frequencias de doenças, principalmente aquelas chamadas oportunistas. Sabemos que animais mal nutridos tem sistema imune comprometido e isso acarreta em maiores problemas de saúde além de baixo desempenho.
Att.,
Carla Bittar
CARLA MARIS MACHADO BITTAR

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 23/11/2010

Caro Alex,
Alguns poucos trabalhos disponíveis mostram que os pasteurizadores utilizados nas fazendas não são eficientes na redução de resíduos de antibióticos, o que resulta no fornecimento de doses subterapeuticas aos animais.
Att.,
Carla
CARLA MARIS MACHADO BITTAR

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 23/11/2010

Caro Ronaldo,
Infelizmente os produtores acreditam que o leite descarte não em custo uma vez que seria jogado fora e por isso acabam aceitando uma oferta de leite descarte na propriedade acima do considerado como ótimo em relação ao número de vacas em lactação. Assim, essa acaba sendo a dieta líquida adotada pela maioria dos produtores. Como mostra o artigo, o leite descarte tem uma grande variação na sua composição e traz grande carga bacteriana, o que afeta o desempenho e a saúde animal. Com a atual disponibilidade de sucedâneos de boa qualidade e com preços competitivos com o leite, acredito que o ideal seria trabalhar para reduzir ao máximo a % de vacas com mastite no rebanho e associar o fornecimento do pouco leite descarte disponível ao fornecimento de sucedâneos.
Att.,
Carla Bittar
MURILO ROMULO CARVALHO

CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 23/11/2010

Primeiramente, parabéns pelo artigo, Dr. Carla.
Gostaria de saber se há estudos consistentes relacionando diretamente incidência de diferenças doenças à utilização de leite de pior qualidade. Além disso, o fato de fornecer aos bezerros leite descarte por uso de antibiótico pode representar um problema de resistência à determinados fármacos no futuro do animal?
ALEX

GUAXUPÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/11/2010

E quanto à presença de resíduos de antibióticos no leite descarte, a pasteurização tem algum efeito sobre os antibióticos?<br>
RONALDO MENDONÇA DOS SANTOS

UBERABA - MINAS GERAIS

EM 20/11/2010

Parabéns pela explanação Dr. Carlas Maris Machado Bittar!

É de grande valia a ênfase do artigo na qualidade do leite na alimentação de bezerros.
Qual a sua opinião sobre a utilização de leite de vacas com mastite tratadas com antibiótico para as bezerras?



Um forte amplexo,

____________________________________________________________
(34) 9932-9140 - Ronaldo Mendonça dos Santos

Colaborador: www.embryosys.com.br bovine reproduction
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