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Existe relação entre Classificação Linear e o aumento de produção em uma região?

POR TIMOTHEO SOUZA SILVEIRA

A.B.C.B.R.H.

EM 17/09/2020

5 MIN DE LEITURA

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A Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que o Paraná passou de terceiro para segundo maior produtor de leite do Brasil – foram 4,4 bilhões de litros produzidos em 2018. Conforme a pesquisa mais recente, o líder nacional é Minas Gerais, que cresceu 1% e produziu 8,9 bilhões de litros em 2018 e, em terceiro lugar, está o Rio Grande do Sul, com 4,2 bilhões de litros de leite produzidos no último ano.

Em relação a cidades, Castro, nos Campos Gerais, lidera a produção brasileira com 292 milhões de litros. Em segundo lugar está o município de Patos de Minas (MG), que produziu 193 milhões de litros. No Paraná, outro destaque é Carambeí, com 180 milhões de litros, que ocupa a terceira posição no ranking nacional.

Um dos desafios da atividade leiteira é aumentar a produtividade dos produtores que têm o leite como principal fonte de renda. Para tanto, é importante ações que estimulem a construção de um ambiente propício em todos os segmentos da cadeia produtiva, permitindo a adoção de tecnologias de produção e de industrialização e a organização dos produtores, além de estimular relações estáveis entre os diferentes segmentos, especialmente entre produtores e indústria de laticínios, visando garantir um processo de comercialização justo e seguro. O desenvolvimento dos rebanhos, a melhoria da produção, o progresso das propriedades, a coleta de dados e, por consequência, sua análise são fatores chave para isso.

Tabela 1 – Desempenho das lactações encerradas por raça em 2019

Fonte: Relatório anual APCBRH 2019

No quadro acima temos as médias das raças analisadas e podemos visualizar uma maior ocorrência de animais da raça holandesa com lactações encerradas no período de 2019, verificando que as médias de produção para a raça holandesa encontram-se em 29,18 kg/dia em 2 ordenhas e 37,13 Kg/dia em 3 ordenhas.

Quando analisamos os números de rebanhos e animais filiados à Associação Brasileira, temos uma impressionante visão que o Paraná é o estado que mais possui rebanhos e animais Holandeses controlados, demonstrando principalmente que o interesse e importância da Associação para os fazendeiros deste estado é maior. Podemos indiretamente relacionar isto aos avanços encontrados no estado em termos de médias de produção, desenvolvimento tecnológico e de rebanho.

Gráfico 1 – Número de Rebanhos e animais da Raça Holandesa por Filiada no Ano de 2019

 Fonte: Relatório anual APCBRH 2019

Com relação à nutrição, podemos observar que as médias mensais de leite vêm crescendo nos últimos 3 anos, principalmente nos meses de inverno, com a utilização de pastagens e melhores condições climáticas, com extensão até dezembro, quando ocorre um maior número de secagens de animais e aumento das temperaturas.

Fonte: Relatório anual APCBRH 2019

Quando falamos de constituintes do leite, podemos verificar que existe um aumento nas médias de gordura e proteína nos meses mais frios, reflexo de dois fatores importantes: condições de nutrição e ambiência favoráveis ao aumento de componentes do leite.

Fonte: Relatório anual APCBRH 2019

Com relação à produtividade, o Paraná cresceu 3%. Carambeí e Castro, por exemplo, produzem quatro vezes mais do que a média brasileira, que é de dois mil litros ao ano por animal – os dois municípios paranaenses produzem, respectivamente, 9 mil litros e 8,3 mil litros por vaca ao ano. Importante observar o crescimento na região de Castro e Carambeí e sua relação aos números de animais classificados. Há um aumento expressivo na região em comparação às outras regiões do estado.

Fonte: Relatório anual APCBRH 2019

A metodologia técnica da classificação para tipo, consiste na avaliação comparativa com o modelo ideal conhecida como “True Type”, observando e mensurando as características morfológicas externas do animal. Sua finalidade é a seleção de animais que exteriorizam, por meio de suas características fenotípicas, o potencial produtivo e reprodutivo, vida útil longeva e elevada resistência a problemas no manejo e meio ambiente.

O Valor Bruto da Produção (VBP) do leite cresceu na região que engloba os municípios em destaque –  crescimento de 12%, ou R$ 103 milhões, sendo responsável por mais de metade do crescimento de 182 milhões no VBP do leite paranaense. O preço do litro do leite recebido pelos produtores, iniciou um movimento de alta a partir de janeiro de 2019 (R$ 1,26), acrescendo em 14% até junho, quando apresentou a maior cotação do ano (R$ 1,44). No mês de julho o valor médio estadual recebido pelos produtores foi de R$ 1,37, mostrando queda de 4,8% em relação ao mês anterior. No mês de agosto, quando já observamos um aumento da oferta a cotação foi de R$ 1,31. A partir daí os últimos 5 meses ano apresentaram estabilidade nas cotações, com pequenas variações, terminando dezembro com o valor de R$ 1,32. No comparativo anual, a média dos preços recebidos pelos produtores no ano de 2019 foi 4,7% superior a média do ano de 2018, como podemos analisar a seguir. Encontrando em 2020 um ano realmente atípico devido a Pandemia de Covid-19.

O que podemos pensar com essa discussão, é que os fatores de seleção que envolvem a Classificação Linear ao longo do tempo estão contribuindo para que a região de Castro, em especial Castrolanda, como citado acima nos gráficos, demonstrem um crescimento acima da média nestes pontos.

Estamos considerando somente dados disponíveis de produtores associados, no qual contamos com mais de 1000 produtores no Brasil. Considerando esse universo, identificamos que os produtores que mais classificam e possuem maior ligação com essa metodologia e tecnologia estão com maiores produções médias a cada dia, desenvolvendo e gerando novas oportunidades para que animais selecionados permaneçam mais tempo no rebanho com médias maiores de produção e sólidos. Essa combinação tem aumentando significativamente o desempenho do rebanho em relação a parte econômica, priorizando o descarte voluntário com venda de animais a preços elevados e manutenção de animais superiores no rebanho para a realidade individual.

Existem mais variáveis que podem comprovar esse aspecto, por isso, iremos demonstrar em mais artigos esses dados, discutindo continuamente a adoção de um melhoramento genético baseado em fatores fenotípicos e com relação direta nas questões de nutrição e manejo.

Você pode acessar o Relatório anual APCBRH 2019 aqui.

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TIMOTHEO SOUZA SILVEIRA

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