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70 anos de vida do Edu e 50 anos de vida do Edu com os búfalos - 'O búfalo faz isso'

A Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB) está realizando uma série de entrevistas com produtores associados. A ideia é fomentar a produção leiteira de búfalas no Brasil e o MilkPoint é parceiro dessa ideia! Confira nesta edição, na Coluna da ABCB, a entrevista realizada com Eduardo Aziz Haik. 


Eduardo Aziz Haik

1) Quando o senhor iniciou a criação de búfalos?

"Comecei a criação de búfalos em 1969 através de um amigo. O senhor Moura Andrade havia doado para o estado desenvolver um campo de experimentos e foi lá que eu tomei conhecimento de que o búfalo não era selvagem. O Dr. Barrison Villares e o Dr. Amorim tinham mais tempo para falar comigo e assim foi nascendo uma amizade indescritível. Eu fui tomando amor por isso. Em 1969 eu conheci uma pessoa que tinha algumas cabeças de búfalas, chamava-se José Lucas, morador de Andradina. Ele tomava conta de uma fazenda muito grande, da família Teles".

2) Por que o senhor começou a criar búfalos?

"Em 74 nasceu o meu filho e ele foi o único sobrevivente de 16 crianças que nasceram naquela maternidade devido a um surto de infecção intestinal. A Stela, minha esposa, não tinha leite, e ele começou a tomar leite de ama de leite, mas começou a perder peso, chegou a pesar 1,7 kg. Comecei a dar leite de búfalas e ele sobreviveu. Nasceu meu 2o filho tomando leite de búfala: ele caiu da árvore, capotou do cavalo, bateu, e não quebrou nada". 

3) Quem te inspirou no búfalo?

"Quem me inspirou no búfalo foi o Sr. José da Silva, o Dico. Esse homem morou na Índia por dois anos com a finalidade de trazer um gado Nelore. Acabou trazendo também a raça Sindi e junto vieram os búfalos".

4) Como o senhor desenvolveu o seu rebanho?

"Eu precisava comprar touros, mas na ocasião eu não tinha dinheiro. O Sr. Tôrres Homem então me perguntou quantos touros eu precisava. Eu disse que oito touros. Aí ele me disse: 'Como que você quer pagar? 'E eu falei: 'Como que o senhor pode me vender?' Assim iniciou uma parceria que durou 15 anos! Ele desmamava o bezerro, o seu Dico tocava avisando que tinham búfalos pra pegar, e eu pensava, como vou pagar esse homem? Quando chegava na fazenda a nota já estava tirada e dizia ‘paga’. Foi assim ao longo de 15 anos! Ele vendia para um produtor um macho pelo valor dos demais e ficava pago".

5) Qual a raça de búfalos que o senhor se dedicou?

"Inicialmente eu comecei a criar búfalos com a raça Jafarabadi, 15 anos depois, o Dico viu que a minha fazenda estava mais 'cansada' e ele me disse: ‘se você cruzar com a raça Murrah você vai ter um rendimento ainda maior’ e eu segui a risca a orientação dele".

6) Nos conte um pouco sobre os seus touros

"Eu vendia muitos touros para o Brasil todo, mas o primeiro touro que eu vendi foi para Parentins, no Amazonas, para o Dr. Aldemar Quimura. O Dr. Maurício Lima, da Lagoa da Serra deu a ideia de coletar sêmen de búfalo e aí mandei coletar o do Decreto do Marajá! Ele foi o primeiro touro a ir pra Lagoa da Serra e coletar o sêmen. A Lagoa da Serra vendeu 3 a 4 mil doses, depois eu já tinha adquirido o Parãvaí POI Do Cafézinho, através do Dico, que me aproximou do Claudio Sabino Carvalho".

7) Nos conte sobre o projeto de inseminação desenvolvido em parceria com a Lagoa da Serra?

"O Ministério da Agricultura tinha um projeto para inseminar 1000 búfalas. Recebi o convite do Dr. Mauricio Lima, da Lagoa da Serra, para participar do projeto. O Dr. Maurício Lima, o Dr Valmoré Muller Lacorte e o professor Cocão, da Escola de Jaboticabal iniciaram o projeto em minha fazenda. Inseminamos 1000 fêmeas, fizemos 20 rufiões, foi uma loucura, dia e noite. Resultado: 16 de 1000. Um fiasco. Mas tivemos sorte. Precisávamos prender os touros, eles comiam feno e ração o dia todo. Quando terminamos o projeto, 30 dias depois, os touros estavam com 1100 kg cada um! Doidos pra cobrir e não falhou nada! Soltamos os touros e deu mais de 90% de prenhes! Conseguimos ser a primeira fazenda do Brasil a fazer inseminação!"

8) Como foi ter participado da primeira exposição de búfalos?

"Eu me encontrei em Tietê com o Dr. Paulo Joaquim Monteiro da Silva para expor os animais. Nesta ocasião conheci o Dr. Paulo pessoalmente, o Jonas Camargo Assunção, o Neto, cunhado do Jonas, Dr. Alberto Alves Santiago, e conheci também uma pessoa que se tornou um grande amigo, o Omar Carvalho Cunha. Houve correria para mostrar, organizar essa primeira exposição, eu me senti na obrigação de ir, porque eu acreditava naquilo. Na exposição aconteceu também um leilão e colocaram o meu touro chamado Decreto do Marajó, mas eu disse que o touro não estava a venda. Omar começou a comprar tudo, foi arrematando o leilão. Alguém deu um lance, o Omar Cunha olhou e mandou três vezes mais. Eu pedi licença, fui lá e me apresentei. 'Prazer, eu sou o Edu, moro em Andradina e tal'. Ele segurou na minha mão e disse, 'você é de Andradina, você conhece o Alberto Rodrigues da Cunha' , e eu falei, 'é quase vizinho meu, um grande homem'. Ele falou, 'o senhor não quer vender o seu touro?' Eu disse: 'eu não posso, eu só tenho ele'. 'Mas com o que eu estou te pagando você compra dez'". 

9) Nos conte como foi ter participado do Congresso?

"O Dr. João Carlos de Aguiar de Matos, que era outro esteio nosso me falou: 'Edu, eu preciso que você faça parte da mesa do Congresso para falar sobre o seu confinamento e como você conseguiu passar a seca. Fale sobre a matéria que saiu na Revista dos Criadores'. Nessa apresentação no Congresso eu citei o Dr. José Maria Couto Sampaio. Em seguida, logo após o encerramento de minha participação, uma senhora veio falar comigo, era a Sra Maria Helena Sampaio, esposa do Zé Maria. Ela queria conhecer um touro que estava numas anotações de uma caderneta do Dr. José Mário. Um tempo após o Congresso recebi a Dona Maria Helena, a Maria José, sua filha, o Índio e o retireiro dela. Ela veio para Nova Andradina e viu os búfalos, arregalou o olho, quando viu o tal touro na manada. Ela então me fez uma proposta: 'eu preciso desse touro para acabar um projeto do meu marido. Quanto que eu vou te pagar?' Eu falei: 'a senhora pega o melhor bezerro que o seu coração mandar e me manda, eu já aproveito e pego um bezerro que eu ganhei do Milton Borba de Oliveira, que é perto da sua fazenda'. Então levou o touro para a Bahia. Esse bezerro que ela me deu morreu de câncer há cerca de 2 anos atrás, era o touro Dudhial, o 4o touro a coletar sêmen da central. Esse touro fez uma revolução no meu gado! Cheguei a vender 2000 doses dele, a Lagoa da Serra vendeu 10 mil doses".

10) Qual a mensagem final que o senhor gostaria de deixar?

"Eu gostaria de pedir aos criadores de búfalos que se associem à ABCB. Eu sou associado desde 1976, contribuo com a entidade porque entendo que é uma forma de ajudar a ABCB. Registro os meus animais também porque acho que ajudando a ABCB eu ajudo ao búfalo! Apenas uma entidade forte, grande, com representatividade, pode fazer mais pelo búfalo".

E é com muita satisfação que essa matéria dá sequência à Coluna da Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB) no MilkPoint! Também nos sentimos responsáveis em travar discussões e debates sobre a atividade já que acreditamos no seu potencial de crescimento em solo nacional. Aguardem os próximos materiais e confira a primeira edição aqui! 

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CRIADORES DE BÚFALOS

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ROBERTO SALLES NASCIMENTO

BRAGANÇA PAULISTA - SÃO PAULO - TÉCNICO

EM 08/02/2019

Olá Edu
Gostei muito
FERNANDO PAULO SALDANHA FILHO

EM 07/02/2019

...vivi este sonho no Vale da Ribeira, tão real, mas infelizmente , passageiro. O búfali, na realidade , criá-los é um sonho que não me abandone, embora não tenha condições financeiras e a idade seja avançada. Excelente matéria. Onde há búfalos, há prosperidade sob todos os aspectos, que devem, no meu entender, serem levados à frente de quaisquer obstáculos inesperados.
ANDRÉ MENDES JORGE

OUTRO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 06/02/2019

Meu querido Amigo e Irmão Edu Haik, parabéns pelo emocionante depoimento de um vida toda dedicada ao Búfalo! Que venham mais 50 anos! Fraternal Abraço do seu admirador. Salve! Salve! André Jorge