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Verticalizar a produção: vale a pena?

POR HELENA FAGUNDES KARSBURG

E MARCELO M. HONDA

AGRINDUS/SA

EM 18/09/2017

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Autores do artigo:

Marcelo M. Honda, Administrador, MBA em Gestão Econômica e Estratégica de Projetos, Controller Agrindus S/A.

Helena F. Karsburg, MV. PhD Qualidade e Produtividade Animal FZEA/USP. Gerente Técnica Laticínios Agrindus S/A.


Na era da informação e da tecnologia, onde as informações são disponibilizadas quase que instantaneamente e a globalização é uma realidade, já não existe conceito, manejo ou técnica que não esteja dominada pelos produtores de leite. É evidente que os produtores estão mais profissionalizados e buscando a eficiência dos processos em suas fazendas.

Com suas produções estabilizadas ou querendo crescer, produtores que sentem as dificuldades de negociar com as grandes indústrias e que acreditam na qualidade do seu leite têm interesse pela verticalização e agregação de valor.

São inúmeros os possíveis benefícios da chamada verticalização. A fim de aumentar os lucros, acredita-se que é possível dedicar-se, além da atividade na fazenda, à fabricação e comercialização de derivados. Com a criação de agroindústrias, escapar dos preços baixos pagos e potencializar os negócios, agregando valor.

O assunto é recorrente e permeia as rodas de conversas. Produtores questionam e demonstram a intenção de verticalizar o seu sistema e afirmam ter condições de produzir produtos nobres, diferenciados para atender mercados de nicho e especializados nos grandes centros urbanos.

A verticalização é a estratégia que prevê que a empresa produzirá internamente tudo o que puder, ou pelo menos tentará produzir. Iniciou-se com o Fordismo no início do século, quando as grandes empresas iniciaram este processo produzindo praticamente tudo o que usavam nos produtos finais. É a estratégia em que a empresa “faz tudo”.

O formato verticalizado historicamente foi decorrente da preocupação das empresas em manter o controle sobre as tecnologias de processo, de produtos e negócios, entre outras. Porém, o elevado número de atividades realizado internamente pode acarretar em problemas gerenciais devido ao aumento do porte da empresa. Atividades não ligadas diretamente ao negócio principal, como consequências imediatas, tendem a gerar perda da eficiência e aumento dos custos de produção.

A Agrindus tem a produção de leite verticalizada desde 1996. Já alcançamos alguma experiência com o formato e acreditamos que levantar este assunto e discuti-lo no blog poderia contribuir e auxiliar a reflexão mais ampla sobre o tema e “quem sabe” ajudar na tomada de decisão de muitos produtores que têm a intenção de seguir pelo mesmo caminho.

Primeiramente é preciso ter certa dose de autocrítica para decidir se faz sentido verticalizar a operação. Seguem os principais pontos que é preciso se questionar:

1. A operação atual é feita com a melhor eficiência possível?
2. Se a eficiência não for a melhor possível, será que um investimento em automação, infraestrutura ou manejos não traria retorno com menores riscos do que a verticalização?
3. A estrutura atual de capital humano tem competência para gerir e executar o processo que será agregado à operação na verticalização?
4. Existe competência/conhecimento mínimo dos gestores quanto ao mercado e distribuição?


A análise sobre esses quatro pontos deve ser aprofundada para mitigar o risco envolvido na verticalização. Por exemplo, agregar um processo adicional à operação atual pode significar que o foco atual precise ser dividido com um outro processo – se não tivermos domínio total da operação atual, dificilmente teremos o domínio da nova cadeia de processos e isso acaba resultando em uma ineficiência com rentabilidades menores ainda.

A verticalização na maioria das vezes agrava uma situação onde não existia controle sobre a eficiência da operação com reduções de margens expressivas. Fato que pode ser explicado pela divergência de foco citada anteriormente e por entrar, usualmente, em uma operação com características de negócio que a empresa pode não estar acostumada ou estruturada para encarar.

Existem gargalos que são necessários gerenciar quando se opta pela verticalização e que demandam atenção e conhecimento, entre eles: o mercado, a logística e o marketing - estes dois últimos podendo ser agrupados em um só grupo - a distribuição.

No mercado varejista as questões que permeiam dizem respeito à concentração do poder nas mãos dos grandes grupos varejistas que deixa evidente o risco de redução das margens de remuneração da matéria-prima, competição com as grandes marcas já consolidadas e a burocracia nos pedidos, gestão de estoques e cadastramentos de produtos. Menos burocráticos, o pequeno varejo e canais mais diretos se tornam uma alternativa.

A distribuição compete às áreas de logística e marketing. Para a primeira envolve custos e, no caso de produtos frescos, a cadeia de frio é um importante gargalo e, para a segunda, envolve um processo importante de gestão de marketing na disponibilização do produto. Vários são os canais de distribuição utilizados pelos laticínios para a disponibilização de seus produtos aos consumidores finais. Podemos destacar: as padarias, o pequeno varejo, os supermercados, a venda direta ao consumidor (entrega domiciliar ou e-commerce) e o mercado institucional (bares, restaurantes, cozinhas industriais entre outros). 

Portanto, verticalizar vale a pena desde que as análises sejam feitas de maneira lúcida e estratégica considerando os pontos acima e entendendo quais são as competências envolvidas. Não basta ter os custos monitorados em uma planilha e a vontade de ter uma marca própria. Afinal, o papel aceita tudo e o simples controle dos números não garante eficiência na operação. A eficiência usualmente pode ser mensurada a partir de comparações dos custos controlados. Outro indicativo importante pode ser a remuneração do leite cru. Uma dica valiosa é o acompanhamento de indicadores do setor como, por exemplo, dados do MilkPoint RMCA, Cepea, entre outros que ajudam a balizar as decisões a longo prazo.

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Dúvidas, críticas ou sugestões de temas? Envie um e-mail para  contato@educapoint.com.br

HELENA FAGUNDES KARSBURG

Medica Veterinária, PhD em Produtividade e Qualidade Animal pela FZEA/USP. Gerente e Responsável Técnica do Laticínio Agrindus S/A.
Contato: laticinio@agrindus.com.br

MARCELO M. HONDA

Administrador, MBA em Gestão Econômica e Estratégica de Projetos, Controller Agrindus S/A.

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JOSÉ CARLOS MONTEIRO DE CASTRO

ARAÇATUBA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/01/2019

o meu leite não da lucro,sempre gasto mais do que recebo.tiro 3000 mil litros de leite ao dia,recebi 184.000.00mil reais e a leiteria teve um gasto de 186.000.00 mil reais. o que fazer estou desesperada??????? o que fazer?????
JOÃO LEONARDO PIRES CARVALHO FARIA

MONTES CLAROS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 04/01/2019

Boa tarde!
Você tem assistência técnica ou consultoria na área da pecuária de leite?
UILIO OLIVEIRA SILVA

BOM JARDIM - MARANHÃO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 07/01/2019

Minha produção é pequena. Mas não é diferente da sua.
HELENA FAGUNDES KARSBURG

SÃO CARLOS - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 21/09/2017

Tudo a seu tempo! Obrigada Nelson pelo comentário!
HELENA FAGUNDES KARSBURG

SÃO CARLOS - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 21/09/2017

Caro Max, acreditamos ser este o caminho! Tentar baixar custos ou aprimorar algum processo que possa ser aprimorado com automação e mais controle operacional. Boa sorte e obrigada por compartilhar!
NELSON VILMAR

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/09/2017

Artigo bem elaborado, redação direta ao assunto , bem clara , didática ao ponto de aconselhar as dificuldades e algumas alternativas para o produtor . Parabéns isso fez lembrar uma frase que diz o seguinte: O sonho de quase todo médico é um dia ter seu hospital. O produtor deve sim ter o ímpeto de melhorar o seu rebanho, o leite produzido e lançar mão sim em produzir paralelo o seu derivado com qualidade em técnica e amor no que faz.
MAX ANTONIO SOUZA MORAIS

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/09/2017

Alertas muito válidos. No momento em que o leite ao produtor chega aos mínimos, sabendo que hoje meu custo operacional efetivo nào está sendo coberto, em funçao da saida da Lactalis do mercado de Mato grosso do Sul, o primeiro pensamento é mesmo de beneficiar a propria produção. Certo, antes de aventurar na agroindustria, tentar baixar custos. Estou nesse dilema.
MARCELO M. HONDA

SÃO CARLOS - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 19/09/2017

Paulo Hiroki, obrigado pelas considerações. A ideia da verticalização na operação leiteira é que ela agregue valor ao processamento do leite. Ou seja, o resultado da operação descontados de todos custos e despesas deve ter um preço de transferência maior do que o preço médio recebido na venda do leite cru - ainda a serem definidos percentuais mínimos de margem para que a verticalização faça sentido. Basicamente estamos falando que a remuneração dessa operação verticalizada deve ser maior do que o custo de oportunidade de vender leite cru ao mercado.

Abordamos mais sobre o custo de oportunidade na Agrindus/Letti nesse artigo: https://www.milkpoint.com.br/mypoint/392340/p_como_inovar_e_agregar_valor_no_leite_a_leite_a_agrindus_letti_fazenda_leite_cru_laticinio_6172.aspx

Obrigado
MARCELO M. HONDA

SÃO CARLOS - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 19/09/2017

João Leonardo, obrigado pelo elogio.
PAULO TADATOSHI HIROKI

LONDRINA - PARANÁ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 19/09/2017

Artigo muito bom, com pontos de grande relevância. Entendo que o processo descrito, com a verticalização ele é composto, assim como na cadeia láctea - produção (deve ser eficiente), transporte (deve ser eficiente), industrialização (transformação, deve ser eficiente), distribuição e varejo. Fazendo a remuneração de cada um destes processos, parece que apesar de ser apropriado a boa parte do valor recebido, fica a pergunta melhora o resultado da produção? Todos os fatores são devidamente remunerados? Tenho como opinião que os elos da cadeia devem ter a sua importância reconhecida, o principal problema é a desigualdade (os valores são mal distribuídos na cadeia). O preço do leite cru, o que remunera o elo mais importante (é o produtor!!!) é o mais manipulado e, o menor.
JOÃO LEONARDO PIRES CARVALHO FARIA

MONTES CLAROS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 18/09/2017

Interessantíssimo, uma coisa é dar certo através de análises e trabalho contínuo outra coisa é entrar em um modismo sem nem se preparar adequadamente, o que acontece em massa na nossa Pecuária Leiteira!