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Energia renovável: quando é a hora de investir?

POR HELENA FAGUNDES KARSBURG

E MARCELO M. HONDA

AGRINDUS/SA

EM 19/03/2018

4 MIN DE LEITURA

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O gerenciamento ambiental é um conjunto de práticas que visa coordenar o uso dos recursos naturais, proteger e preservar o meio ambiente. Além de avaliar se o que está sendo executado pela empresa está em conformidade com o que foi estabelecido previamente na política ambiental.

A utilização de energia elétrica nas atividades agropecuárias tem aumentado muito nos últimos anos, devido ao aumento das automações e uso de tecnologias para melhorar a eficiência dos sistemas. Esta mudança de comportamento contribuiu de forma significativa para o desenvolvimento do setor. A possibilidade de se obter melhoria no padrão de vida das pessoas que trabalham e residem nas proximidades, o aumento da produtividade, a obtenção de produtos de melhor qualidade e com mais controle de processo, a valorização dos imóveis rurais, entre outros, são os principais benefícios alcançados com o uso da eletricidade em fazendas, contribuindo também para manter o homem no campo.

A metodologia da busca continuada por investimentos que tragam alguma melhoria de produtividade ou redução de custo já foi bastante explorada por nossos artigos anteriores. Vamos destinar este primeiro artigo de 2018 para expormos uma dificuldade da Agrindus que talvez seja comum a outros produtores de leite ou até de outros segmentos do agronegócio.

A Agrindus cresce sempre (meta direta!) buscando escala e produtividade por área. O aproveitamento dos recursos naturais e a preocupação com a sustentabilidade da produção no sentido “ambiental” da palavra são metas especificas que buscamos por entender que o mercado consumidor vem mudando. O consumidor moderno cada vez mais exigente tem questionado e anda curioso em entender como utilizamos os recursos e de que maneira a empresa está se posicionando para o futuro.

Na gestão de decisão por aqui analisamos as possibilidades de investimentos em diversas frentes, não somente aquelas ligadas à produtividade por vaca ou por área. Um exemplo que acompanhamos há pelo menos oito anos é a possibilidade de auto geração de energia através dos dejetos dos animais e também a energia solar – recursos estes já bem desenvolvidos e com tecnologia dominada.

As fazendas geralmente estão usualmente instaladas em locais que são considerados finais de linha da companhia de energia. Isso pode significar que existe uma instabilidade da qualidade da energia fornecida. A instabilidade está relacionada às variações da entrega da energia diferente do que foi especificado pela companhia e o contratado pela empresa. Essa inconstância afeta diretamente o desempenho de bombas, máquinas, equipamentos de laboratório que dependem de calibração e precisão nos resultados, sem mencionar os riscos de pane (que em geral acontece na hora que mais precisamos!) e o pior, a perda efetiva do equipamento. Ou seja, existem outras motivações que vão além da econômica para pensarmos em propriedades e sistema de produção com auto geração de energia.

Outro ponto que deve ser pensado como um motivador para buscarmos uma solução para produção de energia é a possibilidade de geração renovável. Segundo o Ministério de Minas e Energia, a energia renovável é uma das principais linhas de investimento do governo federal em geração de energia. O Brasil tem pouco mais de 40% de sua energia gerada por fontes renováveis. Em relação à geração de eletricidade, as hidrelétricas ainda são as principais forças, responsáveis por 64% da produção, ou seja, energia instável que vem das redes de abastecimento. Atualmente, o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é o único que financia o setor elétrico brasileiro, com linhas de crédito de até 80% para energia fotovoltaica (solar), por exemplo. Devido a projetos de eficiência energética no Ministério de Minas e Energia e na Aneel, desde o ano passado, a geração de energia a partir de fontes não renováveis não está mais entre as opções de financiamento para o setor.

Apesar de todo incentivo que existe em torno desse assunto, a Agrindus ainda não conseguiu ter um projeto com viabilidade financeira suficiente que justificasse a escolha da energia renovável em detrimento de outros investimentos em áreas diversas que possuem um valor econômico melhor. Por todos os projetos que já nos propusemos, a sensação é que ainda existe uma variação técnica e de entendimento muito grande. Os valores, na sua grande maioria, não são convergentes, mesmo que tenham a mesma premissa e fonte de informação. Talvez o setor de energia renovável no Brasil seja um tanto incipiente quando tratamos de geração de energia em um nível mais alto do que um consumo residencial e menor do que uma usina elétrica.

No entanto, vemos alguns estados onde aparentemente esses projetos de energia renovável tem maior adesão e interesse, e por conseguinte maior viabilidade. Em Minas Gerais, por exemplo, verificamos casos onde o preço do kW/h gira em torno de R$ 0,68 e que se aplicada a nossa metodologia de estudo de viabilidade, o custo da energia significaria R$ 0,08 por litro/leite, um importante aumento do custo total de produção que deixaria a energia no quarto custo mais relevante dessa operação. Outra hipótese para essa maior adesão em determinados locais talvez seja outras opções de investimentos diferentes das que vivenciamos em nossa região.

Energia renovável: quando é a hora de investir?
Foto de uma propriedade leiteira com energia renovável em MG

Fato é que vemos a quantidade desse tipo de projeto aumentar gradativamente e consequentemente se tornar viável dentro das premissas de sustentabilidade, custo-benefício e com baixíssima manutenção. Está havendo uma transição global em curso que não deixa dúvidas sobre a transformação que temos que enfrentar nas nossas economias. Portanto, temos certeza que será o futuro, agora só resta saber quando será este futuro!

trofeu agroleite 2018

HELENA FAGUNDES KARSBURG

Medica Veterinária, PhD em Produtividade e Qualidade Animal pela FZEA/USP. Gerente e Responsável Técnica do Laticínio Agrindus S/A.
Contato: laticinio@agrindus.com.br

MARCELO M. HONDA

Administrador, MBA em Gestão Econômica e Estratégica de Projetos, Controller Agrindus S/A.

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LUIZ ANTÔNIO

SÃO JOÃO BATISTA DO GLÓRIA - MINAS GERAIS

EM 03/12/2019

Muito boa a matéria, Helena e Marcelo!
Importante para o Setor analisar todas as possibilidades, pois economia é sempre muito bem vinda para a atividade e através de energia limpa e renovável, melhora muito a Sustentabilidade das Fazendas Leiteiras de nosso País!
Parabéns!!!
BRASIL FRACCAROLI

EM 22/03/2018

Prezados.

A opinião de Rafael Fraccaroli, na verdade é minha.

Eu me enganei no momento de abrir a pg.

Então queiram retificar o nome do efetivo comentário.

Obrigado.
BRASIL FRACCAROLI

EM 22/03/2018

Prezados Marcelo e Helena.

Obrigado pela reposta ao questionamento que fiz em nome do Rafael.

Além disso, sua colocação com relação à manutenção do sistema biodigestor ser alta é um fato, inclusive a quantidade fazendas de produção de leite, que possuem geração de energia através do excremento do gado são poucas.

A questão energia elétrica hoje é se suma importância e ainda ontem um apagão em 14 estados reduziu a produção em vários setores produtivos e essa deve ser a principal preocupação dos proprietários das fazendas, pois como é sabido o invertimento em geração, transmissão e distribuição de energia foi quase nada em relação ao crescimento do consumo.

De qualquer forma agradeço a oportunidade.

Tenham um excelente dia.
RAFAEL FRACCAROLI

EM 21/03/2018

Realmente é louvável a forma como conseguiram abranger as necessidades de um produtor rural, especialmente na área de gado leiteiro.
Sobre a energia fotovoltaica eu seria leviano em descrever todas as qualidades do sistema, pois sou engenheiro eletricista e estudo o sistema desde 2009, inclusive todo o que está sendo estudado a fim de aumentar a eficiência dos módulos solares e tudo isso está disponível, porque as novidades são divulgadas tecnicamente, mas de forma didática.
Só tenho uma pergunta sobre a questão da biomassa: é mais barato produzir energia através de um biodigestor, ou utilizar e até vender a mesma com fertilizante?
Como a Helena explicou há correções a serem feitas na biomassa antes de processa-la e todos os passos do processos muitas vezes não tem como quantificar.
MARCELO HONDA

EM 22/03/2018

Prezado Rafael, o excremento das vacas como fertilizante direto é um subproduto da própria energia gerada pelo biodigestor. Ou seja, os produtores que possuem lagoa de decantação dos excrementos das vacas e não possuem um sistema desse tipo estão jogando fora a energia contida na fermentação dessas lagoas. Entretanto isso não quer dizer que um projeto de biogerador é necessariamente viável. Existem números de manutenção e investimentos a serem analisados como em qualquer outro investimento.
EM RESPOSTA A MARCELO HONDA
HELENA FAGUNDES KARSBURG

SÃO CARLOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/03/2018

Portanto e é possível usar o fertilizante e a energia proveniente da fermentação. O sistema é mais complexo mas dependendo das estruturas já existem vale a pena os estudos de viabilidade e aplicação.
HELENA FAGUNDES KARSBURG

SÃO CARLOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 21/03/2018

André conhecemos projetos que estão sendo implantados. É possível sim e com certeza haverá economia e eficiência. Vc preciprecisa avaliar o seu sistema. Conte conosco caso precise de apoio. Abraços.
ANDRE LUCIANO RIECKE

SANTA ROSA - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 21/03/2018

Legal, muito bonito. Mas alguém já fez em sua casa. Na dos outros o investimento parece ser menor
RENATO STEINKIRCH

CURITIBA - PARANÁ - PESQUISA/ENSINO

EM 21/03/2018

O brasileiro não sabe investir no longo prazo.
Mesmo que o investimento zere os valores de energia elétrica.
OSVALDO TRINDADE

EM 20/03/2018

Parabéns Marcelo e Helena pela excelente reportagem.
FRANCISCO SANCHES

SÃO PAULO - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 20/03/2018

O brasileiro está aprendendo a investir no longo prazo. Esse investimento "congela" os valores de energia elétrica deixando o produtor rural mais confortável com relação a uma situação econômica instável. Estes itens são importantíssimos para a viabilização de projetos de geração de energia elétrica pelo sistema fotovoltaico.
JOSE RIBEIRO DE CARVALHO

MANHUAÇU - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/03/2018

Parabens Marcelo e Helena por este valioso artigo este e o futuro de nossas propriedades principalmente as mais distante da cidades .Jose Ribeiro de Carvalho Manhuaçu M G.
MARCELO HONDA

EM 21/03/2018

Nós é que agradecemos pelo elogio, Jose. O valor pelo kWh da tua cidade é próximo ao que constatamos? Abraços.
PAULO ROGERIO RANZI

EM 20/03/2018

Acho que deveria ter uma linha de crédito especial nos bancos oficiais, para implantação dos sistemas renováveis de energia.e melhorar o custo para produção agrícola e pecuária.
JOSE ANTONIO CHAPETON SAMAYOA

OSASCO - SÃO PAULO

EM 19/03/2018

Agrindus como sempre se superando
PEDRO VILELA

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 19/03/2018

Acredito que a geração de energia elétrica nas propriedades rurais a partir biogás (biodigestores) é mais simples e eficiente em relação a energia solar...
CLOVES FERREIRA DA COSTA JÚNIOR

MONTE ALEGRE DE MINAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 20/03/2018

A energia solar nao necessidade de mão de obra especializada..
Pra possuir um biodigestor tem que ter mais de 300 animais confinado pra valer apena então nao vale apena ..
A energia fotovoltaica e para o pequeno ao grander vai pela pessoa que acha que vale apena.. Pq pra mi mil vez a energia solar..
HELENA FAGUNDES KARSBURG

SÃO CARLOS - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 21/03/2018

Pedro, o biogás depende de mão de obra e tem manutenção mais constante. Depende muito também do sistema de captação de matéria orgânica - se for freestall com flush por exemplo, em que a MO estiver muito úmida o custo aumenta surpreendentemente para retirar a água e a areia do material. Acreditamos neste caso que o fotovoltaico seja a melhor opção. Mas como sempre, o sistema depende das condições. Nao existe um formato único e sim aquele que se adapta ao meio.
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