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Probióticos e probiose

Equilíbrio dinâmico é a chave do funcionamento harmônico do nosso intestino. Desafiador é saber como manter de forma balanceada e organizada a imensa população de micro-organismos pertencentes a esse habitat. Quando essa população (chamada de “flora” ou “microbiota”) está em equilíbrio, o resultado é o bom funcionamento do intestino, bom humor e boa saúde. Chamamos essa condição de probiose (ou eubiose). O contrário disso, ou seja, quando ocorre um desbalanço da “flora” intestinal (por exemplo, por diminuição de micro-organismos benéficos e aumento dos causadores de doenças), as consequências podem ser ruins.

Mas antes de avançar é preciso falar sobre os probióticos. Quem são eles? Onde são encontrados? Probióticos são micro-organismos (podem ser bactérias ou leveduras) que são promotores de saúde. Eles podem se encontrados naturalmente presentes no nosso intestino, bem como no leite materno, na superfície de frutas e em alguns iogurtes e leites fermentados (procure no rótulo a palavra probiótico), ou na forma de medicamento (recompositor de “flora”).

Para entendermos melhor o conceito de equilíbrio da “flora” vamos usar uma situação pela qual possivelmente todos nós já passamos. Algumas vezes somos acometidos por infecções que nos obrigam a fazer uso de antibiótico. Poder usar esse tipo de medicação é bom porque em geral é muito eficaz. Porém, diversas bactérias (boas ou ruins) são eliminadas juntamente com aquela que era o alvo do tratamento. E qual seria o problema disso? Justamente o desbalanço que pode ser acompanhado por episódios de diarreias ou ocorrência de novos problemas de saúde (como novas infecções). Recentemente os cientistas têm correlacionado o desequilíbrio crônico da “flora” intestinal com depressão, ansiedade, autismo, doença de Alzheimer e mesmo diabetes.

Estudo recente aponta que a diabetes tipo I (ou dependente de insulina) pode ser causada por alteração da permeabilidade do intestino, conhecida como "leaky gut", que podemos traduzir para intestino “mal vedado” ou “que deixa vazar”. Neste caso, o que está sendo deixado vazar são justamente bactérias que seriam responsáveis por causar estímulo ao desenvolvimento das doenças autoimunes. Menos antibióticos e mais probióticos são boas dicas para alcançarmos e mantermos boa saúde.

Referências bibliográficas

COSTA, F. R. C. et al. Gut microbiota translocation to the pancreatic lymph nodes triggers NOD2 activation and contributes to T1D onset. J. Exp. Med. 2016, v. 213, p. 1223-1239.

 

ADRIANE ELISABETE ANTUNES DE MORAES

Docente da Faculdade de Ciências Aplicadas-FCA/UNICAMP. Graduação em Nutrição (UFPEL), Mestrado em Ciência e Tecnologia Agroindustrial (FAEM/UFPEL), Doutorado em Alimentos e Nutrição (FEA/UNICAMP), Pós Doutorado no TECNOLAT/ITAL.

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