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Novo conceito para prebióticos: o que muda?

ADRIANE ELISABETE ANTUNES DE MORAES

EM 20/10/2017

2 MIN DE LEITURA

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A "International Scientific Association for Probiotics and Prebiotics", reuniu um grupo de especialistas com objetivo de revisar e atualizar o conceito de prebióticos. O termo "prebiótico" surgiu em 1995 e foi apropriado por profissionais de saúde e produção de alimentos das áreas humana e animal. Naquele momento o conceito era: "Substâncias não hidrolisadas e não absorvidas pelo intestino delgado que servem seletivamente como substrato para microrganimos no intestino grosso".

Em uma publicação científica - que acaba de "sair do forno" - prebióticos são definidos como "substratos seletivamente utilizados pelos microrganismos conferindo benefícios à saúde do hospedeiro". Embora não explicitado em ambas as versões dos conceitos, deve ser deduzido que os microrganismos favorecidos seriam aqueles que fazem bem para nossa saúde e não o contrário.

Aparentemente o conceito novo não mudou muito em relação ao primeiro, mas a publicação recente aponta para uma novidade. Por cerca de 20 anos os estudos de ingredientes potencialmente prebióticos deram foco para fibras alimentares, tais como os frutooligossacarídeos (os quais chamamos de FOS), a inulina e os galactooligossacarídeos (que chamamos de GOS) e seu estímulo para o desenvolvimento de lactobacilos e bifidobactérias (bactérias amigas que habitam no nosso intestino).

No entanto, o conceito expandiu graças a novas descobertas científicas e outras substâncias passaram a fazer parte do "cardápio" das bactérias do bem. Compostos fenólicos de vegetais que fazem parte de nossa alimentação também podem atender ao novo conceito de prebióticos, considerando-se que cerca de 90–95% dos fenólicos da dieta não são absorvidos no intestino grosso e desta forma chegam intactos ao cólon, onde podem sofrer extensiva biotransformação pela flora que aí reside. As novas evidências científicas têm apontado para efeitos à saúde atrelados ao consumo destes compostos e da ação da microbiota intestinal sobre os mesmos.

Desta forma, os carboidratos que não conseguimos digerir (que chamamos coletivamente de fibras), deixam de ser a única classe de compostos que podem atender aos critérios de prebióticos e surgem candidatos emergentes a essa alegação de saúde.

Outra nuance que também pode passar despercebida é que o local de ação dos prebióticos não se restringe mais apenas ao intestino, abrindo o leque para outros órgãos alvo, como a própria flora da boca. Neste caso um exemplo seria dos xilooligossacarídeos que são açúcares usados em gomas de mascar que podem evitar cáries nos dentes. Desta forma podem ser considerados prebióticos também.

Até bem pouco tempo, para buscar fontes naturais de prebióticos deveríamos incluir na alimentação alho, cebola, centeio, cevada, mel, açúcar mascavo, alcachofra de Jerusalém, banana verde. Industrialmente a fonte principal sempre foi a raiz da chicória fonte riquíssima de inulina. Agora, podemos buscar prebióticos em outros alimentos, como as frutas, destacando-se aquelas ricas em compostos fenólicos.

Fica a dica para a indústria de lácteos continuar investindo na tendência de incorporar frutas ricas em antioxidantes naturais em iogurtes, sorvete e outras sobremesas, para assim favorecer a saúde intestinal.

Referências bibliográficas

GIBSON, G et al. The International Scientific Association for Probiotics and Prebiotics (ISAPP) consensus statement on the definition and scope of prebiotics. Nature Reviews, v. 14, p. 491-502, 2017.

ADRIANE ELISABETE ANTUNES DE MORAES

Docente da Faculdade de Ciências Aplicadas-FCA/UNICAMP. Graduação em Nutrição (UFPEL), Mestrado em Ciência e Tecnologia Agroindustrial (FAEM/UFPEL), Doutorado em Alimentos e Nutrição (FEA/UNICAMP), Pós Doutorado no TECNOLAT/ITAL.

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