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Importância do controle de sobra e monitoramento de consumo para ajuste da dieta

POR GABRIEL WILLIAM OLIVEIRA SILVA

E ISABELLA M. GIMENEZ DIAS

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/10/2020

5 MIN DE LEITURA

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Um dos fatores mais determinantes da eficiência de uma fazenda leiteira é a alimentação do rebanho. Nesse sentido, quando pensamos em custo de produção, entre 60% e 70% estão relacionados à compras ou produção de insumos alimentares. Portanto, para conseguirmos um negócio lucrativo, devemos obrigatoriamente otimizar ao máximo estes recursos. Dessa maneira, uma eficiência nutricional não consiste apenas em uma boa formulação de dieta, mas garantir que o animal possa realmente consumir os níveis de nutrientes estimados na dieta formulada. Para isto, devemos ter um manejo alimentar adequado.

Sabemos que em toda fazenda existem três diferentes dietas: a dieta formulada, a dieta fornecida, e por fim, a dieta consumida. Assim, para sermos eficientes, o objetivo é sempre buscar que essas dietas sejam o mais parecidas possível. Todavia, durante todo esse processo, podem ocorrer falhas. No momento da formulação, para evitar falhas, é importante atentarmos para uso de modelos que possam suprir a exigência do animal e predizer um consumo adequado. Além disso, obter valores confiáveis dos nutrientes de cada ingrediente, principalmente quanto aos volumosos, onde a variabilidade é maior, assim, não só a análise laboratorial é de grande importância, mas também a aferição de matéria seca regularmente na fazenda.

Para aproximarmos a dieta formulada pelo nutricionista da dieta que chega ao cocho do animal, devemos sempre fornecer a quantidade requerida, se possível pesando todos alimentos e ter precisão na mistura destes, conferindo uniformidade e evitando a seleção pelos animais. Além disso, sempre evitar perdas de nutrientes por deterioração.

Por fim, buscando a maior similaridade da dieta fornecida para a dieta consumida pelo animal, é preciso garantir que a vaca possa alcançar o consumo estimado. Ademais, devemos sempre buscar aumentar a ingestão de matéria seca (IMS) do animal, para obtermos uma máxima produtividade, já que a ingestão de matéria seca possui correlação positiva com produção de leite. Nessa perspectiva, o controle de sobra para monitoramento de consumo é de suma importância para otimização da IMS, e assim, da produção. Para esse resultado, devemos ter o controle de quanto foi fornecido e de quanto foi a sobra, obtendo-se assim o consumo por animal, informação necessária para o ajuste do fornecimento diário.

Contudo, antes de entender como é feito esse monitoramento, é preciso saber o que está sendo monitorado, ou seja, precisamos tomar nota de como ocorre o fornecimento dos alimentos. Em algumas propriedades, os alimentos concentrados são fornecidos separados dos alimentos volumosos, o que pode ser um problema porque o concentrado é fermentado rapidamente no rúmen, o que induz uma queda brusca de pH, aumentando o risco do animal desenvolver acidose ruminal. Por isso, o ideal é que se consiga fornecer concentrado misturado ao volumoso; o que é conhecido como TMR, ou “dieta total”. Sendo assim, esta prática tem como benefícios o fato de evitar a seleção de alimentos pelo animal, colocando no ambiente ruminal a relação entre volumoso e concentrado necessária para a máxima produção, atrelada a manutenção da saúde. Nesse contexto, o fornecimento de TMR pode ser realizada, independente do tamanho da propriedade, realizando a mistura manualmente ou com o auxílio de vagões forrageiros.

Para realizar o controle de sobras da maneira correta é importante remover e pesar todo o material do cocho, não oscilar o número de animais por lote e recolher as sobras no mesmo horário todos os dias para que o cálculo traga resultados reais. Outrossim, vale ressaltar a diferença de sobra e resto. Logo, sobra é o restante de alimento com composição semelhante ao fornecido, não rejeitado pelo animal. Entretanto, o resto possui uma composição diferente da fornecida (geralmente composto por partículas de fibra longa, assim maior teor de FDN do que a inicial), e não seria consumido pelo animal, limitando a IMS. Como resultado deste cálculo podemos entender os fatores que influenciam na oscilação de sobra, como: calor, eventual troca de lotes, erro no carregamento ou na mistura, dentre outras alterações na rotina. Por fim, de posse dos últimos dados e considerando estes fatores faremos um “diagnóstico da dieta”, para ajustarmos a próxima oferta.

Nessa mesma perspectiva, o ideal seria pesar as sobras de forma exata e diariamente. Porém, cada fazenda pode incluir esta rotina da forma que for possível, podendo, inclusive, iniciar com o controle semanalmente e ir aumentando de forma gradual. Na prática, devemos buscar uma sobra entre 5 a 10% do fornecido, e, assim, calcular a quantidade a ser ofertada ajustando de acordo com a sobra anterior. Ou seja, se encontrarmos uma sobra menor do que 5%, devemos aumentar a quantidade a ser fornecida (5% ou 1 Kg MS/animal), e se maior que 10%, podemos diminuir, já que está ocorrendo um excesso de comida. Não obstante, a sobra recolhida deve ser direcionada para outros lotes de animais, como a recria. Por outro lado, há fazendas que optam por trabalhar com sobras de 3 a 5%, entretanto devem obter alguns pré requisitos para que não haja limitação de consumo. Como exemplo, temos: adequada divisão de lotes e espaço de cocho, além de regularidade nos horários de fornecimento do alimento e monitoração frequente do teor de MS da forragem, sempre monitorando mudanças significativas na IMS.

Uma outra alternativa possível seria realizar o monitoramento de forma visual, utilizando classificação em escores de cocho (Tabela 1) e (Figura 1). Neste caso, devemos buscar o escore 2, e, para que não haja limitação de consumo dos animais, devemos aumentar (5% ou 1 kg MS) a oferta caso tenhamos escores 0 ou 1; e diminuir, se o escore for maior que 2; evitando desperdício.

Tais considerações evidenciam a importância do monitoramento de consumo para uma eficiência no manejo alimentar. No entanto, devemos sempre avaliar outros aspectos, principalmente avaliando também os animais, a partir de escore de enchimento ruminal, comportamento ingestivo e até mesmo pela produção de leite. Não só a vaca, mas também o ambiente, buscando oferecer sempre o conforto necessário para que possam ter o consumo otimizado, e consequentemente, melhorar os índices zootécnicos e econômicos da propriedade.

Tabela 1: Escores de cocho para monitoramento de sobras

controle de sobras
Figura 1: Diferentes escores de cocho

controle de sobras
Fonte: LeBov

Referências

GONÇALVES, L. C.; BORGES, Iran; FERREIRA, Pedro Dias Sales. Alimentação de gado de leite. Belo Horizonte: FEPMVZ, 2009

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GABRIEL WILLIAM OLIVEIRA SILVA

Graduando em Medicina Veterinária na UFLA e membro do UFLALEITE

ISABELLA M. GIMENEZ DIAS

Graduanda em Medicina Veterinária na UFLA e membro do UFLALEITE

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DANIEL EDUARDO TENCA BIANCHO

PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/10/2020

interesante
ANA AMELIA

EM 02/10/2020

????????????????
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