Gargalos na produção leiteira: do rebanho ao transporte do leite

O conhecimento entorno das reais restrições da propriedade rural de leite, por vezes é um ponto que impede ações corretas para melhorar a gestão. Saiba mais!

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - Atualizado em: - 4 minutos de leitura

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Ma. Juliana Delgado Martins Raymundo
Prof. Dr. Eduardo Guilherme Satolo
Prof. Dra. Priscilla Ayleen Bustos Mac-Lean

Faculdade de Ciências e Engenharia da UNESP, Câmpus Tupã

Na cadeia de produção leiteira o principal agente é a propriedade rural (formada por produtores, animais e instalações em geral), porém esta ainda é considerada o elo frágil. Isso se dá por fatores educacionais, como o baixo nível de escolaridade; fatores tecnológicos, como a ausência de equipamentos para armazenamento e aferição da quantidade de leite produzida por animal; fatores técnicos, como a ausência de programas de assistência técnica ligados à nutrição do rebanho, reprodução, melhoramento genético, manejo e sanidade; e fatores comerciais, como a ausência de parcerias longas com laticínios que acabam comprometendo o bom andamento de toda a cadeia.

Porém, o conhecimento entorno das reais restrições da propriedade rural de leite, por vezes é um ponto que impede ações corretas para melhorar a gestão deste elo da cadeia.

Esta matéria apresenta as principais restrições na gestão da cadeia produtiva leiteira englobando o rebanho, o processamento de ordenha e armazenamento do leite, o transporte do leite até o tanque e até o laticínio em propriedades localizadas na microrregião de Tupã/SP, onde o método de pesquisa selecionado foi survey. Este método é utilizado para obter dados em um processo de pesquisa, aplicando um questionário em determinado grupo de indivíduos.

De acordo com dados fornecidos pela CATI (2017) e IBGE (2019), a microrregião de Tupã conta com sete municípios, responsáveis pela produção de 13,86 milhões de litros de leite por ano, distribuídos em 688 propriedades. Desta forma a microrregião de Tupã corresponde a 46,5% da produção leiteira da região de Marília, sendo 1,1% do estado de São Paulo (IBGE, 2019).

Os dados foram obtidos entre os anos de 2018 e 2019, pela aplicação de um formulário com perguntas estruturadas à 68 produtores, obtendo uma amostragem de todos os municípios da região. A delimitação da amostra ocorreu por meio da parceria com o programa de Pós-Graduação em Agronegócio e Desenvolvimento e principalmente com o Projeto de Extensão Kamby (PROEX/UNESP), que atua para melhorar a produção leiteira na região de Tupã/SP, tanto em quesitos quantidade quanto qualitativos do leite produzido, por meio da difusão do conhecimento e troca de experiência entre estudantes universitários, professores, técnicos e produtores de leite, da Faculdade de Ciências e Engenharia, UNESP, Câmpus Tupã.

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Os produtores leiteiros foram caracterizados com idade média de 44 anos, sendo 15% dos entrevistados do sexo feminino e 85% do sexo masculino e, ainda, apenas 25% dos filhos dos entrevistados atuam no campo. As propriedades da amostragem tiveram início na atividade leiteira entre os anos de 1928 e 2018 e têm uma grande variação de produção diária, oscilando com uma produção média de 10 a 2700 litros de leite por dia, e 98,5% tem a produção de leite como atividade econômica principal.

Rebanho leiteiro

Em relação a produção, 44,12% dos produtores mantêm a quantidade de animais em lactação utilizados durante o ano no processo de ordenha, não realizando reposição do rebanho. Isso indica uma falha no controle do ciclo do animal para a participação da ordenha, prejudicando o nível de produtividade. Isto é corroborado ao notar que apenas 55,22% dos entrevistados utilizam-se de meios para controle e monitoramento das etapas de produção. Com essa informação detecta-se que grande parte dos entrevistados ficam vulneráveis a possíveis falhas em seu processo produtivo e sem a possibilidade de correção, pois não há um acompanhamento dos animais do processo para identificar as ferramentas/técnicas necessárias para aplicá-las.

 

Processo de ordenha e armazenamento do leite

Figura 1

  • 85,3% dos produtores, nesta microrregião utilizam ordenha manual e destes, 10,3% não possuem tanque próprio instalados em suas propriedades.
  • 38,2% dos produtores fazem uso de tanque compartilhado. Para estes casos, a confiança entre parceiros é essencial.

 

Transporte do leite até o tanque

Figura 2

  • A padronização no transporte do leite da ordenha ao tanque é importante pois permite ao produtor visualizar propostas de melhoria neste processo. Conhecer as boas práticas de ordenha é um aspecto relevante ao produtor leiteiro para evitar a contaminação de seu produto.
  • Poucos produtores indicaram a necessidade de mudanças no espaço físico, fato este que necessita ser explorado para verificar se atende as novas Instruções Normativas para a produção leiteira.

Gestão de logística

Figura 3

  • O transporte terceirizado é opção dos produtores pela facilidade ofertada pelos laticínios da região, que realizam a coleta dos produtos nas propriedades, associações ou cooperativas.
  • Porém, cabe ao produtor os cuidados no tanque próprio ou terceirizado para garantir que o leite esteja condicionado de modo correto até o momento da coleta.
  • Outro ponto, é o acompanhamento das condições de sanidade do caminhão que efetua a coleta do leite e do processo de transferência, de modo a evitar a contaminação do produto.
  • Os produtores que efetuam a entrega por transporte próprio, apenas 22,2% buscam pela melhoria do desempenho da entrega. Com as novas Instruções Normativas o processo de acondicionamento e transporte teve seus indicadores mais restritivos, o que impacta ao produtor conhecer e atuar na melhora deste item.

Agradecimento: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Processo: 424722/2018-6

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Juliano Oliveira
JULIANO OLIVEIRA

EM 20/07/2020

Ótimo artigo.
Parabéns!!!
Juliano Oliveira
JULIANO OLIVEIRA

EM 20/07/2020

As estradas muitas vezes de terra e com baixa manutenção aumentando o tempo de transporte da zona rural para cooperativas ou para a industria, isso poderia ser um fator negativo na distribuição?
Eduardo Satolo
EDUARDO SATOLO

TUPÃ - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 18/08/2020

Juliano agradeço em nome da equipe o comentário e incentivo das mensagens.
A baixa manutenção de nossas estradas rurais com certeza trazem impacto junto ao processo de coleta e transporte do leite. Uma característica comum é que este transporte seja executado por terceirizados contratados pelo laticínio. As estradas ruim geram impactos no custo de transporte, que fica mais demorado, necessita de maiores cuidados com a refrigeração, e pode acarretar em perda da qualidade do produto final.
Convidamos para conhecer nosso projeto: https://www.tupa.unesp.br/#!/comunidade/projetos/kamby/. Abraço Eduardo
Edineia Carnaiba Ferreira Teixeira
EDINEIA CARNAIBA FERREIRA TEIXEIRA

TUPÃ - SÃO PAULO

EM 20/07/2020

Informações muito interessante da nossa microrregião que já foi a maior bacia leiteira do estado de São Paulo
Eduardo Satolo
EDUARDO SATOLO

TUPÃ - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 18/08/2020

Olá Edineia, agradeço em nome da equipe o comentário e incentivo das mensagens.
Convidamos para conhecer nosso projeto: https://www.tupa.unesp.br/#!/comunidade/projetos/kamby/. Abraço Eduardo
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