FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO
Buscar

Resíduos sólidos na indústria de laticínios: geração, gestão e tratamento

INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 22/06/2020

4 MIN DE LEITURA

1
3

Autores do artigo:

Luiz Antônio Rocha, Lilian Bechara Elabras Veiga, Simone Lorena Quitério de Souza, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de  Janeiro (IFRJ), Departamento de Alimentos.

Apesar da alta relevância econômica e social da indústria de laticínios é preciso avaliar os aspectos ambientais responsáveis por gerar impactos ambientais negativos em suas atividades, seja no processo produtivo ou no setor administrativo e instalação auxiliares. Gradualmente essas indústrias vêm considerando a sustentabilidade em suas atividades. De fato, a melhoria do desempenho ambiental, obtida através da redução do uso de recursos naturais e redução da poluição (resíduos sólidos, emissões atmosféricas, ruídos e efluentes) precisa integrar a estratégia de negócios das empresas. Como resultado temos um processo mais eficiente, redução nos custos, maior competitividade e acesso a novos nichos de mercado. Neste contexto, este artigo, aborda, especificamente, a questão dos resíduos sólidos na indústria de laticínios: geração, gestão e tecnologias para tratamento.

A geração de resíduos na indústria de laticínios está associada, principalmente, ao processo produtivo, proveniente das operações e atividades relacionadas à produção industrial. Porém, não se limita à linha de produção, ocorrendo também no setor administrativo e instalações auxiliares, como escritórios, instalações sanitárias e refeitórios. Para minimizar e/ou não gerar resíduos é necessário inicialmente conhecer o processo produtivo, realizando um diagnóstico de cada etapa, identificando as entradas (água, energia, matéria-prima), tecnologias, resíduos gerados, suas características e fontes de geração.

No Brasil, a hierarquia na gestão dos resíduos, prioriza a não geração, o que pode ocorrer através da modificação do produto, modificação do processo produtivo, modificação tecnológica e/ou substituição de insumos, seguida da redução na geração. 

Para o resíduo gerado, a prioridade é o reuso, ou seja, reintrodução do resíduo no ciclo produtivo como insumo dentro da própria indústria ou em outra indústria, prática essa denominada de simbiose industrial. A próxima alternativa é a reciclagem. Caso não sejam viáveis as quatro alternativas anteriores, o resíduo é tratado para posterior disposição final, a partir do qual é denominado rejeito. Para todas as alternativas, deve-se realizar uma análise de custo/benefício.

Os resíduos gerados devem ser segregados na fonte geradora, ou seja, na indústria e armazenados temporariamente em um depósito, preferencialmente localizado na própria planta industrial. Do armazenamento, os resíduos são encaminhados para empreendimentos habilitados a realizar o tratamento e disposição final do rejeito. Destaca-se ainda a importância do gerenciamento adequado dos resíduos, minimizando assim, os impactos ambientais, causados pelo descarte inadequado dos rejeitos 

A Norma ABNT NBR 10.004:2004 classificou os resíduos sólidos quanto aos riscos potenciais ao meio ambiente e à saúde pública, diferenciando os resíduos perigosos dos não perigosos, sendo os segundos subdivididos em inertes e não inertes. Tal classificação abrange a identificação do processo ou atividade que deu origem ao resíduo, constituintes e características, e comparação destes constituintes com listagens de resíduos e substâncias cujo impacto à saúde e ao meio ambiente seja conhecido.

Quanto às tecnologias para tratamento e destinação dos resíduos sólidos, deve-se considerar à identificação dos resíduos gerados no processo ou atividade industrial (origem do resíduo, constituintes e características) e a solução técnica, econômica, legal e ambientalmente mais adequada. Os processos de tratamento de resíduos podem ocorrer em três rotas, subdividias em alternativas:

  • Rota térmica: secagem, incineração, co-processamento, pirólise, gaseificação, plasma, geração de Combustível Derivado de Resíduos (CDR);
  • Rota biológica: compostagem, digestão anaeróbia;
  • Rota química: hidrólise ácida e despolimerização catalítica.

Percebe-se assim a importância de adoção de medidas de controle da poluição, cabendo à indústria de laticínios no que diz respeito aos resíduos sólidos a responsabilidade de um gerenciamento adequado. Esse gerenciamento pode ocorrer a partir da adoção - pela indústria - de instrumentos da gestão ambiental associados ao processo produtivo, bem como o uso das técnicas de tratamento.

Neste contexto sugere-se a utilização de alguns desses instrumentos de gestão ambiental: a produção mais limpa (P+L), a ecoeficiência, a avaliação do ciclo de vida (ACV), o ecodesign e a rotulagem ambiental dos produtos. Essas medidas precisam integrar a estratégia de negócios das empresas, resultando, consequentemente, em uma melhor saúde financeira.

Referências bibliográficas

ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 10.004:2004 Resíduos Sólidos – Classificação. Brasil. 2004.

BARBIERI, J.C. Gestão Ambiental Empresarial: Conceitos, Modelos e Instrumentos. 4 ed. São Paulo: Saraiva, 2016.

ELABRAS-VEIGA, L.B.; SOUZA, S.L.Q. Inovações e avanços em Ciência e Tecnologia de leite e derivados. In: Gestão Ambiental no processamento de leite e derivados.1 ed. São Paulo: Setembro, v.1, p. 69-112, 2019.

FEAM. Fundação Estadual do Meio Ambiente. Plano de ação para adequação ambiental das indústrias de recepção e preparação de leite e fabricação de produtos de laticínios no Estado de Minas Gerais: relatório final / Gerência de Produção Sustentável. 2011.

FIRJAN. Manual de Gerenciamento de Resíduos. Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro Firjan. - Rio de Janeiro. 2019. 35 p.

GTAIL - Guia Técnico Ambiental da Indústria de Laticínios. Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais – FIEMG. Fundação Estadual de Meio Ambiente – FEAM. 2014

LEITE, A.I.N.; ALVES, R.C.; SOARES, F.D.; OTENIO, M.H.; PAULA, V.R. de. Caracterização dos resíduos sólidos gerados em laticínios. Revista Instituto de Laticínios Cândido Tostes, 73(2), 73-81. 2018.

MAGANHA, M.F.B. Guia técnico ambiental da indústria de produtos lácteos. Série P + L. CETESB. São Paulo, 2006. Disponível em: <http://www.cetesb.sp.gov.br>. Acesso: setembro de 2016.

MAGRINI, A., ELABRAS VEIGA, L.B. Ecologia Industrial: desafios na perspectiva da Economia Circular. Rio de Janeiro. Editora Synergia, 2018.

SANTOS, F.F.; QUEIROZ, R.C.S de; ALMEIDA NETO, J.A. de. Avaliação da aplicação das técnicas da Produção Mais Limpa em um laticínio no Sul da Bahia. Gestão e Produção, 25, 117-131. 2018.

1

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

MARCO ANTÔNIO MALBURG

ÁGUA BOA - MATO GROSSO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 29/06/2020

Complicado para os pequenos lacticínios (processam no máximo 80.000 Litros/dia) é o custo dos processos de simbiose ou reuso dos efluentes gerados do processo. Existem possibilidades, mas a preços proibitivos.
MilkPoint AgriPoint