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Visão do produtor: mudanças em 2022 devem alterar a relação produtor-indústria

POR CÁSSIO VINÍCIUS VIEIRA

ESPAÇO ABERTO

EM 10/01/2022

2 MIN DE LEITURA

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O ano que termina impactou todos os setores da economia nacional e mundial. Alguns cresceram alicerçados nos serviços que atenderam as famílias nos seus lares, outros encerraram seus negócios em função das disrupturas desencadeadas pela pandemia.

Não diferentemente, a cadeia láctea nacional descortinou as relações frágeis que existem entre produtores e agroindústrias. Essa interdependência nada transparente quanto as negociações do valor pago pelo litro de leite ao produtor, na quase totalidade do país, deverá sofrer mudanças profundas em 2022.

Com um cenário extremamente desafiador, 2021 foi sem dúvida um ano histórico para os produtores de leite, quando analisamos os prejuízos sistemáticos acumulados por eles. A escassez de chuvas somada às geadas nas regiões de maior produção de leite no Brasil e agravadas por aumentos significativos nos custos de produção – estabelecidos pelos preços dos insumos atrelados ao dólar – trouxeram à tona questões que haviam sido deixadas de lado em um passado nada recente e repetitivo.

O desequilíbrio financeiro entre os elos da cadeia produtiva de leite nacional evidenciou uma relação que deixou de ser pragmática entre seus agentes.

Reforçando esta questão, avolumam-se os Encontros de Produtores de Leite no Brasil exigindo o cumprimento da Lei 12.669, de 19 de junho de 2012, que determina que a empresa de beneficiamento e comércio de laticínios informe ao produtor de leite o preço pago pelo litro do produto até o dia 25 (vinte e cinco) do mês anterior a sua entrega.

Além do cumprimento da lei, discute-se também que o preço do litro de leite informado esteja correlacionado a um índice de referência validado por ambas as partes.

Nestas discussões demonstrou-se o quão ineficazes são os índices atualmente desenvolvidos em conselhos paritários, como os “Conseleites”. Se em alguns casos não existem atualizações satisfatórias dos custos de produção, em outros não existe validação do modelo matemático adotado.

Essa condição, que sempre foi conflituosa, tende a ser minimizada à medida que cada um dos agentes entendam as mudanças internas necessárias para fortalecer as relações de interdependência.

Se cabem aos produtores produzir leite com eficiência e qualidade, também cabem às agroindústrias estabelecer uma negociação transparente que propicie equilíbrio financeiro entre as partes, além da previsibilidade do preço do litro do leite a ser pago.  

Em plena era da inteligência artificial, a manutenção do mecanismo que impõe ao produtor a informação do valor recebido pelo seu produto após um mês de entrega da sua produção descola a eficiência da transparência, permitindo inclusive questionamentos quanto à violação da Lei 12.529 de 30 de novembro de 2011. Percebe-se que as terminologias como “viés de baixa”, “estabilidade” ou “viés de alta” não são mais suficientes para estabelecer uma parceria duradoura.

Em cenários desafiadores os mais preparados entendem antes o que tende a acontecer depois. E há fortes indícios de que nada será como antes.

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CÁSSIO VINÍCIUS VIEIRA

Produtor de Leite no município de Monte Alegre de Minas, Médico Veterinário com MBA em Agronegócios e Mestrado em Produção Animal.

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GERALDO FERREIRA FORTES

PASSA TEMPO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 12/01/2022

Acredito que isso já venha de longa data ( comércio unilateral, ou seja, a indústria paga o que quer sem respeitar a Lei 12669). O que fazer? A nosso ver, a coisa é complicada porque lidamos com seres vivos que fornecem sua cota diária e que tem que ser extraída de qualquer maneira. Esse é o nosso calcanhar de Aquiles. Somos o ponto fraco desse sistema. Somente com a união de todos, e dentro de uma estratégia global, isto é, que conte com a adesão maciça dos produtores de leite, pressionar as industrias através das associações afins, ou criar novos mecanismos de pressão. No mínimo, exigir que a lei seja cumprida. No fundo, o que precisamos é de idéias para montarmos essa estratégia.
JOSE FRANCISCO

GOIÂNIA - GOIÁS

EM 12/01/2022

Em pleno século 21, nada justifica tamanha "barbaridade" (o produtor ser informado do valor de seu recebimento só um mês após entregar o seu produto). O produtor não pode ficar nas mãos da indústria, deve procurar alternativas para viabilizá-lo, busque orientações de Emater, Embrapa, seja o que for, mas, não fique nas mãos de indústria(s), parceria que só vê o seu "estômago" , não compensa jamais.
GERALDO FERREIRA FORTES

PASSA TEMPO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/01/2022

Excelente artigo! A Lei 12669 é, infelizmente, mais uma que não é respeitada pela indústria. O pecuarista de leite não consegue montar um fluxo de caixa real. As projeções do negócio se transformam em manipulação de números simplesmente. O índice de referência, acertado entre o produtor e a indústria, torna-se um importante parâmetro e deveria ser a meta a ser buscada por todos, inclusive pelos "conseleites". Bato, ainda, na tecla de que a governo deveria ajudar os produtores de leite na desvinculação de preços atrelados ao dólar de insumos básicos à alimentação do rebanho. Acrescento, também, os problemas do dia a dia: Clima, mão-de-obra, energia elétrica, combustíveis, medicamentos, etc. Realmente, nossa luta é imensa.
MARCOS ANTONIO RODRIGUES

ABADIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/01/2022

Como a matéria prima leite não tem como ser estocada pelo produtor,nada mais justo ele ser informado o valor a ser pago antes da enttega .Assim teria como como por na balança custo e produção.
MARCOS

CARMO DO CAJURU - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/01/2022

Eu vou todo dia ao supermercado compro algo ou em um posto abastecer assino a notinha. depois no fim do mês eles me apresentam o valor do fechamento das compras ai eu pego e digo: vou ver qual o valor por kilo ou do litro da gasolina que vou pagar será que eles aceitam? claro que não! Mas Porque isto acontece com o Leite? Porque o primeiro passo para as indústrias funcionarem e terem seu lucro, foi desmontar as cooperativas ou fazerem "parcerias" com diretores, criando a desunião dos produtores. A produção de leite só será lucrativa se houver união e retorno das cooperativas. Tirando estes diretores "pesados" que pouca ajudam o produtor.
MAURO ARAUJO DIAS

ANÁPOLIS - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/01/2022

Não vendemos leite, entregamos, cabe ao laticinio pagar o que for mais interessante para ele, cerca de 25 dias após a entrega, os insumos sobem todos os dias ao sabor do vento, não temos mais como buscar alternativas de preços de insumos, pois de certa maneira se tornaram um cartel de preços que, quando um sobe o possivel substituto sobe também, as exigencias cada vez maiores, e as punições também, estamos no limite ou abaixo dos investimentos que muitas vezes a atividade demanda, e na minha opinião ainda não chegamos ao fundo do buraco, sempre esperando que a coisa ainda vai melhorar, quando?
ELISIO ANTONIO DE OLIVEIRA

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/01/2022

Penso que usar uma política transparente onde o produtor possa planejar seus investimentos. Hoje o laticinio paga o que convém a ele.
THAISSA ANDRADE

NOVA SERRANA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/01/2022

Não adianta pois informam o preço seco do leite e nO a realidade sempre foram assim. Temos que reduzir a produção para sermos valorizados no mercado. Vou reduzir esse mês em 60%.
PAULO AZEVEDO MELO BERNARDES DA COSTA

MONTE SANTO DE MINAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/01/2022

Sabeno o valor a ser pago no mes em que será entregue será otimo, pois teremos como trabalhar nos custo , tentando fazer q seja mais viavel.
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