FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO

Quem paga o pato?

ESPAÇO ABERTO

EM 24/06/2016

1
0
*Autor: Ciro Antonio Rosolem, Vice-Presidente de Estudos do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS) e Professor Titular da Faculdade de Ciências Agrícolas da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (FCA/Unesp Botucatu). O artigo foi publicado no portal Clima Tempo no dia 20/06. 

Mais uma vez os alimentos aparecem como vilões da inflação. Certa vez foi o tomate, depois, alface, batata, até o pobre do chuchu já pagou o pato. Agora parece que será o feijão de cores, junto com o arroz. Se bem que vai ser difícil, porque o preço do pato deve ter subido também. Estamos vivendo um ano complicado para o agronegócio. Primeiro foi o atraso nas chuvas, atrasando a semeadura da safra de verão. Depois a seca de abril/maio, prejudicando o arroz, feijão, soja, algodão e, principalmente o milho de segunda safra. Agora o frio, geada, prejudicando frutas e hortaliças. O resultado é uma safra de grãos um pouco menor que a anterior, uma quebra não só da safra, mas também dos sucessivos recordes batidos ano a ano.

Mas, e a tal propalada pujança de nossa agricultura? Se somos tão eficientes, como isso ocorre com frequência no Brasil? Muito bem, vamos colocar cada coisa em seu lugar. O primeiro ponto é que, embora os preços dos alimentos, nas últimas décadas, tenham caído em nível de produtor, no varejo eles têm mais ou menos acompanhado a inflação. Nos últimos 16 anos: inflação acumulada de 194,31% e aumento acumulado da cesta básica de 191,00%. Mas, ainda há outro fator muito importante: em janeiro de 2000, um salário mínimo nacional comprava 1,01 cestas básicas, em maio de 2016 comprou 2,24. Então vamos combinar que não são os alimentos que detonam o orçamento familiar, certo?

O fato é que, em função dos problemas climáticos, vai piorar um pouco. As carnes e o leite devem subir ainda, pois o milho e a soja são componentes importantes das rações. E houve queda na produção de ambos. O fato é que quando se produz bastante, os preços caem e o produtor é desestimulado, e produz menos no próximo ano; quando há quebra de produção os preços sobem e o consumidor paga o pato (olha ele aí outra vez). Quem é responsável por essa gangorra? Existe uma coisa de chamamos de Estoque Regulador. Ou seja, em anos com superprodução, o governo deve garantir os preços ao produtor, de modo a mantê-lo produzindo de modo correto, sustentável, comprando e armazenando o excesso produzido, por preço justo; em anos de produção prejudicada, os estoques devem ser colocados no mercado, de modo a não sacrificar o consumidor, e controlar a inflação. Os estoques estão baixos no Brasil. Políticas públicas podem, e deveriam minimizar este tipo de problema. A manutenção de estoques implica em uma política correta de preços mínimos e de seguro rural, além de política fiscal coerente para o setor.

Por mais que o agro seja eficiente, por mais técnica que se empregue na agricultura, por mais que a ciência tenha se desenvolvido, ainda não temos ferramentas que anulem os efeitos climáticos. Talvez nunca tenhamos. E, com o possível aquecimento global, isso vai piorar. Como lidar com isso tudo? Governos com um mínimo de comprometimento com os cidadãos. Governos que governem para o País e não para se manter no poder. A história é antiga... Por quanto tempo ainda teremos que achar alguém, ou algum produto, para pagar o pato?

 

1

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

ELISEU NARDINO

MARIPÁ - PARANÁ

EM 25/06/2016

Parabéns pelo artigo, disse tudo.