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Pecuária e defensivos são vítimas de ataques e desinformação

POR MARCOS SAWAYA JANK

ESPAÇO ABERTO

EM 13/12/2016

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Marcos Sawaya Jank, especialista em questões globais do agronegócio, para o jornal Folha de São Paulo (edição de 10/12/16).
 
Avanços notáveis têm acontecido no tema da sustentabilidade da agricultura brasileira, seja pela aplicação mais rigorosa das leis, seja pelo uso generalizado de técnicas conservacionistas que trazem ganhos econômicos para os produtores.

Melhorou também o diálogo e a parceria entre empresas, associações, ONGs e grupos de pesquisa, como a Coalizão Brasil Clima Agricultura, Florestas e Agricultura e o Grupo Técnico da Pecuária Sustentável (GTPS), que tem desenvolvido parcerias interessantes e inovadoras.

Porém, no debate atual chamam a atenção dois mitos que continuam sendo repetidos ad nauseam, sem a necessária evidência dos fatos. O primeiro é a acusação de um persistente atraso na pecuária de corte brasileira e o outro é um suposto uso excessivo de defensivos agrícolas pela agricultura. Esses dois pontos foram levantados em eventos ocorridos na Conferência do Clima em Marrakech, em recente evento no Insper e agora em um artigo desnecessariamente espinhoso de Daniela Chiaretti no "Valor Econômico" de 5/12, intitulado "As bravatas de Blairo".

Utilizamos uma frase deste artigo para tratar da questão do uso de defensivos na agricultura tropical brasileira: "O Brasil é líder inconteste no uso de venenos lançados sobre o campo, colheitas, trabalhadores, índios, donos de terras, animais, solo, água, produtos agrícolas e consumidores".

Não é de espantar que o Brasil, com uma agricultura situada entre as maiores e mais produtivas do mundo, seja o país que apresenta o maior consumo de defensivos, erroneamente chamados de "veneno".

Ocorre, porém, que o correto não é comparar consumo absoluto, mas sim o relativo, por hectare ou por unidade de produto gerada. Nosso consumo médio de defensivos é de 5 kg de ingredientes ativos por hectare, bem abaixo do observado na Holanda (20,8 kg), no Japão (17,5 kg) e na Bélgica (12 kg), países que gostam de apontar o dedo contra o Brasil. Um estudo da Kleffmann mostra que, enquanto o uso de defensivos por unidade produzida cresce 120% na China e 47% na Argentina desde 2004, no Brasil ele decresce 3%.

E, ao contrário dos países de clima temperado, que contam com o inverno e a neve para quebrar o ciclo das pragas e doenças, aqui se produz o ano todo sob clima quente e úmido, sendo que em muitos lugares fazemos duas ou até três safras na mesma área.

Especialistas afirmam que, se os defensivos não fossem utilizados, a produção agrícola sofreria uma redução da ordem de 50%, que certamente provocaria desmatamentos adicionais, além do risco de forte elevação dos preços dos alimentos.

Já em relação à pecuária de corte, não há dúvida de que existe grande disparidade na produtividade do gado e das pastagens. Mas ainda assim a evolução do campo foi fantástica: entre 1990 e hoje, a área ocupada com pastagens caiu de 188 milhões para 167 milhões de hectares, ao mesmo tempo em que o rebanho aumentou de 147 milhões para 214 milhões de cabeças, o maior do mundo. Em 2015, a produtividade chegou a 60 kg de carne/hectare, ao crescer impressionantes 143% no período.

Se os 10 milhões de toneladas de carcaça de 2015 fossem produzidos com a tecnologia do início da década de 1990, a pecuária estaria usando não 167 milhões, mas sim 400 milhões de hectares, o que acarretaria em muito desmatamento. Isso comprova que os ganhos da pecuária são evidentes, ainda que heterogêneos.

O "aprimoramento contínuo" da sustentabilidade agropecuária brasileira é um fato inconteste. Ainda temos um longo caminho pela frente, mas não há um único país que tenha avançado em produtividade e conservação ambiental na mesma escala que o Brasil nos últimos 25 anos.

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BERNARDO GARCIA DE ARAUJO JORGE

APUCARANA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 19/12/2016

Parabéns pelo o artigo,deveríamos dar a maior divulgação possível.É impressionante o massacre que agropecuária brasileira sofre de pessoas sem honestidade intelectual e compromisso com a informação de qualidade.
JEFÉ LEÃO RIBEIRO

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 15/12/2016

..apenas esclareço que não fiz quaisquer juízo de valor sobre o uso de agrotóxicos. Eu disse que agrotóxico é veneno, o que não traz nenhuma informação nova, pois assim está escrito no rótulo dos mesmos. E digo mais, não substituam algumas gotas do remédio dipirona (que também pode matar quem é alérgico a esse produto) por algumas gotas do agrotóxico Furadan, que é um veneno, e mata pessoas, mesmo quem não é alérgico.  Ainda, quem lida com agrotóxicos, obedeça sempre as instruções do rótulo do produto, proteja-se com os EPIs indicados, e respeite o período de carência também especificado no rótulo, pois trata-se de um veneno. Assim estará protegendo sua lavoura, seus animais, sua vida, e a vida dos consumidores que comprarão e consumirão o seu produto!  Desejo boas colheitas a todos!!
ACIVALDO JOSÉ DE FREITAS

AMORINÓPOLIS - GOIÁS

EM 15/12/2016

Me parece que quase todo remédio mata.  Uns requerem mais cuidados outros menos. Quase todos tem em sua bula recomendações de como utilizar corretamente. Da mesma forma acho que é com os defensivos. Só que em tudo tem os radicais, preocupam mais em ver problemas do que dar soluções. Realmente muitos defensivos requerem cuidados especiais.  Mas sem eles infelizmente não é possível abastecer o mundo. Se não tivéssemos que utilizá-los seria maravilhoso. Com certeza quem mais ficaria feliz com isso seriam os agricultores.
PAULO FERNANDO ANDRADE CORREA DA SILVA

VALENÇA - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/12/2016

O que leva a humanidade a óbito é a fome.  Não o defensivo agrícola do progresso , bem aplicado.

Parabéns Marcos Jank pelo exelente artigo.

Evidente está que não teremos nunca unanimidade neste tema. Mas nós, que enchemos a barriga de todos, temos que continuar a defender a nossa missão de sustentarmos a todos. Inclusive a eles.
JEFÉ LEÃO RIBEIRO

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL - INSTITUIÇÕES GOVERNAMENTAIS

EM 14/12/2016

Os temas objeto da matéria são de extrema relevância, porém há grau importante de imprecisão e erro no tocante aos "defensivos agrícolas".  Na verdade se está falando de agrotóxicos, os quais, ao contrário do relatado na matéria, são sim venenos! e matam! Inclusive esses produtos trazem no rótulo, logo abaixo de um desenho de uma caveira, a expressão "Cuidado Veneno".  Assim, um importante meio de comunicação não pode desinformar o seu público, ainda mais sobre algo que pode levar uma pessoa a óbito.

Quanto à nossa produção pecuária, a matéria foi extremamente feliz, e cumpriu plenamente seu objetivo.    
WEDER DE LIMA VIEIRA

GOIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 13/12/2016

E com artigos com belas informações como este que vamos ajudar as pessoas a entender o que acontece dentro do Agronegócio Brasileiro.
ACIVALDO JOSÉ DE FREITAS

AMORINÓPOLIS - GOIÁS

EM 13/12/2016

E isso aí. Vamos responder a esses desinformados. Mostrar pra eles a realidade e a importância do agro. Eles estão na comodidade deles, só criticando. Acham que para nós a coisa  é fácil.  Eles deveriam é  vir pra zona rural produzir, ver as dificuldades q passamos. Daí teriam moral pra falar alguma coisa.