Aparência “plissada” faz parte da identidade do mont d’or. FOTO: Débora Pereira/Profession Fromager
O 'caderno de regras' determina que ele pode ser feito de 15 de agosto a 15 de março. Após o período de cura de 21 dias, os primeiros são vendidos a partir da primeira semana de setembro. Da mesma região de origem do comté, o mont d’or era feito no fim do período de lactação das vacas, quando não havia mais leite suficiente para fazer o comté. Isso coincidia com o final do inverno, quando o leite é mais gordo. Mas, com o reconhecimento da denominação, os produtores conseguiram um período maior, para não limitar tanto a comercialização.
O mont d’or nunca foi importado ao Brasil, porque é um queijo sensível, de massa mole e casca lavada, curado por no mínimo 21 dias. Ou seja, não atende ao critério mínimo de 60 dias de cura e é exclusivamente de leite cru. Escrevo esse post na esperança de algum brasileiro mais ousado se aventure a fazer um queijo “tipo” mont d’or para o próximo inverno.
Produtor François Brulport de la Fruitière des Jarrons. FOTO: Débora Pereira/Profession Fromager
O tradicional mont d’or, servido quente em sua caixa de madeira, quase em estado líquido, pode ser também ingrediente de receitas suculentas. O sabor fica mais intenso quando acrescentamos um cálice de vinho ou alguns dentes de alho antes de levar ao forno. Sempre acompanha batata cozida e charcutaria. Sabor marcado pela madeira de pinheiro.
Para potencializar o sabor, uma cinta de madeira é amarrada ao redor do queijo assim que ele é desenformado. Ela é feita de um pinheiro nativo da região. A técnica confere o gosto intenso amadeirado ao queijo. É uma mistura de odores leves de floresta, cogumelos e aromas lácteos, com um toque ligeiramente salgado. Ao ser esquentado, a textura derretida e untuosa explode na boca.
A caixa na qual o queijo é vendido permite que ele seja moldado com ondas plissadas que lembram as montanhas da região. Esse efeito é porque o mont d’or é ligeiramente maior que o diâmetro da embalagem. Quando ele é encaixado, o produtor aperta e força um pouco a entrada, o que provoca esteticamente as dobras. A caixa e as tábuas de cura também são feitas de um tipo de pinheiro nativo da região, com o mesmo objetivo de marcar o sabor do queijo.
No momento de colocar o queijo na caixa. FOTO: Débora Pereira/SoCheese
Vendas 'subindo a montanha'
Feito por laticínios que compram leite cru na região de Haut-Doubs, fronteira da França com a Suíça, o queijo mont d’or continua sua ascensão em volume de fabricação ano após ano. Os números de vendas não mentem: 5,4 mil toneladas em 2017, um aumento de quase 10% entre 2015 e 2018.
O queijo tem casca lavada e depois cresce uma leve camada de mofo branco. FOTO: Débora Pereira/Profession Fromager
O queijo mont d’or:
- Decreto que regulariza a DOP: 198;
- Peso: de 480g a 3,2 kg (três ou quatro formatos, dependendo do fabricante);
- Forma: cilindro;
- Fabricação: de 15 de agosto a 15 de março;
- Venda: de 10 de setembro a 10 de maio;
- Volume: 4.736 toneladas (2010);
- Cura: 21 dias;
- Cadeia do queijo: 494 produtores de leite e 11 laticínios.
As informações são do blog Só Queijo, de Débora Pereira, para o Paladar, do Estadão.