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Nova Zelândia: pequena em tamanho, grandiosa no leite

POR WAGNER BESKOW

ESPAÇO ABERTO

EM 17/12/2012

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Imagine um país de polícia sem armas; casas sem grades; estradas sem buracos; polítca sem corrupção; chefe de Estado sem motorista; documentos sem carimbo; aluguéis sem avalistas; menos de dez vezes entre o maior e o menor salário; estradas municipais rurais asfaltadas; nenhum papelzinho no chão, apenas por educação; uma das melhores educações escolares do mundo e tudo isso construído dos anos 1830 para cá, quando se iniciou sua colonização européia.

Agora imagine isso tudo num cenário cheio de cores, sem poluição, de pastagens verdes, montanhas lindas com neve no topo todo o ano, rios límpidos, ausência de cobras, mosquitos, mosca do berne ou dos chifres, carrapato, ou mesmo abigeato. Essa é a Nova Zelândia! Pouco menor que o Rio Grande do Sul, com apenas 4,5 milhões de habitantes, mas que exporta 1/3 de todos os lácteos exportados no mundo, sem subsídios e deixando qualidade de vida aos produtores e em toda a cadeia.

Abaixo um resumo dos principais acontecimentos, dos primórdios à atualidade, que moldaram o leite no país (seleção de pontos pelo autor) e, na sequência, uma seleção de fatores que caracterizam seu perfil exportador-competitivo, com alguns comentários.

 



Figura 1. Cena colonial dos primórdios do leite nos anos 1830 na Nova Zelândia.


Figura 2. Capa de uma revista de 1972 sobre salas de ordenha na NZ. Em toda a edição aparecem carrocéis já com vários anos de uso. No Brasil, estão sendo recém introduzidos (Imagem: W. Beskow).

Dois tipos de produtores

A grande maioria dos produtores (~95%) produz leite sazonalmente (seasonal dairy), cujo leite é exportado. Os demais, produzem como no Brasil, com vacas em lactação todo o ano, para consumo doméstico do país (town milk dairy). Por que sazonal? Aqui está o grande segredo da Nova Zelândia que a faz competitiva e distinta do mundo todo: o ajuste da curva de oferta anual de forragem (taxa de crescimento da pastagem) com a curva de demanda alimentar do rebanho (Figura 3). Tenta-se ajustar o pico da oferta (primavera) com o pico da demanda do rebanho. Sincronizando-se naturalmente as parições, consegue-se isso. O rebanho é inseminado em novembro/dezembro (10-12 semanas), pari em agosto/setembro e é secado em abril, quando começa o frio e a faltar pasto.


Figura 3. Rebanho em pico de lactação em outubro na Nova Zelândia.

Os produtores sazonais recebem por kg de gordura+proteína bruta (GPB), que na NZ se convencionou chamar de "milksolids" (junto), abreviado em inglês como MS (não aconselho seu uso em português por confundir-se com kg de matéria seca). Uma vaca média deles tem 8,4% de GPB (a brasileira cerca de 6,6%). Portanto, o produto da vaca deles, o sistema de produção e de pagamento são diferentes dos nossos. São fruto de uma nação que precisa exportar 95% do que produz e com lucro, ano após ano, sem ajuda de governo, com mão-de-obra cara e escassa, sem produzir soja alguma, nem milho grão.

O sistema de parceria 50:50

Para vender leite em uma cooperativa como a Fonterra, é necessário comprar as cotas-partes de sócio na quantidade de uma para cada kg pretendido a venda no ano. Um produtor médio tem cerca de 390 vacas, produzindo cerca de 130.233 kg por ano de GPB a NZ$4,52/cota e R$1,70/NZ$, temos que um produtor típico tem R$1.000.715,00 em cotas (note: 1 produtor = 1 voto, por princípio do cooperativismo). Com toda essa necessidade de capital, como começar? E cadê dinheiro para terra, vacas instalações etc.?

A solução que há décadas foi criada por eles é a parceria pecuária chamada de "50:50 sharemilking". Neste o produtor se aposentando, dono de terras e cotas, junta-se a um casal jovem, com vontade de crescer que só necessita dar um jeito de comprar as vacas e saber trabalhar. O proprietário entra com terra, instalações, manutenções e cotas. O parceiro com vacas e todo o serviço, com prioridade de compra da terra e das cotas.

Uma precificação da frente para trás

No Brasil insiste-se em achar que países que são fortes no leite têm subsídios, facilidades de seus governos e medidas desleais de concorrência. A NZ não tem nada disso desde 1984. O preço do leite é dado totalmente pelo sucesso e preço das vendas no mercado internacional. A cooperativa faz previsões, fecha contratos futuros, estima preços de fechamento para junho de cada ano e paga os produtores com base na forma de adiantamentos a serem acertados no final da safra (que é também final do ano fiscal nacional). O preço final é o faturamento, menos os custos totais da Fonterra, menos o capital a ser reinvestido, aprovado em assembléia. As sobras são divididas anualmente, adicionadas ao preço por kg de GPB no pagamento final.

Por que lá isso funciona? Primeiro, o produtor tem, de fato, participação no negócio (em capital e, consequentemente, presença física ativa). Ele é dono e dirige o negócio, que por sua vez é transparente, cheio de informações e prestação de contas. Você colocaria R$1 milhão num negócio e daria as costas ou sairia a falar mal sem contribuir? Não.

Segundo, o produtor se sente ele mesmo exportador. Ele conhece e acompanha o mercado internacional e sabe quando vai perder ou ganhar mais pelos preços e volume que sua empresa está conseguindo colocar no mercado. É simples! Aqui temos o oposto. O produtor não tem esse canal, as cotas são simbólicas, o preço é complexo (às vezes totalmente disconexo do retorno ao sócio e dono do negócio), temos uma história de tabelamento até 1990, protecionismo vigente e várias outras distorções. Tudo isso num ambiente que acha que luta pelo setor, mas que na verdade pereniza nossas ineficiências.

Visivelmente, eles têm um sistema mais simples do que temos aqui e, portanto, mais fácil de administrar. No entanto, eles o desenharam assim. Ninguém deu nada pronto para a Nova Zelândia. O setor lácteo é tão importante para essa nação, apesar de grande produtora de muitas outras coisas (carne, lã, frutas temperadas, vinhos, cereais, tursimo, serviços, tecnologia agrícola, etc.) que responde por 25% de todas as exportações do país.

Um paraíso

Sem dúvida um lugar lindo, agradável, onde tudo parece funcionar e fluir. É claro que, como todo o lugar, também enfrentam grandes desafios: secas, frio (neve no sul), terremotos, distância dos mercados consumidores, concorrência mundial, subsídios dos concorrentes, barreiras comerciais, alto custo da mão-de-obra e da terra etc.

No entanto, a atitude do neozelandês é de estudo dos problemas e oportunidades, buscando superação e vitória pela via mais curta, mais simples, barata e rápida. Valorizam qualidade de vida e família e isso é reflexo de seus valores, sua cultura e educação. Ter vivido lá quase sete anos foi um privilégio, mas como eles mesmo hoje percebem, o futuro e as grandes oportunidades estão aqui.

Sobre o autor: Wagner Beskow viveu quase 7 anos na Nova Zelândia durante seu mestrado e doutorado em Manejo de Sistemas Pastoris na Massey University, Palmerston North. É hoje sócio-diretor da Transpondo Pesquisa, Treinamento e Consultoria Agropecuária Ltda. Mais infomações em: www.transpondo.com.br

Quer conhecer mais sobre o país? Participe da viagem técnica que o MilkPoint fará para a Nova Zelândia entre os dias 15 e 25 de março. Clique aqui e saiba mais!

WAGNER BESKOW

TRANSPONDO Pesquisa Treinamento e Consultoria Agropecuária Ltda: Leite, pastagens, manejo do pastoreio, rentabilidade, custos, gestão, cadeia do leite, indústria, mercado. palestras, consultoria, cursos e treinamentos.

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JOABE JOBSON DE OLIVEIRA PIMENTEL

TEIXEIRA DE FREITAS - BAHIA

EM 01/08/2013

Senhor Carlos Braga,



Medite nas palavras do Sr. Michel Kazanowski

Principalmente nas palavras:

Advertir

menor retorno sobre o capital investido

ilusão x altas produções individuais

70 toneladas de matéria seca por ano



Se você vive ou viverá da renda do leite, muito cuidado

Se você tem outras rendas e quer ter o prazer de ver vacas produzindo muito leite por dia, o lucro é o de menos



fraterno abraço
MICHEL KAZANOWSKI

QUEDAS DO IGUAÇU - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 30/07/2013

Caro Carlos Braga,



Desejo sucesso na sua empreitada. No entanto devo lhe advertir. A eficiência do negócio leite se mede pelo lucro proporcionado não pela produção. Há muita diferença entre sistemas a base de pasto e confinamento. É muito comum produtores terem a ilusão de que altas produções individuais serem sinonimo de eficiência econômica. Estes animais exigem muita experiência do produtor em termos de nutrição, sanidade e conforto. Quanto mais se foca no indivíduo mais complexo e menos eficiente é o sistema (menor retorno sobre o capital investido). Daí tantos são os produtores que constroem grandes estruturas e quebram pois acham que construções, vacas especializadas e maquinas são tudo que precisam.

Os produtores de leite a pasto aí com média de 12 litros sabem que para ter lucro otimizado precisam mais que vacas eficientes mas sim rebanhos eficientes, capazes de transformar as mais de 70 toneladas de MS/ha/ano que uma pastagem é capaz de produzir em leite de qualidade, dando um bezerro a cada ano. . Tudo isso se resume a alta lucratividade. Simples assim.

Caso sua intenção seja chegar ao mesmo objetivo pelo caminho do confinamento é uma decisão pessoal, porém não espere uma enorme diferença pois ambos os sistemas quando conduzidos ao mesmo nível de eficiência proporcionam lucro equivalente.



Abraço



Michel Kazanowski
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 30/07/2013

Prezado Carlos Braga: Quiçá todos os produtores brasileiros tivessem a visão de negócio e a coerência de ideias que você demonstrou, ao desmascarar a apologia desmedida que certos intelectuais da área tentam incutir como sendo a realidade.

Shangrilá só existiu no imaginário do autor de "Horizonte Perdido": a realidade é bem mais ácida.

Portanto, quando nos deparamos com um produtor, exatamente da área bahiana que se pretende o "império do leite", e ele nos alerta  que não é nada disso, ficamos agradecidos pela sua coragem e pela honra de dizer somente a verdade, sem paixões ou interesses comerciais.

Parabéns e muito obrigado.

Um abraço,



GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

ALFA MILK

FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG

=HÁ OITO ANOS CONFINANDO QUALIDADE=

www.fazenda sesmaria.com
CARLOS BRAGA

BARREIRAS - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 30/07/2013

Meu caro Jobson, agradeço imensamente a sua ajuda e preocupação com o desempenho da atividade. Realmente algumas pessoas que não sabemos as razões exatas não conseguiram sucesso com o leite, sim, com o leite, o PHD da pecuária e talvez ou com quase certeza, conduziram a atividade de maneira primária . O nosso Brasil com as suas variadas regiões permite que a exploração da pecuaria leiteira seja feita de varias formas e tamanhos, conforme as condições climáticas, econômicas, infra-estrutura etc etc. Aqui, no Oeste da Bahia, por exemplo, temos 2 regiões distintas e bem caracterizadas: O conhecido vale do Rio Grande com as suas terras férteis e o Cerrado com os solos carentes. A agricultura empresarial em larga escala se dá exatamente na região do Cerrado, e é lá que estão as grandes irrigações com pivôs central etc. Terras planas, água , luminosidade, altitude entre 700 e 900 mts proporcionando clima excepcional, e os homens com todo o dinheiro e tecnologia ainda insistem em fazer nestas áreas pastoreio rotacionado para tirar 10 a 12 litros? Acho que no vale há quem se dê bem ou otimamente com esta média, mas, numa exploração  empresarial com tanto recurso empregado na infra-estrutura é realmente muito pouco.
JOABE JOBSON DE OLIVEIRA PIMENTEL

TEIXEIRA DE FREITAS - BAHIA

EM 30/07/2013

Senhor Carlos Braga



Gostaria de saber a sua formação profissional e o quanto o leite representará da sua renda total.

Gostaria de ajudá-lo

Não quero ver nenhum produtor de leite que vive da atividade falindo novamente como ocorreu recorrentemente nas últimas décadas no Brasil



atenciosamente



Jóbson Pimentel
CARLOS BRAGA

BARREIRAS - BAHIA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/07/2013

Extraordinarios os debates travados, as opiniões diferenciadas são o reflexo da grandiosidade desta maravilha chamada Brasil. Somos um pais de extensão continental e portanto com climas e condições diferenciadas. Não podemos igualar um único sistema de produção como sendo o sistema Brasil.... Isso, jamais. Entretanto, concordo plenamente com Guilherme Mello Franco quando busca a produtividade. Produtividade é sinônimo de eficiência e numa atividade empresarial não há espaço para amadorismo. A minha região por exemplo, Oeste da Bahia possui excepcionais condições climáticas para a produção de comida, pastagens e grãos. Terras planas, muita luminosidade, água em abundância , estação chuvosa bem definida etc.etc. Estas são as razões principais do enorme sucesso desta nossa nova fronteira agrícola. Agora já pensaram se formos jogar todo esse potencial fora e fazermos uma pecuaria leiteira em regime de pasto? Sinceramente é abusar da sorte...ou pra não dizer : Deus é Brasileiro, mas vejam o povinho que Êle colocou lá !!! Os Neo Zelandeses - grupo Fonterra - já estão aqui na nossa região com o sistema bem particular deles, usando pastejo rotacionado em pivôs central, com um gado trabalhado há muito tempo, tirando apenas 10 ou 12 litros de média cujo produto ja está sendo comercializado com a marca Leitíssimo. E, grande parte dos nossos pecuaristas achando maravilhoso e encantados... Se os pivôs estivessem produzindo milho para silagem com 60 toneladas por hectare custando $1.800,00/ha (números comuns na nossa região), mais soja 50 sacas/ha destinados à alimentação de vacas de alta lactação em regime de confinamento, certamente que estariam produzindo 4 a 5 vezes mais leite. Com certeza os custos seriam bem menores ao fazermos os resultados finais, sem considerar os altissíssimos investimentos que foram realizados em pivôs etc, para enquadrar o manejo do rebanho. Encerro aqui, dizendo que estou dando inicio a exploração da pecuária leiteira, confinada, com vacas de ponta genética holandesa pois cansei do extrativismo dos 1.500 a 2.000 litros cabeça/lactação em regime de pasto com uma suplementaçãozinha de concentrado. Em breve, com muito trabalho competência e fé em Deus estarei entre os maiores do nosso Brasil. Um abraço para todos especialmente para Guilherme Mello Franco cuja opinião eu endosso plenamente.
ANTONIO CARLOS GARCIA

CAMPINAS - SÃO PAULO - DISTRIBUIÇÃO DE ALIMENTOS (CARNES, LÁCTEOS, CAFÉ)

EM 25/12/2012

Parabéns Wagner, pela capacidade de explicação sintética do assunto.

Foi esclarecedor e útil.

Agora vamos torcer p/ a aplicação no Brasil de todo o conhecimento adquirido, c/ as devidas adaptações.

Sucesso.



  
PAUL GAISER

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 24/12/2012

Caros Colegas,

Concordo com todas as opiniões, acreditando que nossa ambição primeira na vida  não deva ser a produtividade, os lucros, etc., mas sim a harmonia e o bem estar com nossa família e todas as pessoas com quem trabalhamos. Fazer do trabalho uma atividade de prazer e alegria de convívio com todos, é o que se conseguiu na Nova Zelandia. No Brasil não só a enraisada cultura da "lei de Gerson" como também a baixa e/ou fraca escolaridade vigentes em todas os setores da sociedade, nunca permitirão que se chegue a uma situação de vida destas. Concordo plenamente com o Guilherme no que diz sobre nossas condições.  O belíssimo e importantíssimo  trabalho do Wagner servirá para melhorar a renda de poucos  produtores que pensam no longo prazo, mas, infelizmente, jamais a nossa cadeia produtiva nacional. Não podemos sonhar em ser um pais decente um dia, assim como nossos irmãos na África, não o podem. Resta, para aqui ficar, usufruir de outros valores, como a alegria do povo, poucos mas bons amigos, a boa comida, o bom clima, as lindas mulheres, a beleza da natureza ( não nesta ordem), etc. e sobreviver.

Feliz Natal a todos e um 2013 de muita reflexão sobre o que realmente importa ter importância para cada um de nós, neste curto período que existimos aqui na Terra.

Cordialmente,

Paul Gaiser
MICHEL KAZANOWSKI

QUEDAS DO IGUAÇU - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/12/2012

Caros colegas,



A NZ se diferencia do Brasil em muitos pontos. Talvez a unica região que poderia adotar algo semelhante ao seu manejo seria o sul do Brasil. Mas realmente é de nosso interesse produzir de forma sazonal? Eles o fazem pois concentram as pariçoes no pico de produção de alimento e secam as vacas quando a neve cobre os campos e as vacas so podem comer forragem conservada (e nao é silagem de milho como aqui, pois muito poucos lugares por la são aptos a esta produção), lá não há suplementação de concentrado, ou em pouca quantidade, pois não existe cereal no país. Imaginou se quase todos os ingredientes que compoe a ração de nossas vacas fossem importados qual seria o custo desta. Por fim produzimos comida quase o ano todo, seja com cereais de inverno no sul e sudeste, seja com irrigação no resto do país, portanto, podemos ter produção muito superior a deles.

Agora avaliando se o sistema deles é eficiente. Eles com uma estação muito curta de produção de forragem produzem mais de 15.000 litros/ha/ano. Qual a média brasileira? As vacas deles, que pesam em média entre 400 a 450 kg, produzem mais de 6.000 litros por ano. Quanto produzem nossas holandesas de 700, 800, 900kg? O teor de solidos do leite deles é muito superior ao nosso, os indices reprodutivos deles são excelentes, se não fossem na haveria produção sazonal, seu sistema é extremamente simples fazendo que o rendimento de sua mão-de-obra chegue a 1.000.000 de litros de leite produzidos por funcionario por ano, seu investimento em infra estrutura é relativamente pequeno pelo volume que produzem, portanto não possuem grande capital imobilizado nem custos elevados de oportunidade manutenção e depreciação, geram dados que jamais imaginariamos aqui no Brasil, por exemplo há anuncio no radio de quantos kg em média o pasto esta crescendo por dia naquela semana. Muitas outras particulariedades podem ser citadas.

Portanto, vejamos que é um sistema bem diferente do brasileiro. Porem podemos aprender muitas liçoes e usando de nossos recursos e potencialidades podemos ser tão quanto, ou muito mais, eficientes que eles.



Abraço



Michel Kazanowski
PABLO ANDRÉS MOTTA DELGADO

PESQUISA/ENSINO

EM 20/12/2012

Óla a todos, acredito o bom suceso da Nova Zelândia baseiado no aproveitamento da melhor qualidade y quantidade de pasto.





No critico los sistemas de confinamiento, pero no soy partidario de tal sistema, prefiero los sistemas de semiconfinamiento que permiten aprevechar la oferta forrajera en el mejor momento (calidad y cantidad) la cual es más económica y en los tiempos de escasés (seca o inverno) confinamiento para evitar pérdidas económicas por atraso (pérdida de peso, disminución de la producción de leche) de los animais.





El modelo Neozelandes es un ejemplo a seguir, ¿porqué invertir en infraestructuras costosísimas cuando se puede producir a pasto? ¿es necesario el confinamiento en zonas de franja ecuatorial donde tenemos disponibilidad de sol el año entero y disponibilidad de pasto a lo largo del mismo? No llegaremos a producciones de 40 ni 50 litros a pasto, pero la leche producida será más económica y no tendremos que "explotar" las vacas para recuperar o investimento.





Debo recordar además que el 75% de la producción agropecuaria en Latinoamerica corresponde a pequeños productores rurales, que no tienen capacidad de invertir en infraestructura costosa, y que Brasil hace parte de America Latina y por tanto, los grandes productores están obligados a confinar y exportar sus producciones, mientras el pequeño productor rural debe producir para abastecer el mercado interno.





Si los Neozelandeses ya pusieron sus ojos en las llanuras colombianas donde pretenden producir leche para exportación con 80000 vacas Holandesas (Kiwi) semiestabuladas en praderas de Tifton, zona con endemismo de enfermedades parasitarias como la tristeza de ganado, mosca dos chifres, carrapatos, parásitos intestinais e pulmonares, lluvias concentradas en tres meses del año y secas de hasta cinco meses.





Por tanto es posible producir eficeintemente a pasto, las vaccas son maquinas eficientes, los ineficientes somos nosotros que no conocemoms nuestro entorno.





Pablo Andrés Motta Delgado


Médico Veterinario Zootecnista


Univesidade da Amazônia
VICENTE ROMULO CARVALHO

LAVRAS - MINAS GERAIS - TRADER

EM 19/12/2012

Ilustre Marcos Andrelli Gomes da Fonseca, muito oportuna a sua colocação, já houve outras pessoas querendo conhecer a propriedade, bem como o Ilustre Guilherme Alves de Mello Franco. Dentre estas eu. Vamos tentar agendar com o mesmo, uma visita a propriedade dele. Abraços.
RONALDO MARCIANO GONTIJO

BOM DESPACHO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/12/2012

Prezado Marcos Andrelli,



No Brasil eu ainda não tive noticias de nenhum sistema a pasto sazonal como na NZ, creio que seria dificil encontrar um laticinio que se interesse por algum produtor com este perfil, já sistema confinado existem vários por aí e funcionando muito bem.
MARCELO GROSSI MACHADO

PATOS DE MINAS - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 18/12/2012

Prezado Sr. Wagner Beskow. Meus parabens pelo artigo. Tive a oportunidade de viver 1 ano na NZ (2011-2012) trabalhando em uma fazenda na ilha sul com 2000 vacas em lactação e o sr. soube resumir muito bem como funciona o sistema deles.

Tanto pelo assunto abordado quando pela capacidade explicativa e técnica minhas congratulações.

Grande abraço

Marcelo
JOABE JOBSON DE OLIVEIRA PIMENTEL

TEIXEIRA DE FREITAS - BAHIA

EM 18/12/2012

Parabéns ao Wagner

Tenho certeza que terás um grande futuro contribuindo significativamente para a pecuária leiteira no Brasil.

Quando o brasileiro enxergar de vez que o melhor modelo de produção de leite para o Brasil é o sistema a pasto, estaremos tomando o rumo certo.

Sonho com o dia em que as influencias perniciosas do modelo de produção americano deixem de atuar levando inúmeros produtores de leite no Brasil à falência

Acompanhamos nas últimas décadas vacas mudando de CPF como disse recentemente um amigo nosso que saiu do leite a pasto e partiu para o confinamento e agora colocou a propriedade a venda



Prezado Wagner,

Vindo ao Sul Bahia teremos o maior prazer em recebê-lo na nossa instituição (Instituto Federal Baiano) para contar a sua experiência para nossos alunos e para produtores de leite da nossa região que está se tornando uma grande bacia leiteira do estado



fraterno abraço
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/12/2012

Prezado Marcos Andrelli Gomes da Fonseca: Se eu critico o sistema a pasto é porque o conheço muito bem. Bem como, posso dizer o mesmo do sistema confinado e do semiconfinado, porque já estive em todos eles, com eficiência. Há sete anos, adotei um sistema próprio de confinamento que visa, antes de tudo, produção em escala e qualidade do leite produzido. Portanto, ao contrário do que se anuncia no Brasil, a produção em escala não pode ser alcançada a pasto, porque, neste tipo de manejo estrutural, a quantidade de leite produzido pelos animais é fator preponderante. A pasto, não passamos de onze ou doze litros de leite animal/dia, pois o animal tem que dispensar dversas horas  de caminhada para poder consumir o alimento necessário à sua alta lactação, perdendo gordura, que poderia ser dispensada para a produção e, portanto, sem conseguir chegar aos melhores patamares. Se semiconfinarmos, podemos antingir até mesmo a vinte e dois, vinte e três quilogramas/animal/dia. Mas, nunca chegaremos aos setenta, sessenta, quarenta quilogramas/animal/dia. Veja o exemplo da Nova Zelândia que, mesmo tendo clima excelente, solo excelente e manejo eficiente, não consegue ser mais que a quinta ou sexta maior produtora de leite do mundo. Enquanto isto, países como os Estados Unidos da Amércia, com limitações bem acentuadas de produção (neve, seca, indisponibilidade de terras) conseguem ser os primeiros em produção, confinando. Infelizmente, a  nossa caracteristica principal é o amadorismo e nosso sentimento administrativo tende a optar pelo mais fácil, mais barato, esquecendo-se de que estes não são, via de regra, os mais lucrativos. Temos que parar de tentar manter sistemas arcaicos de produção, por mais baratos, ou acabaremos no fundo do poço que nós mesmos estamos cavando - e que já está bem fundo. Não posso acreditar num país em que a média de produção das vacas não passa de cinco litros/animal/dia. Não posso acreditar em projetos que pegam um produtor de cinquenta litros e o fazem chegar a duzentos. É muito pouco, precisamos de produções muito maiores, muito mais severas se quisermos atingir a excelência de produção internacional que merecemos e podemos. Usando o modelo neozelandês, com mestiçagens já tentadas no mundo inteiro (kwicross nada mais é que o velho jersolando) e abandonadas pelos grandes produtores mundiais, porque deficientes no quesito produtividade, sem considerar a seca, o relevo, a hidrografia e outras tantas variáveis, que nos assolam o dia a dia, nada conseguiremos. Precisamos evoluir, porque, estacionados, já estamos há longos anos. Por isso a minha apologia.


Um abraço,

GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO


FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG


=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
MARCOS ANDRELLI GOMES DA FONSECA

ESTUDANTE

EM 18/12/2012

Sr. Guilherme Alves de Mello Franco, sei que cada um pode fazer os comentários que bem desejar sobre os artigos dos companheiros, respeito muito o sei e o dos outros também, mais sempre que leio um artigo e vejo seu comentário, na maioria das vezes é criticando (pasto) e defendendo seu sistema (confinamento). Não acredito no melhor ou pior sistema (pasto ou confinamento), e sim no sistema  mais eficiente, pouco me interessa o MODELO e sim sua eficiência, pois no dia que produzir leite em cima da árvore for eficiente, é para para lá que irei com elas.



Sr. Guilherme faço a mesma pergunta para o senhor: "Pode o sistema americano ser aplicado aqui, com o mesmo sucesso?"  "EU" não sei, talvez sim ou não, pode o modelo NZ ser aplicado aqui, talvez sim ou não!!! E o modelo brasileiro? sim esse pode!!! Acredito que um dia vamos chegar nele, confinado ou a pasto ou ate encima da árvore, mais vamos chegar e com as nossa caracteristicas e peculiaridades e não com um Ctrl de outro país!!!!!!!!!.... Vai acontecer de tudo no Brasil, mas o sistema que irá permanecer será o mais eficiente.



Sr. Guilherme, queria muito conhecer sua propriedade e poder analisar seu índices, para poder confirmar seus "SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE".



Parabéns ao senhor Wagner Beskow  por seu artigo.
FREDERICO FLAUZINO

XINGUARA - PARÁ - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 18/12/2012

È de encher os olhos, o quanto a eficiência tem trabalhado a favor da atividade leiteira na Nova Zelândia. No nosso caso, são tantas as distorções, somos um exército de um homem só. Se fizermos a cronologia como foi apresentado na matéria, também tivemos avanços, porém, em um país com tamanho continental como o Brasil, o que efetivamente aparece, é muito pouco, frente ao que temos que alcançar. Mesmo assim, parabéns ao autor, vale pela experiência de vida. Desejo que ele consiga aplicar sua expertise nas empresas de seus clientes.
JOÃO PAULO ANTONELLO

CONSTANTINA - RIO GRANDE DO SUL - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 17/12/2012

Muito interessante. O que se pode dizer da Nova Zelândia, expressando em miúdos, é que foram focados em objetivos comuns, os quais visavam a potencialização da atividade que trabalhavam. O cenário em que vários fatores ambientais colaboraram, não prevaleceu a corrupção, primordial para o sucesso descrito acima.

No Brasil, temos vários fatores ambientais favoráveis a potencialização das mais variadas atividades econômicas, o grande problema é a corrupção. A mudança, pra melhor, deve partir de quem está na atividade, mas precisa haver icentivos financeiros e muito mais importante que isso, icentivos intelectuais. Devemos saber  "o que" e "pra que" estamos fazendo. Acredito que utilizando os recursos disponíveis temos como alavancar muitas atividades produtivas deste país, não apenas a leiteira.
MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 17/12/2012

Caro Wagner,



Excelente relato, parabéns!



Isso só aumenta a expectativa de realizarmos uma grande viagem em março.



Grande abraço,



Marcelo
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/12/2012

Prezado Wagner Beskow: Agora, transfira tudo isso para o negativo desta maravilhosa fotografia que você implementou da Nova Zelândia, que é o Brasil. Pode aquele modelo ser aplicado aqui, com o mesmo sucesso? Claro que não. Aqui chove carrapato, mosca do chifre, berne, cobra e mosquito, além de diversas outras enfermidades. O gasto sanitário será dezenas de vezes maior que o de lá.


Além do mais, qual a produção média, por animal, da Nova Zelândia? Será que pode ser comparada à dos confinamentos americanos ou, mesmo, brasileiros eficientes? Sim, porque sistemas eficientes somente podem ser comparados com sistemas eficientes. Tudo isso é - portanto - muito relativo.


A vantagem da Nova Zelândia, desculpe-me, é comercial, não produtiva: comercializam muito bem o seu produto. Mas, isto, vem da educação do povo ("polícia sem armas; casas sem grade; estradas sem buracos; política sem corrupção; chefe de Estado sem motorista; documentos sem carimbo; aluguéis sem avalistas; menos de dez vezes entre o maior e o menor salário; estradas municipais rurais asfaltadas; nenhum papelzinho no chão, apenas por educação; uma das melhores educações do mundo..."). A única semelhança com nossa realidade é a "polícia sem armas" (rsrsrs). No mais, nem virando a classificação de cabeça para baixo, já que o Brasil, em educação, por exemplo, é o penúltimo colocado.


Aqui, a Fronterra seria um maná nas mãos dos desonestos, quebraria em pouquísimo tempo, com  prejuízos enormes, tal como já sucedeu a várias cooperativas.


Um abraço,








GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO


FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG


=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=