FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO

Mundo estranho

ESPAÇO ABERTO

EM 01/07/2019

0
3

Por Coriolano Xavier, membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e Professor da ESPM

Muda em agosto próximo o comando da FAO, Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, com a recente eleição de seu novo diretor-geral, o chinês Qu Dongyu. Biólogo e Vice-Ministro da Agricultura da China, foi eleito com o apoio de 108 países (60% dos votos válidos) e ficou 20 pontos porcentuais à frente da francesa Catherine Geslain-Lancelle, que recebeu apoio da Comunidade Econômica Europeia e EUA.

Aparentemente, continuará sendo forte o olhar dos países em desenvolvimento na FAO, que vem de um longo período de gestão brasileira. Bom para o Brasil, que apoiou a eleição do chinês. Não só porque a China é nosso grande parceiro comercial no agro, mas em particular pela tendência de um alinhamento mais próximo da entidade com a agenda alimentar Do bloco de nações que buscam um lugar ao sol.

O chinês Qu Dongyu tem pela frente o desafio de reduzir a fome no mundo, que atinge mais de 820 milhões de pessoas, embora o alimento produzido no planeta seja suficiente para alimentá-las. A produção agrícola, claro, é sempre condição primordial para combater a fome; mas atualmente a equação da fome inclui outras variáveis como guerras, mudanças climáticas, geopolítica e desigualdade sócio econômica.

De outro lado, e quase como ironia, a educação alimentar parece estar entre as boas brigas que esperam Dongyu, pois 1,9 bilhão de pessoas no planeta apresentam excesso de peso ou obesidade. Completando o quadro, além da fome e dos obesos, ainda há dois bilhões de seres humanos manifestando níveis expressivos de carência de nutrientes. Sem comida, se alimentando mal ou comendo muito.

Mundo estranho. A conta talvez não seja uma simples adição; mas, se for, indica 4,7 bilhões de pessoas (62% da população mundial) associadas a alguma falta de conformidade com padrões alimentares ou nutricionais considerados ideais. Mostra que encarar as questões da fome e da nutrição adequada, resvalando indiretamente na da saúde, requer esforços mais complexos do que olhares isolados para cada problema podem sugerir.

A plataforma de Dongyu também traz bem-vindos ares de século 21. Fala de inovação nos modelos de produção cooperativa e enfatiza bem a inclusão digital do campo, para promover a digitalização das cadeias produtivas e o impacto da inteligência artificial em seus processos de produção. Tudo com o objetivo de acelerar o desenvolvimento sustentável do agronegócio, em agenda que vai até 2030.

Uma revolução tecnológica assim pode inclusive gerar novos ordenamentos de cooperação global. Mas em um aspecto ela já é quase unanimidade: o seu poder indutor de eficiência e crescimento. E tomando como espelho as nações com maior avanço econômico na última década, observa-se que crescimentos anuais ao redor de 5% no PIB estiveram associados a países com maior assimilação das tecnologias digitais.

À primeira vista, parece haver convergências entre linhas estratégicas do agro brasileiro e a plataforma do novo gestor da FAO. Hora de o Brasil agir, se aproximar, identificar sinergias e identidade de escopos. Lucidez geopolítica, sabedoria diplomática e empreendedorismo. Como parece que a Ministra Teresa Cristina e quadros do MAPA já começaram a fazer. Que os setores produtivos também entrem em cena.

0

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.