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Eleições: faltou falar do papel do Brasil no mundo

ESPAÇO ABERTO

EM 09/10/2018

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*Por Coriolano Xavier, membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e Professor da ESPM

Chegamos ao segundo turno da eleição presidencial e praticamente não se discutiu, durante toda a campanha eleitoral, qual o papel do Brasil no mundo. No entanto, somos hegemônicos no agronegócio mundial, um dos principais produtores e exportadores de alimentos, com a perspectiva de mais do que dobrar as exportações nessa área, nos próximos 10 anos, segundo o USDA. Nosso principal parceiro comercial é a China, potência em ascensão na geopolítica internacional. Também estamos entre as 10 maiores economias mundiais, com um mercado de 208 milhões de pessoas e influência estratégica na América Latina. De quebra, o país é uma potência ambiental, o que é de grande relevância nesses tempos de mudanças climáticas e mobilização mundial para colocar um freio.

Essa ausência de debate sobre a inserção brasileira no mundo, entre os principais postulantes à presidência, guarda alguma relação com a cultura sedimentada pelo isolacionismo histórico da economia brasileira. Hoje o mercado internacional pauta-se pelo multilateralismo, com o desenvolvimento contínuo de acordos bilaterais ou multilaterais de comércio em todos os continentes, mas o engajamento brasileiro nessa tendência ainda se mostra tímido. A própria agenda econômica de quase todos os candidatos, meio que passava ao largo dessa questão. Contudo, agora que o palanque do segundo turno está definido, é chegado o momento de levar essa discussão aos dois postulantes ao governo federal, e também às demais forças políticas que desenharão a agenda político-econômica do país, nos próximos anos.

O agronegócio é uma exceção no cenário isolacionista do país, pois o setor já exporta para cerca de 140 países. Mas mesmo assim pode ampliar esse dinamismo com novos mercados ou maior penetração em mercados atuais, até porque tendem a vir de além fronteira importantes alavancagens do setor, na próxima década. Nessa perspectiva, dois pontos parecem surgir como estratégicos para o agro. Primeiro, uma efetiva política para promover maior abertura comercial do país, sob a batuta do multilateralismo e, inclusive, aproveitando o forte potencial competitivo do nosso agro, seja em produtos ou mesmo em serviços tecnológicos para a faixa tropical do planeta. Sempre lembrando que abertura comercial é sinônimo de vender, comprar e aprender, estendendo seus benefícios de competitividade para toda a economia, do campo à indústria e aos serviços.

O outro pilar essencial para somar no fortalecimento do país no mercado internacional é a modernização e o compliance dos processos fiscalizadores da defesa sanitária e de outras eventuais atividades de impacto sobre a segurança dos alimentos aqui produzidos. Isso tem a ver com o conceito dos produtos brasileiros no exterior, portanto é fator para abrir oportunidades de venda, além de combustível para estratégias de agregação de valor em nossas ofertas e para aumento de prestígio da marca Brasil. Para um setor com peso de um quarto do PIB e presença internacional ascendente, essa questão bem que poderia merecer atenção de prioridade nacional.

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FABINHO BICALHO

EM 17/10/2018

Acredito que umas das perguntas a serem feitas para nossos candidatos é a seguinte.
Qual o projeto para escoamento da agricultura brasileira, tendo em vista que deverá duplicar nos próximos 10 anos? Infraestrutura de transporte ainda vejo com possibilidades de melhoria..
FABIO

EM 17/10/2018

FALOU TUDO!!! O DIA QUE UM PRESIDENTE DESCOBRIR QUE O BRASIL É UM PAIS AGRÍCOLA E DER MAIS ATENÇÃO PARA O PRODUTOR RURAL,MELHORIA NAS VIAS DE TRANSPORTES,PORTOS,ETC.. O BRASIL SERÁ UMA POTENCIA MUNDIAL EM PRODUÇÃO AGRÍCOLA E PECUÁRIA
AMANDA REZENDE

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 18/10/2018

Para se falar em política e em desenvolvimento da produção agrícola e pecuária, é interessante lembrar que mais de 80% da produção Agropecuária esta ligada aos Agricultores Familiares, que regem o comércio interno, e que esses estão ocupando menos de 20% das terras rurais. Sendo o Brasil dominado pelo agronegócio, que visa a exportação, e que os maiores interessados são latifundiários, que possuem grandes extensões de terras improdutivas, que fazem uso de insumos agrícolas, que visam a monocultura, etc, e que esses interessados fazem parte da bancada ruralista, que impedem que reformas agrárias sejam feitas, o que poderia ajudar na agricultura familiar e fomentar ainda mais o comércio interno... Concluindo o meu pensamento, o desenvolvimento dessa área não estaria ligada somente a uma visão do político, somente,mas também de toda a população brasileira, principalmente, dos que possuem a posse de grandes áreas rurais.