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Crie bem suas bezerras ou contabilize prejuízos

POR LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

ESPAÇO ABERTO

EM 24/09/2012

6 MIN DE LEITURA

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A pecuária leiteira brasileira vai muito bem obrigado! Para os profissionais do setor logicamente.

O valor recebido hoje pelo litro de leite no Brasil é historicamente um dos mais elevados em relação ao câmbio da moeda estadunidense. Ano ótimo para capitalizar a atividade.

Os insumos sofreram altas, mas o preço do leite também teve seu preço em dólares reajustado em quase todo o Brasil.

Devido a este bom preço recebido pelo leite, escutamos inúmeras vezes de parte dos produtores que devemos priorizar o envio do máximo de litros aos laticínios em detrimento das bezerras.

Grave erro se cometermos este ato, pois as Bezerras se bem criadas seguindo-se as boas práticas de manejo e nutrição, representam o futuro, o sucesso e a perpetuação da empresa leiteira na atividade.

Pesquisas recentes e revisões de trabalhos publicados desde o século passado estão nos mostrando que algumas técnicas ou metodologias usadas atualmente na cria de bezerras, podem e devem ser reavaliadas.

Buscando atualizar conceitos e colocar na pauta de discussões, deixaremos através deste breve texto algumas alternativas fundamentadas nestes trabalhos de pesquisadores nacionais e internacionais que propõem que sejamos mais eficientes neste tema tão importante, que é a correta criação das bezerras, pilares mestres que farão à reposição das vacas na propriedade dedicada a exploração leiteira.

Nunca haverá vacas saudáveis, produtivas e longevas se a atenção e o esmero dedicados as fases de cria e recria das fêmeas não receber prioridade na empresa, desde aquela que explora poucos animais até a de milhares de cabeças.

As assessorias técnicas e os departamentos de empresas ligadas ao setor leiteiro serão cada vez mais necessários aos empresários, pequenos, médios ou grandes que se propuserem a sobreviver competitivamente nos tempos que advirão.

Adotar algumas ou todas as inúmeras metodologias para criação das bezerras é uma decisão de cada empresa ou produtor, o que podemos afirmar é que todos estes conceitos de criação possuem embasamento de campo e muita pesquisa. Concretamente, a certeza que temos é de que o maior ou menor progresso genético e conseqüentemente sucesso na atividade, passa sem dúvidas por este processo de gerir técnica e profissionalmente este setor da empresa.

Descreveremos a seguir, tentando manter uma ordem cronológica, alguns procedimentos que envolvem o pré-nascimento, pós-nascimento até a fase de desaleitamento de bezerras, a fim de colaborar neste assunto proposto.

Proposições para melhor eficiência de criação bezerras e justificativas:

1- O sucesso da cria depende intimamente de uma fase ainda precedente, que é o correto preparo da vaca gestante. Mantenha as futuras mães em bom estado corporal, alimentadas corretamente com concentrados pré-parto, diferentes estes, em sua composição, dos concentrados para lactação. Não permita que suas vacas cheguem ao parto com escore corporal excessivo. Isto trará complicações ao parto e pós-parto. Vacas gordas ao parto possuem tendência a apresentarem distúrbios metabólicos e reprodutivos subseqüentes;

Mineralize corretamente. Inicie uma dieta pré-parto entre 30/45 dias antes da data prevista para o mesmo.

Tenha sempre em mente proporcionar e manter estas futuras mães em piquetes com boa sombra, boa água e vigiadas, para proporcionar auxílio aos partos que se apresentarem distócicos;

2- Nascida a bezerra, trate de fazê-la mamar o mais rápido possível após o parto, pois é nestas primeiras horas que o colostro produzido pela mãe, lhe proporcionará imunidade passiva para o início de sua vida. Ponha como meta fornecer 4 litros de colostro até 6 horas após nascimento. A única forma de obtermos certeza da ingestão deste volume é ordenhando a vaca e fornecendo via mamadeira estas quantidades. Se deixarmos a bezerra solto com a mãe para que esta amamente por si só, não teremos a certeza da ingestão mínima necessária nas primeiras horas de vida;

3- Bezerros naturalmente possuem um ângulo de cabeça e pescoço adequado para ingerirem leite, mantendo a cabeça mais elevada ao corpo, portanto alimentar com mamadeira é o mais próximo ao natural, evita-se ou previne-se assim distúrbios alimentares que podem advir quando os bezerros chupam o leite em baldes ou vasilhas, que muitas vezes ainda se encontram sujos e leite com em temperatura muito abaixo da que eles deveriam receber. O fornecimento de leite frio é fator colaborador para diarréias.

4- Os bezerros, quando criados pela sua mãe, alimentam-se muitas vezes ao dia, acima de oito mamadas e com um tempo de ingestão muito mais elevado ( aproximadamente 5 a 8 minutos cada vez ). Quanto tempo levam "chupando" o leite no balde ou vasilha quando nós os alimentamos? Muito rápido, verdade? Então, se possível, busque alimentar 3 vezes ao dia, com leite em temperatura corporal ( 36 graus ), com mamadeiras adequadas a este fim, sabendo quanto estão ingerindo, com vasilhames limpos, estando assim mais próximo ao que a naturalmente a vaca forneceria se estivesse encarregada de criar sua bezerra.

5- Juntamente com a preocupação em fornecer um bom colostro no tempo mais próximo ao parto, proceda a desinfecção do umbigo do recém nascido, com álcool iodado 10% entre 2 a 3 vezes no primeiro dia de vida, repetindo este procedimento 1 vez/ dia durante a primeira semana de vida da bezerra. O umbigo que não se mumifique pelo uso do álcool iodado é uma enorme porta de entrada para germes nocivos à saúde destes jovens animais;

6- A correta atenção dedicada à bezerra no primeiro mês de vida e mais ainda há primeira quinzena, possui papel relevante no futuro produtivo desta fêmea. Antigas técnicas de criação recomendavam que as bezerras devessem ingerir por dia 10% de seu peso em leite, ou seja, deveríamos fornecer algo ao redor de 4 litros de leite por dia. Naquele momento, desejava-se que tais bezerras iniciassem também a ingestão de concentrado de alta qualidade, supondo-se que este último viria a suprir as necessidades nutricionais. Modernos estudos comprovam que aproximadamente 3 litros de leite/dia, supririam apenas as necessidades metabólicas de manutenção do recém nascido. Então resta-nos a pergunta: E para crescer? Para crescer necessitamos outro tanto igual, ou seja, 6 a 8 litros/dia. Esta é a quantidade de leite que se deve fornecer a uma bezerra que se pretenda criar saudável e bem nutrida.

7- Nunca deixe de iniciar o fornecimento de concentrado de excelente qualidade a partir do 7º. dia de vida, além de feno com os mesmos requisitos do concentrado. Ambos serão os responsáveis por conseguirmos o desaleitamento em menor espaço de tempo;

8- A fim de tentar reduzir custos, pode iniciar o uso de substituto lácteo após 30 dias do nascimento, nunca antes;

9- O desaleitamento deve ser programado paulatinamente. Jamais suspenda o fornecimento de leite de um dia para outro. Lembre-se que animais jovens são muitos suscetíveis á estresse e a parada de fornecimento abrupta causa enorme estresse e este pode desencadear o aparecimento de enfermidades indesejáveis nesta categoria de animais;

10- Mantenha uma planilha de controle de consumo de alimentos e ganho de peso de cada bezerra. Revise sistematicamente esta planilha, para observar quais animais estão se alimentando bem devido ao crescente aumento do consumo de concentrado e feno e para também acompanhar os GMD (ganho médio diário). Assim o desaleitamento será efetuado corretamente, ou seja, poderemos suspender o fornecimento do leite ou sucedâneo no momento em que estes animais estiverem ingerindo acima de 1 kg de concentrado de alta qualidade com teor de proteína ao redor de 22% e também feno. Este consumo se dará ao redor de 60 a 75 dias de vida na maioria das ocasiões.

11- Mantenha como objetivo, um ganho médio de peso a ser obtido ao dia de 750 gramas. Este ganho lhe permitirá chegar com estas bezerras aptas para inseminar aos 14/16 meses de vida e terem o primeiro parto aos 24/25 meses.


12- Nunca forneça concentrados com NNP (uréia) para animais até 90 dias de vida. Eles não possuem capacidade de metabolizar a amônia ( uréia ).

13- Evite ao máximo o uso de silagem para animais até 60/75 dias de vida, a fibra destes volumosos não é indicada para esta categoria. Feno de boa qualidade faz enorme diferencial para bezerros, se comparado à silagem.

14- Desaleitada a bezerra mantenha sempre ao dispor volumosos de boa qualidade, concentrado, suplemento mineral indicado tecnicamente para esta fase e um plano sanitário e profilático que priorize a nutrição, saúde e bem estar desta futura vaca.

15- As palavras de ordem para esta categoria são muito cuidados, atenção, acompanhamento, boa alimentação, conforto e por fim, reproduzí-la com a melhor genética possível.

Até uma próxima

LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

Med. Vet. , Esp. em Gado Leiteiro - UFLA

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OLÍMPIO GOMES AGUIAR

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/05/2013

Prezado Luis, qual a sua opinião quanto ao fornecimento de sal mineral para bezerras em aleitamento? Obrigado.
LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

ANÁPOLIS - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 03/10/2012

Bom Dia Caio


Já respondi seu e-mail.


Hoje estou viajando, mas não esquecerei de comentar as outras dúvidas
CAIO GOMES

IPERÓ - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/10/2012

Senhor Luis, bom dia!
Tenho algumas dúvidas, e uma delas ninguém comentou:
- Qual a importância da proteção contra ventos sul no bezerreiro?
Que tipo de árvores (ou sombrite em vertical, quando tamponante) usar?
Sobre a alimentação, em meu caso, ofereço 6 litros/dia no primeiro mês e 4 L/dia até o final do 3º, quando inicio o desmame.
Infelizmente a mão de obra é uma variável tão complexa de lidar (ainda mais em minha região, cercada de indústrias), que já foi digna de posts exclusivos aqui no portal, então não entrarei em detalhes, mas, resumidamente, me vejo forçado a utilizar baldes em bezerros pós colostro e perco sim bezerros por conta de diarréia "inexplicada".
Li sobre sucedâneo e probióticos, porém não ofereço e nem tenho idéia de como trabalhar com esses produtos, tão pouco sei qual marca utilizar.
Encaminhei um email para  luiseinar@nutrial-go.com.br para que, por gentileza, o Senhor possa me dar uma luz nesse aspecto.
Grato  
Caio
LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

ANÁPOLIS - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 01/10/2012

Boa Tarde Dr. Guilherme, Paulo Fernando e Fabiano


Agradeço pelas intervenções neste bate-papo.


Infelizmente os derrotistas de plantão sempre existirão.


Nossa pecuária de leite é "xula" em sua grande maioria, não temos profissionais do leite, como cita o Paulo Fernando sobre sua experiência na Argentina.


Vivi no Uruguay por 14 anos ininterruptos, e viajando as "plagas argentinas" seguidamente, sempre próximo aos que lá fazem pecuária, por isso sei que o perfil descrito pelo Paulo é exato e fiél.


A tecnologia em nosso setor cresceu esperando ser acompanhada pelo crescimento profissional de nosso produtor, mas ainda não vivemos esta realidade.


Produtos, técnicos, empresas e mercado estão ávidos pelo "start" do campo.


Estas discussões, lamentávelmente chegam a uma pequena parcela de pessoas como nós, que desejamos um crescimento necessário e profissional do agronegócio.


Vamos em frente, acreditemos que os chorões mudem de atividade ou permitam que passem os capacitados para tal.


Abraço
MARCELO ALVES FERREIRA

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL

EM 01/10/2012

Bom dia Luis Einar,
       Suas palavras levantam discussões, acorda a platéia, espanta o sono, incomoda alguns, agrada a vários, e assim, a bola é levantada!!!  Gosto muito de ler seus artigos por quatro motivos clássicos: 1- Pelo teor científico, 2- Pelo seu respeito ao leitor, 3- Pelos puxões de orelha, 4- Principalmente pela carga de estímulos que seus artigos geram.


     Sobre este artigo creio realmente que devemos cuidar bem dos nossos Diamantes, cada um dentro das suas condições, mas que seja sempre que possível, dentro do  seu máximo.


Quando for oportuno gostaria de saber sobre seu protocolo de vermifugação, prevenção de babesiose / anaplamose , ADE e vacinas nos primeiros dias de vida das bezerras. Meu muito obrigado e parabéns pela qualidade das suas apresentações.

Atenciosamente,


Marcelo MKf - Brasília-DF.


Criatório em Pirenópolis-Goiás.
FABIANO LOPES BUENO

CURITIBA - PARANÁ - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 30/09/2012

Caro Sr Luis Einar parabéns pelo excelente artigo!


Precisamos chamar mais a atenção dos técnicos e produtores para a criação de bezerras. Na atividade leiteira esta é uma categoria deixada em segundo ou terceiro plano, infelizmente!


Criação de bezerras é investimento e não custo! Produtores que pensam em economizar na criação de bezerras terão seus ganhos reduzidos pois bezerras que crescem pouco serão vacas que produzem pouco.


Faço apenas um comentário: nós já temos no Brasil sucedâneos com qualidade suficiente para o fornecimento logo após a colostragem (a partir do 3 - 4 dia de idade), produtos com alta inclusão de proteínas lácteas e fibra bruta baixa (0,05% ou menos).


É importante insistirmos no aumento dos volumes de leite fornecidos as bezerras, com certeza 4 litros/dia não atende as necessidades para um crescimento ideal.


Mais uma vez parabenizo-o pelo excelente artigo.
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 30/09/2012

Prezada Mariana  Faria Lamaro: Se formos levar em consideração a falta de higiene, nenhum sistema será adequado, pois ela é primordial em se tratando de qualquer atividade, mormente as que envolvem alimentação e seres vivos. Por isso, reafirmo, temos que ser profissionais, nós e nossos colaboradores.


Um abraço,

GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO


FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG


=HÁ SETE ANOS CONFINANDO QUALIDADE=
LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

ANÁPOLIS - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 30/09/2012

Salve Mariana


Vc. fez uma ótima observação.


Não existem regras fixas quando trabalhamos com natureza, meio ambiente e seres vivos.


Devemos adaptar o material humano que dispomos na fazenda.


O sucesso ou fracasso depende da forma como interagimos com os RHs da empresa.


Obrigado pela participação, esteja sempre por aqui.


Sds
PAULO FERNANDO ANDRADE CORREA DA SILVA

VALENÇA - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 29/09/2012

Prezados companheiros de atividade,

Nós da APLISI, associação que, com mais de 10 anos de atividade, agrega 47 produtores de 2 estados da federação, e, mais de 1 milhão de litros de leite por mês, temos como nossas missões, entre outras, a união dos produtores e a viabilidade econômica na produção de leite.

Sobre união acho que temos feito, no Brasil, algum progresso. Sobre viabilidade econômica na produção de leite me permitam contar a vocês um "causo" que se passou comigo em Rosário, Santa Fé, Argentina:

visitava eu, pelos idos de 1998, mais uma vez, com meu amigo veterinário Gustavo o tambo Lazo Forte, quando este me perguntou se eu teria subsídios de informação para que ele conseguisse convencer seu patrão Frederico, de aumentar a quantidade de leite fornecido diàriamente às bezerras, de 4 para 5 litros por dia. Detalhe: esta decisão aumentaria a despesa mensal com leite fornecido às bezerras em mais de 30.000 litros, uma vez que o Sr. Frederico, criava, naquele momento, mais de 1000 bezerras. A produção de leite dos "tambos" do Sr. Frederico, a época, girava em torno de 70.000 litros por dia.

Bom, a última vez que tive notícias do Gustavo, nos últimos 2 anos, a produção de leite deles tinha aumentado para mais de 120.000 litros por dia (quanto produz mesmo o maior produtor brasileiro?) e a nova fábrica de leite em pó do Sr. Frederico, na província de Entre Rios, produzia a todo vapor para exportar para o Brasil. Com certeza, isto é viabilidade econômica!!!!!!


Enquanto isto, estamos discutindo se subnutrimos as nossas bezerras, ou se fornecemos mais de 1000 litros de leite a cada uma para desmamá-las com saúde!!!!

Diagnóstico humilde e rápido para caber no espaço das cartas ao querido MilkPoint: 1-aumentar a afinidade (reduzir a distância) entre academia/pesquisa e a extensão para, como o INTA, na Argentina, conseguir melhorar a padronização da técnica de ganhar dinheiro produzindo leite. 2- de novo, aumentar a afinidade, a conversa, a troca de idéias, entre os produtores de leite, também com o mesmo objetivo.


Forte abraço em vocês, que gostam da mesma coisa que eu.


Paulo Fernando.


APLISI


LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

ANÁPOLIS - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 29/09/2012

Caro Eduardo Amorim


Realmente os bezerros alimentados em amamentadores coletivos perdem um pouco do contato humano, tornandos-se um pouco menos receptivos, mas não chega a ser um problema.


Eu não usaria esta regra de amamentação para as bezerras elite de pista. Estas jóias devem receber tratamento vip, com leite, cama boa, banhos, uso de buças e cabresto desde muito jovens, serem ensinadas a andar elegantemente, como devem saber parar, serem tosquiadas, enfim assuntos de que são de pisteiros.


Não sei qual sucedâneo vc. usa e neste fórum evitamos o lado comercial ( me escreva no luiseinar@nutrial-go.com br ) que poderems trocar informações sobre marcas e produtos.


Para as bezerras elite pista não, mas pode usar sim sucedâneo após a colostragem para as demais . Eu procedo assim com ótimos resultados em ganhos de peso e baixa mortalidade.


Sobre casinha ou gaiola: - Quando as bezerras estão junto as suas mães, observe que dormem bem ao lado da mesma, nesta tenra idade seu sistema de regulação de temperatura ainda não está totalmente estabelecido, necessitam de calor conseguido pela aproximação com outros animais. Portanto isolar bezerras não é o mais indicado, pois passam frio, estresse, mortes. Se vc. não tiver uma boa gaiola, com palha limpa e abundante no piso e que seja limpa diáriamente, opte por ciação coletiva, mas que tenha um bom abrigo para chuvas e ventos, assim os animais se protegerão destas intempéries e se reunirão para compartilhar calor.


Levedura: - Prefiro um bom probiótico com cepas liofilizadas e enzimas digestivas, pois além de melhorarmos a imunidade passiva da bezerrada, reduzimos imensamente as diarréias e muito precocemente iniciamos a colonização do rudimentar rúmem, com bactérias celulolíticas, fazendo com que aproveitem mais precocemente os alimentos sólidos ( concentrado e feno ) , ganhem peso e possamos desmamá-las mais cedo.


Me escreva, assim trocamos informações e quem colaboramos com a  sua fazenda.


Abs
MARIANA FARIA LAMARO

GOIÂNIA - GOIÁS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 28/09/2012

Caro Luis e Flávia,



Devo concordar em partes com os dois. A bezerra alimentada no balde traz maior agilidade no processo e em partes maior facilidade em limpeza, porém vale ressaltar que nem todos fazem essa limpeza apenas passam uma água e logo preenchem com água e há também o aparecimento dos distúrbios já mencionados anteriormente pelo colega. Agora pensando pelo lado da mamadeira o tratador ao fornecer o leite avalia bezerra por bezerra e pode visualizar algum problema antes que fique grave, mas em vista do maior tempo gasto é sempre constatado o arrombamento do bico da mamadeira, com consequências como falsa via e com isso pneumonias.

Acredito eu que é necessário avaliar o sistema da propriedade e assim recomendar o que é bom e o que é ruim, juntamente com o treinamento do funcionário para tal fim.



Obrigada.
GLAUBER DOS SANTOS

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 27/09/2012

Segue email para maiores contatos.

glasantos@usp.br



Grato pela atenção.
EDUARDO AMORIM

PATOS DE MINAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/09/2012

Prezado  Luis Einar,

Tenho alimentador automatico há dois anos e uso um renomado sucedaneo importado, quais os prós e contras dos alimentadores automaticos e o uso de sucedaneos?  Animais a serem levados para exposições (pista) precisam ser mansos e vejo que na criação coletiva através de alimentador automatico os animais ficam mais ariscos e arredios, voce tem alguma sugestão para solucionar esta questão?



Neste sistema de criação coletiva, vc recomenda o fornecimento de leite puro aquecido durante os 30 primeiros dias na mamadeira. Qual melhor abrigo nesta fase: casinha ou "gaiola"?



Você recomenda dar produtos contendo leveduras as bezerras?



Obrigado



RICARDO SCHMIDT DIAS -

PRESIDENTE GETÚLIO - SANTA CATARINA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/09/2012

Boa Noite Luis. Muito bom o texto e melhor ainda o fórum aonde podemos discutir e tirar dúvidas sobre o assunto.

Sabe-se que é de grande importância o cuidado ao escolher e adquirir o sucedâneo do leite. Quais suas dicas para escolher o sucedâneo?
LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

ANÁPOLIS - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/09/2012

Boa Tarde Fernando


Obrigado pela participação.


Vou tentar fazer uma cartilha bem resumida:


1 - Colostro - deve ser fornecido até no máximo 6 hs após nascimento em várias mamadas ao dia, se possível. Tente imitar o que ele faria se estivesse solto ao lado da vaca;


2-  Leite -  6 litros/dia - mínimo, divididos em 2 ou 3 mamadas. Temperatura de 36/37 graus. Leite frio é diarréia na certa;


3 - Após 30 dias vc. já pode substituir gradualmente em 1 semana o leite por sucedâneo que é mais barato; Cuidado ao elger


4- Feno picado e concentrado - á vontade a partir da 1a. semana de vida.


5- Silagem/Cana/Capineira sómente após 90 dias.


6- Desmame, acompanhando o consumo de concentrado, retire o leite gradualmente quando o consumo de concentrado estiver acima de 1kg;


** Concentrado para bezerro deve ser o melhor que vc. conseguir produzir na fazenda ou adquirir de empresa idônea.


PB acima de 18%, milho fubá e ferelo de soja, núcleo mineral preferencialmente com próbioticos ( cepas vivas liofilizadas ), palatabilizante e leite em pó.


Fazendo isso vc. terá bezerras muito bem iniciadas e grandes futuras vacas.


Nunca crie gabiruas ou animais de baixo nível genético é prejuízo certo.


Espero haver colaborado.


Abraço


LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

ANÁPOLIS - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/09/2012

Caro Glauber


Agradeço pelas considerações.


Vc. tem grandes mestres aí na ESALQ, mas vou ver se te auxilio com algum trabalho sobre este tema.


Abraço.


** necessito seu mail para envio.


LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

ANÁPOLIS - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/09/2012

Salve Flavia


Boa Tarde


Prefiro alimentar na mamadeira desde o colostro.


Vc. está realizando trabalho dentro de uma universidade, mas quando for para dentro de uma fazenda verá que a peonada não cumpre o que se programa nem alimenta cientificamente as bezerrinhas, por isso prefiro ver ele alimentando uma a uma e melhor ainda se puder ter um alimentador coletivo, fico mais tranquilo.


Não vejo nenhum motivo para estaganar ou seguir o que se faz a 500 anos na criação de bezerros, ao invés de mostrar ao produtor que o caminho é de melhoras, mais tecnologia, menos dependência de mão-de-obra.


Vcs. que estão chegando no setor leiteiro através da pesquisa ou pelo trabalho no campo, devem tentar levar a esmagadora massa de 70% dos produtores leiteiros do Brasil que tiram abaixo de 500 litros/dia a desejar 5000 litros ou os profissionais do leite vão engolir eles.


Jogar leite no balde para uma pobre bezerra chupar é o mesmo que se faz na fazenda alimentando galinhas de terreiro. Da mesma forma que mudamos dos tradicionais 4 litros/dia/bezerra, onde criávamos feminhas subnutridas, mudemos para melhor controle de mamada, limpeza e desinfecção de teteiras, remuneração ótima para o tratador do bezerreiro, pesagens de acompanhamento de ganhos e assim assistiremos uma fantástica mudança na cria da fazenda.


Pensemos grande!


Abraço


LUIS EINAR SUÑE DA SILVA

ANÁPOLIS - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/09/2012

Salve Dr. Guilherme e Mariana


É de pesoas empreendedoras e de clara visão sobre nossa atividade como as vossas que nosso brasilzão necessita.


Concordo com 100% das ponderações que fazem e agradeço pela enorme colaboração ao fórum.


Abraço
FERNANDO ANTONIO DE AZEVEDO REIS

ITAJUBÁ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/09/2012

qual seria o consumo ideal de concentrado para uma bezerra com 60 dias de vida? Comendo Feno vai alterar esse consumo? Gostaria de saber para raça holandesa e jersey.
GLAUBER DOS SANTOS

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 25/09/2012

Caro Luis,



Parabenizo pelas informações que vem compartilhando no site. Esta é uma excelente maneira de aprendermos a respeito da atividade, via internet. Suas colocações foram muito oportunas, concordo com a maioria delas.

Gostaria que compartilhasse conosco um pouco mais de sua experiência sobre a criação de bezerras. Você conhece algum levantamento publicado, a respeito das práticas de criação de bezerras, aqui no Brasil? Estamos tentando fazer alguma coisa neste sentido aqui na Esalq, talvez pudéssemos trocar alguma ideia a respeito.

Grande abraço.



MilkPoint AgriPoint