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Cadeia láctea: por que estamos pisando em ovos?

POR VALTER GALAN

PANORAMA DE MERCADO

EM 31/05/2021

2 MIN DE LEITURA

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A situação de produtores e indústrias lácteas este ano está igualmente crítica.

Começando na base da cadeia, os preços de milho e soja seguem pressionando fortemente os custos de produção na fazenda e, pior, o cenário futuro (principalmente para o milho, com uma provável frustração da 2ª safra) indica que este cenário persistirá, pelo menos, até o final do ano.

Sem uma contrapartida proporcional em preços de leite, a rentabilidade dos produtores vem caindo fortemente (veja o gráfico 1, com a evolução do RMCR), o que tende a repercutir (negativamente) em produção nos próximos meses — isso sem falar na relação (bastante desvantajosa para o leite) em relação à arroba de boi e as questões climáticas que vem atrapalhando a produção de forrageiras em diferentes bacias.

Gráfico 1. Evolução do RMCR – Proxy da rentabilidade do produtor de leite.

Fonte: elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados do Cepea e do Deral/Seab/PR.

Os preços pagos pelo varejo à indústria estão subindo fortemente, principalmente na muçarela e no leite UHT; a muçarela subiu R$ 6/kg (isso mesmo, seis Reais por quilo!) desde a terceira semana de abril e o leite UHT aumentou 50 Centavos por litro na venda da indústria ao varejo. Isso significa que a indústria está “nadando de braçada” em relação a suas margens de lucro, certo? Errado!

Como mostram os gráficos 2 e 3, tanto o UHT quanto a muçarela devem fechar o mês de maio com margens levemente positivas, depois de 4 meses bastante ruins e de margens negativas.

Gráfico 2. Evolução das margens aparentes da Muçarela.



Fonte: elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados próprios e do Cepea.
 

Gráfico 3. Evolução das margens aparentes do leite UHT.


Fonte: elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados próprios e do Cepea.


Assim, tanto produtores quanto a indústria (ao menos nas cadeias de leite UHT e queijos) estão no “fio da navalha” entre o lucro e o prejuízo. O cenário para os próximos 2 a 3 meses é de oferta muito restrita em relação à produção nacional (além da rentabilidade baixa, estamos em plena entressafra nas principais bacias do país).

Esta baixa oferta explica os fortes aumentos observados no leite spot nas últimas quinzenas e aponta para subidas fortes no leite ao produtor.

No caso do spot, na média Brasil apurada aqui pelo MilkPoint Mercado, a elevação de preços foi de 53 Centavos/litro da segunda quinzena de abril até o momento (curioso e irônico notar que, em equivalente leite, praticamente todo o aumento verificado na venda do UHT e da muçarela já foi repassado no spot).

Toda a cadeia então passa a olhar para o consumo e o repasse de preços pelo varejo. A economia dá alguns sinais de reação — alguns bancos revisam (para cima) suas projeções de PIB e as notícias são de reação de venda no varejo — mas os chamados “fundamentos” ainda são relativamente frágeis.

Estamos “pisando em ovos” e, provavelmente, quebrando uma boa parte deles.

*Fonte da foto do artigo: Freepik

VALTER GALAN

MilkPoint Mercado

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MARIUS CORNÉLIS BRONKHORST

ARAPOTI - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 31/05/2021

Bom dia Galan
Não vou me ater da porteira pra fora .
Mas da porteira pra dentro surge uma pergunta ?
A onde começar com a produção de leite e qual o tempo que é o ciclo de produção ?
O ciclo de produção é de 365 dias em média.
O ciclo agrícola é de 365 dias .
Temos nos produtores a ter uma reserva de forrageira de no mínimo para 560 dias , justo para podermos jogar com o que temos e o custo dos concentrados , além disto o produtor não pode mudar a estratégia em meio caminho .
São só dois pontos , que são a base da produção de leite , pois da porteira pra fora o produtor não tem decisão .
Abraço
ARETA LÚCIA DA SILVA

SANTA ISABEL - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 07/06/2021

Eis a questão, quando você fala o produtor não tem poder de decisão pós porteira.
A cadeia produtiva de leite é desorganizada, a tempos com elos que mais competem entre si em margem de lucro (sendo o produtor o mais afetado) do que cooperando .Como vc é do Paraná, cito com exemplo as cooperativas de abate que tanto amo. Mesmo elas sendo voltadas para gado de corte a estrutura pode ser moldada pra qualquer setor do Agronegócio.
Enquanto, não mudarem a maneira geral de coordenação da cadeia a pecuária de leite sempre estará sujeita a isso. Como vc disse não se pode mudar de estratégia no meio do caminho, pois estratégia é para um certo período. Se os elos não se unem e otimizam o fluxo de produção do leite, fica difícil mitigar ameaças como custo de concentrado.
ARETA LÚCIA DA SILVA

SANTA ISABEL - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 07/06/2021

Gostaria de destacar dois pontos do seu comentário a meu ver são muito relevantes. O primeiro fala sobre o produtor não ter poder de decisão pós porteira. A cadeia de produção de leite é desorganizada, na prática os elos competem mais do que cooperam, muitas vezes um elo fica com a maior margem de lucro. Essa falta de organização e cooperação, pois são uma cadeia e querem o mesmo objetivo rentabilidade, o produtor etapa de maior importância em qualidade do produto se sinta isolado. E se pra diminuir custos de produção precisa otimizar o processo fica muito difícil mitigar ameaças como aumento de preço de concentrados.
E aí cai em outra coisa dita no seu comentário a estratégia que é um planejamento de médio e longo prazo e que não da pra ser mudado rapidamente e muitos produtores não tem um amplo conhecimento em gestão pra conseguir isso, e nem tem condições pra uma consultoria com um gestor , tecnólogo em Agronegócio (profissional voltado pra custo, mercado e planejamento da Produção rural).
Como uma sugestão, caso o senhor entenda um pouco mais de gestão comece fazendo uma análise da sua produção em Swot e Porter, não são difíceis de fazer, é simples e uma maneira de por no papel e em evidência a situação contra e favorável que o produtor tem e o poder de barganha em relação a fornecedores de insumos e de clientes (laticínio) e até se da pra implantar o sistema integrado lavoura, pecuária e floresta. Como o senhor é do Paraná, há excelentes cooperativas de abate, embora seja voltada pra carne seu modelo pode ser utilizado em outro setor do Agronegócio como o leite
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