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O lamento dos produtores de leite: visão sobre a atual situação da atividade no país

GIRO DE NOTÍCIAS

EM 04/01/2022

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No dia 08/12 foi publicado uma matéria com dados do IBGE que mostravam queda na captação de leite brasileira no terceiro trimestre de 2021, apontando que aumento trimestral deste ano foi menor que o esperado para o período.

Entre os fatores que podem justificar essa queda de captação estão:

  • os altos custos, que vêm desmotivando a produção de leite em todo o país;
  • os fatores climáticos, com destaque para a estiagem ocorrida no terceiro trimestre, sobretudo no Sudeste e Centro-Oeste, enquanto o Sul ainda tinha forrageiras de inverno para sustentar a produção;
  • e uma possível reestruturação da produção de leite no país, com a saída de pequenos e médios produtores da atividade e uma diferença cada vez menor da captação devido à sazonalidade, em função da adoção mais frequente de sistemas confinados. 

No dia20/12, o MilkPoint questionou seus leitores: qual dos fatores apontados você considera mais importante?

Entre os 313 participantes da enquete, a grande maioria citou os custos de produção como o principal fator que gerou essa queda na captação de leite.

Alguns leitores falaram sobre o desequilíbrio entre o preço pago aos produtores e os custos de produção. Carlos Eduardo Guedes, de Àguas/SP, comentou: “É público e notório o desequilíbrio entre o preço pago aos produtores e os custos de produção, com destaque para fertilizantes, sementes, diesel, eletricidade e mão de obra, os quais em conjunto tiveram um aumento médio superior a 30%. Em contrapartida o preço pago ao produtor permaneceu estável. Anota-se que a margem bruta do produtor é inferior a isto. Por mais persistente que seja o produtor ou sai da atividade ou quebra.”

Apontaram também as questões climáticas severas que pegaram o produtor desprevenido e geraram custos ainda maiores. José Pedro Franqueira Junqueira, de São Lourenço/MG, disse: “Com certeza os custos de produção estão desanimadores, ainda mais com a queda no preço do leite. Somado a isso tivemos um ano de seca prematura e geadas intensas, o que levou a um gasto fora do previsto da comida reservada para época de estiagem. Agora quando deveríamos ter fartura de pastos, estamos convivendo com noites frias, o que segura o crescimento de nossa forrageiras, que por sua origem africana gostam do calor. Está cada vez mais complicado.”

Vera Santa Sesti, de Caxias do Sul/RS, apontou que está com dificuldades de assumir os compromissos anteriormente firmados devido as altas. “Devido aos altos custos dos insumos aliado à estiagem, estamos sem condições de seguir na atividade. Investi muito no ano passado e já vejo dificuldades em cumprir meus compromissos. Se nada mudar, acredito que 30% dos produtores desistam e troquem a atividade”, comentou ela.

Os leitores também citaram a necessidade da redução de impostos e da implementação de políticas públicas para auxiliar o produtor, como foi o caso do Geraldo Ferreira Fortes, de Passa Tempo/MG. “Nos dias atuais, produzir leite no Brasil tornou-se uma atividade de alto risco. Se o governo não ajudar o pecuarista com incentivos e redução de impostos, principalmente, o pobre não vai ter condições de ter o produto. A atividade exige a presença do produtor 365 dias por ano e hoje, com a falta de mão-de-obra e os altos custos da dieta dos animais, além de problemas climáticos, fatores mercadológicos e uma política não muito transparente dos laticínios, que retiram o produto sem estabelecer a priori o preço a ser pago, contribuem para o desânimo e a mudança da atividade. Vai faltar leite no mercado. Sem dúvida”, disse ele, e ainda completou: “Não há conta que feche! [...] O pecuarista entrega seu produto na fazenda e não sabe quanto irá receber, por questões de mercado e política sem muita transparência dos laticínios. Assim fica muito difícil”.

Muitos ainda, indicam a saída da atividade e outros, alertam que caso não haja melhora, irão migrar para outro tipo de produção – gado de corte e soja foram citados com recorrência.

Marisa de Lima Vasconcelos, de Formigueiro/RS, alertou sobre a alta nos custos e a tendência de migração para outras atividades. “Simples, sem lucro as pessoas migram para outras atividades como gado de corte que têm preço bom e tendência de se manter bom nos próximos anos ou grãos soja e milho principalmente aqui no Sul porque muitos já fazem as duas atividades. Isso é a mão invisível da economia. Se não dá lucro e ainda precisa trabalhar 365 dias por ano com sol chuva frio ou calor as pessoas abandonam essa atividade e vão fazer outra coisa [...]. 

Estes foram alguns dos comentários que representam a situação do produtor, destacando as dificuldades enfrentadas por eles no dia a dia da produção, exemplificando os possíveis motivos que geraram essa queda de captação, na visão dos produtores de leite.

Confira outros comentários e relatos na publicação original e na postagem no nosso Instagram.

E você, concorda com o que foi apontado sobre a queda na captação de leite? Comente aqui expondo sua opinião. 

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EVERTON BORGES

UBERABA - MINAS GERAIS

EM 11/01/2022

ENQUANTO OS PREÇOS DOS INSUMOS VÃO SUBINDO, OS PREÇOS DO LEITE VÃO CAINDO.
SOMENTE VÃO CONTINUAR NA ATIVIDADE LEITEIRA O PEQUENO PRODUTOR QUE RESIDE NA PROPRIEDADE, QUE NÃO PAGA MÃO DE OBRA DE TERCEIROS E FAZEM UM PEQUENO SALÁRIO PARA ELE E A FAMÍLIA, E OS GRANDES PRODUTORES, EM QUE A MAIORIA NEM VIVEM DA ATIVIDADE LEITEIRA, TENDO DIVERSAS OUTRAS ATIVIDADE. OS MÉDIOS VÃO ARRENDAR SUAS PROPRIEDADES PARA CANA, SOJA E VÃO PARA AS CIDADES.
LUCAS MORAIS SILVA

BOM SUCESSO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/01/2022

O pior e que vc trabalha dia a dia e com produtos caros n tem como ficar no mercado e melhor passar p o gado de corte e culturas pois os lacticínios cada vez mais ricos pagam o que quer p o produtor e o produtor no vermelho ralando de sol a sol para manter eles .
#essa é a verdade doe em quem doer
Isso chama política
MARCO ANTONIO COSTA

CAMPO BELO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/01/2022

NÃO PRODUZIMOS LEITE SUFICIENTE PARA NOSSO MERCADO INTERNO. O FATO DE IMPORTARMOS MILHÕES DE LITROS DIARIAMENTE, COLOCA O PRODUTOR NACIONAL EM CONCORRÊNCIA DIRETA COM OS PRODUTORES EUROPEUS. AS CONDIÇÕES DE PRODUZIR NA EUROPA SÃO ALTAMENTE SUBSIDIADAS. ENTÃO FICA AQUI UMA PERGUNTA : QUE POLITICA LEITEIRA É ESSA QUE NÃO PROTEGE E INCENTIVA O PRODUTOR NACIONAL ? ALGUMA COISA ESTA ERRADA E SEM TRANSPARÊNCIA.
MARLUCIO PIRES

EDEALINA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 07/01/2022

Essa éminha maior duvida. Mercado nacional não é autossuficiente. A indústria reclama que não está conseguindo vender e tá pagando menos que 1.80 aqui na minha região. Mas tá importando leite por mais de 2.60. Mês passado o saldo da balança ficou em 71 milhões de litros. Se não vende, pq importar mais caro?
MARCELO EMANOEL

CAMPO GRANDE - MATO GROSSO DO SUL - ESTUDANTE

EM 10/01/2022

Esses absurdos tem que questionar pra ministra da agricultura Teresa Cristina! Se lá é subsidiado, por quê não impor uma taxa de importação ao leite vindos da Europa? O produtor rural tem que cobrar isso também, não é só na época das eleições.
EM RESPOSTA A MARLUCIO PIRES
MARCO ANTONIO COSTA

CAMPO BELO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/01/2022

Fácil , importaram leite caro e agora tira a diferença no lombo do produtor . 2,60 + 1,80 = 4,40 . Preço médio 2,20
MARCOS ANTONIO RODRIGUES

ABADIÂNIA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/01/2022

E um desânimo geral.Ter que tirar dinheiro do bolso todo mês pra pagar o prejuízo.Nao tem quem aguente.Soja,milho,fertizante,diesel,energia todos com valores nas alturas e o leite que e um produto perecível,não tem como você produzir e estocar para que possa aguardar uma valorização!Todo mes em queda frequente.Resumindo.Do jeito que tá,se não parar logo o final vai ser quebradeira geral.
ROGERIO SILVEIRA

MONTE CARMELO - MINAS GERAIS - DISTRIBUIÇÃO DE ALIMENTOS (CARNES, LÁCTEOS, CAFÉ)

EM 05/01/2022

Como fazer se um saco de adubo não se compra com o dinheiro de 50 litros de leite o produtor não aguenta eu por exemplo vou vender minhas vaca e arrendar as terras ??
MARLUCIO PIRES

EDEALINA - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 07/01/2022

150 litros de leite não pagam um saco de 8 28 18
JÉSSICA FABRIS GREGOLIN

MARIÓPOLIS - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/01/2022

Sem dúvidas, produzir leite esta inviável, custo de produção esta um absurdo ,enquanto o preço do leite não acompanha, impossível arcar com os compromissos na verdade estamos pagando pra produzir leite, lamentável, porque muito produtor está abandonando a atividade, vai faltar leite isso é uma certeza, não temos férias e nem descanso, os lacticínio fazem o que bem entendem com o produtor, se eles ver que vão ter prejuízo eles baixam o preço do leite, e o produtor se está tendo prejuízo? Se lasca ,porque ninguém está preocupado, quem produz não ganha nada,que repassa sim.
VALDIR GOERGEN

AUGUSTO PESTANA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/01/2022

Lisete e Marcelo vcs falaram tudo o q passa a atividade leiteira.
PAULO SERGIO BELARM8NO DOS SANTOS

MARABÁ PAULISTA - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/01/2022

Estou totalmente desanimado da atividade na vetdade nos somos escravos dos laticinios muito desvalorizado o que fazemos por isso nao creio ir muito longe com a atvidade
LISETE KIPPER

ITAPIRANGA - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 05/01/2022

Com certeza concordo.Nao existe só a atividade de leite, podemos migrar sim para outra atividade até menos compensadora em termos de remuneração considerando que no leite trabalhamos 365 dias/ano. Infelizmente, não há parceria entre produtor e industria. Lamentável.
MARCELO BRANQUINHO PEREIRA

TRÊS CORAÇÕES - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/01/2022

A relação produtor-indústria, tem sido muito conflituosa, pouco transparente, muitas vezes desonesta causando desconforto e desânimo. Não vemos isso em outras cadeias , principalmente devido a perecibilidade do leite. Acho um dos fatores determinantes na diminuição do número de produtores!
ARNALDO FERREIRA DE SOUZA

BIRIGUI - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/01/2022

Eu parei porque está pagando para trabalhar que tal os Laticínios montar Retiro aí eles vão ver que é bom fazer o que eles fazem com Produtores 55 dias para receber paga valor que quer ainda só sabe do valor quando recebi
MARCELO MEDINA

EM 04/01/2022

Os laticineos pagam mais aos grande e muito menos aos pequenos , diferenças que muitas vezes passam de 50 centavos por litro. O pequeno precisa se enxergar e parar de querer produzir como o grande , gado de alta produção movido a concentrado, duas ordenhas, silagem de milho e outros custos que empurram goela a baixo do produtor. Quem ganha dinheiro assim é americano e produtor grande. Nos que somos pequenos temos que trabalhar com baixo custo , alta lotação e GADO RUSTICO. Sempre vão querer falar que o problema é seu sistema de produção que precisa ser mais eficiente. Mas poucos te falarão que a eficiência é em melhorar a sua renda e vida , não produzir mais leite pra eles. Muito cuidado com os " modelos de sucesso " que querem nos vender de altas produções
FABIO VIEIRA

PARANAVAÍ - TOCANTINS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/01/2022

Pura verdade
VOLMAR LUIZ CHAVES MARTINS

IJUÍ - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/01/2022

Eu penso que além dos altos custos de produção,a insertesa de não saber quanto a indústria vai nos pagar pelo litro de leite é um ponto que nos deixa indignado agente não tem como se organizar para comprar nada
JACINTO NOLASCO NETO

CATALÃO - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 04/01/2022

Acredito que além dos altos custos de produção, estamos reféns de uma política de incentivo aos pequenos e médios produtores pois esses que são a maioria no país sentem o maior impacto na cadeia produtiva. Chegou a hora dos nossos governantes adotarem uma política para cuidar mais do setor que gera riqueza e muito emprego para o país.
FABIO VIEIRA

PARANAVAÍ - TOCANTINS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/01/2022

Já passou da hora
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