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Para quê "escrever" os registros?

POR ROBERTA ZÜGE

NA MIRA

EM 26/03/2015

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 Na rotina diária de minhas atividades de consultoria, em especial no campo, sempre tenho que sensibilizar meus clientes, ou seus colaboradores, da necessidade de realizar corretamente e diariamente os registros indicados.

Muitas vezes, vemos resistência por parte de todos, ou porque não entendem a real necessidade, ou simplesmente acham que há coisas bem mais importantes, ou urgentes, a resolver. Claro, o dia a dia da produção de leite é intenso. Os registros não devem ser encarados como algo a ser feito quando sobrar tempo! Porque isto, praticamente, não existe para quem é leiteiro.

Os registros são necessários para muitos fins, vão desde questões trabalhistas, ou seja, eles são legais (obrigatórios), onde o empregador deve comprovar por meio de registros, por exemplo, a entrega dos EPIs necessários para às atividades aos seus colaboradores, até para o correto gerenciamento das atividades de manejo.
As anotações são de extrema importância quando se pretende a profissionalização do produtor. Os dados recuperados destes registros podem identificar desvios, erros e acertos. Norteando as tomadas de decisões, de forma racional e assertiva, para o incremento da produção.

Em uma prosa com o produtor Egon Krüger, que mantém a propriedade em aderência a norma de produção integrada de leite, um dos que aguarda a publicação para certificar, ele me relatou um benefício direto dos seus registros. Foi realizada uma cirurgia de uma vaca, a qual recebeu antibioticoterapia a base de penicilina, iniciando o tratamento no dia anterior da intervenção. Ele mantem os registros de aplicação de medicamentos sempre atualizados, contendo a data de compra, numero de lote, validade, responsável pela aplicação, e outro documento, onde estão registrados todos os tratamentos dos animais, inclusive com os receituários do médico veterinário.

Como em outra ocasião o produtor já havia tido problemas de detecção de resíduos, assim, para não recorrer a este erro, ele dobrou o período de carência, de 5 para 10 dias. No entanto, mesmo com este período de ampliado, o laticínio detectou, por meio do Snap Test, a presença do medicamento no leite. O que ocasionou a condenação da carga e do restante do compartimento.

Munido de todas estas informações, dos registros às prescrições veterinárias, ele comunicou o representante da empresa de medicamentos, que realizou novo teste do mesmo leite coletado pelo laticínio. Em paralelo, ele fez cópia dos registros de aplicação de medicamentos (com todos os dados) e da prescrição veterinária, e encaminhando tudo à empresa.

A indústria de medicamentos ressarciu os custos da perda do leite, assim como do período de descarte necessário. Pela clareza e evidência de rastreabilidade, do cumprimento da prescrição veterinária, que era compatível com a bula do medicamento, não houve dúvidas que o procedimento realizado era o correto, provavelmente o erro era no processamento do medicamento; o produtor não poderia arcar com este ônus. No entanto, caso ele não tivesse todos estes registros, identificando desde a prescrição correta, até a aplicação conforme o recomendado, dificilmente ele poderia recorrer e, melhor ainda, ganhar a causa.

Provavelmente, muitas outras histórias poderiam ser contadas sobre problemas como este. Erros acontecem em todos os âmbitos, mas somente com documentação, que seja de fato um lastro acessível e passível de auditoria e verificação, pode evidenciar e ter um final bem mais atraente para o cliente.

ROBERTA ZÜGE

Membro do CCAS.
Consultora técnica em fazendas e industrias de alimentos com foco no atendimento a requisitos legais e normas de qualidade. Coordenou o projeto da norma Brasileira de Certificação de Leite (MAPA/Inmetro).
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MARIA RITA CURY

EM 06/03/2017

Excelente artigo sobre o manejo do solo. Tenho área rural na região central do Brasil, mais precisamente próxima do Araguáia e tenho observado presença de cupins além da pastagem não ter sido refeita a vários anos. Gostaria de saber como agir neste caso já que penso em recuperar o área para reforma do pasto para outubro, quando começam as águas por lá.
JOÃO LEONARDO PIRES CARVALHO FARIA

MONTES CLAROS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 01/04/2015

Excelente matéria!
EDUARDO ELIZALDE

SANTA FÉ - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 31/03/2015

En todo sistema de calidad los registros son imprescindibles, en todo sistema productivo también, cuando implementamos un sistema de calidad en un sistema productivo son indiscutibles, como les debe haber pasado a todos ustedes, lo más importante es demostrarles la utilidad de los mismos, o sea la famosa ecuación costo beneficio, para lo cual el ejemplo de Roberta, me parece excelente. Saludos a todos.
JAMES CISNANDES JR

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 30/03/2015

A norma da ISO quando estabelece padrões, tem um capítulo específico para falar do controle de registros e dados. Sem dúvida, um tema importante para salvaguardar a empresa e posterior evidência em caso de necessidade.
ALEXANDRE BENVINDO FERNANDES

RIO BRANCO - ACRE - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 30/03/2015

Querida Roberta, de fato, o maior obstáculo na pecuária de uma forma geral, são os registros econômicos e zootécnicos da atividade. Eu costumo dizer que o produtor executa muito bem as divisões de piquetes, correção e adubação das pastagens e manejo do rebanho, mas as anotações o mesmo não faz. Comprometendo a eficiência da atividade e consequentemente o trabalho do consultor.
Nunca fica insistente esses artigos.
Parabéns.
Forte abraço.