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O leite justo

POR ROBERTA ZÜGE

NA MIRA

EM 23/10/2020

2 MIN DE LEITURA

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Em alguns países da comunidade europeia, a organização European Milk Board e seus membros usam o slogan “Die faire Milch” para chamar a atenção para a necessidade de preços justos do leite, junto aos consumidores. Para além das suas atividades políticas e econômicas, os produtores de leite europeus enviam um sinal ativo e visível com foco na produção que viabilize as pequenas propriedades.

Comum a todas as iniciativas Fair Milk é o preço justo ao produtor. Uma remuneração calculada de modo que o preço pago cubra os custos de produção e permita que os agricultores administrem suas fazendas de maneira sustentável. Porque somente por meio de uma política de preços justos a agricultura familiar pode permanecer no mercado no longo prazo, produzir leite de alta qualidade e contribuir para a preservação da paisagem cultural rural.

Não há como criar requisitos sem que o custo seja repassado ao preço. Muitos cidadãos europeus exigem que seus produtores tenham ações de sustentabilidade, em todas as esferas e boas práticas na produção. No entanto, com isto há incremento de custo. Com esta iniciativa a ideia é proporcionar que os produtores se mantenham na atividade, que cumpram os conceitos de produção justa, demonstrando ao consumidor que estão cumprindo os requisitos solicitados por eles.

O setor enfatiza que a produção do leite é muito complexa. Mas o pagamento que os produtores de leite recebem por seu leite tem caído constantemente desde 2001. Ao mesmo tempo, os custos de produção (por exemplo, custos de alimentação, custos de arrendamento) aumentaram rapidamente. Dezenas de milhares de produtores deixaram a atividades – com consequências dramáticas para muitas regiões da Europa.

Para eles, para contrariar este desenvolvimento, são necessários preços ao produtor de leite que cubram os custos. Com este objetivo comum, produtores de leite em muitos países e em toda a Europa uniram forças no European Milk Board.

A instituição garante que um preço justo do leite permite a continuidade da produção doméstica de leite em todas as regiões da Europa. As fazendas leiteiras e a paisagem cultural historicamente cultivada podem ser preservadas. Isso é bom para os agricultores e para todos os que vivem no campo ou que lá passam férias. E é bom para os consumidores. A agricultura sustentável e o tratamento cuidadoso da natureza conferem às zonas rurais um futuro econômico e garantem a soberania alimentar da Europa.

Desde minha mudança, neste período sabático que tenho vivido em Luxemburgo, já pude perceber o quanto a produção de leite faz parte da sociedade. Em poucos minutos de quase todos as villes (os municípios do país) as vacas de leite são vistas constantemente. Sejam pelas janelas do trem ou ônibus, sejam até mesmo das casas das villes.

A produção de leite é vista como negócio – uma empresa mesmo, há muitos requisitos que são exigidos. Mas, por outro lado, há instituições fortes, representadas por produtores que buscam o bem comum, que lutam pelo equilíbrio da produção. Assim como uma consolidação do leite justo. Ao mesmo tempo que dignificam a produção leiteira, estas instituições também fomentam as exigências em conformidade com as demandas dos consumidores. 

ROBERTA ZÜGE

Membro do CCAS.
Consultora técnica em fazendas e industrias de alimentos com foco no atendimento a requisitos legais e normas de qualidade. Coordenou o projeto da norma Brasileira de Certificação de Leite (MAPA/Inmetro).
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NELSON JESUS SABOIA RIBAS

GUARACI - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 31/10/2020

São mundos distintos, mas sem dúvida esse seria um caminho a ser seguido no Brasil. O consumidor tem de ser informado sobre quanto custa a produção agrícola. Entretanto não vejo ninguém mostrando isso de forma séria e correta, alias a maioria dos produtores de leite si quer sabem seus custos de produção e muito menos que retorno têm sobre o capital. Enquanto ficarmos preocupados em reclamar do governo e xingar os lacticínios pela baixa remuneração do setor, não vamos criar uma estratégia melhor para a sustentabilidade dos negócios. Parece claro que o maior problema esta na forma como os atacadistas e varejistas tratam os produtos lácteos, é comum usarem o leite em campanhas de baixo preço , para atrair consumidores às suas lojas. Formam estoque especuladores e pressionam os lacticínios, que por sua vez baixam o preço aos produtores. O produtor é o último a ganhar e o primeiro a perder nessa cadeia produtiva sem nenhuma regulação e insensata.
PATRICIA GOLDFEDER

CAMPANHA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/10/2020

Vamos lutar por isso!
Há mecanismos para que no nosso país o "leite justo" também seja uma realidade.
Lendo seu relato, percebo que o ato de produzir leite é tratado com uma seriedade ímpar na UE e rende altos dividendos políticos,culturais e sociais... é muita riqueza envolvida.
Obrigada por mostrar facetas sutis do negócio"leite" e,dessa forma,abrir nossos olhos cerrados!!
ARIEL MENDES

SÃO PAULO - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 26/10/2020

Muito bem
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