Impacto de Streptococcus uberis na qualidade do leite
A bactéria Streptococcus uberis é atualmente um dos principais agentes de mastite ambiental em vacas leiteiras. Entenda mais sobre o assunto neste artigo.
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A contagem bacteriana total do leite é uma importante medida da sua qualidade higiênica e pode ser útil na identificação de surtos de mastites causadas por alguns agentes (entre os quais o Streptococcus uberis), eficácia de limpeza e desinfecção dos equipamentos e demais práticas relacionadas com a higiene antes e durante a ordenha. Quando a CBT é elevada, pelo menos quatro possíveis fontes podem ser levantadas: tetos sujos antes da ordenha, deficiência na limpeza do equipamento, casos de mastite e resfriamento inadequado do leite após a ordenha. Desta forma, em algumas situações estas fontes podem atuar de forma associada e resultar em aumento ainda maior da CBT. Por exemplo, a limpeza deficiente do equipamento e a ocorrência de tetos sujos podem, juntamente com o resfriamento deficiente, facilitar a multiplicação das bactérias psicrotróficas (aquelas que se multiplicam bem mesmo em baixas temperaturas).
Uma questão que se coloca, então, é se nos rebanhos com elevado nível de infecções intramamárias causadas por Streptococcus uberis, nos quais existe uma grande eliminação desta bactéria no leite, há crescimento do microrganismo nas situações de resfriamento e tempo normalmente empregados em fazendas leiteiras. Para tanto, foi desenvolvido um estudo no qual foram determinadas as condições de tempo e temperatura que o Streptococcus uberis usa para seu crescimento em amostras de leite de tanque, com o objetivo de verificar se as características de crescimento deste microrganismo podem ser uma das causas de altas CBT do leite nos rebanhos afetados.
Para simular as diversas situações possíveis de tempo e temperatura de resfriamento, as amostras com leite contendo Streptococcus uberis foram incubadas nas seguintes condições: 4,4 e 7o C por até 5 dias (resfriamento eficiente); 10o C por 5 dias (simulação de resfriamento marginal); 21 a 25o C por 7 horas (temperatura ambiente baixa) e 32o C por 7 horas (temperatura ambiente alta). De acordo com os resultados obtidos, nenhuma cepa de Streptococcus uberis (das quatro estudadas) foram capazes de multiplicação em baixas temperaturas (4,4 e 7o C), por outro lado todas as cepas apresentaram capacidade de multiplicação em temperaturas acima de 21o C (21, 25 e 32o C).
A temperatura e o tempo de armazenamento do leite no tanque são fatores que afetam diretamente a contagem de microrganismos no leite cru. De acordo com os resultados apresentados no estudo em questão, ainda que o Streptococcus uberis apresente capacidade de se multiplicar em menos de 3 horas em temperatura de 21o C, este microrganismo não se reproduz no tanque se o leite for mantido em temperaturas inferiores a 7o C. Adicionalmente, mesmo que fossem dadas as condições mínimas para o crescimento do S. Uberis (21o C), provavelmente este microrganismo não predominaria na microbiota total, pois diversas outras espécies teriam igualmente condições de crescimento nesta condição de temperatura. Desta forma, os resultados apresentados demonstram que o Streptococcus uberis não apresenta condições de crescimento em condições de resfriamento adequado (< 7o C), sugerindo que elevados níveis de S. Uberis em leite com bom resfriamento são bons indicadores de problemas de mastite no rebanho, uma vez que este agente não apresenta crescimento depois de sua saída da glândula mamária.
Fonte: Journal do Dairy Science, v. 87, p. 813-815, 2004.
Material escrito por:
Marcos Veiga Santos
Professor Associado da FMVZ-USP Qualileite/FMVZ-USP Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225 Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP Pirassununga-SP 13635-900 19 3565 4260
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