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Como escolher o desinfetante para tetos ? - Parte 1/2

POR MARCOS VEIGA SANTOS

MARCOS VEIGA DOS SANTOS

EM 07/06/2002

5 MIN DE LEITURA

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A maioria dos especialistas em controle de mastite e qualidade do leite concorda que a desinfecção dos tetos antes e após as ordenhas é uma das medidas mais eficazes de controle de novas infecções intramamárias em vacas leiteiras, em particular para os agentes contagiosos. O objetivo primário é reduzir a contaminação da pele do teto através do uso de um desinfetante, o que reduz o risco da entrada do microrganismo na glândula mamária.

Atualmente, está disponível no mercado um grande número de formulações, com os mais diferentes ingredientes ativos e com ampla variação de preço. Como a prática de desinfecção dos tetos é tida como simples, eficiente e muito econômica, é preciso ter em mente que, para que esta prática tenha sucesso, o produto a ser usado deve realmente atingir o objetivo de reduzir a contaminação na pele do teto. Desta forma, existem hoje diversos protocolos cientificamente comprovados para avaliar a eficácia dos produtos para desinfecção de tetos, o que contribuiu significativamente para a melhoria das formulações, e, atualmente, diversos produtos podem reduzir a incidência de mastite de 50 a 95%. Isto não pode ser estendido a qualquer produto comercializado sem que haja testes adequados, que comprovam que determinado fabricante, em uma determinada formulação, é realmente eficiente.

Diversos componentes químicos podem ser usados em formulações de desinfetantes para tetos, como por exemplo: iodo, hipoclorito de sódio, clorexidine, compostos de amônia quaternária, acido duodecil benzenosulfônico, nisina, peróxido de hidrogênio, glicerol monolaureato e ácidos graxos. O mecanismo básico de ação destes compostos sobre os microrganismos é através de ação química ou biológica, como por exemplo pela oxidação/redução, desnaturação e/ou precipitação de proteínas citoplasmáticas, inibição de atividade enzimática e ruptura de membranas das células.

Entendendo a desinfecção dos tetos antes da ordenha (pré-dipping)

A função básica do pré-dipping no momento de preparar a vaca para a ordenha é obter a descontaminação da pele do teto. Esta redução da contaminação apresenta duas vantagens: diminui o número de bactérias no leite (relacionado com a qualidade microbiológica do leite) e reduz a disseminação de microrganismos e, consequentemente, a ocorrência de novas infecções, em especial para os agentes ambientais. Além do foco principal, que é a descontaminação da pele do teto, a prática do pré-dipping melhora a estimulação da descida do leite, que é um reflexo neuro-hormonal que aumenta a velocidade de ordenha e a extração do leite.

Uma das razões para o desenvolvimento da desinfecção dos tetos antes da ordenha foi o aumento de casos de mastite de origem ambiental em alguns rebanhos do Estado da Califórnia, EUA. Com o uso de medidas eficazes de controle para a mastite contagiosa, uma das medidas estudadas foi a desinfecção dos tetos antes da ordenha, que provou ser altamente eficaz, com redução de novas infecções intramamarias causadas por agentes ambientais de até 50%, quando comparadas com a prática de lavagem do úbere com água e posterior secagem.

Para que o pré-dipping atinja o objetivo de descontaminação da pele do teto é extremamente importante considerar as condições do teto no momento de aplicação do produto. Quanto maior a carga de substâncias orgânicas (como esterco, lama, barro, cama) aderidas ao teto, menor será a eficácia do pré-dipping. Desta forma, não adianta aplicar a solução desinfetante em um teto coberto com esterco, pois o produto não irá agir de forma satisfatória.

De forma objetiva, o procedimento de pré-dipping deve ser realizado na seguinte seqüência:

1) lavagem dos tetos (somente quando estritamente necessário),
2) retirada dos primeiros jatos (teste da caneca),
3) aplicação do desinfetante (preferencialmente por imersão) em tetos limpos,
4) aguardar período mínimo para ação do produto (15-30 seg),
5) secagem completa do teto com papel toalha,
6) colocação do conjunto de ordenha na vaca.

Quando possível, recomenda-se sempre evitar o uso de água para lavagem dos tetos antes da ordenha, pois o excesso de água reduz a atividade do desinfetante e aumenta a contaminação, além de facilitar a queda de teteiras durante a ordenha.

A prática do pré-dipping é recomendada atualmente não apenas para rebanhos com problemas de mastite ambiental, uma vez que este procedimento apresenta uma série de vantagens para a melhoria da ordenha e da qualidade do leite. No entanto, deve-se enfatizar que o uso do pré-dipping não substitui uma boa rotina de ordenha.

Entendendo a desinfecção dos tetos após a ordenha (pós-dipping)

Mesmo que a ordenha seja feita da forma mais higiênica possível, sempre ocorre transferência de microrganismos entre os animais ordenhados durante a ordenha. Desta forma, após o término da ordenha, a pele dos tetos fica altamente contaminada, e estes microrganismos podem adentrar a glândula mamaria e causar novas infecções. O pós-dipping tem o objetivo de eliminar os microrganismos presentes na pele do tetos após o término da ordenha, sendo comprovadamente eficaz como medida de prevenção de novos casos de mastite causados por microrganismos contagiosos, como Staphylococcus aureus e Streptococcus agalactiae.

É interessante notar que o conceito de desinfecção dos tetos após a ordenha é bastante antigo, com relatos de que, em 1916, esta prática foi usada sem sucesso, pois o produto (óleo de pinho) não era eficaz. No entanto, nas últimas décadas, surgiu um grande volume de informações sobre diferentes produtos e formulações que se comprovaram eficazes para uso como pós-dipping. Um dos principais institutos de pesquisa em gado leiteiro da Inglaterra (NIRD - National Institute for Research in Dairying) foi um dos pioneiros da avaliação científica do uso do pós-dipping como ferramenta para o controle de mastite. Os resultados obtidos na década de 60 foram tão animadores que, posteriormente, esta prática foi disseminada para outros países, e, hoje, é considerada como prática obrigatória para o controle de mastite.

Diversas vezes têm surgido perguntas sobre o uso do pós-dipping em explorações leiteiras com bezerro ao pé da vaca. Esta é uma situação bastante particular, pois a técnica do pós-dipping foi desenvolvida para vacas especializadas, que não tem a presença do bezerro durante a ordenha. Vale dizer que não há o mesmo resultado de redução da transmissão de mastite contagiosa, se, após a imersão dos tetos com a solução desinfetante, o bezerro vai mamar na vaca.

MARCOS VEIGA SANTOS

Professor Associado da FMVZ-USP

Qualileite/FMVZ-USP
Laboratório de Pesquisa em Qualidade do Leite
Endereço: Rua Duque de Caxias Norte, 225
Departamento de Nutrição e Produção Animal-VNP
Pirassununga-SP 13635-900
19 3565 4260

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EZIEL MOURA LEITE

SILVA JARDIM - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/06/2019

Posso usar o hipoclorito de sódio com água para fazer o pre dippeg?
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 16/06/2019

Eziel, recomendo que seja usado um produto comercial pronto para uso com indicação específica para desinfecção de tetos (pré e pós-dipping). Atenciosamente, Marcos Veiga
EZIEL MOURA LEITE

SILVA JARDIM - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/06/2019

Eu estou uzando para o pre dippig o alcool iodado,eu queria saber se e eficaz .
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 16/06/2019

Eziel, recomendo que seja usado um produto comercial pronto para uso com indicação específica para desinfecção de tetos (pré e pós-dipping). Não se recomenda usar álcool iodado para pré-dipping. Atenciosamente, Marcos Veiga
EZIEL MOURA LEITE

SILVA JARDIM - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/06/2019

Eu trabalho vom bezerro no pé ,queria saber se o processo do pre dippig eu faço depois ou antes do bezerro mama?
JOAO EDUARDO CASTTRO

EM 07/05/2019

Gostei muito da matéria. Gostaria de saber se posso usar água sanitária para o pré e iodo no pos e se poder qual a medida
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 19/05/2019

João Eduardo, não haveria problema de usar produtos com princípios ativos diferentes no pré e p'so-dipping. Atenciosamente, Marcos Veiga
JOAO EDUARDO CASTTRO

EM 07/05/2019

Me chamo João e gostei da matéria. Queria saber se posso usar água sanitária para o pré e iodo no pos? Obrigado.
TIAGO MANO

ANGRA DOS REIS - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/05/2018

pode-se usar álcool 70 para pré e pós dipping?
TIAGO MANO

ANGRA DOS REIS - RIO DE JANEIRO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/05/2018

Boa Noite!
Álcool 70 pode ser usado para pré e pós-dipping?
e álcool 98?
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 23/05/2018

Tiago, recomendo SOMENTE o uso de produtos comerciais próprios para uso na desinfecção de tetos, atenciosamente, Marcos Veiga
ARTUR

IPORÃ - PARANÁ - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/11/2017

queria saber o processo usar o iodo pois ja uso pos dipe e duas vacas c mastite
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 01/10/2017

Prezado Josevan, recomendo que seja utilizado um produto comercial próprio para uso para pré e pós-dipping. Não recomendo produtos que não sejam próprios para desinfecções de tetos, atenciosamente, Marcos Veiga
JOSEVAN FELIPE DA SILVA

LAGOA NOVA - RIO GRANDE DO NORTE

EM 28/09/2017

Ola Marcos Veiga,eu sou o Josevan de Lagoa Nova Rio Grande Do Norte ,e gostaria de saber se o iodo para  fazer  higienizaçao das tetas das vacas poser qualquer um ou tem um proprio??
VIRGINIA

GUIDOVAL - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/08/2017

Boa tarde. Fazendo referência ao problema apresentado pelo Aurélio Azevedo da Silva, registro que usei um produto à base de clorexidina que rachou os tetos de todas as vacas, sendo que duas desenvolveram mastite. Apresentei o caso para a Ouvidoria do Ministério da Agricultura e, após fiscalização na empresa, ficou constatada irregularidade na dosagem do princípio ativo. Houve autuação, inclusive. Agora estou usando uma pastilha no pós e estou satisfeita com o resultado.


MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 06/05/2016

Prezado Aurélio, não acredito que haja alguma incompatibilidade dos produtos que seja a causa deste problema de rachadura de tetos. Se estiver ocorrendo este problema, possivelmente é um problema do produto usado. Também não acredito que seja o problema de concentração do iodo e sim a formulação que deve ter algum tipo de substância emoliente que evita a rachadura dos tetos. Minha recomendação é comprar um produto comercial de empresa idônea de um produto que tenha indicação para uso em tetos. Não comprar ou usar produtos sem esta indicação, pois esta pode ter sido a causa deste problema, atenciosamente, Marcos Veiga
AURÉLIO AZEVEDO DA SILVA

SERRANOS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/05/2016

Prof. Marcos

Utilizava no pré uma solução a base de hipoclorito de sódio e no pós iodo na concentração de 0,1%, porém com vários casos de mastite clínica e ccs elevada. Com intuito de melhoria na prevenção, passei a utilizar no pré a base de iodo e no pós clorexidina, porém os tetos apresentaram rachaduras, feridas e uma casca. Dai passei a utilizar no pré uma espuma a base de ácido lático e voltei para o iodo a 0,1%. Sendo observado que os tetos voltaram a melhorar saindo até uma camada  formada pela clorexidina. Diante disso dei início a utilização no pós iodo a 0,5%, mas com quatro dias de uso os tetos voltaram a dar pequenas rachaduras e até com sangramento. Dai os questionamentos: O uso da iodo em conjunto com a clorexidina pode haver incompatibilidade?  Com relação a mudança brusca de iodo a 0,1% para 0,5% pode causar essas rachaduras? Seria necessário a adaptação e gradativo aumento do percentual de iodo até a concentração final desejada?
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 08/04/2016

Prezada Adriana, eu recomendo como produtos mais indicados para pré-dipping o iodo, cloro e clorexidine. Pessoalmente, acho que estes produtos são melhores opções e apresentam vantagens em relação a amônia quaternária.



Atenciosamente, Marcos Veiga
ADRIANA RACHID SOUSA

POMPÉU - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 06/04/2016

Prezado Marcos Veiga,

A Amônia Quaternária pode ser usada para aplicação no pré-dipping? No rótulo do produto comercial tem indicação para esse fim, mas meu maior questionamento é quanto ao tempo de ação desse princípio ativo.

Desde já agradeço.

Adiana Rachid Sousa.
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 13/01/2016

Prezado José, eu não tenho esta informação, mas minha recomendação seria usar um produto comercial que seria pronto para diluir e usar.



Atenciosamente, Marcos Veiga
JOSÉ CARNEIRO FILHO

JI-PARANÁ - RONDÔNIA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 11/01/2016

0lá Marcos, Lir e Relir suas Recomendações a Respeito de Desinfetante para Teto e Achei Bastante proveitosos os minutos que Gastei para Ler e proveito para Solicitar se vc tem uma Recomendação para a Formula de Detergente Acido e Alcalino sem Soda para os mesmos Fins. Fraternalmente lhe envio o Grande Abraço.

José Carneiro Filho

laborteccaneiro@gmail.com
MARCOS VEIGA SANTOS

PIRASSUNUNGA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 20/10/2015

Prezada Flaviane, o cloro pode sim ser usado como pré-dipping. Os produtos para pós-dipping mais baratos são os a base de cloro ou iodo, que são boas opções.



Para o uso do cloro, recomenda-se que os ordenhadores usem luvas e observar se ocorre rachaduras de tetos.



Atenciosamente, Marcos Veiga
FLAVIANE

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 17/10/2015

gostaria de saber se o cloro pode ser usado no pre dipping e qual produto posso usar no pos dipping de custo mais baixo e que seja de bom resultado
ANDRÉ NEIVA LIBOREIRO

SETE LAGOAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 07/12/2008

Marcos, quais seriam as suas recomendações de concentração de princípio ativo livre para a utilização dos seguintes desinfetantes para pré e pós-diping: iodo, hipoclorito de sódio e clorexidine.

Desde já agradeço.

<b>Resposta do autor:</b>

Prezado André Neiva Liboreiro,

Não existe uma resposta definitiva sobre os níveis de princípios ativos para os desinfetantes de tetos, principalmente os comerciais, nos quais existem grandes variações de formulação. De uma forma geral, os produtos para pré-dipping são mais diluídos, em geral 50% da concentração do pós-dipping.

Para produtos a base de iodo, que são os mais usados, existem diferentes forma de inclusão do iodo, mas considerando os mais comuns, as concentrações variam entre 0,5% e 1,0% de iodo disponível (total), mas o que realmente importa é a concentração de iodo livre. Os produtos comerciais que de alguma forma foram avaliados por protocolos do NMC dos EUA, estão listados na publicação abaixo:

http://www.nmconline.org/docs/Teatbibl.pdf

Pode-se verificar que existe variação desde produtos com 0,1% de iodo até 1%.

Com relação a clorexidina, as concentrações mais usadas são de 0,35 a 0,55%. Para o hipoclorito de sódio, a minha recomendação tem sido de 1 a 2% de solução de hipoclorito de sódio.

Desta forma, temos poucas informações técnicas sobre produtos nacionais (exceção aos produtos importados, com testes feitos em outros países), que testaram as formulações com base em protocolos reconhecidos, o que dificulta responder a questão sobre qual a minha recomendação sobre as concentração. A minha sugestão é que sejam usados produtos comerciais de empresas idôneas, mas que seja cobrado se já foi feito algum tipo de avaliação, pois somente com esses testes teríamos garantia de eficácia.

Outro ponto importante, é que até onde eu saiba não existe requerimento de teste de eficácia para registro destes produtos, nem aqui nem nos EUA, mas mesmo assim existem muitas empresas que testam os produtos com base em protocolos padronizados.

Atenciosamente, Marcos Veiga
MilkPoint AgriPoint