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Embrapa avalia pegada hídrica azul em sistemas diferentes de produção de leite

JULIO CESAR PASCALE PALHARES

EM 17/08/2015

3 MIN DE LEITURA

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A Embrapa realizou um estudo sobre a pegada hídrica azul de dois sistemas de produção de leite diferentes. No período de 12 meses, foram avaliadas uma propriedade convencional e outra orgânica de produção de leite no estado de São Paulo.

A pegada hídrica azul é definida como a água consumida de fontes superficiais e subterrâneas. Num sistema de produção de leite esse tipo de água é utilizada para irrigação das culturas, dessedentação dos animais e serviços (limpeza, climatização, etc.).

No estudo foram avaliados, no período de um ciclo produtivo (12 meses), os Sistemas de Produção Convencional e Orgânica de Leite a Pasto, com manejo alimentar baseado em sistemas rotacionados de pastejo de gramíneas. No período seco foi realizada a suplementação de volumoso com silagem de milho na propriedade convencional e com silagem de cana-de-açúcar na orgânica. Ambos os sistemas utilizavam irrigação para aumento da oferta de alimentos na seca. Na Tabela 1 são apresentados os valores de pegada azul.

Tabela 1. Valores da Pegada Hídrica Azul nos sistemas Convencional e Orgânico

* Volume de Leite corrigido: expressa a quantidade de energia no leite produzido e ajustado para 3,5% de gordura e 3,2% de proteína

Tanto no convencional, como no orgânico, o consumo de água para irrigação representou a maior percentagem de água azul. Os resultados são importantes para mostrar o impacto que essa técnica tem na demanda hídrica de um sistema de produção de leite, principalmente, em regiões e bacias hidrográficas onde já existem conflitos pelo uso da água. Nesta situação, a irrigação deve ser planejada e manejada buscando a máxima eficiência de uso do recurso natural. Se não houvesse irrigação nos sistemas, a pegada azul para o sistema convencional seria de 3 litros/kg de volume de leite corrigido e de 4 litros/kg de volume de leite corrigido para o sistema orgânico.

A manutenção da produção de leite por ano nos dois sistemas poderia ser alcançada sem irrigação, mas utilizando-se elevadas quantidades de concentrado na dieta. Esta seria uma estratégia recomendada para regiões e bacias hidrográficas com escassez de água, ainda que o custo de produção de leite seja superior.

Outra estratégia seria reutilizar o efluente da sala de ordenha para fertirrigação. Com isso, além de reduzir os valores de pegada azul, também haveria impactos positivos sobre a eficiência de utilização de nutrientes presentes nas águas de lavagem da ordenha.

Pode-se argumentar que não é necessário reduzir a pegada azul em bacias hidrográficas onde não ocorrem conflitos pelo uso e escassez de água. No entanto, a utilização mais eficiente desse recurso, mesmo em regiões de abundância, resultará em uma produção com a mesma quantidade de água, reduzindo a pegada azul e proporcionando a possibilidade de alocação de água para a produção de outros bens e serviços.

Também foi calculado o indicador de escassez de água azul em ambas as propriedades. No sistema convencional o valor foi de 0,11 e, no orgânico, de 0,13. Os resultados mostram que o sistema convencional consumiu 11% da água azul disponível no ano de referência e, o orgânico, 13%. Isso ocorreu devido às menores disponibilidades de águas superficiais e subterrâneas na propriedade orgânica. Para calcularmos essas disponibilidades consideramos os volumes de água outorgados e a vazão ecológica dos rios que atravessam as propriedades.

A transição para o estresse hídrico ocorre com valores de 0,2 e de estresse para escassez com 0,4. Apesar dos indicadores de escassez de água azul serem confortáveis, melhorias na eficiência de uso da água azul podem permitir a distribuição de água para outros usos e consumidores, além de contribuir para a redução dos conflitos sociais.

O cálculo da pegada hídrica azul e sua relação com a disponibilidade de água na região de produção auxiliam na tomada de decisão, pois fornecem informações para se avaliar o risco de escassez hídrica da atividade. 

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JULIO CESAR PASCALE PALHARES

Pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste

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JULIO CESAR PASCALE PALHARES

SÃO CARLOS - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 06/09/2015

Caro Ronaldo, como empresa de pesquisa a Embrapa não faz propaganda e não defende nenhum sistema produtivo. Nosso objetivo é avaliar os diversos sistemas existentes e gerar informações para que produtores e a sociedade brasileira tomem suas decisões.
JULIO CESAR PASCALE PALHARES

SÃO CARLOS - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 26/08/2015

Caro Fernando, obrigado pelo comentários. Algumas considerações sobre os pontos que coloca

1 - Não é porque o alimento venha de outras propriedades que não se deve considerar essa água no sistema de produção de leite. Portanto, não seriam utilizados apenas 3 ou 4 litros de água por litro de leite se não fosse utilizada a irrigação.

Você está certo em sua afirmação, a água que vem na forma de grãos de outras regiões consumiu água. Na avaliação da pegada hídrica calculamos isso e chamamos de água verde. Neste artigo mostramos somente os resultados da pegada azul. Importante dizer que a ideia não é condenar a irrigação. Essa é um prática importante e que deve ser utilizada, como você mesmo diz "de modo a otimizar o uso de água, aplicando o mínimo necessário, e não somente quando a disponibilidade de água é restrita em determinado local" O objetivo deve ser sempre o uso eficiente da água, seja na irrigação, na dessedentação dos animais, na lavagem das instalações, etc.

2 - Considerando a água efetivamente consumida, a conta fica bem menor. A avaliação da pegada só considera a água efetivamente consumida. O que foi captado, mas não utilizado, não entra na conta. O leite não é 100% água, em média 87%, mas avaliações ambientais como a da pegada hídrica, pegada de carbono, análise de ciclo de vida, entre outros partem da premissa que o consumo de recursos naturais, energia, insumos, etc., não se referem somente ao que está contido no produto, mas o utilizado pelo sistema de produção e pela cadeia produtiva. Por isso que no caso da pegada, sempre teremos uma relação de vários litros de água por litro de leite
JULIO CESAR PASCALE PALHARES

SÃO CARLOS - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 26/08/2015

Caro Roberto, perfeito em seus dizeres "Descaracterizar a produção animal ou agro-industrial ou mesmo agropecuária como o grande utilizador será difícil pois os dados são evidentes...porém mostrar que o uso é eficiente e colaborador para o meio ambiente deve fazer parte de nossa agenda diária, resultando em uma visão positiva para a sociedade que pouco conhece os métodos produtivos."

Temos que mostrar para sociedade brasileira que sim, necessitamos de água em quantidade e com qualidade, para produzir alimentos, mas fazemos isso com responsabilidade e eficiência. Por exemplo, se fosse uma realidade as propriedades terem um ou mais hidrômetros instalados, equipamento utilizado para medir o consumo de água, isso seria um bom exemplo a ser dado. Vamos continuar trabalhando, como atores dessa cadeia de produção, em busca dessa eficiência hídrica
JULIO CESAR PASCALE PALHARES

SÃO CARLOS - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 26/08/2015

Caro Alex Resende agradeço seus comentários. Acredito que a conversa é parte integrante do processo de evolução para termos nossas produções animais com melhor eficiência hídrica. E é isso que estamos buscando em nossos trabalhos na Embrapa Pecuária Sudeste, propor manejos que melhorem a relação litros de água por quilograma de leite

Quando usamos o método de avaliação da pegada hídrica, o consumo é entendido como a água que foi EFETIVAMENTE utilizada na produção do produto. Exemplos: as águas que escorrem pelo solo ou que infiltram neste ou as que utilizamos em devolvemos para natureza, não são computadas como consumo.

Concordo que quando usamos a técnica de irrigação iniciamos vários processos hídricos no solo, na propriedade e na bacia hidrográfica em questão, se a técnica vai ser benéfica ou causar impactos negativos, depende de como será utilizada e manejada.

A Embrapa Pecuária Sudeste tem projetos para avaliar todos os fluxos hídricos de sistemas de produção de bovinos de leite e de corte a com isso, propor práticas e manejos que possibilitem o uso mais eficiente da água.
FERNANDO CAMPOS MENDONÇA

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 24/08/2015

Olá, Julio e demais participantes desta discussão. O artigo é muito interessante, mas a meu ver negligencia três pontos, a considerar:

1 - A produção de alimentos concentrados consome tanta, ou mais, água que a produção de forragem, e não é porque o alimento venha de outras propriedades que não se deve considerar essa água no sistema de produção de leite. Portanto, não seriam utilizados apenas 3 ou 4 litros de água por litro de leite se não fosse utilizada a irrigação.

2 - O manejo da irrigação deve sempre ser feito de modo a otimizar o uso de água, aplicando o mínimo necessário, e não somente quando a disponibilidade de água é restrita em determinado local.

3 - A água é usada na produção de leite, e não consumida. Há um grande retorno direto da água envolvida nesses sistemas de produção, na mesma propriedade rural. Portanto, ela sequer sai da bacia hidrográfica de onde foi retirada, a não ser por evaporação, para se transformar em nuvens e chuva. Em cada litro de leite há menos de um litro de água, pois o leite não é 100% água. Portanto, considerando a água efetivamente consumida, a conta fica bem menor.
RONALDO MARCIANO GONTIJO

BOM DESPACHO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 24/08/2015

Na realidade qual foi a intenção deste artigo? Propaganda do leite orgânico? Na minha opinião o fato de não usar adubo químico e antibióticos não economiza água dentro da fazenda.
JULIO CESAR PASCALE PALHARES

SÃO CARLOS - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 22/08/2015

Aos que aqui colocaram suas opiniões e reflexões ressalto que é esse é o melhor jeito para melhorarmos o uso de nossos recursos naturais, A PARTICIPAÇÃO. Quanto mais discutirmos o tema água, mais rápidos atingiremos uma situação de conforto hídrico. A produção de leite, bem como as outras produções animais necessitam de água em quantidade e com qualidade. Precisamos ter o manejo da água como uma atividade diária de nossas produções.
EDIVALDO MAURICIO CAMARGO CAMARGO

ENTRE RIOS DE MINAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 21/08/2015

Caros amigos, esse tema é de suma importância, mas para isso essa troca de informação deveria chegar aos nossos governantes. Pessoas essas que não estão preocupados com o nosso  país. Os responsáveis por esse desequilíbrio. Nunca tiveram uma punição. Os Usineiros, Grandes Latifundiários, Empresas fortes de desmatamentos. Esse pessoal soreou rios, entupiu nascentes, soreou açudes e nada foi feito. Ai veio uma lei para se plantar arvores e nada foi feito. Mais tarde o governo diminuiu a quantidade de metros de preservação do rios. No estado do Paranã   tem uma cidade que tem uma equipe que reconstruí minas as mesmas com um determinado anos voltam a jorrar agua para todo lado. Não vim ninguém, nenhuma prefeitura governo investir nesse trabalho. Criar  equipe  nesses sentido. Só ouço falar em falta de agua cobrar mais caro, por todo lugar que ando vejo desleixo com a natureza. Agua nos temos muito basta trabalhar um pouco. É tanto milhões pra copa, milhões sonegados, milhões lava jato, milhões para olimpíadas. E para o futuro do nosso pais. Só apenas se Deus quiser. O homem tem que fazer a sua parte. Obrigado       
NELSOMAR PEREIRA FONSECA

MUTUM - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/08/2015

E muito importante o reuso da água, mais importante  e fazer o mesmo em todos os setores. Realmente, somente com esta deficiência hídrica, esta falta de chuvas em todas regiões, principalmente na caixa dágua do país. E na crise que achamos as soluções de nossos problemas. Mas gostaria de apresentar uma sugestão, para aumentar as nossas reservas de água. Que revogasse a lei de se fazer outorga para fazer represas em nossas propriedades, fazer açudes ou outros meios de reter as águas.  Pudéssemos estar sendo incentivados a realizar estas pequenas obras, pois estas sim iriamos aumentar as águas, o lençol freáticos, proteção de nascentes, pois produtor de água também e quem não a deixa perder sem nenhum contole para os rios e os mares.

O produtor rural precisa ser reconhecido como defensor do meio ambiente, mostrando que quem realmente polui e o setor urbanho com o lixo e os esgotos.

Abracos.

Nelsomar Pereira Fonseca

              
JOSÉ OLÍMPIO DIAS DE FARIA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 18/08/2015

Prezados Amigos.

Saudações.

Recomendo a leitura do livro " Agua no século XXI- Administrando a Escassez" do Professor José Galizia Tundisi.


ROBERTO DE ANDRADE BORDIN

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 18/08/2015

Olá amigos bom dia....bom tema para discutir.



O reuso de água é muito importante para minimizar o uso inadequado e as perdas durante o processo produtivo. Indiferente do sistema o uso racional preconiza uma melhor "poupança deste recurso". Concordo que poluição das nossas águas seja um assunto bem pontual. Descaracterizar a produção animal ou agro-industrial ou mesmo agropecuária como o grande utilizador será difícil pois os dados são evidentes...porém mostrar que o uso é eficiente e colaborador para o meio ambiente deve fazer parte de nossa agenda diária, resultando em uma visão positiva para a sociedade que pouco conhece os métodos produtivos.



abs
KLÉBER RESENDE

BOM SUCESSO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/08/2015

Prezado Dr. Júlio



Gostaria de fazer um comentário que acho de grande importância nestes estudos de consumo de agua.

Se mensurarmos apenas o consumo podemos induzir os leitores a acharem um absurdo o consumo de agua para se produzir um litro de leite, e daqui a pouco termos medidas para dificultarmos a utilização da agua.

SERIA IMPORTANTE que os especialistas que estudam a utilização da agua avaliassem também o quanto desta agua retorna ao solo e abastece as nascentes e os mananciais de agua, o quanto desta agua já teria deixado a propriedade e retornou com o uso da irrigação. Acho que o que pudermos fazer para segurar esta agua antes que ela chegue ao mar seria bom para reabastecer os mananciais.

Desculpe os comentários, mas estou intrigado em ver a mídia, de forma simplista, imputar um ônus (que eu acho que não tem) ao setor agrário. Para mim a irrigação retarda a ida da agua de chuva para o mar, e quanto mais nos reciclarmos e retardarmos isto estaremos trazendo benefícios a todos, mantendo a agua em nossos mananciais.

O grande problema, na minha opinião, é guando poluímos nossas aguas, e isto as cidades e o setor industrial são os grandes poluidores.



Atenciosamente



Alex Resende
MilkPoint AgriPoint