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Impacto econômico da eficiência reprodutiva na bovinocultura leiteira

POR GRUPO APOIAR

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EM 27/09/2017

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O leite é uma atividade econômica que envolve muitos recursos como terra, máquinas, benfeitorias, animais e mão de obra. A eficiência é conseguir o melhor resultado possível com a otimização do uso destes recursos, e a mesma pode determinar a lucratividade e a viabilidade econômica da fazenda de leite. Desta forma, em busca desta eficiência, há uma série de possibilidades e de desafios, em todos os setores da fazenda (nutrição, reprodução, sanidade, gestão etc), que vão determinar se a fazenda está caminhando para uma perspectiva de crescimento na atividade e superação dos desafios do mercado ou está do lado das que podem fechar as portas.

Neste artigo vamos debater sobre a eficiência reprodutiva e suas consequências para a atividade leiteira. Eficiência reprodutiva consiste em conseguirmos tornar a vaca gestante o mais rápido possível após o período de espera voluntária. Isso permitirá ter menos vacas secas em rebanhos com menor persistência de lactação e menor quantidade de vacas com baixa produção (em final de lactação) em rebanhos com boa persistência de lactação. Além disso, o número de animais para reposição poderá ser maior, pelo maior número de partos, permitindo também maior pressão de seleção no rebanho que resultará em um aumento no ganho genético.
 
reprodução gado de leite

Quais indicadores devo considerar para avaliar a eficiência reprodutiva do meu rebanho?

Intervalo entre partos: é comumente utilizado, entretanto representa uma avaliação apenas de animais que ficaram gestantes, não avalia os animais que permaneceram vazios, não leva em consideração vacas de primeira cria e está relacionado ao trabalho reprodutivo realizado nos últimos nove meses. Portanto, pode não ser o melhor indicador a ser utilizado. Precisamos de um indicador que avalie a eficiência reprodutiva de forma recente, pois desta forma, podemos tomar decisões mais rápidas para corrigir os erros e impedir que a eficiência reprodutiva seja prejudicada.

Taxa de prenhez:
é considerada um dos indicadores mais eficazes por apontar o desempenho reprodutivo da fazenda. É definida pela porcentagem de vacas que ficam prenhas em um intervalo de 21 dias do total de vacas aptas a serem inseminadas. Desta forma, os fatores que determinam a taxa de prenhez são: o número de vacas que são inseminadas dentre o total de vacas aptas (taxa de serviço) e o número de vacas que ficam gestantes dentre as inseminadas (taxa de concepção):
 
Taxa de Prenhez (TP) = Taxa de Serviço (TS) x Taxa de Concepção (TC)
 

Para entender melhor a importância de avaliar os índices reprodutivos em sua fazenda, veja abaixo uma estimativa econômica que realizamos comparando duas diferentes taxas de prenhez em um mesmo rebanho.

Qual é o impacto econômico da melhoria dos índices reprodutivos em uma fazenda leiteira?

Para entender o impacto da eficiência reprodutiva em uma fazenda leiteira, avaliamos dois cenários em uma fazenda com 150 vacas em lactação, com boa persistência de lactação e com produção média de 7.500 litros de leite/lactação.

• Cenário 01: Taxa de prenhez (média do ano): 15%
• Cenário 02: Taxa de prenhez (média do ano): 23%

Neste exemplo, com a melhora na taxa de prenhez, a média de dias em lactação (DEL) das vacas é reduzida de 204 (Cenário 01) para 181 DEL (Cenário 01) (Figura 1). Isso ocorre por que as vacas vão emprenhar mais rápido e, consequentemente, serão secas com DEL mais baixo, o que irá reduzir o DEL médio do rebanho.

Figura 01: Média de produção de leite DEL de acordo com os cenários avaliados.

Média de produção de leite DEL de acordo com os cenários avaliados
No cenário 01, a fazenda tinha uma média de produção/vaca/dia de 21,2 litros enquanto que no cenário 02 a fazenda passou a ter uma média de produção/vaca/dia de 22,4 litros. Ou seja, com o aumento da taxa de prenhez a fazenda passa a ter um maior número de animais mais próximos do pico de lactação, e, consequentemente, maior eficiência produtiva. Esta mudança na média de produção impacta diretamente no faturamento da fazenda:

• 150 vacas em lactação x 1,2 litros de leite x 365 dias = 65.700 litros de leite/ano a mais produzidos em resposta ao aumento da taxa de prenhez de 15% para 23%.

Considerando um preço médio de leite de R$ 1,40 reais/litro temos:

• 65.700 litros x R$ 1,40 = R$ 91.980 reais.

Além do ganho na média de produção, a melhor eficiência reprodutiva também resultou em um maior número de partos no cenário 02. A fazenda do cenário 02 teve em um ano 14,5 vacas a mais parindo, ou seja, um ganho de 14,5 lactações.

• 14,5 lactações x 7.500 litros x R$1,40 reais = R$ 152.250,00 reais.

Desta forma, no cenário 02 a fazenda terá um aumento no seu faturamento anual de R$ 244.230,00 reais.

Além disso, a taxa de prenhez também impactou em outros indicadores econômicos.
Para entender estes indicadores, precisamos conhecer alguns conceitos:

• Custo operacional efetivo (COE): é a soma do valor desembolsado pela fazenda para pagar os insumos necessários para a produção de leite, como: concentrados, volumosos, mão de obra, medicamentos, sal mineral, produtos de ordenha, assistência técnica, energia, combustíveis, impostos e taxas, manutenções de benfeitorias e de máquinas e outras despesas.

• Custo operacional total (COT): é a soma do COE com o valor das depreciações e pró-labore do proprietário e demais familiares envolvidos na atividade.

• Margem líquida (ML): Receita bruta (RB) – COT.

• Taxa de giro do estoque de capital: RB/Estoque de Capital Investido.

• Lucratividade operacional: ML/RB.

• Taxa de remuneração: Taxa de Giro do Estoque de Capital x Lucratividade Operacional

Com a melhoria na taxa de prenhez, de 15% para 23%, houve diluição de alguns itens do COE, as depreciações e os pró-labores, o que aumenta significativamente a ML da fazenda. No cenário 01, a margem líquida foi de R$ 0,18/litro de leite e no cenário 02 de R$ 0,27/litro. Ou seja, a eficiência reprodutiva ajudou a aumentar em 50% a margem líquida. Isso impactou na lucratividade operacional do negócio que no cenário 01 foi de 12,9% e no cenário 02 de 19,0%.

Este aumento no faturamento também impactou diretamente na taxa de giro do estoque de capital que no cenário 01 foi de 58,9% e no cenário 02 de 66,7%. Uma vez que a taxa de remuneração do capital é a multiplicação entre a taxa de giro do estoque de capital pela lucratividade, conseguimos aumentar a taxa de remuneração da atividade de 7,6% no cenário 01 para 12,6% no cenário 02. Portanto, com o aumento na eficiência reprodutiva, pode-se aumentar a taxa de remuneração da atividade tornando a fazenda um negócio mais atrativo e menos susceptível às oscilações no custo de produção e às oscilações de preços do leite.

Quais fatores podem determinar a taxa de prenhez de um rebanho?

Visando a aplicação de estratégias que aumentem a eficiência reprodutiva da fazenda, precisamos pensar como melhorar os indicadores de taxa de serviço e concepção. Diversos fatores podem afetar os índices reprodutivos de uma fazenda, e na maioria das vezes minimizar os fatores de risco para cada um deles pode não ser uma tarefa fácil.

• Inseminador, observação de cio, e uso de inseminação artificial em tempo fixo (IATF): os procedimentos adotados durante a inseminação artificial foram apontados como fatores importantes que podem determinar a taxa de concepção. Destacamos que é de extrema importância o treinamento, acompanhamento e reciclagem dos inseminadores sobre esta técnica. Além disso, os resultados precisam ser medidos e apresentados, pois é necessário que cada inseminador saiba o seu desempenho, para que possam buscar melhorias. A observação de cio foi apontada como um fator impactante na eficiência reprodutiva, já que há diversos fatores que interferem na sua ocorrência e duração. Por este motivo, a utilização da IATF visa aumentar o número de vacas que são inseminadas e reinseminadas após o diagnóstico de gestação negativo. Adicionalmente, a técnica de IATF também pode auxiliar no aumento da taxa de concepção, pois a alta produção de leite aumenta a taxa de metabolização de hormônios sexuais, os quais são suplementados nos protocolos de IATF.

• Alimentação: para otimizar o desempenho produtivo, saúde e índices reprodutivos das vacas, deve-se adotar o uso de dietas balanceadas para os período pré-parto (close-up), pós-parto e de alta produção. Para cada um destes período, a dieta deve ser balanceada para maximizar o consumo de alimentos, minimizar a intensidade e duração do balanço energético negativo e atender um mínimo de fibra efetiva recomendado, sem esquecer da importância de microelementos e adequado balanceamento proteico. Por fim, após o pico de produção, as vacas têm a chance de recuperar o escore de condição corporal perdido durante o balanço energético negativo, porém, este ganho de condição corporal deve ser controlado, especialmente no terço final de lactação e atender o escore corporal objetivado pela fazenda.

• Doenças puerperais: o conforto térmico pré-parto e a adequada alimentação podem reduzir significativamente a ocorrência dessas doenças. O aumento no fornecimento de vitamina E durante o período de transição (importante antioxidante), por exemplo, foi associado a redução da ocorrência de retenção de placenta e metrite. A utilização de dietas aniônicas no pré-parto também é muito reconhecida pelo potencial de redução de doenças pós-parto. A ocorrência de doenças puerperais faz com que haja maiores chances de ocorrência de endometrite, doença uterina de caráter crônico que ocorre após as três primeiras semanas pós-parto. A taxa de concepção de vacas com endometrite é cerca de 20% menor quando comparado a vacas sadias.

• Conforto térmico: o estresse térmico é um dos principais fatores que reduzem as taxas de concepção e serviço, principalmente em rebanhos de alta produção. Na atualidade, as estratégias mais utilizadas incluem o fornecimento adequado de sombra durante todo o dia, ventilação com aspersão na pré-ordenha e linha do coxo, bem como adequada construção de instalações que permitam uma boa ventilação do local.

• Doenças reprodutivas: a realização de diagnóstico de animais persistentemente infectados com BVD e brucelose é necessário, os quais devem ser eliminados do rebanho para reduzir a transmissão destas doenças. Vale ressaltar que as estratégias de biosseguridade tornam-se extremamente necessárias do ponto de vista sanitário, sejam elas com o controle da monta natural (potencial para transmissão de doenças reprodutivas), controle de roedores (potencial para transmissão de leptospirose) e desinfecção de ambientes contaminados por líquidos ou membranas fetais provenientes de abortos.

Para que todo esse trabalho preventivo seja realizado, é necessária a realização de um planejamento estratégico de atuação de todos os recursos humanos envolvidos na fazenda. Melhorar a eficiência reprodutiva não é tarefa simples, porém, pode trazer resultados que determinam a lucratividade do negócio.

GRUPO APOIAR

O "Grupo Apoiar" foi criado com o objetivo de auxiliar no desenvolvimento da pecuária leiteira, através de trabalhos de pesquisa e de consultoria em diversos segmentos da cadeia agroindustrial do leite.

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