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Aumentando o potencial de produção: pontos-chave para a melhoria da rentabilidade das fazendas

POR GRUPO APOIAR

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EM 02/07/2019

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Com custo de produção próximo ao valor pago pelo leite, o aumento de dois a cinco litros de leite em média e do teor de sólidos do leite podem ser necessários para a manutenção de margens que permitem a sustentabilidade do negócio.

Para a otimização da produção de leite, o período de transição é um ponto chave para o aumento do potencial de produção. O período de transição que compreende o pré e pós parto, definem o quão bem sucedida a vaca será em sua lactação. Manter a condição corporal das vacas adequada é um dos pontos de maior importância para o estabelecimento de um bom início de lactação.

A maioria dos problemas metabólicos que prejudicam a produção de leite ocorrem quando as vacas estão com escore de condição corporal alto. Em adição, quando as vacas estão com o escore de condição corporal baixo, a produção de leite no início da lactação é baixa. Em uma escala de 5 pontos, um escore de condição corporal adequado para a vaca ao parto é de 3,25.

Escore de condição corporal alto, pode ocorrer devido a:

  • Dias em aberto longos – a concepção demora muito tempo para ocorrer, o que gera lactações estendidas e período de balanço energético positivo muito longo (final da lactação);
  • Dietas excessivamente ricas em energia, em especial no final da lactação.

Escore de condição muito baixo pode ocorrer devido a:

  • Baixa ingestão de matéria seca durante a lactação, devido a espaço de coxo reduzido, estresse térmico, ou fatores dietéticos que reduzem o consumo como dietas excessivamente ricas em óleos, amido, pobres em proteína ou com fibra de baixa digestibilidade;
  • Dietas com baixa quantidade de energia e proteína, devido a pastagens ou silagens de baixa qualidade associadas a suplementação com concentrado pobre;
  • Alimentação pobre durante o período seco, com a alojamento de vacas secas em pastos de baixa qualidade sem suplementação energética e proteica, ou sem condições mínimas de conforto como sombreamento e locais de acesso a água próximos;
  • Baixos períodos de descanso e ruminação, influenciados por estresse térmico, longos períodos de ordenha ou até mesmo camas que não fornecem conforto.

Além disso, mesmo que a vaca chegue ao parto com bom escore de condição corporal, o ideal é que a perda de escore de condição corporal do parto até o pico não seja superior a 0,75 ponto de escore. Para isso, no início da lactação, deve ser prevenido:

  • Doenças como retenção de placenta, metrite e cetose, já que podem reduzir o consumo de matéria seca e aumentar o gasto energético para o combate a infecções;
  • Disputas de cocho - o ideal é que haja no mínimo 75 cm de cocho nesta fase;
  • Teores balanceados de fibra, proteína e energia, principalmente nos primeiros 21 dias em lactação, fase em que o consumo de matéria seca é reduzido.

Para que a vaca chegue ao parto com escore de condição corporal adequado e que não haja grande perda de escore de condição corporal ao parto, é importante garantir:

  • Mesmo ou melhor conforto para as vacas durante o período seco, quando comparado ao fornecido para as vacas em lactação;
  • Realizar o monitoramento de doenças como metrite, cetose no pós parto imediato e o estabelecimento de protocolos de tratamentos para essas doenças;
  • Separação de lote pós-parto, com dietas específicas para essa fase;
  • Produzir silagens e pastagens de boa qualidade;

Realizar a intensificação da reprodução, através da prevenção e tratamento de doenças uterinas, aumento da observação de cio e estabelecimento de rotinas protocolos de IATF quinzenais ou semanais e corrigindo os pontos de falha da concepção;

Garantir que as novilhas cheguem com peso suficiente para a reprodução (55% do peso adulto) e bom escore de condição corporal de 13 a 15 meses, já que extremos de escore pioram a concepção;

Garantir alta produção de sólidos do leite é importante para um bom desempenho de vacas leiteiras como também para o aumento do valor do litro do leite. Vacas com baixo teor de sólidos geralmente estão se alimentando em quantidade insuficiente ou com dietas desbalanceadas. Os prejuízos neste caso não se resumem a baixa produção de sólidos no leite, mas também associadas a baixa produção de leite, reprodução ruim e aumento do gasto com tratamentos.

Quando realizamos um comparativo, o aumento dos teores de sólido do leite de 3,3% de gordura para 3,8% e 3,1% de proteína para 3,3%, representa um aumento de R$ 0,04 no valor pago pelo litro do leite, ao utilizarmos tabelas de pagamento dos principais laticínios brasileiros. Apesar do aumento ser pequeno, quando comparado ao pagamento por sólidos de outros países, o aumento de R$ 0,04 no litro do leite pode representar até 3% em adicional do preço recebido. Aumentar a margem de lucro em 3% não é uma tarefa fácil. Para um produtor de 1000 litros diários, este aumento representa em um ano o equivalente a R$ 14.600,00.

Os teores de sólidos do leite são influenciados em grande proporção pela baixa ingestão de matéria seca. Nos meses de verão e primavera por exemplo, período em que há redução da ingestão de matéria seca por estresse térmico, pode haver redução dos teores de sólidos do leite. A redução do teor de proteína ocorre pela menor ingestão de proteína e energia, componentes essenciais para a síntese de proteína do leite. Já o teor de gordura, tende a reduzir pela menor ingestão de fibra e padrão de consumo de matéria seca irregular, que pode aumentar o risco de acidose subclínica e, por consequência, a redução da síntese de gordura do leite.

Outras causas para a redução dos teores de gordura são:

  • Ingestão de dietas com altas quantidade de milho (dietas de alto amido), provenientes principalmente de fontes de alta digestibilidade como grão úmido de milho e silagens de alto amido;
  • Ingestão em grande quantidade de óleos na dieta;
  • Dietas com teores de FDN, FDN de forragem ou FDN fisicamente efetivo baixos.

Outras causas para a redução do teor de proteína são:

Falta de suplementação com concentrado em dietas de vacas leiteiras, o que pode gerar baixos teores de amido e proteína necessários para a síntese de proteína microbiana no rúmen, que tem seus aminoácidos utilizados na síntese de proteína no leite.

Para a maximização da síntese de sólidos do leite é importante:

  • Trabalhar junto com o nutricionista para a determinação dos principais fatores responsáveis pela depressão dos sólidos do leite e traçar estratégias para aumentar o desempenho produtivo;
  • Realizar o fornecimento de fontes de fibra fisicamente efetiva na dieta, que aumentam os períodos de ruminação e reduzem o risco de acidose subclínica;
  • Realizar adequado processamento de grãos de silagem, garantindo maior aporte de carboidratos no rúmen;
  • Realizar balanceamento de carboidrato e proteína de forma a garantir teores adequados, sem faltas e excessos;
  • Determinar os fatores responsáveis por quedas de consumo e corrigi-los, a fim de maximizar o consumo de matéria seca.

Referências bibliográficas

ISHLER, V. A. (2019a). Dairy Sense: Keeping Milk Components Strong. p. 1. Retrieved from https://extension.psu.edu/dairy-sense-keeping-milk-components-strong.

ISHLER, V. A. (2019b). Dairy Sense: Unlocking Added Potential. p. 1. Retrieved from https://extension.psu.edu/dairy-sense-unlocking-added-potential.

GRUPO APOIAR

O "Grupo Apoiar" foi criado com o objetivo de auxiliar no desenvolvimento da pecuária leiteira, através de trabalhos de pesquisa e de consultoria em diversos segmentos da cadeia agroindustrial do leite.

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JUSCELINO RAMOS JÚNIOR

AVELINÓPOLIS - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/07/2019

É muito simples falar em aumento de produção para diluir o custo de produção, porém, esse aumento de produção acarreta super oferta que acarreta diminuição de preços pago ao produtor. Isso é o famoso enxugamento de gelo e que temos que fazer é tentar equilibrar oferta e demanda, não existe outra fórmula.