FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO

Como podemos aumentar o consumo de leite no Brasil?

POR GRUPO APOIAR

GRUPO APOIAR

EM 23/01/2018

5
7

Nos últimos 20 anos, houve grande crescimento da produção de leite no Brasil. Até 2013, o aumento da população do país e o aumento do consumo per capta, absorveu grande parte dessa demanda crescente, porém, nos últimos anos, com a redução no crescimento populacional e aumento pouco expressivo do consumo per capta, só existe 2 formas para que não haja uma tendência crescente de excedente de produção (e consequentemente queda no preço de leite) no país: aumentar o consumo interno ou, aumentar as exportações de leite. Neste artigo vamos abordar algumas estratégias que poderiam ser utilizadas para aumentar o consumo de leite no Brasil.

Produtos derivados lácteos atendem a uma considerável parcela da exigência diária de proteínas, vitaminas e minerais. Esses alimentos oferecem cálcio prontamente disponível para o fortalecimento dos ossos, principalmente durante a adolescência, onde aproximadamente 60% da massa óssea é adquirida. Porém, nas últimas décadas, o consumo de derivados lácteos pelos adolescentes vem perdendo espaço, por exemplo, para os refrigerantes. Em um estudo feito no Brasil, a prevalência de consumo de leite foi maior no sexo feminino, idosos, residentes da região sul, e entre os indivíduos de maior renda per capta (Possa et al., 2017).

Por uma questão nutricional da população e econômica do país, é de extrema importância que sejam estudados os fatores que aumentam o consumo de láteos em toda a população e principalmente nos adolescentes. Em uma revisão de literatura realizada por pesquisadores da Universidade de Guelph, Canadá (Marquez et al., 2015), foi avaliado a eficiência de diversas intervenções que buscavam aumentar o consumo de derivados lácteos entre os adolescentes.

Dezessete intervenções (de 16 publicações) foram avaliadas, dessas 11 (aproximadamente 69%) foram classificadas como eficientes. As intervenções foram avaliadas quanto a duração, frequência, intensidade e efeito negativo na dieta (Tabelas 1 e 2). A eficiência da intervenção também foi avaliada de acordo com a técnica usada para a mudança de comportamento (Tabela 3).

Tabela 1 – Características das intervenções realizadas para aumentar o consumo de derivados lácteos (“puros” ou misturados com outros alimentos) em adolescentes.

Tabela 2: Características de frequência e intensidade das intervenções associadas com a eficiência da intervenção.

Tabela 3: Técnica de mudança de comportamento associada à eficiência da intervenção.

As intervenções eficientes apresentaram maior intensidade. Isso também já foi observado em intervenções para aumento de consumo de leite em crianças. A diferença mais notável entre estudos eficientes e ineficientes, foi a duração da intervenção (a média da nota de duração das intervenções eficientes foi 4, das intervenções ineficientes foi 2). A maioria das intervenções com maior intensidade duraram de 6 meses a mais de 1 ano, enquanto que as intervenções ineficientes duraram 5 meses ou menos. Pequenas diferenças foram notadas nas categorias frequência, contato e alcance.

A única categoria em que as intervenções eficientes apresentaram menor intensidade, foi a de contato, que descreve o grau de personalização da intervenção, sendo que quanto mais personalizado o contato, maior a intensidade. Curiosamente, os resultados desta categoria sugerem que o contato individual com adolescentes não é necessário para que haja mudança no consumo de derivados lácteos, ou seja, atingir essas pessoas em grupo (por exemplo na escola) é o suficiente, isso é importante para o planejamento das intervenções.

Apesar de não ser uma técnica explicita de mudança comportamental, o uso de tecnologia nas intervenções merece atenção. Nessa e em outras revisões, as intervenções que usaram tecnologia (internet) apresentaram bons efeitos na eficiência da intervenção, pois podem auxiliar em algumas técnicas de mudanças comportamentais, como: fornecer informações gerais, revisão dos objetivos comportamentais, fornecer oportunidades para comparação social, e planejamento para uma mudança/apoio social. Considerando a crescente influência da internet e mídias sociais sobre o comportamento das pessoas, é de extrema importância que sejam esclarecidos alguns mitos e falsas crenças que possam afetar o consumo de derivados lácteos.   

A revisão de literatura feita por Marquez et al. (2015), concluiu que foram identificadas algumas características de intervenções eficientes que resultaram no aumento de consumo de derivados lácteos (e/ou Cálcio), como revisão dos objetivos comportamentais, monitoramento e prática do próprio comportamento (hábito), dar feedback, promover oportunidades para comparação social, e ter breves conversas e aconselhamentos. Além disso, a intensidade da intervenção foi claramente associada à sua eficiência, principalmente em intervenções de maior duração.

E o que pode ser feito para atingir toda a população (inclusive fora do Brasil)?

·      Educar as crianças para continuarem a beber leite durante toda a vida (o consumo cai conforme a idade aumenta).

·      Enfatizar o valor nutricional dos derivados lácteos, aumentar a disponibilidade e satisfação dos consumidores.

·      Atender às mudanças do padrão de consumo tradicional do leite, com variedade de sabores e inclusão no estilo de vida (por exemplo, bebidas de café da manhã).

·      Associar uma dieta balanceada contendo derivados lácteos a atividades físicas.

·      Promover cursos para educadores (professores).

·      Promover integrações entre escola e fazenda.

·      Inserir no currículo das escolas a discussão sobre os benefícios dos derivados lácteos.

·      Ter produtos lácteos com diferentes teores de gordura.

·      Ter leites flavorizados com baixos teores de açúcar.

·      Conscientizar e educar adultos sobre o consumo insuficiente de Cálcio, e promover instruções específicas de como o hábito de consumir produtos lácteos pode ser inserido em suas vidas.

·      Ter mensagens distintas para públicos distintos. Por exemplo: homens preferem informações com fatos bem embasados, mulheres preferem mensagens saudáveis e de bem-estar, e desaprovam apelos estéticos.

·      Combinar leite e derivados lácteos com outras comidas.

·      Atingir a família como um todo, não apenas a criança, engajando diretamente os pais.

·      Aumentar o consumo de produtos lácteos em países com baixo consumo: a venda de leite embalado, ao invés de leite não embalado, direto para consumidores de outros países, pode aumentar o consumo de pessoas que já possuem o hábito de tomar leite.

·      Ajustar as variedades de sabor para atender a diferentes paladares pode ser uma estratégia chave para aumentar o mercado em países como Índia e Paquistão.

·      Inserir produtos lácteos como parte da dieta tradicional de alguns países, como China e Vietnã.

Marketing

A estratégia de marketing mais conhecida (e talvez mais impactante) que objetivou o aumento no consumo de derivados lácteos, foi a “Got Milk”. Essa “campanha” teve 3 fases principais:

Fase 1: aumentar o número de consumidores de leite associando-o a comidas, celebridades e ocasiões.

Fase 2: aumentar o consumo de leite em pessoas que já consumiam este produto. Através de uma imagem de que beber leite é legal e interessante!

Fase 3: desenvolvimento de novos produtos que utilizam leite, através de parcerias com grandes redes alimentícias (por exemplo, Macdonald’s).

Mais detalhes da campanha “Got Milk” e a viabilidade de marketing institucional no Brasil, podem ser conferidos nos seguintes endereços eletrônicos: (https://are.berkeley.edu/~sberto/2009Got_Milk.pdf); (https://www.milkpoint.com.br/cadeia-do-leite/editorial/marketing-institucional-para-aumentar-o-consumo-de-leite-no-brasil-93082n.aspx).

No Brasil, recentemente foi lançada uma campanha que objetiva aumentar o consumo de leite, a “Beba mais Leite” (http://www.bebamaisleite.com.br/), que está promovendo os benefícios do consumo de lácteos à saúde. Vamos torcer e apoiar esta iniciativa para obter bons resultados de conscientização dos brasileiros sobre o leite!

Por fim, pode-se concluir que existem diversas ações que podem ser realizadas com o objetivo de aumentar o consumo de derivados lácteos no Brasil. Talvez, ainda estejamos “engatinhando” nesse processo, pois ainda existe muita falta/falha de informação a respeito dos benefícios nutricionais do leite. Em grande parte do mundo, os benefícios na saúde promovidos pelos derivados lácteos são quase que inquestionáveis (não é à toa que a OMS recomenda um consumo de 200 litros/habitante/ano), porém no Brasil, parece que poucas mídias estão interessadas em falar a verdade (argumentos técnicos e pesquisas bem embasadas) sobre o leite.

Referências:

Marquez O., Racey M., Preyde M., Hendrie G., e Newton G. Interventions to increase dairy consumption in adolescents. 2015. ICAN: Infant, Child, & Adolescent Nutrition. Vol 7, Issue 5.

Possa G., Castro M., Sichieri R., Fisberg R., e Fisberg M. Consumo de lácteos e derivados no Brasil está associado com fatores socioeconômicos e demográficos: resultados do Inquérito Nacional de Alimentação 2008-2009. 2017. Rev. Nutr. vol.30 no.1 Campinas.

GRUPO APOIAR

O "Grupo Apoiar" foi criado com o objetivo de auxiliar no desenvolvimento da pecuária leiteira, através de trabalhos de pesquisa e de consultoria em diversos segmentos da cadeia agroindustrial do leite.

5

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe MilkPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

ALESSANDRO

CASSILÂNDIA - MATO GROSSO DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 25/01/2018

bom dia...
O problema não e aumentar o consumo de leite, para podermos resolver a crise no setor produtivo, temos que dar valor e credito ao leite produzido no Brasil, nos somos auto sustentáveis, NOSSO MAIOR PROBLEMA É A IMPORTAÇÃO DE LEITE, NÃO O CONSUMO DE LEITE E DERIVADOS.
MARCELO PEREIRA DE CARVALHO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 25/01/2018

Alessandro, infelizmente não é esse problema, ou não é o único e nem principal problema do leite no país. As importações caíram 32% em 2017, e veja o que houve com o preço. Neste ano, elas representaram 5,3% do nosso consumo formal. Se considerar o leite informal na conta, cai para 3,7%. Ou seja, 96,3% do nosso consumo é produção interna. E foi justamente essa produção que aumentou e causou a situação verificada no ano passado, além, é claro, do baixo consumo em função de 3 anos seguidos de crise.

Claro que as importações trazem leite para dentro e, em determinados momentos, podem ser o fator decisivo. Mas os dados mostram claramente que não foi o problema neste ano, e isso é importante sabermos para "acertarmos de problema".

O artigo que traz as informações sobre consumo é https://www.milkpoint.com.br/noticias-e-mercado/giro-noticias/importacoes-caem-32-em-2017-206347/.

Obrigado pela sua participação!
JORGE ALMEIDA

CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 24/01/2018

E necesssario disciplinar via MAPA os compostos, com predominancia de soro em po, gordura vegetal que vem substituindo o leite de vaca no Norte e Nordeste com as formulações a base derivados de milho e arroz, e leite que nao esta sendo consumido inclusive em Escolas e outros programas de alimentação estatais, e necessario que o produtor exija somente leite nas formulações, pois fica mais barato para industria importar soro e acrescer a estes produtos (enriquecidos)
DIVANIR RUBENICH

CARLOS BARBOSA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 23/01/2018

Texto com excelente abordagem.
Aumentar o consumo de leite através do ensinamento de seus BENEFÍCIOS É FUNDAMENTAL.
Utilizar as redes sociais na divulgação dos mesmos também é extremamente necessário, dado a importância que as mesmas tem sobre as pessoas.
Melhorar e aumentar o marketing sobre o leite também é preciso, a exemplo dos refrigerantes.
Incrementar a exportação de lácteos, pois temos leite e derivados com qualidade para competir.
Vemos então que temos diversas ações a serem tomadas para estimular o consumo consciente e saudável do LEITE, aumentando a demanda e melhorando a economia do setor.
GRUPO APOIAR

PATOS DE MINAS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 24/01/2018

Divanir, agradecemos seu comentário. Você pode ler também outros artigos, através do nosso site: www.grupoapoiar.com

Abraços!