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O que limita o produtor usar novas tecnologias?

A tecnologia vem facilitando a vida do produtor de leite, aumentando produtividade, lucratividade (desde que bem empregada),  assertividade e otimizando o manejo. Porém, nem todos os produtores são adeptos às novas tecnologias. Em um primeiro momento a reação de alguns é contrária, existindo algumas "travas" que os impedem de aderir. Na verdade, muitos fogem do assunto.

O medo de encarar situações não vivenciadas antes é mais comum do que parece e possui até uma nomenclatura: cainofobia. Essa palavra, de origem grega (Kainos = novo), tem como significado medo exagerado da novidade, de novas situações ou de novas teorias.

Cristiane Moraes Pertusi, doutora em psicologia do desenvolvimento humano pela Universidade de São Paulo (USP), explica que esse medo afeta o nosso psicólogico e físico. O novo, para os seres humanos, aciona instintos de sobrevivência, de proteção frente ao desconhecido, o que é inicialmente uma resposta automática (fisiológica e psíquica) de defesa.

Calestous Juma, professor de ciência, tecnologia e relações internacionais da Escola Kennedy de Harvard, passou 16 anos estudando a resistência às mudanças tecnológicas ao longo da história.

O fruto dessa pesquisa é o livro Innovation and Its Enemies: Why People Resist New Technologies (Inovação e seus inimigos: por que as pessoas resistem às novas tecnologias, em tradução livre), ainda sem versão em português.

Na obra, Juma relata quatro tipos principais de razões (há mais) para a resistência à inovação.

A primeira é a resposta intuitiva à novidade. Para exemplificar, a energia elétrica, quando incomum na sociedade, era vista como uma ameaça séria à vida, até mais que o fogo, cujas formas de controle eram dominadas.

Outro fator são os interesses pessoais, como o medo de perder o emprego para uma máquina ou de um tipo de produto parar de ser vendido por conta do surgimento de outro. Aqui, a resistência não se deve ao novo, mas à percepção de prejuízo em potencial.

O terceiro é, provavelmente, o que mais se manifesta nos dias atuais: os desafios intelectuais. Uma pessoa pode ter mais dificuldade para dominar um novo artefato ou a tecnologia pode ser empregada de forma tão intensa que ela é tida como uma afronta à natureza: uma linha de produção que só tem robôs, por exemplo, pode transmitir uma ideia de "desumanização".

Por fim, há o fator comportamental: um modelo de negócio que muda a forma como lidamos com determinadas situações cotidianas pode ser entendido como uma ameaça. Exemplificando, muitas pessoas questionam a segurança do uso do celular para pagar contas em detrimento de fazê-lo no caixa do banco. Note que há legitimidade em todos os argumentos. Isso é bom: toda tecnologia pode ter seu lado ruim, logo, os questionamentos são importantes para que haja razoabilidade, equilíbrio e segurança na sua adoção. 

Problemas surgem quando, independente do motivo, não existe abertura para discussão ou estudo desses aspectos. Essa resistência pode acabar levando a um quadro de tecnofobia.

Como nós produtores podemos enfrentar isto e aceitar de forma mais rápida as tecnologias (que estão aí para nós ajudar)?

A informação é o melhor remédio para qualquer comportamento que se caracterize como tecnofobia. Se uma pessoa procurar entender os benefícios das tecnologias que ela repele, terá mais facilidade para aceitá-la: ela deixará de enxergar ali uma ameaça ou afronta. Como consequência, ela também terá mais disposição para aprender a usar a novidade.

Leonard F. Verea, médico psiquiatra formado pela Faculdade de Medicina e Cirurgia de Milão disse: "Para romper com a resistência, é preciso deixar de lado o velho comportamento e enfrentar o desafio e o novo. É necessário romper com sua Zona de Conforto".

Com todas estas informações em mãos, fica mais fácil entender os motivos que levam o produtor a resistir ao uso de novas tecnologias. As tecnologias estão aí para somar, adaptáveis a todo o tamanho de propriedade, cabe ao produtor escolher qual se adapta melhor a sua necessidade.

Toda a tecnologia que chega até nós já foi testada e comprovada, então vamos fazer bom uso delas, nos tornando produtores tecnificados e satisfeitos com nossos resultados.

FABRÍCIO NASCIMENTO

Produtor de leite em Jóia, Rio Grande do Sul, e palestrante.

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ADALBERTO RIBEIRO NETO

MORRINHOS - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 01/04/2020

Prezados, sou Adalberto Ribeiro, Produtor que paralisou a produção em 01/20, penso que o produtor de leite diferente e outras profissões tem medo sim de cultivar a tecnologia como sua aliada, no entanto não penso que é pelo medo do novo, mas sim medo de perder todo o seu patrimônio para pagar os equipamentos, isto devido a instabilidade na produção de sua matéria prima, o leite, veja que para manter seu rebanho, os insumos são cotados em dólar, o produtor só fica sabendo o que vai receber somente após ter entregue toda a sua produção e só recebe aproximadamente 30 dia após a entrega do último dia; imaginem investir em equipamentos, se não sabe se o que vai receber cobrirá seus gastos, neste sentido não considero a falta de tecnologia na produção de leite com medo do novo, mas medo da falta de segurança na manutenção da produção.
FABRÍCIO NASCIMENTO

CRUZ ALTA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 02/04/2020

Adalberto muito obrigado pelo comentário! Sua colocação está correta, isto que você citou é um dos medos, o medo do novo, cientificamente comprovado também é um dos medos que impede o produtor de aderir as novas tecnologias, o bom disso é que todos estes medos podem ser vencidos, e nós produtores corajosos que somos, enfrentaremos estes medos e faremos bom uso da tecnologia, extraído a máximo que ela tem para nós entregar .