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O leite e suas raízes

POR COOPERIDEAL - COOPERATIVA PARA A INOVAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA ATIVIDADE LEITEIRA

COOPERIDEAL

EM 03/08/2017

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O município de Dionísio Cerqueira está localizado no extremo Oeste de Santa Catarina, fazendo divisa ao norte com o município de Barracão no Estado do Paraná e a Oeste com a cidade de Bernardo de Irigoyen na Argentina. Essa região, colonizada por alemães e italianos, tem sofrido com intempéries climáticas, como tornados e secas prolongadas, cada vez mais comuns e que afetam significativamente a capacidade produtiva das propriedades locais que têm nas pastagens a base para alimentação dos rebanhos. Tais instabilidades causam um grande transtorno econômico para as unidades produtoras, principalmente para aquelas de pequeno porte, de cunho familiar e que têm na produção de leite sua principal fonte de renda.

Foto 1: Vista atual do Sítio Boa Vista - Dionísio Cerqueira-SC. 



As pequenas áreas e a produção diminuta (normalmente inferior a 100 litros/dia) definem o perfil produtivo dos produtores de leite dessa região. Outras dificuldades encontradas pelos produtores locais se referem ao relevo extremamente acidentado e ao excesso de pedras nas áreas a serem trabalhadas, situações que dificultam demasiadamente o estabelecimento de sistemas de pastejo e o manejo adequado dos rebanhos.

Diante dessas limitações, a grande maioria das propriedades leiteiras situadas na localidade da chamada tríplice fronteira tem dificuldade de produzir um volume de leite que seja capaz de propiciar renda suficiente para atender as necessidades de sobrevivência das famílias produtoras, que hoje assistem a triste realidade do abandono do meio rural pelos filhos, que não enxergam a possibilidade de melhoria de vida no campo. Na contramão dessa situação, em 2005, o produtor Lírio Schonhalz, sua irmã Líria e seu cunhado Volmir Mariano de Borba decidiram que era hora de voltar para campo, realidade que haviam deixado para trás no início da juventude.

Foto 2: Pedras retiradas manualmente para o estabelecimento do sistema de pastejo. 



Em 2005 os produtores tiveram acesso ao sistema de crédito fundiário e as cotas obtidas pelos três permitiram que fosse adquirida uma área 14,5 ha a qual deram o nome de Sítio Boa Vista. A situação inicial da propriedade representava bem o perfil das demais propriedades da região: relevo muito acidentado, pedras que afloravam por toda parte e grama seda que infestava toda área. As dificuldades estruturais e a falta de recursos não assustavam os produtores, que de imediato começaram a trabalhar de maneira que o sítio pudesse fazer jus ao nome.

A primeira atividade com finalidade econômica implantada na propriedade foi a produção de fumo, cultura comum na região e que por ser conduzida quase que totalmente de maneira braçal permitiria aos produtores produzir sem a necessidade de investimentos em maquinário. E assim, a custa de muito trabalho, os produtores foram se capitalizando. A produção de leite na propriedade teve início logo após a aquisição do sítio, porém servia quase que exclusivamente para o consumo da família que vivia na propriedade, pouca coisa era vendida. Com o passar dos anos outra área de terra foi adquirida, dessa vez de 5,0 ha, que permitiu que a propriedade chegasse aos seus atuais 19,5 ha.

Em 2013, com uma produção diária de pouco mais de 100 litros/dia, os produtores decidiram que era chegada a hora de expandir a produção. A assistência técnica local não era suficiente para atender as necessidades técnicas da propriedade e na maior parte das vezes os próprios produtores tentavam resolver aos problemas que surgiam. Porém, em abril desse mesmo ano, o Sítio Boa Vista aderiu ao trabalho técnico da Cooperideal, contando inicialmente com o acompanhamento dos profissionais Carlos Nogueira e Primo Quinaglia Neto e atualmente com o técnico Adilson Lima. 

Feito o diagnóstico inicial da propriedade, identificados os gargalos e as potencialidades, foi realizado um planejamento cujo objetivo inicial seria a produção de 300 litros/dia. A maior produção obtida até então pela propriedade era de 120 litros/dia.

Foto 3: Produtores Volmir Mariano (esq) e Lírio Schonhalz (dir). 



A propriedade passaria a anotar informações zootécnicas (partos, coberturas e realizaria a pesagem mensal da produção individual de cada vaca em lactação) e econômicas (despesas e receitas) relacionadas à produção de leite, e mensalmente essas informações seriam lançadas em uma planilha de avaliação econômica e zootécnica da atividade, gerando índices e indicadores que direcionassem as ações a serem realizadas; dessa maneira, iniciava-se a implantação de um sistema de gestão do leite produzido na fazenda. Também foi definida uma área por onde se iniciaria o processo de melhoria na produção de alimento volumoso para as vacas em lactação da fazenda, que pela capacidade de geração imediata de renda, deveria ser a categoria animal prioritária em qualquer processo de estruturação que vise à melhoria da situação econômica da atividade.

No caso do Sítio Boa Vista, foi definida uma área inicial onde seria implantado 1,0 ha de Tifton 85, porém, antes que pudesse ser feita a correção e adubação para a implantação do capim, foi necessária a limpeza da área, que naquele momento era completamente coberta por pedras.

Dessa pequena área foram retirados 200 m3 de pedras, o que serviu, em primeiro lugar, para testar a determinação dos produtores, que demonstraram ali o quanto estavam dispostos a trabalhar pela mudança dos rumos da propriedade. Depois de realizado o plantio e estabelecido o sistema de pastejo intensificado (dividido em 20 piquetes de 490 m2 cada), essa área passou a receber o pastoreio de 12 vacas em lactação, que de imediato aumentaram sua produção, colaborando para que a propriedade atingisse a produção de 230 litros/dia, dobrando sua produção inicial, já no final de 2013.

Nessa época a produção de fumo foi abandonada, abrindo passagem para o leite, que crescia e ajudava a melhorar as condições de vida no Sítio Boa Vista. Em 2014 foi estabelecido o segundo (1,5 ha dividido em 30 piquetes de 498 m2 cada) e o terceiro (0,9 ha dividido em 30 piquetes de 300 m2 cada) sistemas de pastejo, totalizando naquele momento 3,4 ha de área perene de pastoreio. Ao final de 2014 a produção já havia atingido picos de mais de 500 litros/dia com as 34 vacas em lactação mantidas nas áreas intensificadas da propriedade (Quadro 1). A meta inicial do trabalho já havia sido superada com 18 meses de trabalho.

Foto 4: Área de pastagem tropical estabelecida na propriedade. 



Em 2015 a propriedade passou a contar com mais um sistema de pastejo de capim Pioneiro de 1,0 ha e também com um sistema de capim Mombaça de 1,0 ha, todos manejados intensivamente. Além da sobressemeadura de inverno com aveia e azevém feita nas áreas trabalhadas intensivamente no período de verão, também são plantados 3,4 ha de milho para a confecção de silagem.

Índices como a produção média das vacas em lactação no rebanho (atualmente em 14,6 kg/vaca/dia) e o número de vacas em lactação/ha (2,29 VL/ha), demonstram o quanto essa propriedade pode ainda crescer a partir de ganhos no desempenho produtivo dos animais e com maior intensificação das áreas trabalhadas, que permitirão a produção de alimento volumoso para a manutenção de um número ainda maior de vacas em lactação na propriedade. A propriedade já atingiu produções de mais de 600 litros/dia e está preparada para atingir em breve a nova meta estabelecida, de produzir 800 litros/dia com 50 vacas em lactação.

Quadro 1: Resumo dos índices econômicos e zootécnicos do Sítio Boa Vista – Dionísio Cerqueira, SC - Avaliação do período de Janeiro a Dezembro de 2016. 



O Sítio Boa Vista, com apenas três anos de acompanhamento técnico, demonstra o quanto é possível desenvolver a atividade leiteira nas pequenas e médias propriedades, de maneira a transformá-las em fontes sustentáveis de trabalho, renda e de qualidade de vida.

A nobreza da atividade leiteira nos permite também identificar, através de suas exigências diárias de trabalho e dedicação, gente de fibra, que não se dobra diante das dificuldades e esse é o caso da família envolvida com a produção de leite nesse pequeno sítio. As palavras do produtor Lírio Schonhalz traduzem o sentimento de amor desses produtores por seu pedaço de terra: “quando se ama a terra, a terra passa fazer parte da gente, você planta seu sonho nesse lugar e um sonho, depois que cria raiz dentro da gente, é impossível de ser arrancado...”

COOPERIDEAL - COOPERATIVA PARA A INOVAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DA ATIVIDADE LEITEIRA

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JECLÉSIO NASCIMENTO

EM 08/09/2017

tenho uma pequena area de 2ha quero mudar o pasto usando a dessecacao. podem enumerar os passos por favor
LUCIMAR HENRIQUE P.DE SOUSA

CATALÃO - GOIÁS - TÉCNICO

EM 09/08/2017

Parabéns a todos pelo empenho e dedicação
MARLLYZA RODRIGUES

CAÇU - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 08/08/2017

Parabéns a todos pela dedicação e que esse belo trablho sirva de inspiração para muitos produtores rurais.
JAMES CISNANDES JR

BELO HORIZONTE - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 08/08/2017

Show de organização e gestão. Apenas reforça a importância do controle, como base para a gestão com foco em resultados. Parabéns a toda equipe, pois é impossível um resultado de tamanha relevância sem uma equipe qualificada, treinada e engajada. TOP D+++
CARLOS EDUARDO FREITAS CARVALHO

GOIÂNIA - GOIÁS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 07/08/2017

Impressionante como o simples fato (simples para quem já o vive intensamente) de transferir conhecimento é capaz de alterar o rumo de vida das pessoas! Parabéns, Marcelo, pelo artigo, aos técnicos da Cooperideal e aos produtores pelo engajamento.
ENG. AGR. JEFERSON LUIS BELÉIA FARIAS

PORTO ALEGRE - TOCANTINS

EM 07/08/2017

Um trabalho técnico com fidelidade ao método e rigor na cobrança pelo comprometimento e na busca pelo resultados é e faz a diferença. Parabéns a todos e muito sucesso!!