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Ser proativo ou reativo? Como enfrentar os problemas da pecuária de leite

POR CLÍNICA DO LEITE

CLÍNICA DO LEITE/AGRO+LEAN

EM 05/04/2016

4 MIN DE LEITURA

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Prof. Dr. Paulo Machado
Coordenador da Clínica do Leite - ESALQ/USP

No primeiro módulo do curso sobre o Sistema MDA fazemos algumas perguntas para cada um dos participantes para que possamos saber o que fazem, quais são suas dificuldades para fazerem o que fazem e o quanto a pecuária de leite é importante para eles. De uma maneira geral, eles gostam muito do negócio onde estão e o valorizam bastante. A principal dificuldade mencionada por eles está em atrair e reter bons funcionários. Eles gostariam de ter funcionários engajados, que chegam no horário, tem iniciativa, não precisam ser mandados, sabem o que fazer e que demonstram felicidade. Eu explico que isto é perfeitamente possível de ter, porém eles precisam mudar seu comportamento.

O mundo está mudando rapidamente. Há pouco tempo não tínhamos televisão, celular, computador. Hoje todos os empregados possuem smartphone. Eles têm acesso à informação em tempo real. Estão ligados às coisas locais e até às internacionais.

Também, a opinião pública sobre o agronegócio vem se modificando. Antigamente víamos a pecuária de leite como uma atividade bucólica – eram vaquinhas pastando ao lado de um lago e perto de uma casinha com varanda. Isto vem mudando. Nos Estados Unidos existe uma pressão muito grande para não se consumir leite proveniente de vacas tratadas com BST. Na Europa há um grande movimento no sentido de não se prender vacas, de não utilizar antibióticos (a não ser com acompanhamento veterinário), de não descornar os bezerros e de não separá-los de suas mães. Na Holanda o governo definiu uma redução drástica no uso de antibióticos e os resultados podem ser observados na figura abai: uma redução de 60%.

 

 
Precisamos mudar!

As pessoas, no entanto, querem mudança, mas não querem ser mudadas.

Na psicologia social existem vários estudos e modelos tentando explicar este fenômeno. São teorias comportamentais que se aplicam integralmente ao produtor de leite de fora e daqui do Brasil. Um destes modelos, proposto pela Dr. Jolanda Jansen no 55º. Encontro Anual do Conselho Nacional de Mastite em Glendale, Estados Unidos, em fevereiro de 2016, é apresentado abaixo:

 


Explica a pesquisadora que mudanças comportamentais são conseguidas através do uso de vários estímulos. No caso, os estímulos são REGRAS (R) – são regras impostas por indivíduos/entidades que tem poder sobre o produtor, como é o caso do MAPA implementando a IN-62. Para que estas regras sejam efetivas há necessidade de normas claras e escritas sobre o que se quer e, também, controle estrito sobre sua execução. Outro estímulo é o da EDUCAÇÃO (E) – os produtores devem ser efetivamente ensinados sobre como agir. Eles devem perceber que são capazes de executar o que se pede. Se tiveram no passado uma experiência ruim com os métodos propostos eles dificilmente mudarão a forma como fazem atualmente. O (S) se refere à pressão SOCIAL – se os produtores virem que outros estão implementando as práticas será muito mais de fácil de mudarem. Por isso que se deve implantar o novo método, gradativamente, naqueles produtores mais inovadores e que são líderes. Já o (E) remete a estímulos ECONÔMICOS – a literatura mostra que o produtor é muito mais sensível a perdas financeiras do que a ganhos. Esta é a razão do maior sucesso dos programas de pagamento do leite baseados em penalizações e não em bonificações. Finalmente, o (T) se refere a TOOLS (FERRAMENTAS) – são maneiras de se facilitar a execução das tarefas. Esta é uma área que trabalhamos intensamente na Clínica do Leite visando a implantação do Sistema MDA. Se tivermos quadros, procedimentos operacionais, etc simples e visíveis fica mais fácil sua utilização.

O uso conjunto destes estímulos, em menor ou maior proporção de um ou de outro, pode fazer com que grande número de produtores adotem os novos comportamentos. Isto tudo, no entanto, depende muito da mentalidade do produtor. Alguns mudarão mais rápido do que outros e uma certa percentagem nunca mudará.

É, no entanto, imperativo que estejamos abertos às mudanças do mundo para que nos adaptemos e tenhamos sucesso. Para tanto as pessoas precisam ser PROATIVAS e não REATIVAS. As pessoas proativas são reconhecidas através das características mencionadas no quadro abaixo:
 

Observa-se claramente as diferenças posturais dos dois tipos de pessoas. As pessoas proativas conseguem aumentar enormemente seu poder de influência sobre as demais. No livro 7 HÁBITOS DAS PESSOAS ALTAMENTE EFICAZES, o autor, Dr. Stephen Covey, dedica um capítulo inteiro a este assunto. Ele menciona que a proatividade não significa somente tomar a iniciativa, mas assumir a responsabilidade de fazer com que as coisas aconteçam; decidir em cada momento o que queremos fazer e como vamos fazer.

As pessoas proativas têm os seguintes comportamentos:

1. Estão buscando continuamente novas oportunidades;
2. Definem objetivos específicos orientados às mudanças;
3. Antecipam e preveem problemas;
4. Desenvolvem atividades diferentes ou atuam de forma diferente;
5. Empreendem à ação e aventuram apesar da incerteza;
6. São perseverantes e esforçadas;
7. Conseguem resultados perceptíveis visto que estão orientadas a resultados.

Em resumo precisamos nos adaptarmos às mudanças do mundo para que tenhamos sucesso. Leiam o livro dos 7 HÁBITOS DAS PESSOAS ALTAMENTE EFICAZES. Discutam os assuntos com suas esposas, maridos, filhos. Vocês vão ver que grandes transformações vão ocorrer na sua forma de pensar com consequências positivas na sua forma de agir aumentando em muito a chance de atrair e reter bons funcionários para sua fazenda.

CLÍNICA DO LEITE

Vinculada à ESALQ/USP, a Clínica do Leite é uma instituição sem fins lucrativos que atua em gestão da pecuária de leite, por meio da geração de conhecimento e da formação de pessoas.

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RICARDO SCHMIDT DIAS -

PRESIDENTE GETÚLIO - SANTA CATARINA - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 11/04/2016

Excelente texto.
Ser proativo deve ser a principal característica de todo técnico que trabalha no campo, como também todo técnico deve ter conhecimento de teorias comportamentais comprovadas pela psicologia. Somente desta forma consegue-se causar mudanças comportamentais nos colonos para que estes se tornem realmente agricultores e produtores.
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