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A importância do diagnóstico de prenhez por meio da análise de leite

 Helen Krystine da Silva*

Vários fatores podem influenciar a produtividade de um rebanho leiteiro. Entre os principais está o correto manejo reprodutivo, que, entre outros benefícios, permite evitar o prolongamento em excesso da lactação e minimizar a necessidade de introdução de animais provenientes de outras fazendas para reposição ou ampliação do plantel – o que diminui o risco de contaminação do rebanho por doenças e a consequente redução na produção de leite.

Para que seja possível alcançar bons índices reprodutivos na fazenda, uma tarefa importante é realizar o diagnóstico de prenhez o quanto antes. A detecção precoce das vacas que não estão gestando (vacas vazias) possibilita a tomada de decisão imediata, influenciando diretamente nos índices produtivos da criação. Isso torna o diagnóstico um importante instrumento na avaliação do estado das fêmeas em reprodução e na melhoria de índices zootécnicos importantes na bovinocultura leiteira (como, por exemplo, o intervalo entre partos), diminuindo as perdas econômicas, maximizando a produção e, por consequência, o faturamento da propriedade.

Assim, a não identificação precoce de uma vaca vazia pode resultar em perdas econômicas significativas, principalmente em função do aumento do intervalo entre partos. Quando se trata da criação de bovinos leiteiros, o ideal é que o intervalo fique entre 12 e 13 meses, com período de serviço de 80 a 110 dias. Os principais prejuízos gerados por um longo intervalo entre partos são expressos por queda na produção de leite, menor número de crias ao longo da vida produtiva da fêmea, além de custos adicionais com alimentação de animais improdutivos.

Os métodos mais utilizados para a detecção da prenhez em bovinos incluem a ultrassonografia e a palpação retal, sendo que métodos como as dosagens hormonais, radio e imunoensaio enzimático (RIA e ELISA, respectivamente) também podem ser empregados. No entanto, por se tratarem de técnicas que exigem conhecimento técnico, equipamentos específicos e de mão de obra especializada, sua execução pode ser difícil nas propriedades.

Testes imunológicos laboratoriais como RIA e ELISA são capazes de detectar e mensurar substâncias como as glicoproteínas associadas à gestação (PAG). Essas glicoproteínas são sintetizadas durante o período gestacional e migram para a corrente circulatória, o que permite que sejam detectadas no sangue e no leite das vacas. Suas concentrações podem ser detectadas do 21° dia de gestação até o momento do parto. Quando o teste de ELISA é empregado em amostras de leite, a partir do 30° dia, a precisão na detecção do status reprodutivo dos animais se aproxima de 100%.

Utilizando a detecção das PAG no leite como diagnóstico de prenhez, o produtor consegue minimizar o custo com mão de obra e o tempo gasto com o manejo dos animais (necessários para a realização da ultrassonografia e da palpação), além de possibilitar a tomada de decisões imediata por meio da identificação do status reprodutivo das fêmeas do seu rebanho. Devido à necessidade de equipamentos específicos para a realização desse tipo de teste, as amostras de leite devem ser enviadas para laboratórios especializados em análise de leite cru. O Laboratório da Clínica do Leite, por exemplo, sugere que o primeiro diagnóstico de prenhez por meio das amostras seja realizado entre o 28º e o 35º dia de gestação e que seja realizada uma segunda análise, com amostra coletada por volta do 65° dia. Por fim, uma terceira análise é recomendada, com coleta realizada por volta do 150° dia, para verificar se houve perda gestacional no período – visto que isso é relativamente comum.

Apesar das PAG serem produzidas durante todo o período gestacional, existe uma variação na taxa de expressão dessas glicoproteínas, tanto espacial quanto temporal. A origem dessas variações ainda é desconhecida. O que sabemos até o momento é que existe um período – entre o 35° e o 55° dia – na qual a síntese dessas glicoproteínas diminui. Logo depois desse período, os níveis voltam a subir, mantendo-se em crescimento até o final da gestação. Por essa razão, a Clínica do Leite recomenda que o teste de prenhez em amostras de leite não seja realizado entre o 35° e o 55° dia, pois aumentam-se as chances de um diagnóstico falso negativo.

Após a solicitação do teste e o envio das amostras ao laboratório, o teste de prenhez pode ser realizado em até nove dias pós coleta, sem que ocorra alteração nos níveis de PAG. Um detalhe importante é que o teste de prenhez pode ser realizado com a mesma amostra de leite enviada para análise da Contagem de Células Somáticas (CCS) e composição. Isso facilita a realização do diagnóstico de prenhez pelo produtor, já que a mesma amostra de leite individual enviada para o laboratório para as análises de rotina pode ser utilizada também para o teste de prenhez.

Como os resultados do teste devem ser interpretados?

Obviamente, para que o diagnóstico precoce de prenhez possa auxiliar no manejo, é importante interpretar adequadamente os resultados. A seguir, apresentamos um exemplo de um relatório enviado ao produtor quando o teste de prenhez no leite é solicitado:

No caso desta fazenda, as vacas de número 13 e 5 apresentaram resultado positivo para o teste de prenhez, a de número 14 apresentou resultado negativo e a 2 ficou na faixa intermediária do teste, que requer uma nova avaliação para a confirmação do status. A classificação da amostra como ‘retestar’ pode ocorrer devido a uma perda embrionária/fetal (aborto) recente, que fez com que no momento da coleta os níveis de PAG ainda não tivessem caído o suficiente para classificar a vaca como vazia. Outra possibilidade é a coleta da amostra ter sido realizada muito precocemente (antes do 30° dia) ou, ainda, no período entre o 35° e o 55° dia. Nesses casos, o recomendado é coletar uma nova amostra do animal – pelo menos 15 dias após a primeira coleta – e solicitar a realização do teste novamente.

Vale destacar que, além da realização do teste de prenhez, é fundamental perambular pela fazenda e entre os animais. Uma atenção especial deve ser dada às fêmeas: o comportamento delas deve ser frequentemente observado, para que qualquer sinal de retorno ao cio seja rapidamente detectado e esses animais possam ser reintroduzidas nos programas reprodutivos da fazenda o mais cedo quando for possível, evitando, assim, o aumento do intervalo entre partos e todos os prejuízos decorrentes.

* Pesquisadora da Clínica do Leite, Zootecnista pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e Doutoranda em Ciência Animal e Pastagens pela ESALQ/USP.

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FABRICIO RIBEIRO

COLATINA - ESPÍRITO SANTO - ESTUDANTE

EM 08/07/2019

Boa noite helen, lí na internet seu artigo (dissertação) que apresentou no Mestrado, está de parabens, trabalho muito bem dedenvolvido, sou estudante de Veterinária e a tempos venho estudando sobre o assunto, está de parabens, e adoraria poder fazer uma visita ou quem sabe até um estágio na Clinica do Leite um dia. Meus parabens !
HAMILTON BERNARDES JUNIOR

PEDREIRAS - SÃO PAULO

EM 15/08/2018

Helen, boa noite. Vc falou sobre o teste no leite e o teste no sangue? Como se faz
e onde faz? O custo é maior que apalpar?

Obrigado
Hamilton
CLÍNICA DO LEITE

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 15/08/2018

Olá Hamilton! A Clínica do Leite realiza o teste de prenhez apenas no leite. Para mais informações, basta acessar www.clinicadoleite.com.br ou ligar para (19) 3422-363. Um abraço e obrigada! Helen.
DÉBORA EVA BERTOLLO

ERVAL GRANDE - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 14/08/2018

Boa noite Helen Krystine da Silva, estava lendo a reportagem sobre a analise de prenhez através do leite, fiquei interessada em saber onde tem um laboratório credenciados aqui no RS ou em SC, a fazer esses testes, pois vai facilitar e melhorar os índices zootécnicos da granja.
Desde já agradeço.
CLÍNICA DO LEITE

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 14/08/2018

Olá, Débora! Na Região Sul, você pode realizar o teste no Laboratório da Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (APCBRH). Você também pode enviar suas amostras para a Clínica do Leite (saiba mais em www.clinicadoleite.com.br). Um abraço e obrigada! Helen.