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Utilização de levedura cervejeira na alimentação de vacas leiteiras

CLAUCIA FERNANDA VOLKEN DE SOUZA

EM 17/06/2020

4 MIN DE LEITURA

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Por Cláudia Schlabitz, Laís Pozzebom, Daniel Neutzling Lehn e Claucia Fernanda Volken de Souza

A composição da dieta animal é um dos fatores mais relevantes no processo de criação de vacas leiteiras. Juntamente com saúde, bem-estar, manejo e genética animal, é responsável pela eficiência do processo produtivo e pela qualidade dos produtos animais gerados (MCGRATH et al., 2018). Desta forma, os produtores devem fornecer aos animais uma dieta balanceada para uma adequada absorção dos nutrientes, de forma a atingir a máxima produtividade e garantindo o retorno financeiro.

A utilização de aditivos tem sido uma alternativa para o fornecimento de nutrientes não disponíveis na dieta. Entre eles, a levedura Saccharomyces cerevisiae é uma opção. Conforme Ferreira (2018) as leveduras reúnem características favoráveis para aplicação na alimentação de animais, em especial de ruminantes, devido principalmente ao teor de proteínas de elevada qualidade nutricional, além de carboidratos, lipídios, vitaminas do complexo B e minerais como selênio e zinco. Krüger e Werf (2018) afirmam que a suplementação dietética com β-glucanas provenientes de leveduras aumenta a produtividade de vacas leiteiras, pela maior conversão alimentar, além de melhorar o rendimento e qualidade do leite, quando comparada aos animais alimentados somente com ração tradicional.

Ainda, o uso de levedura do gênero Saccharomyces na alimentação animal auxilia na redução de infecções bacterianas e na ativação da resposta imune inata. Assim, a levedura representa uma alternativa ao uso de antibióticos promotores de crescimento, cuja utilização de algumas bases no Brasil está proibida desde dezembro de 2018 por meio da Portaria nº 171 da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) (BRASIL, 2018).

A levedura da cerveja é composta por microrganismos do gênero Saccharomyces e representa o segundo maior volume de resíduo da indústria cervejeira, motivo pelo qual sua reutilização tem sido estudada com o objetivo de obter retorno econômico e reduzindo o dano ambiental (FERREIRA et al., 2010; POVEDA-PARRA et al., 2013; SOSA-HERNÁNDEZ et al., 2016; RADOSAVLJEVIC et al., 2019). A levedura cervejeira residual se destaca como um material de fácil acesso, com fornecimento contínuo e baixo custo, uma vez que pode ser obtida a partir de processos industriais como a fabricação de cerveja.

Assim, pode ser utilizada como suplemento na alimentação animal ou humana (RIBEIRO et al., 2019). Em geral, a levedura residual é submetida a processos para melhorar a digestibilidade, tornar os nutrientes disponíveis ou extrair substâncias para finalidades específicas. Assim, diversos estudos abordam o preparo de autolisados, extratos e hidrolisados de levedura. Por exemplo, Vieira et al. (2016) efetuaram o rompimento mecânico da parede celular de levedura residual cervejeira e avaliaram a composição nutricional, incluindo minerais e vitaminas do complexo B, do extrato de levedura. O extrato obtido apresentou 64% de proteínas com alta proporção de aminoácidos essenciais, macrominerais (Na, K, Ca, Mg), oligoelementos como Zn, Fe e Mn, e vitaminas B3, B6 e B9.

A utilização da levedura cervejeira como fonte de nutrientes e, inclusive, alimento probiótico, vem ao encontro das necessidades da indústria cervejeira, que precisa destinar esse resíduo, e dos produtores de leite, que buscam alimentação rica em nutrientes necessários ao metabolismo do gado leiteiro.

Referências

BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Secretaria de Defesa Agropecuária. Portaria n° 171, de 13 de dezembro de 2018. Diário Oficial da União, 19 de dezembro de 2018.

FERREIRA, I. M. P. L. V.; PINHO, O.; VIEIRA, E.; TAVARELA, J. G. Brewer's Saccharomyces yeast biomass: characteristics and potential applications. Trends in Food Science and Technology, v. 21, p. 77-84, 2010.

FERREIRA, M. S. Utilização de levedura viva na dieta de bubalinos em confinamento. 2018. 67 f. Dissertação (Mestrado em Ciência Animal) - Universidade Federal do Amazonas, Manaus, 2018. Disponível em: <https://tede.ufam.edu.br/handle/tede/6446>. Acesso em: jun. 2020.

KRÜGER, D.; WERF,  M. Benefits of Application of Yeast β-Glucans in Ruminants. Ohly Application Note, v.1, ago. 2018. Disponível em: <https://www.ohly.com/media/4318/applicationinfoyeastbetaglucansruminant.pdf>. Acesso em: mai. 2020.

MCGRATH, J.; DUVAL, S. M.; TAMASSIA, L. F. M.; KINDERMANN, M.; STEMMLER, R. T.; GOUVEA, V. N.; ACEDO, T. S.; IMMIG, I.; WILLIAMS, S. N.; CELI, P. Nutritional strategies in ruminants: A lifetime approach. Research in Veterinary Science, v. 116, p. 28-39, 2018.

POVEDA-PARRA, A. R.; MOREIRA, I.; FURLAN, A. C.; OLIVEIRA, G. C.; CARVALHO, P. L. O.; TOLEDO, J. B. Levedura de cana-de-açúcar spray dry na alimentação de suínos na fase de crescimento e terminação. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v. 65, p. 221-230, 2013.

RADOSAVLJEVIC, M.; PEJIN, J.; PRIBIC, M.; KOCIC-TANACKOV, S.; RANKO, R.; MLADENOVIC, D.; DJUKIC-VUKOVIC, A.; MOJOVIC, L. Utilization of brewing and malting by-products as carrier and raw materials in l-(+)-lactic acid production and feed application. Applied Microbiology and Biotechnology, v. 103, p. 3001-3013, 2019.

RIBEIRO, V. R.; MACIEL, G. M.; FACHI, M. M.; PONTAROLO, R.; FERNANDES, I. A. A.; STAFUSSA, A. P.; HAMINIUK, C. W. I. Improvement of phenolic compound bioaccessibility from yerba mate (Ilex paraguariensis) extracts after biosorption on Saccharomyces cerevisiae. Food Research International, v. 126, 108623, 2019.

SOSA-HERNÁNDEZ, O.; PARAMESWARAN, P.; ALEMÁN-NAVA, G. S.; TORRES, C. I.; PARRA-SALDÍVAR, R. Evaluating biochemical methane production from brewer’s spent yeast.  Journal of Industrial Microbiology and Biotechnology, v. 43, p. 1195-1204, 2016.

VIEIRA, E. F.; CARVALHO, J.; PINTO, E.; CUNHA, S.; ALMEIDA, A. A.; FERREIRA, I. M. P. L. V. O. Nutritive value, antioxidant activity and phenolic compounds profile of brewer’s spent yeast extract. Journal of Food Composition and Analysis, v. 52, p. 44-51, 2016.

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MAURO ARAUJO DIAS

ANÁPOLIS - GOIÁS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 22/06/2020

qual a porcentagem do uso da levedura na dieta das vacas, pode ser usada quando se usa a cevada residuo.
CLÁUDIA SCHLABITZ

LAJEADO - RIO GRANDE DO SUL

EM 23/06/2020

Olá, Mauro. A quantidade de levedura a ser utilizada deve ser estabelecida pelo médico veterinário de acordo com as especificações do fornecedor do produto.
LUCAS JOSÉ MARI

SOROCABA - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 18/06/2020

Bom dia!
Acho que há algumas informações equivocadas no texto. Os antibióticos promotores de crescimento não foram proibidos no Brasil. O que houve foi uma consulta pública do MAPA para cinco bases de antibióticos usadas com esta finalidade, destas, nem todas foram proibidas ao final. Ainda existem outras bases em uso como promotores de crescimento. Além disso, a respeito do efeito probiótico preconizado, há que se considerar se a levedura de cervejaria terá microrganismo vivo e se confirmar o efeito probiótico, que nem sempre ocorre. Para produção de probiótico as leveduras são cultivadas com esta finalidade pelas empresas produtoras, não se tratam de co-produtos da indústria cervejeira ou de produção de etanol.
CLÁUDIA SCHLABITZ

LAJEADO - RIO GRANDE DO SUL

EM 19/06/2020

Agradeço seu comentário. Realmente, somente alguns antibióticos foram proibidos e isso foi corrigido no texto. Quanto ao efeito probiótico, de fato há necessidade de confirmar a presença de microrganismo vivo em concentração suficiente para conferir benefícios à saúde do gado leiteiro, bem como confirmar a ação probiótica. Além disso, estudos são necessários para determinar o tempo que pode decorrer entre sua remoção do processo produtivo cervejeiro até o preparo do aditivo para alimentação animal.
EM RESPOSTA A CLÁUDIA SCHLABITZ
LUCAS JOSÉ MARI

SOROCABA - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 19/06/2020

Obrigado, Cláudia pela informação. Parabéns à você e aos demais autores pelo texto muito interessante.
CLÁUDIA SCHLABITZ

LAJEADO - RIO GRANDE DO SUL

EM 22/06/2020

Agradeço seu comentário. Realmente, somente alguns antibióticos foram proibidos e isso foi corrigido no texto. Quanto ao efeito probiótico, de fato há necessidade de confirmar a presença de microrganismo vivo em concentração suficiente para conferir benefícios à saúde do gado leiteiro, bem como confirmar a ação probiótica. Além disso, estudos são necessários para determinar o tempo que pode decorrer entre sua remoção do processo produtivo cervejeiro até o preparo do aditivo para alimentação animal.
JOÃO LEONARDO PIRES CARVALHO FARIA

MONTES CLAROS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 18/06/2020

Excelente alternativa....
FERNANDO SERGIO BATISTA

SETE LAGOAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/06/2020

Qual a quantidade por vaca que devo fornecer?
CLÁUDIA SCHLABITZ

LAJEADO - RIO GRANDE DO SUL

EM 22/06/2020

Primeiramente gostaria de enfatizar que a levedura fornecida deve passar por um processo para adequá-la ao consumo pelo animal e sempre deve ser fornecida com supervisão do médico veterinário. A utilização da levedura proveniente de cervejaria é uma opção que está sendo estudada, visto que a composição da biomassa residual varia a cada processo produtivo. Atualmente existem opções comerciais de levedura Saccharomyces cerevisiae produzidas para alimentação animal e o fornecedor indica, de acordo com os estudos que realizou e as características de seu produto, a quantidade a ser fornecida
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