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Potencial de bioacumulação de selênio por bactérias láticas

Autores do artigo:

Camila Eckert, Ana Paula Mörschbächer, Lucélia Hoehne, Claucia Fernanda Volken de Souza

O selênio (Se) é um importante micronutriente que pode ser encontrado no ambiente na forma inorgânica, como por exemplo, selenito de sódio, e orgânica, como selenocisteína (SeCis) e selenometionina (SeMet). É considerado um elemento essencial em muitos processos bioquímicos e fisiológicos importantes para a saúde de seres humanos e animais, devido a sua atividade biológica, efeito antioxidante e modulação do sistema imunológico. Já a sua deficiência nutricional afeta cerca de um bilhão de pessoas em todo o mundo, sendo responsável pelo aumento na incidência de patologias cardiovasculares e neurodegenerativas (RAYMAN, 2012; FAIRWEATHER-TAIT et al., 2011).

O Se na sua forma inorgânica não é sintetizado pelo organismo humano e de animais, e a absorção na sua forma orgânica ocorre, principalmente, a partir da ingestão de cereais, grãos e legumes. Sendo assim, o seu efeito funcional é desempenhado através das selenoproteínas, nas quais o Se é incorporado a uma sequência de aminoácidos. A ingestão desse micronutriente em concentrações ideais, e, por consequência, a manutenção da atividade dessas selenoproteínas no organismo, torna-se fundamental para a prevenção de inúmeras doenças (BATTIN & BRUMAGIM, 2009). Nesse contexto, há um crescente interesse em suplementos de Se para a nutrição humana e animal (HARTIKAINEN, 2005).

Descobertas envolvendo a importância do Se para a saúde de seres humanos têm despertado o interesse por estratégias de bioacumulação deste micronutriente em diferentes micro-organismos. A capacidade de bactérias em bioacumular Se é uma ferramenta que tem sido utilizada para diferentes aplicações, uma vez que estudos indicam que bactérias enriquecidas com esse microelemento podem ser consideradas como uma fonte de Se (PIENIZ et al., 2011; PUSZTAHELYI et al., 2015).

Pesquisas vêm sendo desenvolvidas visando à bioacumulação de Se na biomassa de bactérias láticas (BALs) e posterior aplicação na elaboração de alimentos enriquecidos e funcionais (PUSZTAHELYI et al., 2015). As BALs apresentam essa capacidade, pois o enxofre presente na sua estrutura proteica é substituído por esse micronutriente. Esses micro-organismos, quando na presença de Se em concentrações e condições adequadas, podem proporcionar a conversão eficiente de Se inorgânico em suas formas orgânicas, tais como a SeMet e SeCis. Assim, o enriquecimento destas culturas pode desempenhar efeitos benéficos aos seres humanos e outros animais, além do potencial probiótico dessas linhagens (YIN et al., 2010).

Desta forma, em parceria com a empresa Launer Química Ind. e Com. Ltda, residente do Parque Científico e Tecnológico do Vale do Taquari - Tecnovates, a Universidade do Vale do Taquari - Univates, está desenvolvendo o projeto de pesquisa Seleção, identificação e caracterização de micro-organismos para uso na elaboração de produtos lácteos”.

O objetivo é isolar bactérias láticas da região do Vale do Taquari com propriedades probióticas e tecnológicas adequadas na produção de derivados lácteos, além de avaliar a capacidade de bioacumulação de Se por esses micro-organismos. Visa-se a aplicação dessas linhagens no desenvolvimento de um produto lácteo diferenciado, com características funcionais e identidade regional do Vale do Taquari.

Referências bibliográficas

BATTIN, E. E.; BRUMAGHIM, J. L. Antioxidant activity of sulfur and selenium: a

review of reactive oxygen species scavenging, glutathione peroxidase and metalbinding antioxidant mechanisms. Cell Biochemistry and Biophysics. v. 55, n. 1, p. 1-23. 2009.

FAIRWEATHER-TAIT, S. J.; BAO, Y. P.; BROADLEY, M. R.; COLLINGS, R.; FORD, D.; HESKETH, J. E.; HURST, R. Selenium in human health and disease. Antioxidants & Redox Signaling. v. 14, n. 7, p. 1337-1383. 2011.

HARTIKAINEN, H. Biogeochemistry of selenium and its impact on food chain quality and human health. Journal Trace Elements Medical Biology. v. 18, p. 309-318, 2005.

PIENIZ, S.; OKEKEA, B. C.; ANDREAZZA, R.; BRANDELLI, B. Evaluation of selenite bioremoval from liquid culture by Enterococcus species. Microbiological Research. v. 166, n. 3, p. 176-185. 2011.

PUSZTAHELYI, T.; KOVÁCSA, S.; PÓCSIB, I.; PROKISCHC, J. Selenite-stress

selected mutant strains of probiotic bacteria for Se source production. Journal of Trace Elements in Medicine and Biology. v. 30, p. 96-101. 2015.

RAYMAN, M. P. Selenium and human health. Lancet. v. 379, n. 9822, p. 1256-1268. 2012.

YIN, H.; FAN, G.; GU, Z. Optimization of culture parameters of selenium-enriched yeast (Saccharomyces cerevisiae) by response surface methodology (RSM). LWT - Food Science and Technology. v. 43, n. 4, p. 666-669. 2010.

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VINÍCIUS DE SOUZA CHAVES

CHAPECÓ - SANTA CATARINA - ESTUDANTE

HÁ UM DIA

Bem interessante!