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Vale a pena fornecer maiores quantidades de dieta líquida? (Parte 2)

POR CARLA MARIS MACHADO BITTAR

E MARÍLIA RIBEIRO DE PAULA

CARLA BITTAR

EM 19/01/2012

4 MIN DE LEITURA

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Conforme discutido no Radar Técnico anterior, o fornecimento de maiores quantidades de dieta liquida, além de melhorar o desempenho dos animais jovens, pode também refletir na produção de leite futura, como foi observado pelos pesquisadores da Universidade de Michigan.

Para o estudo os animais receberam as seguintes dietas durante a fase de aleitamento:

1)Controle: Sucedâneo com 21,5% de gordura e 21,5% de proteína (1,2% do peso vivo, fornecido com base na MS) e ração concentrada com 19,9% de PB.

2)Intensivo: Sucedâneo com 16,1% de gordura e 30,6% de proteína (2,1% do peso vivo, fornecido com base na MS) e ração concentrada com 24,3% de PB.

Após a 8ª semana de vida as novilhas passaram a ser criadas sob o mesmo manejo alimentar, em baias coletivas, recebendo 2,7kg de ração concentrada com 22,2% de PB e livre acesso ao feno de alfafa. Das 80 fêmeas que começaram o experimento, apenas 61 ficaram até o final do estudo, uma vez que 19 não alcançaram ganho de peso satisfatório ao desaleitamento. Peso e medidas corporais foram tomados a cada 4 semanas, sendo que quando a novilha alcançava 204 kg de peso vivo passava a ser pesada semanalmente para a determinação do peso e idade à puberdade (Figuras 1, 2 e 3). Amostras de sangue forma colhidas semanalmente para a determinação da concentração de progesterona sérica, sendo o início da puberdade determinado quando esta concentração foi superior a 1ng/mL por 2 semanas consecutivas.



Figura 1. Peso vivo de novilhas que receberam aleitamento intensivo ou convencional.



Figura 2. Altura da cernelha de novilhas que receberam aleitamento intensivo ou convencional.



Figura 3. Largura da garupa de novilhas que receberam aleitamento intensivo ou convencional.

Após os 3 meses de idade as fêmeas receberam diferentes dietas, como pode-se observar na tabela 1.

Tabela 1. Ingredientes das dietas após 3 meses de idade.



Como pode ser observado na Tabela 2, o aumento da ingestão de energia e proteína por novilhas durante a fase de aleitamento (tratamento intensivo) diminuiu a idade e o peso à puberdade. No entanto, o ganho de peso da 6ª semana até a puberdade não foi diferente entre os tratamentos. As novilhas foram escolhidas para a reprodução aos 397 kg de peso vivo e o escore de condição corporal não diferiu entre os tratamentos. As novilhas do tratamento intensivo conceberam 15 dias antes e pariram 14 dias mais cedo que as novilhas do tratamento controle. A parição mais cedo, reduz o número de dias não produtivos, podendo compensar as despesas com os maiores custos durante a fase de aleitamento.


Tabela 2. Dados de puberdade, concepção e parição de novilhas que receberam aleitamento intensivo ou convencional.



Outra variável estudada pelos pesquisadores foi a produção de leite das primíparas, que não diferiu entre os animais do tratamento intensivo e controle, como pode ser observado na Tabela 3. No entanto, muitos outros trabalhos mostraram efeito positivo com aumentos na produção de leite em animais aleitados de forma intensiva. Quando a produção de leite foi avaliada considerando-se a produção de leite da mãe da primípara (uma forma de se considerar a genética dos animais), observou-se uma forte tendência para maior produção de leite em animais aleitados de forma intensiva (alta energia, alta proteína).

Tabela 3. Efeito do aleitamento na lactação.



Em síntese, os resultados apresentados neste estudo indicam que o maior fornecimento de energia e proteína para os animais durante o aleitamento, além de melhorar o desempenho na fase jovem pode ainda refletir na vida futura destes animais, diminuindo os dias não produtivos, o que pode ser uma alternativa para aumentar os lucros na propriedade.


Referência:
L. E. D. Rincker, M. J. VandeHaar, C. A. Wolf, J. S. Liesman, L. T. Chapin, M. S. W. Nielsen. Effect of intensified feeding of heifer calves on growth, pubertal age, calving age, milk yield, and economics.JournalofDairy Science, n.94, p.3554-3567, 2011.


Comentários

O assunto "aleitamento intensivo" pode ser hoje considerado o assunto do momento no que diz respeito a pesquisa com bezerros. Muitos trabalhos têm sido realizados com diferentes manejos alimentares, com o objetivo de avaliar o efeito deste maior investimento durante o aleitamento, na vida produtiva dos animais. Alguns trabalhos tem mostrado que, além de maior peso ao desaleitamento, sempre acompanhado de maiores medidas corporais, demonstrando efeito no crescimento do animal, podem haver benefícios com relação a maior produção de leite na primeira lactação. No entanto, nem sempre estes resultados são replicados de forma consistente o que sugere ainda alguns ajustes com relação ao manejo alimentar. De qualquer modo, na maior parte dos trabalhos se observa também um efeito indireto no retorno ao investimento realizado, com a parição mais precoce dos animais, reduzindo assim o número de dias improdutivos. Este resultado deve também ser enxergado como uma alternativa na redução de custos da novilha pronta para parir, o que pode se conseguido com investimentos durante o aleitamento ou mesmo na fase seguinte.

CARLA MARIS MACHADO BITTAR

Prof. Do Depto. de Zootecnia, ESALQ/USP

MARÍLIA RIBEIRO DE PAULA

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LEOVEGILDO LOPES DE MATOS

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 22/07/2013

Prezados:



Pelos resultados que não se mostraram diferentes, creio que as conclusões de vantagens para o tratamento com crescimento acelerado não se aplicam, pelo menos para o caso desse trabalho e dos resultados alcançados.

Tenho questionado frequentemente essas alegações de vantagens de crescimento acelerado levando a maior produção de leite na primeira lactação, mas como não existe almoço de graça, aqueles trabalhos que além da produção de leite, avaliaram o desempenho reprodutivo, chegaram a mesma média de produção de leite por dia de intervalo de partos.

Creio que seria importante avaliar esses aspectos, pois uma maior produção de leite no início da lactação estará associado a uma maior mobilização de reservas corporais, o que certamente afetará o desempenho reprodutivo dos animais.
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