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Vale a pena fornecer maiores quantidades de dieta líquida?

POR CARLA MARIS MACHADO BITTAR

E MARÍLIA RIBEIRO DE PAULA

CARLA BITTAR

EM 15/12/2011

4 MIN DE LEITURA

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O fornecimento de dietas com alto conteúdo energético para obtenção de altas taxas de crescimento permite que novilhas alcancem peso para puberdade mais cedo, sendo uma estratégia para redução na idade ao parto e nos custos associados com a criação de novilhas de reposição. Contudo, vários dados de pesquisa mostram efeito deletério no desenvolvimento da glândula mamária quando animais de 3-10 meses de idade são alimentados com dietas de alta energia, podendo afetar de forma negativa seu potencial de produção futura. Pouco se sabe, no entanto, sobre os efeitos do fornecimento de dietas com alto conteúdo energético para bezerras durante o período que antecede os três meses de idade.

Estudos comprovam que o crescimento de bezerras e o ganho de peso no período de aleitamento podem ser melhorados quando os animais são alimentados com maiores quantidades de dieta líquida durante este período. Além disso, maiores taxas de crescimento durante os primeiros estágios da vida do animal podem ser mais rentáveis e compensar o investimento, por resultar em animais maiores para o período de crescimento pós-desaleitamento. Assim, o período de aleitamento é uma fase de extrema importância na vida do bezerro, não só com relação a maiores taxas de ganho e redução nas taxas de mortalidade, como também no que diz respeito à produção futura.

Baseado nisto, pesquisadores da Universidade de Michigan realizaram estudos com o fornecimento de sucedâneos com maior teor de energia e proteína, objetivando-se maiores taxas de ganho de peso durante o período de aleitamento, com o objetivo de avaliar em longo prazo o crescimento corporal, idade a puberdade, idade a parição e produção de leite na 1ª lactação.

Os animais foram divididos em 2 tratamentos:

1)Controle: Sucedâneo com 21,5% de gordura e 21,5% de proteína (1,2% do peso vivo, fornecido com base na MS) e ração concentrada com 19,9% de PB.

2)Intensivo: Sucedâneo com 16,1% de gordura e 30,6% de proteína (2,1% do peso vivo, fornecido com base na MS) e ração concentrada com 24,3% de PB.

Neste estudo foram utilizadas 80 fêmeas da raça Holandês, alojadas em abrigos individuais, por um período de 56 dias (o desaleitamento ocorreu aos 42 dias), com livre acesso à água e ração concentrada. Os animais foram avaliados semanalmente quanto ao peso e medidas corporais, assim como consumo de concentrado. Após os 42 dias de idade os animais foram desaleitados e mantidos por mais duas semanas nos abrigos individuais para estimular o consumo de concentrado.

O consumo de matéria seca foi maior pelos animais do tratamento intensivo, até os 42 dias, resultado do maior fornecimento de sucedâneo, muito embora tenham apresentado baixo consumo de concentrado. No entanto, no período subsequente, do 42º ao 56º dia, o consumo de concentrado foi similar entre os tratamentos.


Tabela 1. Ingestão de matéria seca (IMS) por bezerros em aleitamento intensivo ou controle.



1 Média de ingestão diária de sucedâneo 0,51; 0,55; 0,59; 0,60; 0,63 e 0,64 kg para as semanas 2,3,4,5 e 6 respectivamente.
2 Média de ingestão diária de sucedâneo 0,69; 0,93; 1,09; 1,17; 1,20 e 0,89 kg para as semanas 2,3,4,5 e 6 respectivamente.

O ganho de peso médio diário foi maior para os animais do tratamento intensivo até a 5ª semana, porém os animais do controle ganharam mais peso durante as semanas 6 e 7, sugerindo que estes animais tiveram um crescimento mais eficiente durante este período (Figura 1). Entretanto os animais do tratamento intensivo permaneceram mais pesados e mais altos durante todo o período avaliado (8 semanas), conforme pode ser observado nas Figuras 2 e 3. O aumento na ingestão de energia e proteína por animais do aleitamento intensivo resultou em animais mais pesados e maiores, entretanto estes animais consumiram menor quantidade de concentrado durante a fase de aleitamento, o que pode ter resultado em um desenvolvimento mais lento do rúmen e um crescimento menos eficiente no pós-desaleitamento.


Figura 1. Ganho de peso de animais em aleitamento convencional ou intensivo.


Figura 2. Peso vivo (PV) de bezerros em aleitamento convencional ou intensivo.


Figura 3. Altura da cernelha de bezerros em aleitamento convencional ou intensivo.

O escore fecal dos animais foi monitorado diariamente (1= firme e seca; 2= macia; 3= pastosa; 4= aquosa; 5= consistência líquida) e os animais do tratamento intensivo permaneceram cerca de 4,04 dias com fezes de escore médio de 3,21 enquanto os animais do tratamento controle permaneceram cerca de 2,79 dias com fezes de escore médio de 3,01. Assim, os animais aleitados com maiores quantidades de dieta líquida, contendo também maiores teores de proteína bruta, apresentaram fezes mais fluídas, o que em alguns sistemas poderia resultar em aumento no custo com tratamentos.

Concluindo a primeira parte do trabalho, o fornecimento de dietas com alta energia e proteína proporcionou melhor desempenho. Com isso, espera-se que o aleitamento intensivo proporcione benefícios produtivos e reprodutivos na vida futura dos animais.


Referência:

L. E. D. Rincker, M. J. VandeHaar, C. A. Wolf, J. S. Liesman, L. T. Chapin, M. S. W. Nielsen. Effect of intensified feeding of heifer calves on growth, pubertal age, calving age, milk yield, and economics. Journal of Dairy Science, n.94, p.3554-3567, 2011.


Comentários

Já não existem mais dúvidas quanto aos benefícios do maior investimento em dieta líquida para se obter animais mais pesados ao desaleitamento. Muito embora ainda não tenhamos no mercado nacional sucedâneos com maiores teores de proteína bruta, já observamos tendência de fornecimento de maiores volumes de dieta líquida para estes animais. Em algumas situações, no entanto, observam-se animais com menores taxas de ganho no período subseqüente, devido ao inadequado manejo ao desaleitamento. Animais em sistema de aleitamento intensivo podem apresentar baixo consumo de concentrado no momento do desaleitamento de forma que sua menor taxa de ganho neste período pode fazer com que a vantagem de se desaleitar animais mais pesados seja perdida neste momento devido ao baixo consumo de concentrado.

No próximo radar vamos tratar da segunda parte deste interessante trabalho de pesquisa, onde são abordados os efeitos na idade a puberdade, idade ao primeiro parto, produção de leite e, o mais importante, aspectos econômicos do aleitamento intensivo. Fique atento e boas festas!

CARLA MARIS MACHADO BITTAR

Prof. Do Depto. de Zootecnia, ESALQ/USP

MARÍLIA RIBEIRO DE PAULA

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FABIANO LOPES BUENO

CURITIBA - PARANÁ - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 05/01/2012

É muito importante a divulgação destes dados porque vemos que, na prática, a maioria dos produtores de leite fornece 4 litros/bezerra/dia do início ao fim do período de aleitamento.

Sem corrigir a quantidade de leite/sucedâneo em relação ao PV da bezerra, o que resulta em baixas taxas de GPD, maior incidência de doenças e consequentemente alta mortalidade na fase inicial de criação.

Pouco leite = Baixa taxa de crescimento = Aumento idade de primeiro parto.

Parabéns à Dra Carla Bittar e à Mestranda Marília Ribeiro de Paula.
ELIJÁ DE ARANDAS PIMENTEL

BOM CONSELHO - PERNAMBUCO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 18/12/2011

Gostaria que se possivel , você me fornecesse mais algum material sobre esse tema pois estou terminando o meu eso e gostaria de mostrar que com uma dieta com uma maior quantidade de leite conseguimos melhor resultado. Muito obrigado
CLÁUDIO HENRIQUE OLIVEIRA DE CARVALHO

CÁSSIA - MINAS GERAIS

EM 15/12/2011

Como sempre, muito interessante tema abordado pela professora Carla, juntamente com a Marília.

Tenho uma questão a levantar: o motivo da aparente "queda" de resultado no período subsequente ao desaleitamento (menor consumo de alimentação concentrada), poderia ser sanado (ou parcialmente reduzido) com o desaleitamento gradativo? Neste manejo (gradativo) o intuito é justamente estimular o consumo de concentrado mais precocemente, não é mesmo?
Att.,
Cláudio.
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