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Modelos de predição de crescimento de bezerros leiteiros: proteína sérica e consumo de nutrientes

POR CARLA MARIS MACHADO BITTAR

E GLAUBER DOS SANTOS

CARLA BITTAR

EM 28/06/2013

5 MIN DE LEITURA

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O bom desempenho de bezerras leiteiras ainda continua a ser um grande desafio para a cadeia produtiva do leite, principalmente pelo fato dos animais nascerem agamaglobulinêmicos. Esses animais nascem com o um sistema inume imaturo, necessitando de um bom processo de colostragem para conseguir uma ótima transferência de imunidade passiva. Uma maneira de avaliar a eficiência desta colostragem é monitorando a proteína sérica de bezerras recém-nascidas. Segundo dados de pesquisa norte-americano, apenas 2,1% das fazendas monitoram proteína sérica de bezerras recém-nascidas (o Grupo de Pesquisa em Metabolismo Animal – Esalq/USP, vem tentando levantar esta estatística para o rebanho nacional).

Falhas na transferência de imunidade podem reduzir em até 48g o ganho de peso diário no primeiro mês de vida de bezerras, sendo esta redução mais acentuada em programas de alimentação intensiva, quando comparado com programas convencionais (Osorio e Drackley, 2010). Entretanto, a definição de falha na transferência passiva foi baseada no conteúdo de imunoglobulina G (IgG) sérica e não em proteína total. A proteína total pode ser correlacionada com a concentração de IgG sérica, sendo que valores de proteína sérica >5,5 g/dL são indicados como representativos de adequada transferência passiva de imunidade.

São escassos os dados que indicam a ligação entre a concentração de proteína sérica total e o desempenho de crescimento em bezerros leiteiro recém-nascidos. Com a intenção de conhecer um pouco mais sobre esta correlação, um grupo de pesquisadores da Universidade de Ohio (Bateman et al., 2012), desenvolveram uma meta-análise com dados de desempenho e conteúdo de proteína sérica de bezerros holandês recém-nascidos (Tabela 1) e ainda, estabeleceram um modelo empírico para predizer o crescimento de bezerros usando dados ambientais e dietéticos. Os pesquisadores utilizaram um total de 993 observações, originadas de 20 pesquisas anteriormente publicadas pelo grupo, todos os animais eram machos da raça holandês, com 2 ou 3 dias de vida no início de cada pesquisa.

A proteína sérica inicial média foi de 5,09 mg/dL e o ganho de peso diário foi de 615 g. Os bezerros estavam em bom estado de saúde permanecendo em média 4,7 dias com escore fecal >2. Os animais foram alimentados com uma grande variedade de sucedâneos, com teor de proteína variando de 20 a 28% e gordura entre 17 e 22%. A temperatura média durante as pesquisas foi de 9,2oC, sendo a mínima de -7,8oC e a máxima de 27,6oC.


 
Quando a concentração de proteína sérica foi classificada como pobre, mediana ou adequada era de se esperar um preditor significativo do ganho de peso diário pós-desaleitamento e eficiência alimentar durante o aleitamento, entretanto os resultados obtidos não mostraram este comportamento. Supõe-se que a classificação da proteína sérica como preditor significativo de desempenho não é biologicamente relevante.

Não era esperada uma relação positiva entre teor de gordura do sucedâneo e crescimento, uma vez que pesquisas tem mostrado que o acréscimo de gordura no sucedâneo leva a uma redução na ingestão de concentrado. Quando foi plotado no gráfico o teor de gordura e o ganho de peso diário de bezerros, o desempenho foi semelhante (Figura 1).



Figura 1 – Ganho de peso diário de bezerros em função do teor de gordura do sucedâneo

Os resultados mostraram a importância da ingestão de concentrado para se determinar o crescimento de bezerros na fase de aleitamento. Para todas as medidas de crescimento analisadas, um pequeno aumento da ingestão de concentrado resultou na mesma proporção de aumento no crescimento. Entretanto, isto não foi válido para a ingestão de sucedâneo ou teor de proteína no sucedâneo, porque nenhuma dessas variáveis teve grande influência no ganho de peso.

Todos os modelos de predição de crescimento estimaram uma redução no desempenho quando os dias em diarreia e o peso no nascimento aumentaram. O aumento do peso ao nascimento implica no aumento da exigência em mantença do bezerro e concomitante necessidades de aumento na ingestão de nutrientes. É possível que em sistemas de produção onde a quantidade de sucedâneo seja oferecida proporcionalmente ao peso corporal, esta relação não ocorra. No entanto, as práticas de manejo alimentar mais comumente utilizadas são baseadas no fornecimento de quantidade fixa de sucedâneo por bezerro por dia, o que leva a uma limitação de desempenho. Quando os bezerros estão doentes, parte da exigência em energia é direcionada para o sistema imune o que limita o crescimento.

Temperaturas acima de 15°C reduzem o crescimento de bezerros (NRC, 2001). Os dados compilados nesta revisão variaram de -25 a 38°C, com média de 9°C, e não mostraram alteração significativa do ganho de peso com o aumento da temperatura (Figura 2).



Figura 2 – Relação entre a temperatura ambiental média e o ganho de peso diário de bezerros

A ingestão de concentrado durante os 56 dias iniciais de vida do bezerro teve o maior efeito no ganho de peso diário e mudança na largura de garupa, quando o sucedâneo foi mantido constante. O baixo desempenho nas medidas de crescimento nos primeiros 56 dias de vida, devido a um maior peso no nascimento inicial, teve grande correlação com a redução no ganho de peso diário após a fase de aleitamento. Isto implica que parte da energia é destinada a mantença dos bezerros, antes que eles consigam a consumir grande quantidade de concentrado inicial.

Em resumo, o conteúdo de proteína sérica medida pelo refratômetro não foi um preditor significativo do crescimento de bezerros leiteiro nos primeiros 56 dias de vida. Entretanto, quando a estimativa de transferência de imunidade passiva foi classificada como pobre, mediana ou adequada, a concentração de proteína sérica foi um significante preditor de ganho de peso diário e eficiência alimentar. A ingestão de concentrado e sucedâneo foram as variáveis mais importantes para predizer o crescimento de bezerros.

Referência:
Bateman, H.G.; Hill, T.M.; Aldrich, J.M.; Schlotterbeck, R.L.; Firkins, J.L. Meta-analysis of the effect of initial serum protein concentration and empirical prediction model for growth of neonatal Holstein calves through 8 weeks of age. J. Dairy Sci. 95:363–369


Comentários
O monitoramento da concentração de proteína sérica tem sido utilizado com sucesso para a classificação de bezerros de acordo com seu grau de transferência de imunidade passiva: adequada, moderada ou ruim. Embora esta avaliação indique animais não tiveram transferência adequada, não há muito que se fazer, uma vez que esta é uma condição que não pode ser revertida. Por outro lado, auxilia no ajuste dos protocolos de colostragem, incluindo adequações na coleta e armazenamento, controle de qualidade em termos de concentração de imunoglobulinas, além de tempo e volume para fornecimento, o que está altamente relacionado com o treinamento e atitude de tratadores. A adequada colostragem é o principal fator que determina sobrevivência e consequentemente o desempenho daqueles que sobrevivem. No entanto, o uso da concentração de proteína sérica como único fator de predição de crescimento animal não traz bons resultados. O desempenho depende também fortemente do consumo de nutrientes, seja através do consumo de concentrado ou dieta líquida; sendo também importante o conhecimento da composição destes alimentos. A elaboração de modelos de predição de crescimento pode auxiliar no melhor estabelecimento de manejos alimentares diferentes de acordo com o sistema de produção, com o tipo do animal, além de seu grau de transferência de imunidade passiva.





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CARLA MARIS MACHADO BITTAR

Prof. Do Depto. de Zootecnia, ESALQ/USP

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ALEXANDRE VALISE SIQUEIRA

LAVRAS - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 01/07/2013

Parabéns Glauber e Carla pelo artigo.

Nutricionalmente qual ou quais os nutrientes que vocês julgam mais importantes para o desenvolvimento do bezerro após boa colostragem?
ADEMAR SANDINI

SÃO MIGUEL DO OESTE - SANTA CATARINA - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 29/06/2013

bom artigo sobre a criação de bezeras,boa orientação.
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