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Influência do teor de proteína no concentrado inicial sobre o crescimento de bezerros leiteiros em programa de nutrição para crescimento acelerado

POR CARLA MARIS MACHADO BITTAR

E JACKELINE THAIS DA SILVA

CARLA BITTAR

EM 25/07/2012

5 MIN DE LEITURA

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Tradicionalmente, os sistemas de criação de bezerras são planejados para diminuir o custo da novilha de reposição, principalmente através do estimulo ao consumo precoce de concentrado inicial e consequente redução do período de aleitamento. Pesquisas nas últimas décadas aumentaram o interesse da implantação de programas de alimentação acelerada ou intensiva, com fornecimento de maiores quantidades de leite ou sólidos do sucedâneo oferecidos aos animais. Estes programas possuem potencial para aumentar as taxas de crescimento do animal e diminuir a idade ao primeiro parto, proporcionando um maior benefício econômico em longo prazo para os produtores.

Bezerros alimentados com maiores quantidades de leite ou sucedâneo apresentam aumento no ganho de peso diário e na eficiência de ganho durante o período de aleitamento. Por outro lado, sabe-se que o aumento no fornecimento de sucedâneo diminui o consumo de concentrado inicial neste período, podendo limitar o desenvolvimento do rúmen e diminuir o ganho de peso no período pós-desaleitamento. Esta redução deve-se normalmente ao menor consumo de nutrientes totais e menor digestibilidade ruminal.

Uma alternativa para diminuir os prejuízos no desempenho dos animais no período pós-desaleitamento é aumentar a oferta de proteína metabolizável (PM) no concentrado inicial para evitar a limitação de aminoácidos mesmo com baixo consumo pelo bezerro. No programa de alimentação acelerada, o teor de proteína bruta no sucedâneo deve ser maior que o teor de proteína bruta nos sucedâneos convencionais para permitir as maiores taxas de crescimento de tecido magro. Dessa forma, acredita-se que a PB do concentrado inicial também deveria ser maior. O National Research Council (NRC - Conselho Nacional de Pesquisa americano) recomenda 18% de PB na MS, equivalente a 16% de PB no concentrado inicial para bezerros criados convencionalmente. O modelo do NRC sugere que 18% PB no concentrado deveria ser adequado para bezerros alimentados com sucedâneo com maiores teores de PB, e que o fator limitante de crescimento seria mais a energia que a PB. Entretanto, não existem estudos conclusivos de quando um aumento na concentração de PB ou PM no concentrado inicial é necessário.

Assim, foi realizado um estudo com o objetivo de determinar o efeito do teor de PB no concentrado inicial sobre o crescimento de bezerros leiteiros, do nascimento até a 10ª semana de vida em um programa de nutrição para crescimento acelerado, e comparar este programa ao sistema convencional. A hipótese desse estudo foi que maiores concentrações de PB no concentrado inicial deveriam aumentar a fonte de PM, assim como auxiliar na manutenção do crescimento e no período pós-desaleitamento em bezerros no programa de nutrição para crescimento acelerado.

Para a realização deste estudo foram utilizados 89 bezerros da raça Holandês, 64 fêmeas e 25 machos, divididos em três tratamentos:

1. Sucedâneo convencional (20% PB, 20% EE) + concentrado convencional (19,6% PB na MS)
2. Sucedâneo reforçado (28,5% PB, 15% EE) + concentrado convencional
3. Sucedâneo reforçado + concentrado inicial com alta PB (25,5% PB na MS)

O sucedâneo convencional (12,5% sólidos) foi fornecido, duas vezes por dia, a 1,25% do peso ao nascer (PN) de MS de sucedâneo até a quinta semana de vida dos animais, e 0,625% PN de MS de sucedâneo uma vez por dia durante a sexta semana. Já o sucedâneo reforçado (15% sólidos), foi fornecido 1,5% PN de MS de sucedâneo na primeira semana e 2% PN de MS de sucedâneo da segunda até a quinta semana, divididos em duas refeições por dia; na sexta semana os animais receberam apenas 1% PN de sucedâneo. Todos os animais receberam concentrado inicial, dependendo do tratamento, à vontade e foram desaleitados com 42 dias de vida.

Como pode ser observado na Tabela 1, os bezerros do tratamento sucedâneo reforçado + concentrado com alta PB apresentaram maior consumo de matéria seca total, proteína bruta total e energia metabolizável total. O aumento no consumo de concentrado com alta PB fornece maiores quantidades de PB e EM antes e durante o processo de desaleitamento, beneficiando o crescimento e a saúde dos bezerros durante o período de transição no desaleitamento.

O consumo de MS, PB e EM proveniente do sucedâneo foram maiores (P<0,0001) para os bezerros alimentados com o sucedâneo reforçado, quando analisado apenas a dieta líquida; e o consumo de MS, PB e EM do concentrado inicial durante o aleitamento, foi maior nos bezerros alimentados com o sucedâneo convencional.

Tabela 1. Consumo diário de matéria seca (MS), proteína bruta (PB) e energia metabolizável (EM) no sucedâneo e concentrado inicial durante o período de aleitamento (semana 1 a 5) para bezerros recebendo sucedâneo convencional (SC) ou sucedâneo reforçado (SR), e concentrado inicial convencional (CC) ou concentrado inicial com alta PB (CA)



As medidas de crescimento corporal como peso vivo, ganho de peso diário, altura na cernelha e perímetro torácico, foram maiores para os animais do tratamento sucedâneo reforçado (P=0,0001; Tabela 2). No entanto, a esperada vantagem de bezerros recebendo sucedâneo reforçado + concentrado com alta PB sobre os animais recebendo sucedâneo reforçado + concentrado convencional não apresentou diferença estatisticamente significativa (P=0,11) para as medidas corporais de crescimento.

Tabela 2. Medidas corporais de crescimento durante a semana 5, que antecede o desaleitamento, e semana 10 de bezerros recebendo sucedâneo convencional (SC) ou sucedâneo reforçado (SR), e concentrado inicial convencional (CC) ou concentrado inicial com alta PB (CA)




Contudo, neste trabalho os animais que receberam sucedâneo reforçado apresentaram maiores taxas de ganho e eficiência de ganho até a 10ª semana de vida. A eficiência de ganho e o crescimento corporal não foram diferentes entre o concentrado convencional e o concentrado com alta PB. Portanto, foi concluído que o consumo de concentrado na semana pré-desaleitamento é um forte indicador de ganho de peso na semana pós-desaleitamento, e que bezerros deveriam consumir pelo menos 1 kg de MS de concentrado inicial diariamente antes do desaleitamento para garantir crescimento contínuo no pós-desaleitamento, independentemente do sistema de aleitamento adotado.


STAMEY, J.A.; JANOVICK, N.A.; KERTZ, A.F.; DRACLEY, J.K. Influence of starter protein content on growth of dairy calves in an enhanced early nutrition program. Journal of Dairy Science, v.95, p. 3327-3336, 2012.



Comentários
É crescente a adoção de programas de aleitamento intensivo no Brasil, principalmente devido a possibilidade de aumentos no potencial de produção de animais alimentados com maiores volumes de leite. No entanto, para que este sistema funcione e resulte em aumentos no ganho de peso dos animais, assim como no potencial de produção, o sucedâneo fornecido deve apresentar maior teor de proteína bruta do que os sucedâneos para aleitamento convencional. Os trabalhos na literatura que mostram vantagens desse sistema apresentam na maior parte das vezes 28% de PB, enquanto que os produtos que temos disponíveis no mercado tem em torno de 22% de PB. Além de maior teor de PB no sucedâneo, é importante que a composição do concentrado também seja ajustada de forma que o suprimento de proteína metabolizável não seja drasticamente reduzido por ocasião do desaleitamento. Assim como tanto outros trabalhos, este também mostrou que muitas vezes o fator de maior impacto para o desempenho adequado logo após o desaleitamento é o consumo de concentrado. Práticas que maximizem ganho de peso no período de aleitamento devem sempre considerar seus efeitos no que diz respeito a o consumo de concentrado para que o desaleitamento seja realizado com sucesso. Adicionalmente, alguns trabalhos também já mostram alta correlação do consumo de concentrado ao desaleitamento com a produção de leite futura dos animais.

CARLA MARIS MACHADO BITTAR

Prof. Do Depto. de Zootecnia, ESALQ/USP

JACKELINE THAIS DA SILVA

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RENATO CORDEIRO

CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 22/02/2013

Parabens pelo nivel dos seus trabalhos, excelentes.

E ao verificar a competencia que tem mostrado, eu queria por uma duvida que tenho que acaba por ser muito practica.

Estou começando uma criação de vitelos, que passa pela ordenha das vacas e depois, faço o desmame de vitelos comprados em outras explorações. A duvida é na forma de desmame, aconselha em colocar os animais em baias individuais ou em grupo. Em grupo reduz em manejo e em custo de instalações, mas receio de alguns animais ingerirem leite a mais, e provocar diarreias, ou nao ingerir a quantidade necessaria. Que acha?



Cumprimentos



Renato Cordeiro
CARLA MARIS MACHADO BITTAR

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 29/09/2012

Maurício,

os conceitos utilizados na nutrição de leitões se aplicam perfeitamente na nutrição de bezerros! A qualidade ou o valor biológico da proteína já está quase que implícito neste discussão, mas talvez fosse bom enfatizar mais...

Abs.,

Carla
CARLA MARIS MACHADO BITTAR

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 29/09/2012

Lourival,

nada de medicamentos!!! crescimento acelerado se consegue com nutrição e manejo alimentar adequados!!

Abs.,

Carla
CARLA MARIS MACHADO BITTAR

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 29/09/2012

Marcos,

as diferenças se devem as porcentagens de peso ao nascer de sucedâneo oferecido de acordo com os diferentes tratamentos.

Abs.,

Carla
CARLA MARIS MACHADO BITTAR

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 29/09/2012

Caro Marcio,

Seria interessante buscar auxílio de um técnico na região. Avaliando simplesmente a dieta, na verdade os ingredientes que você utiliza, sem saber a qualidade dos mesmos, é meio difícil lhe ajudar.

O caroço de algodão pode ser uma boa alternativa, mas você precisa balancear a dieta para adequado desempenho com baixo custo.

Abs.,

Carla
CARLA MARIS MACHADO BITTAR

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 29/09/2012

José Marcílio,

Seu pai falou de você mesmo!! Lembranças aí!
MAURICIO ANDREOLI

FRANCA - SÃO PAULO - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 06/09/2012

Prezadas Carla e Jackeline,


Primeiramente, parabéns pelo artigo, pois o mesmo fomenta a discussão da recompensa em se cuidar melhor das bezerras.


Em suinocultura temos um conceito de ganho adicional / peso a desmama e tenho certeza que este se aplica bem ao período de aleitamento e desaleitamento das bezerras. Assim considero deveras importante o empenho em se estudar a repercussão de um manejo nutricional de uma fase na próxima.


Entretanto, considero que o próximo passo seja dar mais importância à qualidade da proteína utilizada e não somente ao valor. A bezerra deve receber proteína com alto valor biológico, sejam proteínas naturais do leite ou processadas como no caso da proteína hidrolisada de soja, e não simples misturas que contemplem apenas os níveis desejados como se observa em muitos produtos no mercado.
LOURIVAL SOUZA PRADO FILHO

TUCANO - BAHIA - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 30/08/2012

Na verdade gostaria de uma orientação da seguinte forma. Bezerros apartados no periodo de 06 a 07 meses, dai em diante, qual seria o planejamento para o crescimento acelerado, que tipo de medicamento, alimentação de forma geral.


Aguardo esta orientação.
CRISTINA PIRAJA

RIBEIRÃO PRETO - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 06/08/2012

Parabéns pela matéria Professora Carla, já está ajudando muito para a minha monografia. Abraços ,Cristina Pirajá
MARCOS SOUZA DE FREITAS

SANTA ROSA - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 01/08/2012

Carla:

Parabéns pela matéria! Fiquei com uma pequena dúvida com relação aos valores da tabela 1 sobre o consumo diário de MS dos sucedâneos. A diferença é em função de diferentes médias de Peso ao Nascer? Esta diferença está considerada nos resultados?

Obrigado.
PAULO R. F. MÜHLBACH

PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 28/07/2012

Muito boa a informação.

Vale lembrar que um concentrado de formulação adequada para o período de aleitamento, por mais sofisticado e caro que seja, o mesmo dificilmente será mais dispendioso do que o leite, considerando-se a comparação em valor dos nutrientes expressos com base na matéria seca e consumidos por unidade de ganho de peso.

O curioso é que a indústria de rações ainda não se interessou por esse mercado.
MARCIO RANGEL BORGES

GUAÇUÍ - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 26/07/2012

Carla, fugindo um pouco do artigo, estou com uma duvida sobre a dieta de bezerras desmamadas com media de 6 meses a 1 ano elas estão em lote só total de 6 unidades, comendo cana com ureia, e concentrado energetico de fuba, e sal mineral a vontade, o desenvolvimento delas não esta como esperado, queria saber o que posso mexer ou acrescentar. tenho duvidas sobre caroço de algodão que esta disponivel em minha região.
JOSE MARCILIO OGGIONI BORGES

BOM JESUS DO ITABAPOANA - RIO DE JANEIRO - ZOOTECNISTA

EM 25/07/2012

BOA MATERIA!
CARLA, SOU FILHO DO JARBAS Q FEZ UM CURSO POR ESSES DIAS NA ESALQ AI VC PEDIU P EU ME IDENTIFICAR
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