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Fornecimento de fonte de fibra

POR CARLA MARIS MACHADO BITTAR

E LUCAS SILVEIRA FERREIRA

CARLA BITTAR

EM 22/06/2012

5 MIN DE LEITURA

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Já no início da década de 50 pesquisadores da Universidade de Cornell demonstraram a importância da dieta sólida para o desenvolvimento do rúmen quando observaram a regressão do desenvolvimento ruminal substituindo o fornecimento de dieta de grão e feno por leite em bezerros jovens já desaleitados. Mudanças neste compartimento são dinâmicas e altamente dependentes do tipo de dieta do animal. A troca de dieta composta principalmente de concentrado para aquela de forragem reduz o desenvolvimento papilar, epitelial e muscular. Adicionalmente, a completa retirada de alimento sólido leva ao total desaparecimento de papilas ruminais, regressão do tecido do compartimento ruminal e ausência de crescimento do mesmo. O crescimento de papilas ruminais é mínimo em bezerros alimentados somente a base de leite, o qual não sofre fermentação ruminal, quando comparados com animais alimentados com alimento concentrado ou feno.

Durante muito tempo acreditou-se que o fornecimento de feno ao bezerro em aleitamento fosse indispensável, devido ao estímulo físico para o desenvolvimento de papilas. Contudo, quando material inerte ou esponjas foram fornecidos à pré-ruminantes, observou-se que somente o estímulo físico não é suficiente para um desenvolvimento adequado. O fornecimento deste tipo de material não resulta no início do desenvolvimento epitelial e sim na expansão e crescimento muscular e capacidade do rúmen (Huber, 1969). O fornecimento de forragem é importante para o crescimento da camada muscular do rúmen e para manutenção de epitélio ruminal saudável, capaz de absorver ácidos graxos voláteis, os produtos finais da fermentação, mas não estimula o desenvolvimento de papilas (Lydorf Jr., 1988).

O consumo voluntário de feno é muito reduzido até aproximadamente 6 - 7 semanas de idade e, como a maior parte do feno disponível tem baixa energia para bezerros, se recomenda seu fornecimento somente após o desaleitamento (Quigley, 1996) ou a partir de 6ª ou 7ª semana caso o mesmo seja mais tardio, o que ocorre principalmente em sistemas intensivos de aleitamento. Klein et al. (1987) demonstraram que a inclusão de feno na ração inicial de bezerros não afetou de forma positiva o desenvolvimento do rúmen ou o desempenho desses animais. Quigley et al. (1992) observaram que o fornecimento de feno para bezerros, após a desmama com 8 semanas de vida, reduziu os níveis de corpos cetônicos (BHBA e ACAC), provavelmente pela redução na produção de ácido butírico no rúmen. Se o fornecimento de feno fosse realizado antes da desmama à custa do fornecimento de concentrado, acarretaria no atraso no desenvolvimento do rúmen graças à menor produção de butirato.

Outro ponto bastante discutido é o fornecimento de volumoso logo após o desaleitamento. Tradicionalmente estes animais têm recebido feno, nem sempre de boa qualidade, sendo volumosos com a silagem de capim ou de milho fornecidos menos freqüentemente. Alguns produtores e técnicos têm associado o fornecimento de silagem com a ocorrência de diarréias e problemas digestivos em bezerros, muitas vezes devido ao manejo alimentar inadequado ou fornecimento de silagem de baixa qualidade e problemas de conservação, sendo fornecido até material em deterioração.

Já na década de 70, trabalhos demonstraram que bezerras tendem a consumir menor quantidade de matéria seca de silagem do que de feno, resultando em menores ganhos diários. Segundo Bush (1991), a ingestão de volumosos pode ser afetada por características como a porcentagem de FDN, com a qual se relaciona negativamente. Este autor comparou diversos volumosos para bezerros antes e após o desaleitamento e observou que o consumo voluntário de forragens por bezerros jovens é muito baixo durante o aleitamento, sendo também pouco representativo do consumo de matéria seca total mesmo no mês seguinte ao desaleitamento. O trabalho demonstrou ainda que bezerros consomem quantidades significativas de forragem somente após alcançarem o máximo consumo de concentrado. No trabalho de Bush (1991), o consumo de forragem em porcentagem da matéria seca total consumida foi maior em bezerros alimentados com a mistura silagem: feno de alfafa, quando comparada ao fornecimento somente de silagem ou de feno de gramínea. Estas diferenças no consumo voluntário acompanharam diferenças na composição química das dietas, sugerindo que a qualidade é um dos fatores determinantes da preferência por volumosos. Assim, qualquer que seja a opção para o fornecimento é essencial que a forragem seja de boa qualidade.

A inclusão de fontes de fibra no concentrado de bezerros em aleitamento foi estudada em quatro experimentos conduzidos pela equipe de Hill (2008). Em três estudos, a inclusão de fibra na forma de 5 e 10% de caroço de algodão ou 2,5 e 5% de feno, reduziu o consumo de concentrado, o ganho de peso e a eficiência em bezerros 30-60 dias de idade. Em bezerros mais velhos (60-88 d de idade), a inclusão de 5% de caroço de algodão juntamente com 5% de feno (estudo 1), 10% caroço de algodão (estudo 2) ou 15% feno de 15% no concentrado (estudo 4) tendeu a reduzir ou a ingestão de concentrado e o GDP em comparação com concentrado contendo 5% de feno, 5% caroço de algodão, ou sem a inclusão de fonte de fibra. Segundo os autores, a diluição na densidade energética e a redução na digestibilidade causada pela inclusão de fontes de fibra no concentrado inicial explicam parte da redução no GDP. A baixa capacidade ruminal de animais jovens pode por outro lado explicar a redução no consumo de concentrado contendo feno picado, muito embora o consumo de feno resulte em grande aumento em volume deste compartimento como vários trabalhos mostram. Segundo Hill et al. (2008) a inclusão de 5% de fonte de fibra no concentrado para animais mais velhos pode ser benéfica no sentido de manter a saúde ruminal em termos de pH. Quantidades limitadas de forragem (5%) podem ter aumentado a eficiência de bezerros mais velhos. No entanto, concentrados com 10 a 15% de forragem reduzem tanto a eficiência quanto o GDP. Os autores concluem que a inclusão de 2,5 a 15% de forragem no concentrado inicial de bezerros alterou o consumo de forma inconsistente.

Assim, pode-se concluir que não há necessidade de fornecimento de volumoso até pelo menos a 7 semana de vida de bezerros leiteiros, muito embora o concentrado tenha que apresentar níveis de fibra (FDN e FDA) adequados para promover saúde ruminal. Após o desaleitamento, a fonte de volumoso adotada deve ser aquela que apresente alta qualidade, de forma a estimular consumo e resultar em desempenhos adequados.

Referências

BUSH, R.S. The effects of hay and silage on growth and rúmen function in Young Holstein calves. Can. J. Anim. Sci., v.71, p.145-153, 1991.
HUBER, J.T. Development of the digestive and metabolic apparatus of the calf. J. Dairy Sci., v. 52, p.1303-1315, 1969.
LYDORF JR., S.J. Growth and development of the ruminant digestive system. In: The ruminant digestive physiology and nutrition. Ed. Church, D.C. Waveland Press, Inc, 1988.
QUIGLEY III, J.D. Feeding prior to Weaning. In: Calves, Heifers and Dairy Profitability National Conference. Harrisburg, Pennsylvania, 1996b.
QUIGLEY III, J.D., STEEN, T.M. E BOEHMS, S.I. Postprandial changes in selected blood and ruminal metabolites in ruminanting calves fed diets with or without hay. J. Dairy Sci., v.75(1), p.228, 1992.

CARLA MARIS MACHADO BITTAR

Prof. Do Depto. de Zootecnia, ESALQ/USP

LUCAS SILVEIRA FERREIRA

Engenheiro agronômo formado pela UFSCar e Doutor em Ciência Animal e Pastagens pela ESALQ - USP na área de nutrição e avaliação de alimentos para bovinos. Atualmente exerce a função de Nutricionista de Ruminantes na Agroceres MMX Nutrição Animal

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