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Extrato de plantas como modificadores de desempenho de bezerros leiteiros

POR CARLA MARIS MACHADO BITTAR

E FLÁVIA SANTOS

CARLA BITTAR

EM 28/11/2013

4 MIN DE LEITURA

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Os antibióticos são frequentemente utilizados na nutrição de ruminantes com o objetivo de manipular a fermentação ruminal, além de diminuir o crescimento de microrganismos que reconhecidamente possuem a capacidade de reduzir o desempenho e aumentar as taxas de morbidade e mortalidade, como os causadores de diarreia em bezerros.

A utilização maciça de antibióticos na produção animal não tem sido bem vista atualmente, devido às exigências dos países importadores. A alegação de resistência de cepas bacterianas e além das preocupações com segurança alimentar ganharam força e conduziram a comunidade científica a buscar alternativas. Assim, muitos estudos têm sido realizados na procura de novos compostos que possam ser utilizados com a mesma finalidade dos antibióticos, mas que preservem a saúde humana, sem geração de microrganismos resistentes e sem resíduos nos produtos de origem animal.

Os produtos considerados como “naturais” e que, portanto, não apresentam risco de desenvolvimento de resistência dos microrganismos, são os probióticos, prebióticos, ácidos orgânicos e compostos do metabolismo secundário das plantas como os óleos essenciais. Os óleos essenciais apresentam ação como antissépticos, antifúngicos e antimicrobianos. As propriedades antimicrobianas já foram comprovadas contra vários microrganismos, incluindo bactérias, protozoários e fungos, o que poderia ser utilizado na produção animal, principalmente em categorias mais susceptíveis, como bezerros em aleitamento.

Na criação de suínos, os óleos essenciais são reconhecidos pelos seus efeitos benéficos como antimicrobianos, substituindo os antibióticos, principalmente após o desaleitamento. A suplementação com óleos essenciais em dietas de leitões aumenta o desempenho animal, diminui a ocorrência de diarreias e as taxas de mortalidade. Em alguns casos já foi verificado o aumento das bactérias benéficas do trato intestinal.

Na criação de bezerras, os óleos essenciais podem resultar em benefícios como a redução na ocorrência e duração das diarreias, aumentando o desempenho animal e diminuindo as taxas de mortalidade. Além disso, apresenta alto potencial de manipulação da fermentação ruminal, devido ao seu efeito sobre a população de microrganismos ruminais.

A diarreia é a principal doença que afeta os bezerros nas primeiras semanas de vida, sendo sua ocorrência comum dias após o nascimento do animal. Sua severidade varia de acordo com a capacidade do animal em superar essa adversidade. Portanto, animais que não foram corretamente colostrados, com imunidade baixa causada por outra doença ou sob estresse (ambiental ou comportamental), tendem a sofrer mais com a diarreia, o que pode levá-los à morte. Assim, a redução de microrganismos patogênicos intestinais melhora a qualidade de vida do animal, aumentando seu desempenho. O relatório do Sistema Nacional de Acompanhamento da Saúde Animal de 2011 (USDA, 2011) revelou que 89% dos animais jovens são alimentados com sucedâneo lácteo com algum tipo de antibiótico. O relatório alerta para a utilização maciça de antibióticos na alimentação animal e a futura resistência de cepas bacterianas.

Os óleos essenciais possuem efeito antimicrobiano no trato intestinal de bezerros, e já foram encontradas diversas respostas frente a suplementação, devido principalmente às diferentes doses e vias de fornecimento. Dentre os efeitos estão: melhora da digestão e do equilíbrio da eficiência alimentar, manutenção da microflora intestinal, inibição de patógenos e prevenção de diarreia. No entanto, efeitos negativos também já foram relatados, como redução da atividade enzimática e alteração da anatomia da parede intestinal.

Os óleos essenciais podem ser fornecidos no sucedâneo lácteo ou leite integral, bem como no concentrado inicial. Esta via de fornecimento, por sua vez, apresenta foco na modulação da fermentação ruminal e na população de microrganismos ruminais. Em estudos realizados pelo grupo de pesquisa em Metabolismo Animal da Esalq/USP ficou comprovado que a mistura de óleos essenciais de canela, eucalípito, pimenta e orégano (Activo, GRASP®) não modificou a aceitação do leite ou do alimento sólido por parte dos animais, indicando que se ocorreu alguma mudança na palatabilidade, esta não influenciou no consumo dos animais. A rejeição pelo alimento é fator determinate para eficácia do aditivo. Odor ou sabor muito fortes e caracterísiticos podem resultar na rejeição pelo animal, com isso não cumprindo o objetivo da suplementação.


Figura 1. Vias de fornecimento de óleos essenciais para bezerros leiteiros: dieta líquida ou dieta sólida.

Os trabalhos iniciais com óleos essencias para bezerros apresentaram resultados positivos e promissores, sendo observados aumento no consumo de concentrado inicial, melhor eficiência de conversão e aumento de ganho diário de peso. Nestes trabalhos, a mistura de óleos essenciais foi fornecida via sucedâneo lácteo em doses semelhantes e os animais foram acompanhados até o desaleitamento.

Um experimento conduzido na unidade de pesquisa de bezerros e novilhas da Universidade de Minnesota (EUA) avaliou o efeito de uma mistura de extrato de plantas sobre o desempenho de bezerras e novilhas da raça Holandesa (Chester-Jones et al., 2010). Os animais tratados com a mistura no sucedâneo lácteo e no concentrado inicial foram comparados com animais tratados apenas com antibiótico e com animais controle (sem mistura de extrato de plantas e sem antibiótico). Observou-se aumento do ganho de peso e maior consumo de ração para os animais tratados somente com a mistura de extrato de plantas, confirmando a hipótese de que alguns compostos extraídos das plantas atuam no aumento da produção de saliva e muco, bem como enzimas digestivas, maximizando a digestão de alimentos para a absorção dos nutrientes. Os distúrbios intestinais foram reduzidos para os animais tratados com o suplemento fitogênico.



Figura 2. Efeito da suplementação do sucedâneo lácteo com óleos essenciais no peso vivo de bezerros.





Figura 3. Consumo total de concentrado no período de aleitamento (56 dias) de animais recebendo sucedâneo lácteo, medicado, não medicado ou contendo óleos essenciais.

A suplementação com os óleos essenciais ainda apresenta respostas bastante variáveis devido às diversas fontes de óleos, bem como as vias e as doses de fornecimento. No entanto, apresentam alto potencial de pesquisa e de aplicação no campo.


Referências

Chester-Jones, H.; Steiner, T.; Watkins, M.; Taylor, D.; Ziegler, D.; Raeth-Knight, M.; Golombeski, G. Pre- and post-weaning performance and health of calves fed milk replacers and calf starters with or without essential oils. Journal Animal Science, v. 88, suppl. 2, p. 421, 2010.

 

ARTIGO EXCLUSIVO | Este artigo é de uso exclusivo do MilkPoint, não sendo permitida sua cópia e/ou réplica sem prévia autorização do portal e do(s) autor(es) do artigo.

CARLA MARIS MACHADO BITTAR

Prof. Do Depto. de Zootecnia, ESALQ/USP

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DARCI BUZZO

EM 30/07/2014

EU, ainda não estou produzindo leite ,minhas novilhas vão começar a produzir leite ,no mês de dezembro deste ano.
CLAUDIO BUFULIN

SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 29/11/2013

Sr.Roberto Mangieri Junior, seu comentário tem muita valia. Nos preocupamos muitas vezes somente com a doença e não com o porque dela estar instalada.
ROBERTO MANGIÉRI JUNIOR

JUNDIAÍ - SÃO PAULO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 29/11/2013





Os produtos considerados como "naturais" e que, portanto, não apresentam risco de desenvolvimento de resistência dos microrganismos,( copia do artigo acima). ISTO NÃO EXISTE. Todo produto quimico ( da quimica natural ou sintetico) é passivel de resistencia.

E mais, acabam com a biodiversidade - do aparelho digestivo e do meio, pois havera residuos nas fezes. O resultado apresentado parece ser bom, no inicio, mas fatalmente vai induzir resistencia. Deveríamos nos preocupar com o desequilibrio (queda da imunidade) que faz com que os individuos adoeçam e não com o Microrganismo que e aproveita de uma situação imunologica desfavoral.
FABIANO MARAFON

GUARAPUAVA - PARANÁ

EM 28/11/2013

Trabalho na região Oeste do Paraná e estou acompanhando há alguns meses o fornecimento de concentrado inicial contendo óleos essenciais para bezerras, com certeza este aditivo está trazendo muitos benefícios para esta faze muito importante na pecuária leiteira. Propriedades onde apresentam bom manejo de bezerras e que ainda estavam sofrendo com problemas de diarreias observaram uma redução significativa desta afecção após fornecerem um concentrado inicial contendo óleos essenciais em sua composição. O concentrado utilizado é o Golden Milk Pré-Inicial e o Golden Milk Inicial da Cooperativa Agrária, esta empresa também possui os óleos essenciais nos concentrados destinados a vacas em produção.
BARBARA PIFANO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 28/11/2013

bom gostei muito dessa tecnica e gostaria de saber4 onde posso comprar?
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