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Efeito do fornecimento de leite em step-up/step-down e step-down para bezerros leiteiros da raça Holandesa

POR CARLA MARIS MACHADO BITTAR

E FERNANDA LAVÍNIA MOURA SILVA

CARLA BITTAR

EM 31/05/2016

8 MIN DE LEITURA

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A criação de bezerras saudáveis é crucial para o sucesso em longo prazo e a sustentabilidade da indústria leiteira. Recentemente, a atenção tem sido voltada para o efeito do aumento do fornecimento de leite no consumo de concentrado inicial e no desenvolvimento ruminal de bezerros leiteiros.

Resultados na literatura têm se mostrado controversos em relação ao desempenho de bezerros alimentados com uma maior quantidade de leite antes do desaleitamento, comparado com o de bezerros alimentados com base no protocolo de aleitamento convencional. Embora alguns estudos tenham reportado melhorias nas taxas de crescimento, eficiência alimentar, ganho de peso corporal e desempenho, outros têm mostrado que alimentar os bezerros com maiores quantidades de leite pode reduzir o consumo de concentrado inicial, o crescimento e o desenvolvimento do rúmen-retículo. As discrepâncias observadas podem ser devidas as diferenças na quantidade, métodos e qualidade da dieta líquida fornecida (leite ou sucedâneo), assim como as diferentes condições de manejo entre os estudos.

Décadas de pesquisa têm focado em procedimentos alternativos para o fornecimento de leite aos bezerros leiteiros na tentativa de melhorar o ganho de peso e a saúde sem efeitos negativos no consumo de concentrado inicial ou no desenvolvimento ruminal. No método convencional, os bezerros recebem uma quantidade restrita de leite ou sucedâneo (4 L/d, equivalente a aproximadamente 10% do peso ao nascer) durante o período de aleitamento. Alternativamente, o método step-down permite que os bezerros recebam uma maior quantidade de leite em relação ao método convencional. Neste método, os bezerros recebem mais leite do que o método convencional durante as semanas iniciais do período de aleitamento (6 L/d de leite do dia 1 ao dia 29, por exemplo), seguido por uma quantidade fixa até o desaleitamento (4 L/d do dia 30 ao dia 60). Um outro procedimento para fornecer maiores quantidades de leite aos bezerros com o objetivo de estimular o consumo de concentrado inicial e promover o desenvolvimento ruminal e o desempenho em bezerros é o método step-up/step-down. Neste método, o fornecimento de leite é gradualmente aumentado até alcançar um pico no meio do período de aleitamento, depois é gradualmente reduzido até os níveis originais, no final do aleitamento.

Assim, o objetivo do estudo de Omidi-Mirzaei et al. (2016) foi determinar o efeito dos métodos de fornecimento de leite (step-down vs. step-up/step-down) sobre o ganho de peso, consumo de concentrado, eficiência alimentar, metabólitos sanguíneos e escore fecal em bezerros leiteiros.

Para a pesquisa foram utilizados 45 bezerros machos. Os animais foram submetidos aos seguintes tratamentos: convencional (CONV: 4L/d de leite do dia 1 ao dia 52, e 2L/d de leite do dia 53 ao dia 56); step-down (STD: 6L/d de leite do dia 1 ao dia 29, 4L/d de leite do dia 30 ao dia 45, e 2L/d de leite do dia 46 ao dia 56); step-up/step-down (SUSD: 6L/d de leite do dia 1 ao dia 5, 8L/d de leite do dia 6 ao dia 15, 10L/d de leite do dia 16 ao dia 35, 8L/d de leite do dia 36 ao dia 42, 6L/d de leite do dia 43 ao dia 47, 4L/d de leite do dia 48 ao dia 52, e 2L/d de leite do dia 53 ao dia 56) (Figura 1).

Todos os bezerros receberam de 3 a 4 litros de colostro nas 8 primeiras horas de vida, e foram submetidos ao estudo com 72 horas de vida. Os animais foram desaleitados com 56 dias de vida, mas permaneceram no estudo até os 70 dias de vida. O consumo de concentrado inicial e de leite, e o escore fecal foram mensurados diariamente, enquanto o peso foi registrado semanalmente durante o período pré (d 1 ao 56) e pós (57 ao70) desaleitamento. Mensurações corporais incluindo comprimento do corpo, perímetro torácico, altura de cernelha, altura de garupa e largura de garupa foram mensurados ao desaleitamento (d 56) e ao final do período experimental (d 70). Amostras de sangue foram coletadas nos dias 21, 35, 49, 61 e 70 do estudo, 3h após o primeiro fornecimento do dia.

Figura 1. Esquema dos diferentes programas de aleitamento.


Os bezerros do tratamento SUSD consumiram maiores quantidades de concentrado inicial e de concentrado total em relação aos outros tratamentos, durante o período pré-desaleitamento (Tabela 1). Durante o período pós-desaleitamento, o grupo STD consumiu maiores quantidades de concentrado inicial em relação aos outros grupos. Para os autores, a diferença entre os animais do grupo STD e do grupo SUSD em relação ao consumo de concentrado inicial durante o período pós-desaleitamento pode ser devido a maior dependência de leite dos animais do tratamento SUSD. Por outro lado, os bezerros aleitados segundo o programa SUSD apresentaram maior ganho de peso diário em relação aos outros tratamentos durante o período pré-desaleitamento.

No entanto, o grupo STD teve maior ganho diário que os animais aleitados segundo o programa convencional durante todo o estudo, se igualando ao ganho do grupo SUSD no período pós-desaleitamento. A eficiência alimentar durante o período pré-desaleitamento foi maior para os bezerros aleitados segundo o programa SUSD. Durante o período pós-aleitamento, o grupo STD aumentou sua eficiência alimentar em relação ao grupo CONV. Isto se deve possivelmente, ao maior consumo de matéria seca total apresentado pelos grupos STD e SUSD durante os dois períodos experimentais.

As diferenças observadas para o peso corporal seguem diferenças no volume total de leite fornecido em cada programa de aleitamento. Assim, o peso corporal foi maior para o grupo SUSD em relação aos outros tratamentos durante todo o período experimental (d 1 ao d 70). Os animais do grupo STD, por sua vez, tiveram o peso corporal maior do que os animais do grupo CONV.

Tabela 1.
Dados de CMS total e de concentrado, GMD, Eficiência alimentar e Peso corporal durante todo o período experimental.

Em relação as medidas corporais, o grupo SUSD apresentou maiores resultados em relação aos outros tratamentos durante o período pós-desaleitamento. Não foram encontradas diferenças de medidas corporais entre os tratamentos STD e CONV. Os maiores valores de medidas corporais para o grupo SUSD pode ser atribuído ao maior consumo de concentrado inicial e de leite desses animais.

Segundo os autores, estudos prévios têm mostrado o efeito benéfico do fornecimento de maiores quantidades de leite sobre o crescimento, idade ao primeiro parto e produção de leite durante a primeira lactação, comparado com o método convencional. Não foi observada diferença entre os tratamentos para os dados de escore fecal.

Não foram observadas diferenças nas concentrações de glicose entre os tratamentos STD e CONV, porém, o grupo SUSD apresentou maior resultado em relação aos demais tratamentos no d 35. Este aumento pode estar relacionado ao maior consumo de matéria seca pré-desaleitamento, e em particular, ao maior fornecimento de leite como fonte de lactose. As concentrações de albumina não apresentaram diferenças entre os tratamentos. No entanto, concentrações de proteína total e de BHBA foram menores no tratamento SUSD em relação ao tratamento STD durante o período pré-desaleitamento, não apresentando diferença no período pós-desaleitamento. Não foram observadas diferenças nas concentrações de BHBA entre os tratamentos STD e CONV durante todo o estudo. Para os autores, estes resultados podem indicar início da fermentação ruminal e melhor função ruminal nos animais do grupo STD comparado com os animais do grupo SUSD. A menor concentração de BHBA no grupo SUSD durantes as semanas 3 a 7 podem ser devido ao maior consumo de leite e menor consumo de concentrado inicial neste período.

Como conclusão, o tratamento SUSD proporciona melhor desempenho aos bezerros (CMS total, peso corporal, crescimento, e concentrações de glicose) em relação aos tratamentos STD e CONV. Este melhor desempenho pode ser explicado pela maior disponibilidade de nutriente devido a considerável maior quantidade de leite fornecida. No entanto, o tratamento STD apresenta concentrações de BHBA aumentadas durante o período pré-desaleitamento comparado ao tratamento SUSD, sugerindo uma iniciação da fermentação ruminal mais precoce.

Comentários

O aleitamento intensivo tem sido cada vez mais adotado pelos produtores que tem por objetivo além de desaleitar bezerras mais pesadas, aumentar o potencial de produção de leite destes animais na primeira lactação. No entanto, como o consumo de concentrado é inversamente proporcional ao consumo de dieta líquida, muitas vezes o desaleitamento resulta em perda de peso destes animais. Nestas situações, o investimento realizado no período de aleitamento acaba sendo perdido com o desaleitamento pelo fato do animal não estar pronto do ponto de vista anatômico-metabólito, ou seja, ter o rúmen parcialmente desenvolvido, para assumir a dieta de um ruminante adulto. Assim, alterações nos programas de aleitamento para estimular o consumo de concentrado no final do período tem sido testados e demonstrados como eficientes para contornar o problema. Programas em escada com volumes decrescentes próximo do desaleitamento (step down); ou aqueles com aumento no volume e depois redução também próximo da data de desaleitamento (step-up/step-down) tem sido efetivos em estimular o consumo de concentrado no final do período. No entanto, como resultam em volume total fornecido no período diferente, acabam resultando também em desempenhos diferentes. O mesmo ocorre com o custo da bezerra desaleitada. O presente estudo mostrou que animais em step-up/step-down, que acabaram recebendo maior volume total de dieta líquida, tiveram o melhor desempenho, mas durante o aleitamento apresentaram menores concentrações de metabólito que sugere desenvolvimento ruminal. No entanto, no período pós-desaleitamento estas concentrações se igualaram a dos outros tratamentos, comprovando que este programa de aleitamento é eficiente tanto no que se refere a otimizar desempenho, quanto a estimular o desenvolvimento ruminal. Fornecer maior es volumes de dieta líquida tem mostrado muitos benefícios aos animais não só do ponto de vista nutricional, mas também de saúde e bem estar. Por outro lado, quando o desaleitamento é mal feito, especialmente por que o produtor superestima a maturidade metabólica do animal, estes benefícios são perdidos e podem ser observadas perdas de peso, problemas de saúde e maiores níveis de estresse. Adequar manejo alimentar com adequados consumos de dieta líquida e dieta sólida só traz benefícios!

Referências bibliográficas

H. Omidi-Mirzaei; M. Khorvash; G. R. Ghorbani; B. Moshiri; M. Mirzaei; A. Pezeshki; M. H. Ghaffari. Effects of the step-up/step-down and step-down milk feeding procedures on the performance, structural growth, and blood metabolites of Holstein dairy calvesJournal of Dairy Science, v. 98, p. 1-7, 2015.
 

CARLA MARIS MACHADO BITTAR

Prof. Do Depto. de Zootecnia, ESALQ/USP

FERNANDA LAVÍNIA MOURA SILVA

Doutoranda em Ciência Animal e Pastagens, ESALQ/USP.

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MARCOS OTTONI DE ALMEIDA

FLORIANÓPOLIS - SANTA CATARINA - PESQUISA/ENSINO

EM 07/06/2016

Prezada Carla

Muito obrigado pela atenção.

Com o resultado de 1000 l a mais na 1ª lactação, já se ve um bom resultado para o sistema estudado

Um abraço

Marcos
CARLA BITTAR

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 07/06/2016

Marco,

temos alguns trabalhos sim! Entre em contato pelo e-mail carlabittar@usp.br que te mando os arquivos em pdf.

Abs.,

Carla
MARCO FIGUEROA

CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 06/06/2016

Estimada Carla y Fernanda tienen referencias de destetes hiperprecoz y precoz en ganado lechero y carne en Brasil,?
CARLA BITTAR

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 06/06/2016

Caro Marcos,

isso se aplica as fêmeas sim! Muitas pesquisas acabam sendo feitas com machos simplesmente por que acaba sendo caro comprar fêmeas para estes estudos.

Com relação a idade a puberdade e ao primeiro parto, os trabalhos com aleitamento intensivo não tem mostrado benefícios. O maior benefício é o aumento no potencial de produção destes animais, que podem produzir em torno de 1.000L a mais na primeira lactação em ralação a animais aleitados de forma convencional (4L/d).

Abs.,

Carla
MARCOS OTTONI DE ALMEIDA

FLORIANÓPOLIS - SANTA CATARINA - PESQUISA/ENSINO

EM 06/06/2016

Prezada Carla e Fernanda

Achei interessante o estudo.

Mas, tenho uma dúvida, se este estudo é válido também para bezerras e qual seria a influencia destes procedimentos quanto a puberdade das bezerras e idade ao primeiro parto, que é o que interessa mais ao produtor de leite, tendo em vista que na maioria dos casos os machos são descartados.

Atenciosamente

Marcos Ottoni
MARCO FIGUEROA

CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 01/06/2016

Excelente artículo.
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