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Diarreias e seus agentes causais em bezerros leiteiros

POR EVANGELINA MIQUEO

E CARLA MARIS MACHADO BITTAR

CARLA BITTAR

EM 26/05/2015

6 MIN DE LEITURA

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Animais com plano de nutrição deficiente, seja durante o período de colostragem ou durante o aleitamento propriamente, são propensos a sofrer distúrbios metabólicos como diarreia afetando seu desenvolvimento. Assim, uma nutrição equilibrada é fundamental para melhorias na saúde, bem-estar e produtividade dos animais. No entanto, outros fatores como o manejo das instalações e manejo sanitário geral, também afetam fortemente a ocorrência de diarreias neste período. A diarreia afeta os bezerros principalmente nas primeiras semanas de vida, sendo responsável por grandes perdas econômicas, não só pela mortalidade, mas também pelos custos com medicamentos e mão de obra para tratar os animais acometidos, assim como pela redução no seu ganho de peso. Ao mesmo tempo, a ocorrência de diarreias gera consequências negativas na vida produtiva futura do animal.

Nas primeiras etapas de vida do animal, existe uma maior vulnerabilidade às infecções intestinais, as quais podem ser produto de má higienização dos materiais utilizados para alimentação, ambiente contaminado, contato de animais sadios com animais infectados, e também por mudanças bruscas na dieta. Essa suscetibilidade às infecções é aumentada quando o animal não recebeu uma correta colostragem nas primeiras horas de vida, fato que contribui para diminuir a transferência de imunidade passiva.

Existem dois tipos de diarreia de acordo com a sua origem, infecciosa ou não infecciosa. No caso da diarreia infecciosa os agentes causais são normalmente microrganismos como bactérias, vírus e protozoários. Entre eles, Coccidia e Cryptosporidium, são os patógenos gastrintestinais mais comuns isolados em animais com diarreia. Eles atrofiam a vilosidade do intestino, aumentando a permeabilidade do mesmo devido a processo inflamatório ou trauma. O Cryptosporidium é um dos principais agentes etiológicos em diarreia de recém-nascidos, afetando os mesmos principalmente do 4º. ao 10º. dia de vida. Já as bactérias, como Escherichia coli, liberam toxinas que estimulam a secreção de grandes quantidades de fluídos (hipersecreção) que superam a capacidade de absorção. Este patógeno afeta os bezerros nos primeiros quatro dias de vida.

A diarreia alimentar ocorre de forma abrupta e sem sinais clínicos evidentes. Ela é causada de maneira geral por erro no manejo alimentar de bezerros em aleitamento como, por exemplo, má higienização de utensílios, fornecimento de leite estragado e mudança brusca na dieta.

A diarreia de origem virótica pode ser causada por rotavírus, coronavírus e pelo vírus da diarreia bovina (BVD). A coronavirose é de difícil diferenciação, tendo como sintomas principais diarreia aguda, desidratação, acidose metabólica, depressão, falta de apetite, letargia, apatia e até morte. A transmissão é oral/fecal, sendo sua ocorrência após 36-60 horas de incubação de coronavírus. Já a rotavirose acontece principalmente durante o inverno, e tem uma emergência espontânea e rápida disseminação entre o rebanho de recém nascidos. Sua transmissão é oral/fecal, sendo sua ocorrência entre o primeiro dia até três semanas de vida do bezerro. Este distúrbio é caracterizado por produzir diarreia aquosa e amarela, desidratação, aumento da salivação e rejeição a dieta líquida. A BVD é causada pelo vírus da diarreia bovina, e é considera um dos principais patógenos que acomete os rebanhos bovinos no mundo inteiro. A sintomatologia se inicia após dois ou três dias de exposição, podendo durar vários dias. O animal apresenta diarreia aguda, desidratação e morte, sendo que também podem se apresentar ulcerações na língua e na boca.

Os agentes causais das diarreias bacterianas são Escherichia coli, Salmonella e Clostridium. Escherichia coli tem alta capacidade de adesão e produção de toxinas, sendo a sua transmissão de tipo oral/fecal. A maioria das infecções ocorre durante ou após o nascimento, podendo levar o bezerro à morte. Ocorre entre o segundo e o décimo dia de vida do animal. Os sintomas são diarreia aguda e aquosa, amarela pálida ou esverdeada, desidratação e acidose metabólica. A salmonelose é de rápida disseminação entre os bezerros, podendo a Salmonella se associar a outros agentes infecciosos. Sua ocorrência se dá durante os primeiros 15 dias de vida, sendo a sintomatologia típica a diarreia, perda de apetite, fraqueza e até morte. A transmissão é de tipo oral/fecal, mas também pode ocorrer por ingestão de ração contaminada. Clostridium perfringens causa a enterite necrótica. Esta bactéria é de alta proliferação e produção de toxinas, e se transmite via oral/fecal. Sua ocorrência se dá durante os dois primeiros dias de vida ou quando ocorrem mudanças repentinas na dieta. Os sintomas são diarreia, podendo aparecer hemorragias, e necrose da mucosa intestinal.

Já a diarreia não infecciosa, também chamada de osmótica, é resultante do acúmulo de solutos no intestino, produto de problemas na digestão ou na absorção, fazendo com que a água seja retida e não absorvida. Isto pode ser consequência de sucedâneos lácteos de baixa digestibilidade, que conduzem a um excesso de nutrientes indigestíveis no intestino delgado. A diarreia alimentar ocorre de forma abrupta e sem sinais clínicos evidentes. Ela é causada de maneira geral por erro no manejo alimentar de bezerros em aleitamento como, por exemplo, má higienização de utensílios, fornecimento de leite estragado e mudança brusca na dieta.

Seja qual for o agente causal, as diarreias em geral resultam em grande perda de água e eletrólitos, devido ao dano morfológico na mucosa intestinal o que resulta num aumento na susceptibilidade ao ataque bacteriano. Água é o principal nutriente para o organismo, sendo que o corpo do recém- nascido é composto por 70% - 75% de água, e tem um papel essencial em manter o normal funcionamento do organismo. A manutenção do balanço de eletrólitos nos fluidos e tecidos do corpo tem grande importância porque afeta todos os aspectos de absorção e metabolismo. A pressão osmótica que existe através das membranas celulares é criada pela concentração de íons solúveis (sódio, potássio, cloro, bicarbonato e fosfato) nos fluidos corporais. Na maioria dos casos de diarreia, a morte do bezerro acontece por desidratação e perda de eletrólitos, e não diretamente por ação do agente infeccioso. Os bezerros recém-nascidos com diarreia têm uma redução do volume de água extracelular (50% aproximadamente) e particularmente do volume plasmático. A manutenção do balanço de água e de eletrólitos é um fator crítico para a sobrevivência do animal.

Embora seja comum a ocorrência desta enfermidade nas propriedades rurais, o tratamento quase nunca é adequado, pois a administração de antibióticos e anti-inflamatórios não corrige os distúrbios hidroeletrolíticos e ácido-base, que são as principais causas da alta taxa de mortalidade destas afecções. O equilíbrio osmótico entre o líquido intercelular e o líquido extracelular é mantido pelos eletrólitos, que são os solutos, e, para manter a homeostase do organismo, é necessário que haja neutralidade entre os meios, ou seja, deve haver uma equivalência entre cátions e ânions. A osmolaridade plasmática (liquido extracelular) é diretamente dependente da concentração sérica dos eletrólitos, principalmente do sódio. Este é o principal cátion presente no líquido extracelular, enquanto o cloreto (Cl-) e o bicarbonato (HCO3) são os principais ânions. Já no líquido intracelular, o potássio (K+) é o cátion em maior abundância, além do cálcio (Ca+2) e o magnésio (Mg+2), enquanto os fosfatos e as proteínas são os principais ânions.

Muitos destes problemas podem ser resolvidos com programa de vacinação de vacas no pré-parto, associado a adequado protocolo de colostragem. Além disso, adequado manejo de instalações de bezerras e manejo alimentar, com foco na higienização de utensílios e fornecimento de dieta líquida de boa qualidade, são essenciais para manutenção de animais saudáveis e livres de diarreias.



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EVANGELINA MIQUEO

Engenheira Agrônoma - Estudante de Mestrado ESALQ/USP

CARLA MARIS MACHADO BITTAR

Prof. Do Depto. de Zootecnia, ESALQ/USP

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CAROLINA CASTELLO BRANCO BARROS

VALENÇA - RIO DE JANEIRO - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 29/05/2015

Dra Carla, boa tarde ! Qual seria a melhor vacina contra salmonella e Pasteurella ? Muito obrigada, Carolina.
MARLON LAURO DE MELO BATISTA

RESPLENDOR - MINAS GERAIS - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 29/05/2015

Boa tarde, gostaria de saber se a vacina Mastiplus Br contribui com anticorpos na prevenção da diarreia nos recém nascidos e também se o cloridrato de benzetimida ( Redução da motilidade intestinal) seria um bom principio ativo a ser utilizado na redução da perda hídrica. Agradeço os esclarecimentos. Abraço.
CARLA BITTAR

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 27/05/2015

Interessante utilizar também vacina para salmonela e pasteurela.
LUCAS COMUNELLO

CHAPECÓ - SANTA CATARINA - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 26/05/2015

Rotavec Corona, 3 meses a 3 semanas antes do parto, dose única.
BALDUINO LUIS THOMAZI JÚNIOR

CAXIAS DO SUL - RIO GRANDE DO SUL - PRODUÇÃO DE GADO DE CORTE

EM 26/05/2015

Qual vacina e em que período é indicado para as vacas?
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