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Crescimento de microrganismos em sucedâneo lácteo fornecido em aleitador automático

VÁRIOS AUTORES

CARLA BITTAR

EM 29/03/2016

4 MIN DE LEITURA

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A criação de animais em grupos tem aumentado nos mais diversos sistemas de produção, principalmente por permitir interação social entre os animais e manifestação de comportamentos lúdicos (brincadeiras), o que muitas vezes reflete no maior desempenho dos animais. Este é um sistema também que pode trazer redução na mão de obra em algumas situações, se tornando mais interessante do ponto de vista econômico. No entanto, além de se observar maior transmissão de doenças, animais criados em lote podem sofrer competição social, inclusive durante os períodos de alimentação quando se usam containers com vários bicos. Nesta situação é comum observar o deslocamento de um animal menor durante a mamada pela ação física de uma bezerra maior. Assim, os sistemas de aleitamento automático vêm ganhando espaço, sendo adotados por várias propriedades com grande sucesso. Com esta tecnologia, os animais são criados em grupo, mas tem o aleitamento individualizado, de forma que o volume consumido por animal não tem variação. A adoção de aleitadores automáticos permite a padronização do consumo da dieta líquida mesmo que exista alguma variação de peso e altura dentro do lote.

Existem vários modelos de aleitadores no mercado e todos eles se utilizam de um chip que é colocado junto ao brinco do animal, para que este seja reconhecido pelo equipamento e a dieta seja liberada para a mamada. Podem ser programados diferentes manejos alimentares, considerando volume total de consumo, volume máximo por mamada e tempo entre mamadas. Dessa forma, o animal escolhe o momento em que quer consumir a dieta líquida, sendo esta dividida em porções ao longo do período de 24h.

Alguns equipamentos tem um copo misturador que prepara o sucedâneo no momento em que o bezerro é reconhecido através do chip, de forma que o leite não é uma opção para fornecimento. Outros equipamentos tem um container onde a dieta líquida (leite ou sucedâneo) fica preparada e normalmente é trocada ou reabastecida duas vezes por dia. Neste caso, existe um problema associado com a estabilidade da dieta líquida, uma vez que esta permanece em temperatura ambiente, que pode ser alta na maior parte do ano e na maior parte do Brasil. Embora o sucedâneo recomendado para utilização nestes equipamentos seja aquele acidificado, não se sabe ao certo como ocorre o crescimento bacteriano quando o material permanece por longos períodos em ambiente quente e úmido. Uma alternativa é colocar o container em sistema de refrigeração.

Assim, um trabalho conduzido no Depto. de Zootecnia da ESALQ teve como objetivo quantificar as alterações de pH e a contagem de microorganismos em sucedâneo lácteo, com e sem refrigeração de container de aleitador automático, de acordo com a temperatura ambiente.

Para as avaliações, foi utilizado um lote de bezerros da raça Holandês em lote e com acesso ao aleitador automático Calf Feeder (DeLaval, Figura 1), de forma que a saída de dieta líquida do container durante o período de avaliação fosse real. O sucedâneo lácteo foi diluído a 12,5% de sólido e transferido para o container as 7:30 am e as 6:30 pm, sempre após a higienização do container e das mangueiras do aleitador, conforme recomendações do fabricante. Um container maior contendo gelo foi utilizado para refrigeração do container contendo o sucedâneo diluído.

Figura 1. Sistema de aleitador automático e lote de animais em aleitamento.



Amostras de sucedâneo foram colhidas às 2, 4 e 8h após o abastecimento da manhã; e as 2, 4, 8 e 12h após o abastecimento da tarde. Nestes momentos o pH e a temperatura da dieta no container foram mensurados. O plaqueamento das amostras e a contagem de microrganismos foi realizada de acordo com os "Standard Methods for the Examination of Dairy Products”. Para o plaqueamento foram utilizadas placas Petrifilm (3M), as quais foram incubadas em BOD durante o período de 24h para contagem de enterobactéria; 48h para bactérias ácido-láticas; 72h para contagem de leveduras; e 5 dias para mofos e bolores (Figura 2).

Figura 2. Plaqueamento para contagem de microrganismos em amostras de sucedâneo lácteo em container de aleitador automático, com ou sem refrigeração.


Os resultados mostram que a estratégia de utilizar container com gelo não foi muito eficiente para a refrigeração do sucedâneo láteo, sendo a diferença média de temperatura de apenas 2°C (Tabela 1). No entanto, houve uma grande diferença de acordo com o tempo, sugerindo que abastecimento do container maior com mais gelo pode alterar este resultado. Houve uma tendência de menor pH médio para o sucedâneo em temperatura ambiente, sugerindo crescimento bacteriano nestas amostras. Esta sugestão se comprovou com maior crescimento de leveduras e enterobactérias em amostras de sucedâneo mantido em temperatura ambiente.

Tabela 1. Temperatura, pH e contagem de microrganismos em sucedâneo mantido em sistema de aleitamento automático com refrigeração ou em temperatura ambiente.



T: efeito de tratamento (refrigerado ou temperatura ambiente); H: efeito da hora da colheita de amostra; e T x H: interação entre tratamento e hora de colheita.

O resultado mais interessante foi o grande aumento na contagem de enterobactérias no sucedâneo com o passar do tempo (Figura 3). As contagens foram menores nas amostras do container refrigerado e nas 12h após o abastecimento da tarde (6:30 am) o número de enterobactérias no sucedâneo mantido em temperatura ambiente foi o maior. As enterobactérias são bactérias normalmente associadas com diarreias em bezerras leiteiras. Assim, quando estas aumentam seu número na dieta líquida é provável que ocorram diarreias nas bezerras.

Figura 3. Contagem de enterobactérias durante os horários de amostragem do sucedâneo lácteo mantido em aleitador automático, com refrigeração (R) ou em temperatura ambiente (TA).



Este rápido estudo permite concluir que a refrigeração de container de aleitadores automáticos, que não permitem o preparo da dieta líquida no momento da mamada, é uma ferramenta prática e eficiente para a redução da carga de microrganismos no sucedâneo lácteo fornecido a bezerras leiteiras.

Referências bibliográficas

Slanzon, G.S; Santos, F.H.R; Bittar, C.M.M. Effect of cooling on microbiological profile of milk replacer stored in containers of automatic calf feeders. Anais da 50a. Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia. Campinas, 2013.

CARLA MARIS MACHADO BITTAR

Prof. Do Depto. de Zootecnia, ESALQ/USP

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CARLA BITTAR

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 04/04/2016

Vagner,

Obrigada!

Vamos ver o que conseguimos fazer...As demandas de campo são muitas!

Abs.,

Carla
CARLA BITTAR

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 04/04/2016

Rafael,

Ainda não conheço esse equipamento que permite uso de leite e sucedâneo de forma concomitante. Deve ser interessante! Vou pesquisar...

Abs.,

Carla
VAGNER MIGOTTO CARNEIRO

ENCANTADO - RIO GRANDE DO SUL - REVENDA DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS

EM 31/03/2016

Parabéns pela iniciativa e que venham muitos outros trabalhos relacionados ao tema: alimentadores e sucedâneos. No caso desse estudo, imagino que se fosse pensar em um meio de preservar a qualidade usando algum equipamento, que não fosse o de fazer gelo e sim, um que resfriasse o leite como um resfriador convencional de leite, com fundo de expansão, seguindo a lógica que se é para ter um alimentador automático, que seja tenha mais praticidade. Gostaria muito de ver uma avaliação entre o uso de sucedâneo de alta qualidade e o uso de leite in natura nesse mesmo tipo de equipamento. Também seria bom podermos ver a avaliação do resultado de desempenho das bezerras e índice de enfermidades neste comparativo. Novamente parabéns pela iniciativa e veiculação de novas ideias!
RAFAEL OSIELSKI LANZARINI

GRAVATAÍ - RIO GRANDE DO SUL - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 30/03/2016

Artigo bastante interessante com com informações muito pertinentes a este que é um problema em grandes propriedades.



Gostaria de pontuar a seguinte passagem:



"Alguns equipamentos tem um copo misturador que prepara o sucedâneo no momento em que o bezerro é reconhecido através do chip, de forma que o leite não é uma opção para fornecimento".



Existem hoje no mercado nacional equipamentos que trabalham com ambas opções (leite e suscedâneo) de forma concomitante e estes se mostram muito eficientes no trato do das animais, em especial em propriedades que possuam acompanhamento continuado do ganho de peso animal.



Outro ponto a ser observado e de suma importância em propriedades que utilizam a alimentação automática é a limpeza de tais equipamentos, pois alguns não possuem esta de forma automática e em muitos casos esta operação se torna difícil, e nestes casos tornam o equipamento uma fonte de disceminação de doenças.
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