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Bezerra saudável e bem nutrida significa maior produção de leite no futuro

POR CARLA MARIS MACHADO BITTAR

E CARLOS EDUARDO OLTRAMARI

CARLA BITTAR

EM 10/11/2011

5 MIN DE LEITURA

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A criação de bezerras e novilhas, necessita de investimentos e cuidados especiais para que futuramente passem a produzir e gerar lucros. 

Dentro de um sistema convencional de produção de leite a maior parte da receita mensal provém da venda do leite e de animais de descarte. A criação de bezerras e novilhas, por sua vez, necessita de investimentos e cuidados especiais para que os animais tenham desenvolvimento satisfatório, sendo encarado muitas vezes apenas como um dreno de dinheiro da propriedade.

No entanto, estudos vêm demonstrando que a criação de fêmeas de reposição em instalações adequadas e com manejo sanitário e nutricional apropriado pode reduzir a idade à primeira parição, aumentar a produção de leite, assim como a vida útil dos animais no rebanho, ou seja, o número de lactações. Isso significa dizer que produtores que fazem a cria e recria de forma adequada possivelmente serão melhores remunerados ao fim de cada mês, além de contribuírem para a maior longevidade do rebanho.

Visando comprovar tais pressupostos, pesquisadores americanos conduziram um experimento buscando saber quão grande é a influência das práticas de manejo adotadas nos primeiros 4 meses de vida de bezerras sobre a primeira lactação, o número total de lactações e a idade de descarte do rebanho. Para tanto, 795 bezerras de 21 propriedades do estado da Pensilvânia/EUA foram monitoradas durante 10 anos.

Durante os primeiros 4 meses de vida dos animais, dados relativos ao manejo, nutrição e saúde dos animais foram coletados a cada 15 dias. Após esta fase, avaliou-se trimestralmente o desempenho dos animais na primeira lactação e a idade em que estes foram retirados do rebanho por não apresentarem produção satisfatória.

As variáveis utilizadas para estudar os efeitos do manejo dos animais sobre a produção e tempo de permanência da vaca no rebanho foram:

  • Dificuldade do parto,
  • Idade ao desaleitamento,
  • Ingestão de matéria seca ao desaleitamento,
  • Idade que as bezerras apresentaram consumo 0,91 kg de concentrado pela primeira vez,
  • Número de dias em que as bezerras apresentaram diarreia durante os quatro primeiros meses de vida,
  • Número de dias durante os primeiros quatro meses de idade de tratamento com antibiótico,
  • Idade ao primeiro parto
  • Peso vivo ao primeiro parto.

Os valores médios de cada variável estão apresentados na Tabela 1.

Tabela 1. Variáveis analisadas para estudar o efeito do manejo de bezerras na produção de leite e descarte dos animais do rebanho.


As análises de correlação apresentaram resultados bastante interessantes que demonstram efeitos de práticas de manejo na produção de leite futura. Observou-se que os animais que nasceram de partos distócicos apresentaram menor produção de leite na primeira lactação (-195 kg de leite).

Partos problemáticos também afetaram a produção de proteína e gordura do leite.Ainda, animais que tiveram dificuldades para nascer apresentaram menor consumo de concentrado ao desaleitamento, maior número de dias acometidos por alguma enfermidade nas primeiras 16 semanas de vida, consequentemente maior número de tratamentos com antibiótico e menor peso corporal ao primeiro parto.

Por outro lado, a maior ingestão de matéria seca ao desaleitamento foi associada maior produção de leite, gordura e proteína. Segundo os resultados, para cada aumento de 1 kg na ingestão de matéria seca ao desaleitamento houveum aumento na produção de 286,7 kg de leite na primeira lactação.

A idade em que os bezerros consumiram 0,91 kg de concentrado apresentou efeitos positivos na produção durante a vida útil do animal, não só em termos de litros de leite, mas também em kg degordura e proteína, muito embora este efeito não tenha sido observado quando se avaliou a produção na primeira lactação isoladamente.

A saúde do bezerro, determinada pelo número de dias que os bezerros apresentaram diarreia ou tosse durante os quatro primeiros meses de vida, teve efeito negativo na produção de leite na primeira lactação (-202,49 kg), produção de proteína (-6,13 kg) e gordura (-9,33kg).

Por outro lado, o número de dias que os bezerros foram tratados com antibióticos durante os primeiros quatro meses de vida teve efeito positivo na produção de leite (+137,85 kg), gordura (5,52 kg), proteína (11,35 kg). Este efeito pode estar relacionadoa melhoria geral na saúde dos animais.

A idade ao primeiro parto resultou em efeitos negativos na produção de leite, gordura e proteínana primeira lactação. Cada dia a mais na idade ao primeiro parto resulta em uma redução de 2,37 kg de leite na primeira lactação.

Por outro lado, como esperado, o peso ao parto apresenta efeito positivo na produção de leite na primeira lactação, sendo esta relação também de 2,37, ou seja, cada kg a mais de peso ao parto corresponde ao aumento de 2,37 kg de leite na primeira lactação.

Em síntese, os resultados apresentados neste estudo indicam que a dificuldade no parto, dias que os animais permaneceram doentes antes dos quatro meses de vida e aumento na idade ao primeiro parto tiveram efeito negativo sobre produção de leite na primeira lactação.

Por outro lado, maior ingestão de alimento ao desaleitamento, maior número de tratamento com antibiótico e maior peso corporal ao primeiro parto tiveram efeitos positivos sobre produção na primeira lactação. A maior ingestão de concentrado afetou positivamente o tempo em que as vacas permaneceram no rebanho. Por fim, conclui-se que bezerras submetidas a um adequado manejo sanitário e nutricional possivelmente apresentarão maior produção de leite e longevidade.

Referências
Heinrichs, A. J.; Heinrichs, B. S. A prospective study of calf factors affecting first-lactation and lifetimemilk production and age of cows when removed from the herd. J. Dairy Science, v.94, p. 336-341. 2011.

Comentários
Vários trabalhos vêm demonstrando o efeito das práticas de manejo de bezerras na produção futura dos animais, avaliando principalmente programas de alimentação com ênfase na dieta líquida.

Já discutimos em outros radares técnicos dados de trabalhos mostrando aumentos na produção de leite na primeira lactação de 450 a 1.400 kg quando animais receberam 50% a mais de dieta líquida durante a fase de aleitamento.

Trabalhos ainda mais recentes mostram que o maior ganho de peso tem efeito positivo no desenvolvimento da glândula mamária. Durante muitos anos estudou-se os efeitos negativos da alimentação intensiva no desenvolvimento da glândula mamária durante o período pré-púbere.

Hoje podemos beneficiar os sistemas de produção de leite fazendo uso estratégico de alimentação intensiva durante o período de aleitamento e não no período seguinte. Interessante que o atual levantamento e análise de dados em sistemas de produção, e não em experimento controlados realizados dentro de universidades ou institutos de pesquisa, mostra que os benefícios de melhor manejo nutricional e sanitário vão além da produção de leite na primeira lactação, se estendem durante toda a vida produtiva dos animais e ainda diminuem a idade de descarte dos mesmos.

Uma coisa é certa: vale à pena investir na alimentação e manejo geral de bezerras!

CARLA MARIS MACHADO BITTAR

Prof. Do Depto. de Zootecnia, ESALQ/USP

CARLOS EDUARDO OLTRAMARI

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FABIANO LOPES BUENO

CURITIBA - PARANÁ - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 20/03/2014

Cara Prof. Carla

Parabéns por mais um excelente artigo neste Radar Técnico. É imprescindível que haja o entendimento, por parte dos técnicos e produtores, que o sucesso da produção leiteira começa a ser feita na fase inicial da bezerra.

Parabéns.
MARIANA POMPEO DE CAMARGO GALLO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 20/03/2014

Gostaria de convidá-los a participar do Curso Online" Aleitamento de bezerras com sucedâneos lácteos".



O curso terá início em 29/04 e a instrutora Carla M. M. Bittar, irá esclarecer os principais aspectos relacionados ao uso de sucedâneo para aleitamento de bezerras, além de tirar dúvidas através do fórum de perguntas e conferência online.



Para mais informações ou realizar sua inscrição acesse nossa página de cursos: https://www.agripoint.com.br/curso/aleitamento-bezerras/



Ou mande um e-mail para: cursos@agripoint.com.br
FABIANO LOPES BUENO

CURITIBA - PARANÁ - INDÚSTRIA DE INSUMOS PARA A PRODUÇÃO

EM 15/05/2012

Professora Carla parabéns pelo excelente artigo.

É muito importante derrubar o paradigma de 4 litros/bezerra/dia! Esta quantidade de leite é insuficiente para atender as necessidades nutricionais das bezerras.

Para obtermos bezerras de melhor qualidade e saúde é necessário aumentar o volume diário de leite.

Abraço

MAURO WELLINGTON G PEREIRA

OURO FINO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/04/2012

Prezados Carla e Carlos Eduardo.

Parabenizo o artigo e outros publicados neste canal do mesmo tema. Tão importante e linhas diferentes de pensamento. Diante das considerações sobre o aumento do volume de dieta líquida das bezerras, pergunto se posso utilizar o soro do leite (proveniente de queijo) na dieta e sua importância. O soro tem algum valor nutritivo?

Tem alguma contra indicação? Qual volume é recomendado (se for recomendado).

Obrigado.
CARLA MARIS MACHADO BITTAR

PIRACICABA - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 22/11/2011

Guilherme,


Estão fazendo um belíssimo trabalho!!!! Parabéns!


Realmente o custo com a dieta líquida é o que tem feito a maior parte dos produtores permanecerem com manejo alimentar tradicional e bastante conservador. Aqueles que fizerem investimento nos animais jovens com certeza terão no futuro vacas mais produtivas!


Abs.,


Carla.
GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO

JUIZ DE FORA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 10/11/2011

Prezados Carla e Carlos Eduardo: Parabéns pelo artigo. Este, talvez, seja o maior dos gargalos da criação de gado de leite. A criação de bezerras, no Brasil, é sempre deixada de lado, levando-se em conta o valor do leite que teria de ser destinado às mesmas, para uma eficiência exemplar durante a vida produtiva. Concordo, plenamente, com a assertiva de que o aumento da dieta líquida, durante a fase do aleitamento, seja o segredo maior da criação destes animais. Nós, da Fazenda Sesmaria, estamos adotando uma dieta de choque (rsrsrs), onde o animal é alimentado, além de ração, com doze litros de leite/dia, divididos em três porções. A nós não nos importa o custo deste sistema, pois o mesmo, com certeza, é diluido pela desnecessidade de medicamentos (as bezerras não têm casos de doenças respiratórias, nem de tristeza e não apresentam quadros de diarréia), além de nos proporcionar primeiras lactações antecipadas (a pioneira deste sistema pariu - sem quaisquer problemas - com vinte meses de idade e produz média de trinta e cinco litros/dia).  Outras duas, paridas este mês - também sem problemas - aos vinte e um e vinte e dois meses de idade, produzem, já, em torno de vinte e cinco litros/dia. Uma terceira, está seca para segunda cria, com previsão de parto aos trinta e dois meses de idade. Adotamos a dieta única para todos os animais, variando só as quantidades fornecidas. A vida lactativa destes animais compensa o custo de criação, pois se transformam em vacas com média de 46,5 litros/dia, em três ordenhas, já na segunda lactação.


Um abraço,


GUILHERME ALVES DE MELLO FRANCO


FAZENDA SESMARIA - OLARIA - MG
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