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Aminoácidos para bezerros leiteiros

POR CARLA MARIS MACHADO BITTAR

E JACKELINE THAIS DA SILVA

CARLA BITTAR

EM 31/03/2015

6 MIN DE LEITURA

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O conhecimento quantitativo da exigência de aminoácidos para animais ruminantes é cada vez mais importante para ajustes finos na formulação de dietas. Vários estudos com animais em crescimento mostram melhoras no ganho de peso e conversão alimentar com a adição de aminoácidos essenciais na dieta. No entanto, a exigência em aminoácidos por bezerros com menos de 5 semanas de idade não está claramente definida, sendo os valores utilizados aqueles estimados em um número limitado de estudos com bezerros alimentados com leite integral e sem acesso a concentrado inicial.

Nas últimas décadas, considerável atenção foi dada a determinação de exigências de proteínas para animais ruminantes. Até a década de 70, as estimativas das exigências protéicas eram obtidas a partir de ensaios de desempenho e de digestibilidade, sendo expressas em termos de proteína bruta. Com o aprimoramento das técnicas utilizadas para ensaios de metabolismo, a exigência de proteína passou a ser expressa em unidades de “proteína absorvida”. Este sistema foi mais tarde substituído pelo atual modelo de proteína metabolizável (PM), que permite adequar as exigências da população microbiana ruminal em compostos nitrogenados, assim como a exigência do animal em proteína metabolizável (NRC, 2001). No entanto, a exigência de animais ruminantes é por aminoácidos e não por proteína simplesmente (NRC, 2001).

Dentre os aminoácidos essenciais, a lisina e a metionina foram identificadas como aminoácidos limitantes na proteína metabolizável de gado leiteiro para o crescimento do animal e produção de proteína do leite (NRC, 2001). Para animais jovens, esta limitação foi observada através do fornecimento de dieta sem a inclusão destes aminoácidos, com a consequente perda de peso dos bezerros, indicando assim a lisina e a metionina como aminoácidos limitantes para o adequado desempenho de bezerros leiteiros.

Pesquisas sobre a exigência de aminoácidos em bezerros leiteiros são escassas comparadas a estudos com aves e suínos. No entanto, os trabalhos têm indicado a lisina como o primeiro limitante e a metionina como o segundo limitante para o crescimento. A maioria dos alimentos oferecidos aos animais possui menores quantidades de lisina e metionina na sua composição, em particular lisina.

Para animais na fase de aleitamento, convencionou-se que estes são dependentes de determinados aminoácidos, assim como as espécies não ruminantes. O leite integral apresenta um perfil de aminoácidos de alto valor biológico (Tabela 2), já que fornece um equilíbrio ideal de aminoácidos para o crescimento.

Tabela 2 - Composição de aminoácidos do leite integral (g/ 100g de proteína)


Um dos maiores desafios na criação de bezerros pré-ruminantes em fazendas leiteiras é a redução dos custos com a alimentação, sem que ocorram reduções no desempenho. Uma das estratégias para alcançar este objetivo é a substituição do fornecimento de leite integral por sucedâneo lácteo. Contudo, o nível ideal de proteína que garanta o fornecimento adequado de aminoácidos via sucedâneo lácteo, para o rápido crescimento estrutural e rápida deposição de tecido magro, permanece indeterminado. Além disso, muitos produtos comerciais são formulados com grande inclusão de proteína de origem vegetal, que devido a sua menor digestão por animais jovens, pode limitar ainda mais o suprimento adequado de aminoácidos.

Estudos desde a década de 70 vêm buscando determinar a concentração ideal de aminoácidos a ser fornecida para bezerros durante a fase de aleitamento. No entanto, parte destes estudos foi conduzido com animais recebendo leite integral (HILL et al., 2008); e alguns poucos estudos com animais recebendo sucedâneo lácteo (HILL et al., 2007, 2008), sempre sem acesso a concentrado inicial.

Uma alternativa para suprir a exigência em aminoácidos dos animais na fase de aleitamento é a suplementação do concentrado inicial com aminoácidos essenciais. O consumo de concentrado inicial destes animais é crescente, atingindo valores significativos após a terceira semana de idade. A quantidade e a qualidade dos aminoácidos que chegam ao intestino delgado dos ruminantes resultam daqueles oriundos da proteína microbiana do rúmen e da fração protéica alimentar não degradada no rúmen. No entanto, durante a fase de aleitamento, a produção de proteína microbiana é muito baixa, mesmo quando os animais já possuem o rúmen desenvolvido, e esta deficiência pode limitar o crescimento e ganho de peso.

A síntese de proteína microbiana em bezerros até a sexta semana de idade é restrita pelo subdesenvolvimento da função ruminal até as primeiras semanas após o desaleitamento. No estudo de Quigley et al. (1985) pode ser observado que a contribuição de nitrogênio bacteriano para o nitrogênio total no abomaso em bezerros desaleitados na quarta semana de vida, estimulando o consumo de concentrado inicial, rapidamente se assemelha a de um ruminante adulto.

O potencial de escape de proteína da degradação no rúmen pode ser maior em bezerros logo após o desaleitamento em comparação ao animal adulto, o que pode de alguma forma melhorar a eficiência de ganho e balanço de N por estes animais. Acredita-se que este processo é importante, já que nesta fase, os aminoácidos fornecidos pela proteína microbiana são insuficientes para atender as exigências metabólicas para a manutenção e crescimento rápido do animal. Em animais com o rúmen ainda pouco desenvolvido, o pouco concentrado consumido será utilizado de forma semelhante a um animal monogástrico, sendo a proteína da dieta pouco transformada pela ação de microorganismos ruminais. Neste sentido, a formulação de dietas para atendimento de exigências em aminoácidos fica facilitada. Assim, a identificação de aminoácidos limitantes na proteína microbiana ruminal é importante, já que esta fornece uma grande proporção de proteína metabolizável da dieta para o crescimento do animal.

No trabalho de Abe et al. (1997), a lisina foi identificada como primeiro limitante para bezerros logo após o desaleitamento, quando a dieta foi formulada com milho ou seus subprodutos; enquanto a metionina foi identificada como primeiro limitante quando fornecidas pequenas quantidades de milho, forragem e ração de alto grão, ou quando grande parte da suplementação de proteína degradável no rúmen foi provida de produtos de soja.

Segundo Hill et al. (2008), a exigência em aminoácidos dos sucedâneos não está claramente definida, assim realizaram 4 estudos com o objetivo de verificar o efeito da suplementação do sucedâneo lácteo com aminoácidos para estimar a exigência ótima para bezerros com menos de 5 semanas de vida. Os autores observaram que o sucedâneo não pode ser formulado apenas adequando a proteína bruta através da resposta para a adição de aminoácidos lisina e metionina na dieta líquida, e concluíram que a exigência de bezerros com menos de 5 semanas de vida em lisina é de 17 g/d e 5,3 g/d de metionina.

O entendimento da exigência de aminoácidos por bezerras em diferentes fases do desenvolvimento auxiliará na formulação de dietas para o atendimento das mesmas. Animais aleitados com sucedâneos lácteos podem apresentar limitação no consumo diário de aminoácidos, caso o produto não tenha sido formulado para tal. Da mesma forma, o adequado suprimento de aminoácidos através do concentrado inicial pode auxiliar no atendimento da exigência em animais com rúmen ainda em desenvolvimento.

Referências

ABE, M.; IRIKI, T.; FUNABA, M. Lysine deficiency in postweaned calves fed corn and corn gluten meal diets. Journal of Animal Science, Champaign, v. 75, p. 1974-1982, 1997.
HILL, T.M.; ALDRICH, J.M.; SCHLOTTERBECK, R.L.; BATEMAN II, H.G. Amino acids, fatty acids, and fat sources for calf milk replacers. The Professional Animal Scientist, Champaign, v. 23, p. 401-408, 2007.
HILL,T.M.; BATEMAN II, H.G.; ALDRICH, J.M.; SCHLOTTERBECK, R.L.; TANAN, K.G. optimal concentrations of lysine, methionine, and threonine in milk replacers for calves less than five weeks of age. Journal of Dairy Science, Champaign, v. 91, p. 2433-2442, 2008.
NATIONAL RESEARCH COUNCIL. Nutrients requeriments of dairy cattle. 7th ed. Washington: National Academy of Sciences, 2001. 408 p.
QUIGLEY, D.; SCHWAB, C.G.; HYLTON, W.E. Development of rumen function in calves: nature of protein reaching the abomasum. Journal of Dairy Science, Champaign, v. 68, p. 694-702, 1985.
TZENG, D.; DAVIS, C.L. Amino acid nutrition of the young calf: estimation of methionine and lysine requirements. Journal of Dairy Science, Champaign, v. 63, p. 441- 450, 1980.

 

CARLA MARIS MACHADO BITTAR

Prof. Do Depto. de Zootecnia, ESALQ/USP

JACKELINE THAIS DA SILVA

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MARIANA POMPEO DE CAMARGO GALLO

PIRACICABA - SÃO PAULO

EM 28/04/2015

Olá,

Para quem estiver interessado em saber mais sobre o assunto, as inscrições para o Curso Online "Criação eficiente de bezerras e novilhas" já estão abertas!

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GUSTAVO ESTEVES

POÇOS DE CALDAS - MINAS GERAIS - INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS

EM 04/04/2015

Parabéns Professora e Aluna.



As informações são bem esclarecedoras.....

Só uma pergunta. Pensando na troca do leite pelo sucedaneo, qual é a melhor forma de usar e quanto tempo? levando em consideração custo beneficio e desenvolvimento dos animais?



Abraços
MilkPoint AgriPoint